Arquivo mensal agosto 2019

porCIPERJ

SUS perde 43 mil leitos de internação desde 2009

fonte: O Globo

O Sistema Único de Saúde (SUS) teve uma redução de 43 mil leitos de internação desde 2009, numa queda de 12,7%, em números relativos aos meses de junho dos últimos dez anos. Só do ano passado para este ano, a diminuição foi de quatro mil leitos. Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos pelo GLOBO. Atualmente, o SUS conta com 298 mil leitos de internação, contra 341 mil em 2009. O estado que mais perdeu leitos foi o Rio de Janeiro, com uma redução de 35,5%, seguido por Sergipe e Goiás, com quedas de 26,3% e 19,4%, respectivamente. Os leitos complementares, que incluem os de UTI e de unidade intermediária, tiveram um aumento de 22,8 mil para 30,9 mil no mesmo período. De acordo com o Ministério de Saúde, isso reflete um investimento mais forte nos processos de maior complexidade.

Em resposta ao GLOBO, o ministério afirmou que a redução segue uma tendência mundial de substituição dos leitos de internação pelo atendimento ambulatorial e domiciliar.

“A redução segue tendência mundial de desospitalização – com os avanços tecnológicos, tratamentos que exigiam internação passaram a ser feitos no âmbito ambulatorial e domiciliar, com ampliação e reforço da atenção primária e de ações de prevenção e promoção”, afirmou, em nota. Contudo, números do orçamento do ministério não refletem aumento do investimento em atenção básica. Nessa área, cujo avanço poderia explicar a redução de leitos, os dados orçamentários de 2014 até 2018 também mostram uma diminuição dos gastos. As despesas caíram de R$ 22,6 bilhões em 2014 para R$ 20,8 bilhões no ano passado. Corrigida pela inflação, a queda foi de 8%.

CRISE DE FINANCIAMENTO

Noca sodo orçamento executa dopara a assistência hospitalar e ambulatorial, houve aumento nominal desde 2014, mas uma queda real quando corrigida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Em 2014, o orçamento era de R$ 54,6 bilhões e em 2018 apresentou redução de R$3bi,che gando aR$51,5bi em valores corrigidos. Segundo o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e doutor em saúde pública Mario Dal Poz, a diminuição pode ser explicada por três eixos. —Um é decorrente da melhoria do conhecimento, dos protocolos; um segundo, ruim, que é decorrente da crise de financiamento que a gente tem, principalmente no Sistema Único de Saúde; e o terceiro, que é o processo de gestão, que vem reduzindo progressivamente o tamanho dos hospitais —disse o professor. Para o coordenador da Comissão Pró-SUS do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizetti Giamberardino, existem “vários fatores” no processo de diminuição dos leitos de urgência, mas o principal seria a redução no repasse de verbas.

— À medida em que você tem um menor financiamento do sistema SUS, você tem um fechamento dos leitos —explica.

Quem usa o sistema vivencia a redução. A moradora de São Paulo Edmer da Costa, de 63 anos, acredita que o número de leitos é insuficiente e classifica a situação atual da saúde como “precária”. Para ela, nos últimos dez anos, houve uma diminuição da qualidade do serviço público. Edmer foi neste mês ao Hospital de Base, em Brasília, cuidar do irmão que está com câncer de pulmão.

A aposentada diz ainda que nos últimos meses frequentou hospitais em São Paulo para acompanhar o marido, que sofria de insuficiência respiratória e acabou morrendo, em junho, e que os atendimentos foram “péssimos”.

— O povo fica nos corredores. Meu marido ficou uns cinco, seis dias no corredor —relata Edmer. De acordo com ela, também não havia cadeira para que os acompanhantes pudessem descansar. —Quando não achava onde sentar, a gente ficava em pé mesmo —conta. Para o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, existe um “subfinanciamento crônico” da saúde no Brasil. Ele afirma que a situação ficou ainda mais complicada depois da Proposta de Emenda Constitucional do Teto de Gastos, aprovada pelo Congresso em 2016, que limitou os investimentos na área por 20 anos. — Um gestor que tem juízo não abre leitos porque sabe que, se abrir, não vai poder usá-los —explica.

porCIPERJ

ARTIGO: Sem o SUS, é a barbárie

fonte: Folha de SP

por Dráuzio Varella, médico cancerologista

“Sem o SUS, é a barbárie.” A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonzalo Vecina, da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos antes da existência do SUS.

