Arquivo mensal setembro 2019

porCIPERJ

A verticalização da saúde suplementar

fonte: Associação Paulista de Medicina

Nos últimos anos, os médicos vêm observando um fenômeno que se torna cada vez mais comum. Grandes operadoras de planos de saúde descredenciam clínicas, hospitais e outros tipos de prestadores e passam a atender por suas redes próprias, ou seja, em seus hospitais, ambulatórios e prontos-socorros. Este é um dos aspectos do que se convencionou chamar de verticalização da saúde suplementar.

O que tem motivado esse movimento, segundo visão dos empresários do setor, é um controle maior do fluxo tanto de verbas, quanto de pacientes e recursos humanos e técnicos. Alguns planos têm trabalhado, por exemplo, com serviços de prevenção e saúde básica de maneira a evitar complicações e, por consequência, custos extras. Normalmente, esse modelo é aplicado por companhias que fazem Medicina de grupo. Outra forma de verticalização é a “virtual”. “Uma seguradora, por exemplo, lançou planos populares, com valores mais baixos e fechou parceria com a empresa Dr. Consulta. Assim, fez um sistema de capitation”, explica Marun David Cury, diretor de Defesa Profissional da Associação Paulista de Medicina (APM).

E como isso entra na verticalização? No capitation, a empresa pagará um valor fixo ao serviço, neste caso o Dr. Consulta, que atenderá quantas pessoas forem até lá, independente da quantidade e condições. “Isso é a verticalização virtual, que já existe e vem se ampliando. É uma variante nova, feita principalmente pelas seguradoras, com a qual devemos estar atentos”, completa Marun.

Médicos e pacientes
Observando o fenômeno, médicos começaram a se preocupar com o fato de que ele irá dificultar a atuação dos profissionais que atendem em seus consultórios – o que é um problema tanto para quem pratica Medicina quanto para quem necessita de atendimento. Por isso, defende o diretor da APM, é necessário que a verticalização seja melhor discutida entre operadoras, seguradoras, médicos, pacientes e outros atores – inclusive por ser, em sua visão, um caminho sem volta.

“O paciente ficará ceifado do seu direito ao princípio de livre escolha, estando restrito a uma rede previamente definida pelos planos de saúde”, argumenta Marun Cury.

Para a operadora, por vezes, a verticalização pode ser boa, mas não necessariamente para o doente. É importante não correr o risco de termos planos com redes próprias que só entregam o atendimento mais básico, sem pensar no cuidado completo do paciente. Marun exemplifica: há planos em que os médicos ligam aos doentes e tentam agilizar os atendimentos, passando para os beneficiários uma sensação de satisfação e proximidade. “A dúvida, entretanto, é se haverá o mesmo tipo de assistência no final, caso necessário, se não é apenas marketing.”

Do ponto de vista trabalhista, essa relação também é problemática, segundo João Sobreira de Moura Neto, diretor adjunto de Defesa Profissional da APM. “As operadoras transformarão os médicos em subempregados – profissionais que trabalharão com rotina e horários, mas sem garantias, 13o salário, férias ou licença maternidade. Pode representar a precarização do trabalho médico”, prevê.

Precarização esta, acredita Sobreira, que atende ao lucro. “Toda empresa, claro, tem que ter, mas muitas operadoras têm lucros exorbitantes conquistados em cima do trabalho médico. Por outro lado, poderiam se ater mais aos gastos com exames, hospitais e internações, por exemplo. Esse modelo pode fazer com que a Medicina deixe de ser liberal. Então, temos que entender o que está havendo, não aceitar imposições e negociar com as operadoras o que for melhor para médicos e pacientes”, finaliza.

“A verticalização pode dificultar a atuação dos médicos em seus consultórios, prejudicando também os pacientes”
Marun David Cury

Entenda a verticalização
Como funciona
Operadoras de planos de saúde descredenciam clínicas, hospitais e outros tipos de prestadores e passam a atender por suas redes próprias

Virtual
Outra forma de verticalização é fechar parcerias para atendimento com empresas como a Dr. Consulta e, com isso, conseguir oferecer planos com valores mais baixos

porCIPERJ

Aumenta a gestão terceirizada da saúde pública nos municípios do Brasil, diz IBGE

fonte: G1

Aumentou a gestão terceirizada de unidades de saúde dos municípios brasileiros nos últimos quatro anos. Em 2018, os estabelecimentos de saúde municipais administrados por entidades privadas eram 13,2%, enquanto em 2014 eram 10,6%. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No total, há 3.013 estabelecimentos municipais de saúde administrados por terceiros. Isso quer dizer que, nesses casos, os serviços públicos de saúde no município são garantidos por uma entidade não governamental (ONGs, instituições filantrópicas, santas casas, empresas, associações e outras entidades do Terceiro Setor, por exemplo).

