Arquivo mensal julho 2019

porCIPERJ

CREMERJ faz pesquisa sobre saúde pública no Rio de Janeiro

fonte: CREMERJ

O CREMERJ realizou uma pesquisa sobre a percepção dos moradores da cidade do Rio de Janeiro em relação à saúde pública. O objetivo era entender o índice de utilização dos cariocas do Sistema Único de Saúde (SUS), a avaliação que eles fazem do serviço prestado bem como a frequência com que utilizam o mesmo, além de identificar os principais impasses que resultam numa má experiência ao usar o sistema.

A pesquisa, feita pelo Instituto Insider, foi quantitativa, descritiva e conclusiva; usou o método de entrevistas pessoais. Foram mais de 200 pessoas acima dos 18 anos de idade entrevistadas durante o mês de julho.

“Pela amostragem, a população está bastante insatisfeita com a assistência fornecida pelo sistema público de saúde. Alguns serviços, como é o caso das clínicas da família, são reconhecidos pelos cariocas, mas recursos não são aplicados para a melhoria dos mesmos. Nossos gestores deviam estar atentos a estas causas e interessados em conhecer a opinião do usuário, assim como o CREMERJ fez. É de suma importância entender isso para as tomadas de decisão que, muitas vezes, são apenas baseadas em estudos técnicos, ignorando a percepção da população acerca do SUS, que é o que realmente importa”, destacou a coordenadora da Comissão de Saúde Pública do CREMERJ, a conselheira Margareth Portella.

Utilização do SUS
De acordo com a pesquisa, em média, o morador da cidade do Rio de Janeiro costuma ir ao médico a cada 15 meses. O levantamento mostra que os que menos buscam atendimento médico são os homens (a cada 17 meses), de classe A/B (a cada 16 meses), moradores da Zona Suburbana (a cada 23 meses) e que têm plano de saúde (a cada 18 meses).

Já em relação à utilização dos serviços do SUS, um em cada cinco (ou 21%) entrevistados declarou não utilizar o sistema, principalmente os de classe A/B (34%), da Zona Suburbana (49%) e os que têm plano de saúde (52%). Os demais costumam utilizá-lo, em média, a cada 13 meses. Fato é que 44% usam este sistema anualmente e 24% a cada semestre.

Considerando apenas os que costumam utilizar o SUS, as unidades mais frequentadas são: clínica da família (63%), Unidade de Pronto Atendimento (UPA) (50%), posto de saúde (32%), hospitais (18%) e emergência/urgência (7%). Levando em consideração a unidade principal escolhida, os números praticamente se mantêm: clínica da família (53%), UPA (20%), posto de saúde (19%), hospitais (5%) e emergência/urgência (3%).

Observou-se, ainda, no levantamento, que, para 55% dos entrevistados, a clínica da família é a unidade do SUS que oferece o melhor serviço, principalmente entre os moradores da Zona Oeste (79%). Em seguida, iguais 14% elegem as UPAs e os postos de saúde. A UPA, aliás, é preferida pelos de classe D/E (30%) e do Centro/Zona Norte (28%) ao passo que os postos de saúde se destacam entre os moradores da Zona Suburbana (28%).

Avaliação dos usuários
Em relação ao atendimento no SUS, 54% consideraram como péssimo (24%) ou ruim (30%). Entre os pontos negativos, foram destacados: número reduzido de médicos para atender a grande demanda, déficit de equipamentos e aparelhos, falta de medicamentos e curativos e demora na marcação de consultas, exames e procedimentos. Quanto à experiência positiva no SUS, a população citou a agilidade e o bom atendimento da equipe médica.

As unidades mais bem avaliadas foram os postos de saúde e a clínica da família. E os piores foram as emergências/urgências e os hospitais. Sobre os postos de saúde, 59% e 2% avaliaram como ótimo ou bom. Para 47% e 2% dos entrevistados, as clínicas da família são boas e ótimas. Já as UPAs foram consideradas como boas e ótimas por 38% e 1% das pessoas. Com relação aos hospitais e às emergências/urgências, respectivamente, 22% e 17% consideraram como bons.