Talvez você não saiba que, naquela época, só os brasileiros com carteira assinada tinham direito à assistência médica, pelo antigo INPS. Os demais pagavam pelo atendimento ou faziam fila na porta de meia dúzia de hospitais públicos espalhados pelo país ou dependiam da caridade alheia, concentrada nas santas casas de misericórdia e em algumas instituições religiosas.

Eram enquadrados na indigência social os trabalhadores informais, os do campo, os desempregados e as mulheres sem maridos com direito ao INPS. As crianças não tinham acesso a pediatras e recebiam uma ou outra vacina em campanhas bissextas organizadas nos centros urbanos, de preferência em períodos eleitorais.

Então, 30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores.

Ao saber que se movimentavam nos corredores do Parlamento, para convencer deputados e senadores da viabilidade do projeto, achei que levaríamos décadas até dispor de recursos financeiros para a implantação de políticas públicas com tal alcance.

Menosprezei a determinação, o compromisso com a justiça social e a capacidade de convencimento desses precursores. Em 1988, escrevemos na Constituição: “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado”.

Por incrível que pareça, poucos brasileiros sabem que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que ousou levar assistência médica gratuita a toda a população.

Falamos com admiração dos sistemas de saúde da Suécia, da Noruega, da Alemanha, do Reino Unido, sem lembrar que são países pequenos, organizados, ricos, com tradição de serviços de saúde pública instalados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Sem menosprezá-los, garantir assistência médica a todos em lugares com essas características é brincadeira de criança perto do desafio de fazê-lo num país continental, com 210 milhões de habitantes,
baixo nível educacional, pobreza, miséria e desigualdades regionais e sociais das dimensões das nossas.

Para a maioria dos brasileiros, infelizmente, a imagem do SUS é a do pronto-socorro com macas no corredor, gente sentada no chão e fila de doentes na porta. Tamanha carga de impostos para isso, reclamam todos.

Esquecem-se de que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a Aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS, nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele.

Nossa Estratégia Saúde da Família, com agentes comunitários em equipes multiprofissionais que já atendem de casa em casa dois terços dos habitantes, é citada pelos técnicos da Organização
Mundial da Saúde como um dos mais importantes do mundo.

Pouquíssimos têm consciência de que o SUS é, disparado, o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país. Perto dele, o Bolsa Família não passa de pequena ajuda. Enquanto investimos no SUS cerca de R$ 270 bilhões anuais, o orçamento do Bolsa Família mal chega a 10% disso.

Os desafios são imensos. Ainda nem nos livramos das epidemias de doenças infecciosas e parasitárias e já enfrentamos os agravos que ameaçam a sobrevivência dos serviços de saúde pública dos países mais ricos: envelhecimento populacional, obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer,
degenerações neurológicas.

Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa. Nos últimos dez anos tivemos 13 ministros da Saúde.

Apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Devemos defender o SUS e nos orgulhar da existência dele.

porCIPERJ

Quando a porta se abre

fonte: CBC

por Alfredo Guarischi

Na comédia de animação Monstros S.A., produzida em 2001, os habitantes de Monstrópolis, uma cidade como outra qualquer metrópole, são caricaturas de seres humanos devido à sua aparência, com chifres, pêlos de cores aberrantes e desproporções corporais, e por possuírem, como nós, desejos, vontades e dificuldades de relacionamento.

Todas as noites, duplas de monstros abrem portas de armários dos quartos das crianças e as surpreendem, assustando-as. Elas então emitem gritos captados por sensores ligados a cilindros especiais que os transformam em energia.

Para obter maior eficiência, a empresa responsável pelo sistema mantém uma linha de produção de portas idênticas aos mais diferentes armários encontrados nos quartos de crianças, em todo o mundo. Há também uma competição para a dupla de monstros que consegue fazer as crianças gritarem mais alto.

Mike e Sulley são monstros recordistas da empresa. Sulley assusta as crianças, Mike é seu auxiliar – manuseia o equipamento que controla as portas e armazena a energia.

No entanto, nesse lucrativo negócio globalizado, existe a crença de que humanos são potenciais transmissores de doenças e de que os assustadores devem ser cautelosos com o contato físico com as crianças, as quais devem ser eliminadas se chegarem ao mundo dos monstros.