De todos os 5.570 municípios do Brasil, 93,2% tinham estabelecimentos de saúde sob sua responsabilidade, em 2018. Esse número também aumentou em relação a 2014, quando os municípios co estabelecimentos de saúde sob sua responsabilidade somavam 88,8% do total.

Esse dado inclui tanto as unidades de saúde com gestão própria quanto aquelas terceirizada. Mesmo quando a gestão é terceirizada, o serviço de saúde continua sendo responsabilidade do município. De acordo com a Constituição brasileira, os municípios compartilham com os Estados e a União o dever de “cuidar da saúde e assistência pública”.

O relatório diz, ainda, que:

  • Cidades com grande população terceirizam mais;
  • Regiões Sul e Sudeste usam mais da gestão privada;
  • A maioria dos secretários de saúde estaduais é de homens;
  • As mulheres são maioria na gestão dos programas de assistência social.

Cidades maiores terceirizam mais

Segundo o IBGE, as cidades mais populosas são aquelas com mais unidades administradas por terceiros. Nos municípios com até 5 mil habitantes, 65% dos estabelecimentos municipais de saúde terceirizados eram administrados por consórcios públicos, enquanto naqueles com população acima de 500 mil habitantes, esse trabalho é realizado majoritariamente por organizações sociais (83,3%).

Dos 3.013 establecimentos sob responsabilidade municipal administrados por terceiros:

  • 58,3% são gerenciados por organizações sociais;
  • 15,0%, por empresas privadas;
  • 11,0%, por consórcios públicos;
  • 9,4%, por fundações.

Sul e Sudeste prevalecem

Dos 3.013 estabelecimentos municipais de saúde administrados por terceiros, 72,4% situavam-se na Região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo. Eles correspondem a 47,3% do total de estabelecimentos terceirizados. As organizações sociais eram responsáveis por 72,8% dos estabelecimentos administrados por terceiros; as empresas privadas, por 9,9%; e os consórcios públicos, por 8,1%.

A Região Sul abrange 15,2% dos estabelecimentos terceirizados, enquanto a Região Nordeste, 8,0%. A distribuição dos estabelecimentos municipais de saúde administrados por terceiros era mais diversificada na Região Sul, sendo 37,6% geridos por fundações; 22,1%, por empresas privadas; 18,2%, por organizações sociais; e 14,7%, por consórcios públicos.

Homens são maioria entre os secretários de saúde estaduais

De acordo com a parte do relatório do IBGE que se refere aos estados e ao Distrito Federal, todas as unidades da federação (UFs) tinham secretaria de saúde excluisva responsável pela gestão da área (em 208).

A maior parte dos secretários eram do século masculino: 25. As exceções eram Paraíba e Mato Grosso. Quase todos os secretários (25) concluíram o ensino superior completo. E 12 deles tinham formação média.

“Todas as UFs contavam com plano diretor de regionalização, plano estadual de saúde e fundo estadual de saúde”, afirma o relatório.

Entre os estados que terceirizam a gestão dos estabelecimentos públicos de saúde, 15 tinham como administrador organizações sociais. Rondônia, Roraima, Tocantins, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais declararam não ter estabelecimentos de saúde administrados por terceiros.

Mulheres são maioria na assistência social

Por outro lado, as mulheres prevalecem na gestão da assistência social dos estados. Em 2018, todas as Unidades da Federação tinham algum tipo de estrutura para assistência social.

No Acre, Amazonas, Alagoas e São Paulo, o IBGE identificou estruturas exclusivamente dedicadas à assistência social. Nas demais UFs, a assistência é uma parte de outras políticas públicas.

porCIPERJ

CFM: regras de publicidade e propaganda médicas permanecem válidas

fonte: CFM

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nesta quarta-feira (25), nota com esclarecimentos sobre as regras da publicidade e propaganda médicas. Segundo a autarquia, permanecem válidas todas as normas éticas que disciplinam e limitam a publicidade e a propaganda médicas. “A conversão da Medida Provisória nº 881 na Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, não impacta na questão ética do exercício da medicina”, explicou em documento encaminhado aos médicos e à sociedade.