Sobre o Sistema de Regulação de Vagas (Sisreg), 30% dos entrevistados, principalmente entre os moradores da Zona Oeste (51%), disseram ter algum parente, amigo ou mesmo um conhecido aguardando por uma cirurgia ou exame na fila do mesmo. Cinquenta e nove por cento (59%) declararam que não conheciam ninguém nesta situação e 8% não souberam dizer. Três por cento (3%) informaram que não sabiam o que era o Sisreg.

Em relação ao tempo que ficam aguardando por um atendimento no SUS, a percepção é de que a população idosa é a mais prejudicada. Do total, 43% disseram que os idosos são os que ficam mais tempo esperando para serem atendidos, seguido dos adultos (30%) e dos bebês/crianças (2%).

Pouco mais da metade (ou 56%) dos entrevistados que tem um plano de saúde disse que manteria seu plano de saúde mesmo que o SUS passasse a prestar um atendimento mais acolhedor e eficiente. Já 37% optariam por cancelar seus planos de saúde e utilizariam o sistema público.

Fator que mais prejudica o SUS
Ainda na pesquisa, os entrevistados apontaram o que, na opinião deles, é o fator que mais prejudica o funcionamento do SUS. “Corrupção, roubo e desvio de recursos financeiros” é o motivo principal, considerado por 32% das pessoas. Em seguida, 21% citaram “Má gestão, administração dos recursos e de dinheiro público” e 14% mencionaram a “falta de recursos e de dinheiro público”. Na sequência, vieram: “Falta de médico, enfermeiro, técnico, profissionais de saúde”, com 12%; “Falta de material, equipamentos, insumo, medicamento”, com 10%; “Falta de infraestrutura em hospital, UPA, posto de saúde etc.”, com 8%; e “Despreparo de médico, enfermeiro, técnico, profissionais de saúde”, com 4%.

“A pesquisa como um todo é muito importante, pois trouxe um olhar real do usuário. A população entende quais são as razões que têm prejudicado o SUS. O usuário não culpa o médico nem os demais profissionais que atuam nas unidades, mas, sim, a corrupção, a má gestão e o sucateamento. Além disso, justifica como experiência positiva no SUS o bom atendimento médico”, ressaltou o presidente do CREMERJ, Sylvio Provenzano.

Perfil dos entrevistados
Sobre o perfil sócio demográfico da amostra, é possível destacar que: as mulheres representam ligeira maioria: 53% contra 47% de homens; a idade média dos entrevistados é de 41 anos – 23% têm de 31 a 40 anos e 21% têm de 41 a 50 anos –; a renda familiar média é de R$ 6.360; a maior parte é de classe C (46%) e outra boa parte é de classe B (36%). Já a classe A representa apenas 5% e 13% são de classes D/E.

Ainda sobre o perfil dos entrevistados, 39% eram moradores da Zona Oeste, 32% da Zona Suburbana*, 16% da Zona Norte**, 10% da Zona Sul e 3% do Centro da cidade. Sessenta e dois por cento (62%) são casados, 30% são solteiros, 7% são separados e 1% é viúvo. Em relação ao grau de instrução, 56% têm até o ensino médio completo, 22% possuem uma graduação completa e 22% têm o ensino fundamental completo ou incompleto. Trinta e dois por cento (32%) estão empregados em empresa privada, 23% são profissionais liberais, 13% são aposentados ou pensionistas, 12% são empregados em empresa pública e 9% são donas de casa. Sessenta e nove por cento (69%) dos entrevistados têm filhos e 65% não têm plano de saúde – 35%, naturalmente, possuem.