Um dia uma porta abre fora de horário; sai uma pequena criança de olhos brilhantes, que, ao encontrar Mike e Sulley, passa a brincar alegremente com aqueles “brinquedos simpáticos” e não “desgruda” mais dessa dupla. Com o passar do tempo, esse encontro se transforma num amor de pais e filha. Os “monstros” percebem como é saudável o contato com humanos e que fazer crianças sorrirem dá muito mais energia que um grito de pavor.

Mas a porta não foi aberta acidentalmente. Integrava um plano maléfico da chefia da empresa e de alguns colaboradores para capturar crianças para dentro da fábrica e, com uma aparelhagem especial, aumentar a produção de energia, impondo a elas mais medo.

Entretanto, Mike e Sulley haviam se transformado e amavam a pequena Boo. Conseguem desmascarar a trama e demonstrar à população a necessidade de uma reformulação em seus princípios. As turmas de assustadores passam a ser de “divertidores”. O clima na fábrica torna-se mais ameno e estável.

Lembrei desse filme após uma paciente me dizer que ficava assustada toda vez que cruzava uma porta em busca de saúde. Creio que ela devia conhecer parte da história de Boo.

Conversamos muito, de mãos dadas, até ela adormecer como uma criança. No dia seguinte me contou que não ouvira gritos.

Portas na saúde se abrem e fecham sorrateiramente, causando medo ou insegurança. A maioria dos profissionais de saúde e hospitais não são fonte de desperdício, mas de esperança. Todos sonhamos em dar e receber tratamento igualitário e justo. Buscamos energia no sorriso do paciente, mesmo que isso ocorra pela última vez.

porCIPERJ

Congresso Paulista de Cirurgia Pediátrica começa nesta sexta-feira

O XII Congresso Paulista de Cirurgia Pediátrica será realizado de sexta-feira a domingo (15 a 18), no auditório do Centro de Integralidades (área de eventos do Hospital Servidor Estadual), situado na Avenida Ibirapuera, 1215, na Zona Sul da capital.

Quem ainda não garantiu presença pode se inscrever nos dias de evento. A taxa de inscrição é de R$ 1.000 para sócios quites CIPE.

Juntamente serão realizados o VI Simpósio das Ligas Acadêmicas de Cirurgia Pediátrica e a VII Jornada Brasileira de Residentes de Cirurgia Pediátrica.

Não perca!

Mais informações com a CIPESP, através de (11) 3815-9380 ou contato@cipesp.com.br.

porCIPERJ

ARTIGO: Medicina sem hospitais

fonte: O Globo

Por Lígia Bahia, professora da UFRJ

Polêmicas sobre quantidade, localização e formação de médicos vieram para ficar. Abertura de faculdades, número de vagas, requerimentos mínimos para os cursos — assuntos antes restritos ao circuito Ministério da Educação e entidades médicas —se tornaram mais familiares. Seja por desconfiança ou aprimoramento democrático, interessa saber quem é o médico, onde foi formado, onde fez pós-graduação. A ideia de que todos os médicos são igualmente competentes tem sido interrogada pela própria categoria e pelos pacientes.

Testes apenas para médicos estrangeiros ou também para os brasileiros? Diplomas nas paredes dos consultórios particulares querem dizer alguma coisa? Insinuam diferenças. Os que se formaram em instituições públicas são superiores? Modelos públicos, privados e terapêuticos e a formação e inserção de médicos não são lineares. Ao contrário da intuição prevalente, os “médicos de pés descalços” chineses não eram funcionários públicos. Foram financiados por cooperativas agrícolas. Durante a Revolução Cultural, nos anos 1960, e com as discordâncias com a então União Soviética sobre a hegemonia da medicina ocidental, houve valorização da formação simplificada para a prevenção e permissão do uso de ervas e técnicas tradicionais. A experiência durou pouco. Tornou-se exemplar, por evidenciar a associação positiva entre a qualificação, mesmo de curta duração, e a melhoria das condições de saúde, bem como relevância do trabalho de médicos com formação completa. Atualmente, os currículos na China são similares aos do resto do mundo, mas incluem disciplinas de matrizes orientais do conhecimento médico, antes consideradas feudais e conservadoras. Mais tempo e melhor formação do pessoal tornaram-se elementos-chave para a organização da atenção à saúde. Países europeus exigem que os médicos contratados para seus sistemas públicos sejam muito qualificados, aqueles que não tenham passado por cursos de residência médica tendem a assumir postos de trabalho marginais. Recentemente, o Brasil deixou de seguir essa orientação. A abertura de faculdades de medicina privadas, sem hospitais universitários ou centros complexos de assistência e pesquisa, empurra o sistema de saúde para o abismo da má qualidade assistencial. Seria demais pretender instituir aqui e agora a harmonia plena entre mercado de trabalho e direito à saúde. Mas, é pouco, é o de menos, formar um contingente de médicos que cursam faculdades por seis anos sem exposição às diversas práticas e especialidades da carreira e com poucas chances de admissão à residência.