Veja a seguir a íntegra da nota do CFM:

NOTA AOS MÉDICOS E À SOCIEDADE

Esclarecimentos sobre as regras da publicidade/propaganda médicas

O Conselho Federal de Medicina (CFM) esclarece à população e à classe médica que permanecem válidas todas as normas éticas que disciplinam e limitam a publicidade e a propaganda médicas e outras matérias. Desse modo, estão vigentes as Resoluções CFM nº 788/1977, 1595/2000, 1633/2002, 1836/2008, 1974/2011, 2126/2015, 2129/2015, 2133/2015 e 2170/2017, que tratam sobre o tema, sendo que a fiscalização dos CRMs permanecerá inalterada.

A conversão da Medida Provisória nº 881 na Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, (Denominada Lei da Liberdade Econômica), não impacta na questão ÉTICA DO EXERCÍCIO DA MEDICINA. Isso acontece porque a recém editada lei regula a liberdade econômica, estabelecendo em seu artigo 4º que “é dever da administração pública e das demais entidades que se vinculam a esta Lei, no exercício de regulamentação de norma pública pertencente à legislação sobre a qual esta Lei versa, exceto se em estrito cumprimento a previsão explícita em lei, evitar o abuso do poder regulatório de maneira indevida: ”

Ressalte-se que o artigo 5º, alínea “d””, da Lei nº 3.268/57, estabelece que “são atribuições do Conselho Federal – votar e alterar o Código de Deontologia Médica, ouvidos os Conselhos Regionais””, sendo, o Código de Ética Médica o espelho da vontade da Classe Médica, representada pelos médicos eleitos que compõe o CFM e CRMs.

Além disso, conforme estabelece o artigo 2º da Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico) “o objeto da atuação do médico é a saúde do ser humano e das coletividades humanas, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo, com o melhor de sua capacidade profissional e sem discriminação de qualquer natureza”.

Assim, a atividade médica não deve ser considerada de maneira finalística como atividade econômica/financeira. Ainda é importante salientar que a publicidade médica tem sua regulamentação no Decreto nº 4113/42o qual se encontra em vigência e recepcionado pela Constituição Federal.

Desse modo, no caso das normas ÉTICAS, inclusive as que versam sobre publicidade médica e outras matérias, a regulamentação exercida pelos Conselhos de Medicina não é INDEVIDA, nem busca restringir o mercado de trabalho e a liberdade econômica, tendo por principal objetivo a proteção da saúde da população e o perfeito desempenho ético da Medicina, conforme expressa previsão legal.

Importante sublinhar também que o Poder Judiciário vem reiteradamente reforçando a legalidade das normas do CFM que tratam da publicidade e propaganda médica, inclusive quando ainda em vigência a MP 881 (agora Lei nº 13.874/19).

Portanto, toda a regulamentação do CFM em relação à matéria ética, especialmente a publicidade médica, continua válida, com fundamento expresso, e referendada pelo Poder Judiciário. Entendimentos diversos deste acima estabelecido carecem de base legal, jurídica e técnica.

 

Brasília, 25 de setembro de 2019.

porCIPERJ

Lançado boletim epidemiológico que traz dados de doenças que atingiram o país nos últimos 16 anos

fonte: Ministério da Saúde

Você sabia que a análise da qualidade da água para consumo humano é feita pela área de Saúde Ambiental, do Ministério da Saúde? Que a rubéola foi eliminada do Brasil em 2015 e que a vacina contra sarampo, a tríplice viral, também previne contra a rubéola? Essas e outras respostas relacionadas à vigilância em saúde constam na edição especial do Boletim Epidemiológico SVS 16 anos (2013 a 2019), lançada na quarta-feira, dia 25, em Brasília, pelo ministro da Saúde interino, João Gabbardo, e o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber.

A publicação tem como objetivo mostrar à população como a vigilância em Saúde está presente no dia a dia das pessoas, extrapolando temas como dengue e sarampo. A edição especial também busca trazer, pela primeira vez, desde 2012, quando entrou em vigor a Lei de Acesso a Informação, em publicação única, dados e análises das principais doenças que atingiu o país nos últimos 16 anos. “O Ministério da Saúde vai retomar a divulgação semanal de uma única publicação, trazendo todas as doenças de interesse epidemiológico e de vigilância em saúde. Antes, os informes divulgavam informações, de forma individualizada, por doença.  Esse formato facilita o acesso e a leitura pela população”, disse o ministro da Saúde interino, João Gabbardo.