Para a Zona Suburbana*, a pesquisa considerou moradores dos bairros Pavuna, Irajá, Madureira, Ilha do Governador e Complexo da Maré. Já para a Zona Norte** foram considerados residentes dos bairros Méier, Tijuca, Rio Comprido e São Cristóvão.

porCIPERJ

Estudos ligam uso inadequado de redes sociais a depressão entre adolescentes

fonte: Estadão

A barriga dói na expectativa da primeira curtida. E, se alguém com menos seguidores consegue “bombar” nas redes sociais, logo vem a sensação de fracasso como um aperto no peito. Parece ficção científica, mas é de verdade: a vida digital descontrolada tem causado efeitos no bem-estar de adolescentes e jovens. Enquanto eles começam a descobrir as emoções a que são expostos na internet, cientistas de todo o mundo estão atrás de evidências para entender como e por que estar nas redes sociais pode alterar o equilíbrio mental de quem já cresceu conectado.

“O Instagram era vinculado diretamente a minha autoestima, imagem e valor. Se não recebia muitos likes, começava a questionar o que fiz de errado”, diz a influenciadora digital Daniela Zogaib do Nascimento, de 25 anos. O Photoshop turbinava as fotos para os 78 mil seguidores, mas nunca era suficiente.

“Estamos todos nos comparando e nos sentindo mal porque tem sempre alguém acima que nos gera incômodo”, diz ela, que evitava até encontros presenciais com medo de frustrar quem a conhecia só pelas telas. Acuada, resolveu reagir: apareceu sem maquiagem ou filtros e relatou em um vídeo a pressão virtual. “Quando você está nessa teia, não consegue pensar como pessoa normal.”

Para especialistas, a multiplicação de imagens que sugerem vidas perfeitas, como as que Daniela acessava, pode tirar o sossego de adolescentes e jovens. “Acreditamos que o tempo de tela em que há comparação social, como fotos de colegas exibindo corpos perfeitos, tem correlação com sintomas de depressão na adolescência”, disse ao EstadoElroy Boers, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal, no Canadá. Boers é autor de estudo publicado neste mês no periódico Jama Pediatrics, que relacionou aumento de tempo nas redes sociais e na televisão a sintomas de depressão. 

Durante quatro anos, 3,8 mil jovens de 12 a 16 anos preencheram questionários sobre o tempo em que permaneciam em frente a diferentes tipos de telas e sintomas de depressão. De acordo com Boers, além do fenômeno de comparação, outra hipótese é a de que algoritmos das redes (que permitem que conteúdos semelhantes aos já acessados sejam entregues aos usuários) podem reforçar quadros depressivos. Se o usuário pesquisa “magreza” ou “depressão”, mais conteúdos relacionados ao tema são oferecidos.O estudo não identificou elo entre videogames e depressão. 

A pesquisa canadense se soma a outras que dão pistas sobre essa relação. No início do ano, estudo publicado na revista Lancet deu número aos riscos. Com base em dados de 10 mil adolescentes de 14 anos, o levantamento revelou que, entre os que passam mais de cinco horas por dia nas redes sociais, o porcentual de sintomas de depressão cresce 50% para meninas e 35% para meninos. Mesmo entre os que passam três horas há elevação de sintomas, de 26% para elas e 21% para eles.

Especialistas têm se preocupado com os dados, mas são cautelosos ao buscar relações de causa e efeito. Sabe-se que a depressão depende de muitos fatores e, portanto, atribuir o distúrbio apenas à rede social seria reduzi-lo.

“Há fatores predisponentes, como famílias desestruturadas, histórico, baixa autoestima. Mas, na medida em que jovens entram na rede social, isso puxaria o gatilho da predisposição. É um novo palco para manifestação dos problemas”, diz Cristiano Nabuco, do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, com as redes sociais, temos 5 mil amigos; nosso cérebro entende que estamos sempre muito atrás de muitas outras pessoas.”

Twitter e Instagram planejam mudanças

Em meio a uma maior preocupação sobre saúde mental em tempos de internet, o Instagram anunciou neste mês o fim da contagem de curtida em fotos e visualizações de vídeos. A iniciativa é um teste no Brasil. “Não queremos que as pessoas sintam que estão em uma competição”, informou. Um levantamento de 2017 da Sociedade Real para Saúde Pública (RSPH), do Reino Unido, reconheceu a rede como a pior para a saúde mental de jovens. 