Entre 2013 e 2019, o número de vagas para a graduação em Medicina dobrou, e as faculdades privadas passaram a concentrar 65% das matrículas. Para que esses profissionais tenham acesso à residência médica, seria necessário ampliar a capacidade instalada de hospitais universitários ou públicos de grande porte, aqueles nos quais ocorre o trabalho supervisionado de recém-formados. Do jeito que está, os médicos das faculdades públicas se tornarão mais especializados e inseridos em unidades assistenciais excelentes. Enquanto isso, a maioria, os que pagam pelo ensino — em faculdades que improvisam a obrigatoriedade do cumprimento da carga prática de seus alunos em hospitais não próprios —fica para trás. Parece pouco provável que as nascentes faculdades privadas construam hospitais universitários e, pelo lado do setor público, as iniciativas de qualificação da formação médica são pouco promissoras. Cortes de recursos para as universidades e reedição da proposta de convênios privados (duplas portas) para os hospitais universitários públicos —inserida no projeto Future-se, do Ministério da Educação — impedem a expansão da residência médica, vinculada ao ensino e à produção científica. Conformou-se um estranho consenso em torno da privatização do ensino, descaso com a qualidade da formação de médicos, desprezo pelo sofrimento humano e ignorância sobre o custo elevado da incidência e disseminação de doenças. Espera-se que a indiferenciação entre papéis do público e do privado seja breve. A outorga de diplomas médicos e a qualidade e segurança dos atos médicos são responsabilidades inescapáveis, ainda que compartilhadas, de instituições governamentais.

porCIPERJ

ANS analisa propostas para atualizar Rol de Procedimentos em Saúde

fonte: ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) finalizou a análise de elegibilidade das propostas de atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde que foram enviadas pela sociedade através do formulário online (FormRol). Ao todo, a agência recebeu 1.137 propostas de atualização, sendo 285 (25%) relativas a medicamentos, 671 (59%) a procedimentos e 181 (16%) a termos descritivos. Ao final do processo de verificação, 215 propostas foram consideradas aptas para seguir para a análise técnica e posterior discussão no âmbito do Comitê Permanente de Regulação da Atenção à Saúde (Cosaúde), pois atenderam aos critérios de elegibilidade necessários.

O envio das contribuições pelo FormRol foi a primeira fase do novo processo de atualização da lista mínima de procedimentos que devem ser cobertos pelos planos de saúde. As etapas estão estabelecidas na Resolução Normativa nº 439/2018. Essa normativa aprimorou a revisão da cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde e ampliou a participação social.

Os 1.137 formulários recebidos pela ANS passaram por uma primeira triagem, na qual foram identificadas as propostas relativas à inclusão de medicamentos e procedimentos que eram passíveis de seguir para análise quanto ao cumprimento dos critérios de elegibilidade. Em relação aos formulários dos termos descritivos, a seleção foi realizada a partir a verificação da completude e validades dos campos dos respectivos documentos.

A análise de elegibilidade considerou aptos 459 formulários enviados (o que representa 40% do total recebido). Em nova etapa de triagem, foram verificados se esses formulários atendiam a condições legais e a requisitos de informação previstos na RN nº 439. Constatou-se, então, que 215 propostas atenderam a todos os critérios elencados na norma, sendo 116 referentes a medicamentos, 74 a procedimentos e 25 a termos descritivos. Dentre os requisitos estão a descrição das evidências científicas relativas à eficácia, efetividade, acurácia e segurança da tecnologia em saúde, bem como a avaliação econômica, análise do impacto orçamentário da incorporação da tecnologia e os dados sobre capacidade instalada.

A maior parte das contribuições elegíveis (118 propostas) foram enviadas por entidades representativas de profissionais médicos. Também houve contribuições de entidades representativas de pacientes, operadoras, indústria farmacêutica, outros profissionais (não médicos), prestadores de serviços de saúde e cidadãos de forma geral (pessoa física).

As sugestões foram recebidas durante os dias de 04/02 a 04/05. Agora, as 215 propostas elegíveis seguem para a fase de análise crítica, quando então a ANS contará com o auxílio de entidades parceiras – através de acordos de cooperação técnica, convênios, contratos ou instrumentos congêneres – e do Cosaúde. Ao final de todas as análises, ainda está prevista consulta pública à sociedade.

O Rol de Procedimentos passa por revisões periódicas a cada dois anos. Esse é o intervalo mínimo, tendo em vista as etapas a serem cumpridas e a complexidade do processo. “O Rol é um importante instrumento de regulação da ANS e é fundamental que a sociedade acompanhe e participe do processo de atualização da lista de coberturas. Dessa forma, contribuímos para ampliar a transparência no setor e engajamos todos os interessados – incluindo os beneficiários – nas políticas de saúde”, destaca o diretor de Normas e Habilitação dos Produtos, Rogério Scarabel.

Clique aqui para saber mais sobre o processo de atualização do Rol e confira as propostas recebidas.

porCIPERJ

Calendário de cursos e eventos de Cirurgia Pediátrica

Nosso site conta com a seção Cursos e Eventos, onde há a programação de atividades científicas da Cirurgia Pediátrica no Brasil e no mundo.

CONFIRA!

porCIPERJ

Verticalização e retrocesso

fonte: CBC

por Alfredo Guarischi – diretor de Comunicação e TI do CBC

O automóvel já era fabricado desde 1880. Tinha um custo extremamente elevado, mas a partir da produção do modelo Ford T, em 1908, passou a ser acessível à classe média, tornando-se um enorme sucesso de venda.

Fabricado nos EUA, foi posteriormente montado em diversos países, como Canadá, Inglaterra, França, Alemanha e Japão. Para conseguir isso Ford criou o conceito de “knockdown” ou “KD”, conhecido como “equipamento para derrubar”. Nessa metodologia as partes do carro são fabricadas em diferentes países ou regiões nos quais o custo de produção é menor. Posteriormente são exportadas para a montagem final em países com mão de obra barata. Dessa forma foram produzidos e vendidos milhões de carros, sem a Ford perder o controle da fabricação das “partes”, além de baratear o custo comparado à importação do produto finalizado.

Como o centro da atenção do sistema de saúde é o paciente, será que uma de “linha de montagem em medicina” entregaria um atendimento como planejado, eficiente e com menor custo?

Os custos em medicina são o somatório dos gastos administrativo e comercial e das despesas médico-hospitalares; e valor em medicina, no dialeto econômico, é o resultado da eficácia do tratamento dividido pelo seu custo. Se o resultado do tratamento for melhor, e o custo, igual, o paciente ganha, e o sistema nada perde.

A verticalização na saúde não produz um efeito homogêneo sobre os gastos, e a burocracia, que proporcionalmente consome mais do que o cuidado do paciente, distorce o foco da matemática financeira na busca de diminuir custos.

Os pacientes que contratam planos de saúde verticalizados são atendidos nos ambulatórios e hospitais do próprio plano, que restringem a autonomia na decisão sobre exames e tratamentos. Mesmo com a medida adotada pela ANS criando a Notificação de Investigação Preliminar, que permite multar as operadoras em caso de comprovada negação de procedimentos, a judicialização é constante.

No ranking dos melhores hospitais americanos a competição é pelo real significado do valor em medicina, que é avaliada principalmente pela segurança do paciente, pela baixa mortalidade hospitalar e pela qualificação profissional.

Sir Cyril Chantler, pediatra inglês, alertou que no passado a medicina era simples, ineficaz e relativamente segura, tornando-se complexa, mais efetiva, potencialmente perigosa. Flavio Kanter, cardiologista gaúcho, escreveu, que “a única certeza que temos é a de lidarmos com a incerteza; mesmo que tudo mude, isso não muda”.

A verticalização (“KD”), como vem sendo proposta, não será a melhor solução e aumenta a incerteza. Pode resultar no nocaute – Knock Out  (“KO”) de pacientes, profissionais de saúde e hospitais. Chandler e Kanter estão corretos, além do que a autonomia dos profissionais de saúde vem sendo desautorizada, o que, com certeza, é um retrocesso.

porCIPERJ

Serviços básicos podem parar de funcionar já, diz reitora da UFRJ

fonte: O Globo

Um dia de cada vez. Essa é a filosofia que a nova reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) diz ser obrigada — pelo contingenciamento de verbas — a seguir. No início desta semana, a instituição recebeu R$ 16 milhões para pagar as despesas de agosto. Segundo Denise Pires de Carvalho, no cargo há um mês, é necessário quase o dobro — R$ 30 milhões — para manter os serviços em dia.