Depois de perceber que estava em uma “paranoia” no Instagram, o estudante Maurício Oliveira, de 20 anos, suspendeu o acesso por um tempo. Antes, buscou até “compra de likes” para melhorar a performance. “Costumava publicar em horários com pico de acesso e, quando mais novo, cheguei a apagar quando via que não teve engajamento. Gerava a ansiedade.”

Testes como o do Instagram também estão no horizonte de outras empresas. Em sua plataforma de experiências lançada neste ano, o Twitter estuda recurso de esconder botões de likes e retuítes. O controle do tempo gasto nas plataformas já é possível por meio de ferramentas no Facebook e Instagram. 

Contra o bullying, outro fator para desequilíbrio emocional dos jovens, o Instagram anunciou, ainda, recurso de alerta de ofensas. No Brasil, as agressões virtuais ganharam contornos trágicos há duas semanas, quando a influenciadora Alinne Araújo, de 24 anos, suicidou-se depois que o noivo terminou o relacionamento, na véspera do casamento. Ao publicar a decisão de casar-se consigo mesma em uma de suas contas, usada justamente para relatar a luta contra a depressão, Alinne recebeu uma chuva de críticas. 

Para Rodrigo Martins Leite, coordenador dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria da USP, o caso revela um paradoxo: mesmo super conectados, talvez os jovens estejam mais sozinhos do que nunca. “No início, tinha-se a ideia de que as redes seriam potencializadoras de relações sociais concretas, mas estamos nos estranhando”, diz.

Para se blindar de sensações desagradáveis, o chamado “unfollow terapêutico” virou recomendação médica. E, segundo Leite, buscar contato presencial com pessoas – no lugar de arrobas – continua sendo a melhor saída contra a sensação de isolamento.

Isolamento pode ser indício a pais

1. Mediação. Redes sociais não são nocivas por si só e podem ser úteis para estudos e relacionamentos, mas dependem de mediação. Para Anna Lucia King, doutora em Saúde Mental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pais devem ficar atentos ao comportamento dos filhos, como tempo de conexão e teor de conteúdos vistos e publicados. 

2. Tempo de tela. É importante garantir que o uso da internet não se sobreponha a momentos de interação presencial com a família e amigos e às atividades físicas. O horário de sono também deve ser preservado. 

3. Sinais. Não é simples perceber depressão em crianças. “Dificilmente elas vão falar”, diz Rodrigo Leite, psiquiatra da USP. Isolamento, mudança brusca de humor e troca repentina de amigos podem ligar o sinal amarelo.

4. Apoio. Se for detectado um sofrimento ligado à internet, deve-se buscar ajuda profissional. Em alguns casos, pode ser recomendado deixar de seguir perfis considerados nocivos ou mesmo se afastar de algumas plataformas por um tempo.

‘Na verdade, você está preso’

Depoimento de Paula Silva, de 18 anos, estudante:

“Não acho que minha depressão veio da internet, mas a internet colabora. Fico em uma bolha, posso conviver com pessoas que pensam como eu, posso criar um modelo de uma vida que não é real e perder o foco do que acontece. Uma das redes que não uso mais é o Instagram. É impossível ver a foto de alguém com um corpo bonito e não se sentir inferiorizada. Você sente que não tem uma vida boa o suficiente. Eu não precisava de mais de três minutos para sentir que precisava mudar tudo em mim. Minhas fotos tinham de ser em um ângulo perfeito, com luz perfeita, sem nada que alguém pudesse usar para criticar. Cheguei ao ponto de demorar horas para postar. Você tem a sensação de liberdade, de que pode falar o que quiser, mas na verdade está preso.”

porCIPERJ

Visita de familiares na UTI por 12 horas diárias não gera risco a pacientes

fonte: Folha de SP

Quem já teve um familiar ou amigo próximo internado em uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) sabe que, em geral, as visitas são restritas a cerca de duas horas diárias, às vezes fracionadas.