Com o contingenciamento a universidades federais anunciado em maio, a UFRJ sofreu um corte de 44% de suas verbas de custeio — de R$ 331,6 milhões, previstos pela Lei Orçamentária Anual, para R$ 185,8 milhões. Já o valor destinado a investimentos (aquisição de equipamentos e realização de obras, entre outros) desabou 86% — passando de R$ 9,1 milhões para R$ 1,2 milhão. As bolsas estudantis não foram afetadas.

Anteontem, a instituição pagou parcialmente a dívida com a empresa fornecedora de alimentos do restaurante universitário, impedindo que o serviço fosse interrompido neste mês. Mas outras despesas necessárias à manutenção da UFRJ podem ter seus serviços suspensos a qualquer momento pelos fornecedores —entre eles, os de energia elétrica, água e gás para laboratórios, limpeza, vigilância e telefonia.

—Vou saber mais tarde com a pró-reitoria de Finanças quais são os contratos que podem ser honrados com o valor recebido (R$ 16 milhões). Não está sobrando nada, temos dinheiro apenas para pagar os atrasados —diz Denise. —Muitos serviços podem ser descontinuados pelos fornecedores caso eles fiquem três meses sem receber. É o caso do restaurante: fizemos um trabalho hercúleo para garantir que a universidade tivesse refeições já no primeiro dia de aulas.

A reitora adverte que, se um dos contratos for rompido, o prejuízo para reestruturar o serviço, desta vez com outra empresa, será ainda maior.

—Hoje, as empresas (que prestam serviço à UFRJ) estão honrando os salários sem ter garantia de que serão pagas pela universidade —assinala. —Digamos que uma delas tenha

seu contrato vencido e precisemos abrir uma licitação para achar alguém que preste esse serviço. Essa busca será cada vez mais difícil e cara, porque ficaremos conhecidos como maus pagadores.

Denise alerta que, se não houver vigilância e manutenção, o “mato vai crescer no campus da Ilha do Fundão”, e o campus será “um lugar de desova de cadáveres”.

A universidade foi obrigada a apertar o cinto, como a redução de despesas com passagens, e já estuda a suspensão de investimentos previstos para 2019. Ainda há esforços para manter o transporte entre os campi, já que alguns cursos exigem a locomoção de estudantes por diferentes regiões.

Estima-se que a dívida prevista da UFRJ seja de R$ 170 milhões — de acordo com Denise, esse foi o valor divulgado pela gestão de seu antecessor, Roberto Lehrer (2015-2019).

A reitora queixa-se da falta de diálogo com o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Apesar dos diversos pedidos de audiência no MEC, Denise diz ter encontrado o ministro apenas uma vez, quando ela tomou posse. A ordem é que ela procure o secretário de Ensino Superior, Armando Barbosa. O contato, porém, ainda não resultou em liberação dos recursos contingenciados.

Na próxima sexta-feira, o Conselho Universitário fechará documento que será encaminhado ao MEC com críticas ao programa Future-se, apresentado em julho por Weintraub, que prevê novas formas de financiamento das universidades federais.

Segundo opositores do plano, que será enviado no fim do mês ao Congresso, o texto prioriza parcerias com organizações sociais (OS), que são entidades privadas sem fins lucrativos. A comunidade acadêmica tem denunciado o Future-se como uma tentativa de “privatização” do ensino superior.

Procurado pelo GLOBO, o MEC afirmou em nota que, “embora o contingenciamento não tenha impacto imediato sobre o orçamento das instituições, o ministério mantém diálogo permanente com os dirigentes das universidades e institutos federais, estando à disposição para intermediar a resolução de questões pontuais concernentes à liberação de limite orçamentário necessário à execução das atividades das instituições”.

porCIPERJ

Pesquisa sobre telemedicina

A pedido da Câmara Técnica de Cirurgia Pediátrica do Rio de Janeiro segue abaixo pesquisa de opinião a respeito do uso de telemedicina em Cirurgia Pediátrica.

Isto se deve à solicitação do CREMERJ quanto à opinião de cada área de especialidade quanto à futura regulamentação da telemedicina no Brasil e é extremamente importante.