Lidar com a doença, os riscos, as dúvidas sobre o que se passa na UTI e o pouco tempo de convívio traz impactos também sobre a saúde de quem não está doente. 

Um estudo então resolveu testar os efeitos da ampliação do tempo de visita dos familiares para 12 horas por dia. Resultado: a mudança reduziu em 50% os sintomas de ansiedade e depressão que os parentes desenvolvem no período em que alguém da família está na UTI sem aumentar o risco de infecções para os pacientes.

“É tão efetivo quanto um antidepressivo, mas sem os efeitos adversos. Sabe-se que aproximadamente a metade dos familiares desenvolve níveis patológicos de depressão. Ter uma estratégia para reduzi-los é muito importante”, explica o médico pesquisador Regis Goulart Rosa, que coordenou a pesquisa UTI Visitas, publicada na edição mais recente do Jornal da Associação Americana de Medicina (Jama).

O estudo foi conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde, e realizado em 36 UTIs de hospitais públicos e filantrópicos do Brasil.

Em São Paulo, o estudo foi feito no HCor (Hospital do Coração) e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. No total, 1.685 pacientes e 1.295 familiares participaram do estudo.

“É uma mudança de baixo custo porque se trata de um procedimento organizacional. Só é necessário disponibilizar uma cadeira para que os acompanhantes fiquem ao lado dos pacientes por mais tempo”, diz Rosa. 

O tempo reduzido de permanência na UTI é uma prática comum por causa da ideia de que o contato com mais pessoas por mais horas resultam em maior risco de infecções aos internados e maior estresse para as equipes médicas.

“Desde o princípio, na década de 1950, a UTI se caracterizou como um ambiente complexo, com necessidade de maquinário e organização para cuidar de pacientes muito graves. A UTI nasceu como um ambiente restritivo. Acreditava-se que visitas poderiam trazer riscos aos pacientes, como infecções, e que a presença dos familiares poderia causar estresse nos profissionais, que teriam que lidar com mais gente”, explica o pesquisador. 

O estudo, porém, desmente o risco ampliado de infecções e conseguiu minimizar a possível sobrecarga dos profissionais educando os familiares sobre o funcionamento de uma UTI. Antes de receber autorização para passar 12 horas por dia no espaço, os acompanhantes receberam instruções. 

Nesse treinamento, os parentes aprenderam sobre o que faz cada profissional, como enfermeiros intensivistas, médicos e técnicos de enfermagem. Os familiares também foram ensinados sobre como funciona um monitoramento de funções vitais (pressão, glicemia, diurese), higiene e alimentação. 

O estudo avaliou também se a presença prolongada dos visitantes poderia diminuir a confusão mental dos pacientes, mas os resultados mostraram não houve diferença. 

“Os resultados robustos mostram que a permanência maior de visitantes não aumentou o risco de infecção nem o ‘burnout’ dos profissionais. Também não impactou em mortalidade ou em mais tempo de UTI nem gerou percepção de desorganização dos cuidados”, diz Rosa.

Para o médico, o estudo confirma cientificamente o que era intuitivo para quem trabalha na área da saúde. “Conheço poucos seres humanos que não queiram ter alguém querido ao lado em um momento de doença grave”, diz.

COMO FOI O ESTUDO

1.685 pacientes internados em UTIs participaram do estudo

  • 837 pacientes com visitação flexível de 12 horas por dia
  • 848 pacientes visitação restrita com média de 1,5 hora por dia

Gênero:
890 homens
795 mulheres

Idade média: 58,5 anos

Resultados

  • Diminuição de 50% de sintomas de depressão e ansiedade nos familiares que fizeram visitação flexível de 12 horas por dia
  • Sem risco de infecção ou aumento de mortalidade dos pacientes
  • Sem aumento do estresse da equipe de profissionais
  • Sem alteração para casos de confusão mental nos pacientes

Hospitais participantes (36 UTIs públicas e filantrópicas do país)

  •  Hospital de Urgências de Goiânia (GO)
  • Hospital Geral de Nova Iguaçu (RJ)
  • Hospital Santa Cruz (RS)
  • Hospital Montenegro (RS)
  • Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS)
  • Hospital Ana Nery (RS)
  • Hospital Tacchini (RS)
  • Hospitais do Complexo Hospitalar da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS):  Pavilhão Pereira Filho, Santa Rita, Dom Vicente Scherer (RS)
  • Hospital Mãe de Deus (RS)
  • Fundação de Saúde Pública São Camilo de Esteio (RS)
  • Hospital Nossa Senhora da Conceição (RS)
  • Hospital da Cidade de Passo Fundo (RS)
  • Hospital Universitário do Oeste do Paraná (PR)
  • Hospital do Câncer de Cascavel UOPECCAN (PR)
  • Hospital Dona Helena (SC)
  • Hospital das Clínicas da UFMG (MG)
  • Santa Casa de Misericórdia de São João Del Rei (MG)
  • Hospital Regional do Baixo Amazonas (PA)
  • Hospital Geral Cleriston Andrade (BA)
  • Instituto Nobre de Cardiologia Incardio (BA)
  • Hospital Universitário Alcides Carneiro UFCG (PB)
  • Hospital Alberto Urquiza Wanderley (PB)
  • Hospital Universitário Lauro Wanderlei UFPB (PB)
  • Hospital Universitário da UFPI (PI)
  • Hospital Agamenon Magalhães (PE)
  • Hospital Universitário de Petrolina – Universidade Federal do Vale do São Francisco (PE)
  • Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco (AC)
  • Hospital do Coração HCor (SP)
  • Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto FAEPA (SP)
  • Hospital Regional Dr. Deoclecio Marques de Lucena (RN)
  • Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (RN)
  • Fundação Hospital Adriano Jorge (AM)
  • Hospital Geral do Estado Dr. Oswaldo Brandão Vilela (AL)

Fonte: Hospital Moinhos de Vento e Jornal da Associação Americana de Medicina (JAMA)

porCIPERJ

Obesidade no país cresce 68% em 13 anos

fonte: O Globo

Um a cada cinco brasileiros (19,8%) está obeso, mostra levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, que registra ainda um aumento de 67,8% na obesidade no país, de 2006 (11,8%) para o ano passado — entre 2015 e 2017, este número tinha ficado estável. Cuiabá e Manaus são as capitais com maior percentual de obesos em sua população (23%), seguidas pelo Rio (22,4%).

Os dados fazem parte da pesquisa “Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico” (Vigitel) e mostram ainda que as capitais mais “magras” são São Luís (15,7%), Curitiba (16%) e Palmas (16,3%).

— As pessoas continuam achando que obesidade não é uma doença, que a pessoa come muito porque quer. Mas é preciso entender que existe uma série de fatores hormonais que levam a pessoa a sentir mais vontade de comer, por exemplo. Além disso, é o primeiro passo para uma série de doenças, não só as metabólicas, como o diabetes, mas as do coração, aumento do colesterol, piora da asma e da qualidade do sono. O problema é que hoje tratamos as

consequências (as doenças derivadas) e não a causa, que éa obesidade—alerta Mario Carra, do Departamento de Obesidade de Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, para quem a rede básica de saúde deveria incluir protocolos de controle da obesidade, como a medição de altura e peso em todas as consultas nas unidades de atendimento à famílias.

Além da obesidade, a pesquisaaborda também o excesso de peso, outro problema que vem crescendo eque já atinge mais da metade da população (55,7%) brasileira. Para saber se tem sobrepeso ou a obesidade, o indivíduo precisa calcular o índice de massa corporal (IMC), obtido ao dividir o peso (em quilos) pelo quadrado da altura (em metros). Se o resultado for igual ou acima de 25, tratase de excesso de peso. Igual ou acima de 30 já é obesidade.