Por favor, reflitam sobre as respostas e nos encaminhem. Esta pesquisa vai fundamentar a manifestação oficial da CIPERJ a respeito:

DADOS PESSOAIS

Sexo
FemininoMasculino

Idade
≤ 30 anos31-40 anos41-50 anos51-60 anos61-70 anos70 anos

Tempo de exercício da Cirurgia Pediátrica
Residente/pós graduando1-5 anos6-10 anos11-15 anos16-20 anos21-25 anos26-30 anos30-35 anos> 35 anos

Tempo de exercício da Medicina
1-5 anos6-10 anos11-15 anos16-20 anos21-25 anos26-30 anos30-35 anos> 35 anos

Exerce Cirurgia Pediátrica como única atividade profissional?
Sim, trabalho em tempo integral como especialistaNão, trabalho também em outras áreas cirúrgicasNão, trabalho também em outras áreas clínicasNão, trabalho também como médico emergencistaNão, trabalho também na área de gestãoNão, trabalho como profissional não médico paralelamente

Exerce a Cirurgia Pediátrica em:
CapitalCidade de grande porteCidade de médio porteCidade de pequeno porte próxima a grandes centrosCidade de pequeno porte afastada dos grandes centros

Em sua opinião o uso da telemedicina deve ser aplicado a (podem ser assinaladas múltiplas alternativas):
Atendimento básico em saúde entre médico e paciente (teleconsultas)Aconselhamento de dúvidas de pacientes com relação à busca de atendimentoAconselhamento de dúvidas de pacientes com relação a pós operatório imediatoAconselhamento de dúvidas de pacientes em pós operatório tardioAconselhamento a respeito de condutas e diagnóstico entre não-especialistas e especialistasAconselhamento a respeito de condutas e diagnóstico entre outros profissionais de saúde e especialistasAconselhamento aos mecanismos de gestão administrativa para direcionamento de pacientesTelecirurgia para terapêutica à distânciaTelecirurgia para demonstraçãoDivulgação científica e educação continuadaDivulgação científica e educação continuada com marketing direto de provedores de serviçosDescrever

Em sua opinião são meios lícitos para exercício da telemedicina:
aplicativos de mensagens (whattsapp e telegram)redes sociais direcionadas (facebook e similares)redes de comunicação restritas entre serviços de saúderedes de transmissão fechada de atendimentos, discussões de casos e cirurgias/procedimentosredes de transmissão aberta de atendimentos, discussões de casos e cirurgias/procedimentos

Em sua opinião como devem ser os pagamentos de serviços médicos prestados à distância?
remuneração equivalente ao serviço presencialremuneração menor para serviços à distânciaatuação apenas como colaborador para colegas, não remuneradoatuação apenas como orientador para pacientes, não remunerado

Você teme eventuais riscos legais no exercício da telemedicina?
simnãodependerá da regulamentação ética e técnica desta nova atividade profissional

Em sua opinião, o que o advento da telemedicina vai representar para o exercício da profissão de médico (podem ser assinaladas múltiplas opções)?
uma nova oportunidade com ampliação do mercado de trabalhoa criação de mecanismos invasivos de solicitação de opiniões e orientações a pacientesa criação de mecanismos invasivos de solicitação de opiniões e orientações a colegasnovos riscos legais no exercício da profissãoaumento da demanda de trabalho fora das horas regulamentarespiora dos mecanismos de controle do segredo profissionalinvasão do mercado de trabalho do médico por outros profissionais de saúdeum desafio evidente ao cumprimento da ética profissionaloutros (descrever)

No caso da cirurgia pediátrica, que metodologias de exercício profissional serão adequadas para o uso da telemedicina (podem ser assinaladas múltiplas opções)?
Atendimento em saúde entre médico e paciente (teleconsultas)Aconselhamento de dúvidas de pacientes com relação à busca de atendimentoAconselhamento de dúvidas de pacientes com relação a pós operatório imediatoAconselhamento de dúvidas de pacientes em pós operatório tardioAconselhamento a respeito de condutas e diagnóstico entre não-especialistas e especialistasAconselhamento a respeito de condutas e diagnóstico entre outros profissionais de saúde e especialistasAconselhamento aos mecanismos de gestão administrativa para direcionamento de pacientesTelecirurgia para terapêutica à distânciaTelecirurgia para demonstraçãoDivulgação científica e educação continuadaDivulgação científica e educação continuada com marketing direto de provedores de serviços

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