—Apesar de reconhecido, o I MC nãoéa única medida. Pessoas que têm braços e pernas finos, mas apresentam a “barriguinha de cerveja”, mesmo que tenha IMC baixo, precisam de tratamento. O acúmulo de gordura no abdômen éo principal fatord eris copara as doenças relacionadas à obesidade —diz Carra.

Feito por telefone entre fevereiro e dezembro do ano passado com 52.395 brasileiros com mais de 18 anos nas 27 capitais, o Vigitel também mapeou outros hábitos relacionados à saúde.

Um deles é que aumentou em 15,5% a quantidade dos entrevistados que comem a quantidade certa de frutas e vegetais (cinco ou mais dias por semana): eram 20% em 2008, que passaram a 23,1% no ano passado. Outro dado é o número de fumantes, que caiu 40,7%, de 15,7% (em 2006) para 9,3% (em 2018).

Sobre o consumo abusivo de álcool (ingestão de quatro ou mais doses para mulheres ou cinco ou mais doses para homens, em uma mesma ocasião), houve um aumento de 14,7% em relação a 2006 e, de cada nove

mulheres brasileiras , uma fez consumo abusivo do álcool . Entre os homens, o índice é até maior: um de cada quatro. Mas foi entre elas que houve um crescimento acentuado (42,9%) de 2007 para 2018.

porCIPERJ

Segunda Pesquisa Nacional de Saúde começa em agosto

fonte: Agência Brasil

O Ministério da Saúde realizará, de agosto a dezembro, a segunda edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). O levantamento será feito em parceria com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e deve alcançar mais de 108 mil residências em todo o país. 

Realizada a cada cinco anos, a pesquisa vai subsidiar a pasta com informações que possibilitem a formulação e o aperfeiçoamento de políticas públicas. O trabalho envolverá cerca de 1,2 mil entrevistadores, que passarão por 3,2 mil municípios de todos os estados e regiões do país, de áreas urbanas e rurais. Eles estarão uniformizados com colete e crachá de identificação do IBGE.

Segundo o Ministério da Saúde, os dados da PNS serão usados para elaborar ou aperfeiçoar ações e políticas na área de Atenção à Saúde, como o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, a Estratégia de Saúde da Família e o programa Farmácia Popular do Brasil. A pesquisa será feita por amostragem com os moradores das residências sorteadas.

Aos entrevistados, serão feitas perguntas sobre as características do domicílio e sobre educação e rendimento, além da situação de saúde dos residentes, como estilo de vida, doenças crônicas não transmissíveis, saúde da mulher, do homem, da criança, do idoso e da pessoa com deficiência, entre outros.

Entrevista

A primeira edição da PNS foi em 2013. Na segunda edição, os entrevistadores seguirão três etapas. A entrevista levará, em média, 30 minutos para ser concluída, mas esse tempo poderá variar de acordo com o perfil do entrevistado.

Haverá perguntas sobre o domicílio (como bens e presença de animais domésticos) e seu entorno (rede de esgoto, coleta de lixo etc), sobre os moradores (aspectos gerais como educação e rendimentos, saúde dos demais residentes) e sobre um morador específico haverá questionamento detalhado, mais aprofundado, sobre estilo de vida, doenças crônicas – transmissíveis ou não, acidentes, violência, e a coleta de medidas como peso e altura. 

porCIPERJ

Exame de TE Especial acontecerá em maio de 2020

fonte: CIPE

Em maio do próximo ano, em São Paulo (SP), a CIPE realizará exame de suficiência, Categoria Especial, para obtenção do Título de Especialista (TE) em Cirurgia Pediátrica.

Para se inscrever, o candidato terá de ter pelo menos 15 anos completos de formado em Medicina, comprovar que vem exercendo a especialidade por, no mínimo, 10 anos completos e ser apresentado por dois sócios titulares quites da CIPE de sua região, que devem descrever as atividades profissionais do candidato.

Somente os candidatos com registro definitivo no Conselho Regional de Medicina do respectivo estado poderão se inscrever para esse exame de suficiência.

Oportunamente, a CIPE divulgará o edital. Prepare-se!