Acesse aqui o Boletim Epidemiológico de 16 anos da SVS

porCIPERJ

Ministério da Saúde lança campanha para incentivar doação de órgãos

fonte: Agência Brasil

O Ministério da Saúde lançou na sexta-feira, dia 27, data em que se celebra o Dia Nacional de Doação de Órgãos, a Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos, que este ano tem como slogan A Vida Continua. Doe Órgãos. Converse com sua família. O lançamento ocorreu no Hospital do Rim e Hipertensão, em São Paulo, hospital que mais faz transplantes de rim em todo o mundo.

Segundo o ministro da Saúde interino, João Gabbardo, a campanha pretende “sensibilizar as famílias para que elas autorizem o transplante quando o seu familiar estiver em morte encefálica”, única condição autorizada no país para transplante de órgãos pós-morte. Dados do Ministério informam que mais de 40% das famílias se negam a doar os órgãos de pessoas que tiveram morte encefálica.

“Pouco mais da metade das famílias autorizam. Temos mais de 40% das famílias que não autorizam a doação. São pessoas que têm condições de serem doadores e que poderiam salvar várias vidas. Cada doador pode salvar quatro ou cinco vidas”, disse Gabbardo.

De acordo com ele, é importante que as pessoas sempre conversem com seus familiares sobre a doação de seus órgãos para que, “no dia em que acontecer um imprevisto, uma morte inesperada e em que ele poderia ser um doador de órgãos, a família tenha essa informação de que o desejo dele era esse”.

Além da sensibilização das pessoas sobre a doação, disse Gabbardo, é preciso também alertar as famílias para que confiem no diagnóstico de morte encefálica, que é irreversível. “Esse é um aspecto importante. Muitas famílias ainda pensam que ao dizer que são doadores de órgãos, vai interromper as melhores práticas para tentar salvar a vida daquela pessoa. Mas isso não acontece. Quando há o diagnóstico de morte encefálica, não há a menor possibilidade de que essa pessoa possa continuar vivendo”, disse. Outro aspecto importante, lembrou, é fazer com o desejo da pessoa em ser doadora de órgãos seja transmitido a todos os familiares.

Foi o que aconteceu na família de Mailde Giordani, 40 anos, que perdeu sua irmã Patricia Akemi há cerca de 10 meses por causa de um aneurisma. Quando o quadro de sua irmã evoluiu para morte encefálica, Mailde lembrou que elas já haviam conversado antes sobre esse assunto e autorizou que os órgãos de sua irmã fossem doados e ajudassem a salvar vida de, pelo menos, mais uma pessoa.

“Ela expressou, durante uma conversa, que queria ser doadora. Ela disse: ‘se acontecer algo comigo, também quero ser doadora’. E infelizmente isso aconteceu. Ela teve um aneurisma e não conseguiu se recuperar. Então, quando os médicos vieram conversar conosco, foi muito fácil tomar essa decisão porque a gente já tinha conversado sobre isso na nossa família”, disse. “Hoje é um dia muito feliz para mim porque sei que pelo menos uma pessoa está viva graças à doação de minha irmã”, acrescentou.

Mailde lembrou que o segundo nome de sua irmã, Akemi, significa luz. E fez a analogia de que a luz de sua irmã brilhou para outras pessoas, fazendo-as renascer após receberem os vários órgãos que ela doou: coração, pulmão, pele, córneas, pele, fígado, rim, pâncreas, complexo gastrointestinal e, “se não engano, o fêmur também”. “A doação de órgãos é o maior gesto de amor. Doar é vida, vida que segue”, ressaltou Mailde.

Portadora de cardiopatia congênita, Patricia Fonseca fez transplante de coração. O que mudou totalmente sua vida. “Eu nasci com cardiopatia congênita, e então nunca tinha visto o que era saúde. Cresci em corredores de hospitais, fiz muitas cirurgias, até que eu fui levada a uma fila de espera e tive uma chance de ter uma vida que nunca tive, de fazer coisas que antes nunca poderia sonhar. No dia do meu aniversário chegou o meu coração, que está batendo forte aqui agora”, disse Patricia.

“Eu, que passei muitos anos de minha vida presa em uma cama, hoje posso trabalhar, posso viver minha vida ao lado do meu marido, posso lutar por outras pessoas e ainda virei triatleta”.

Portaria

No evento de lançamento da campanha em São Paulo, o ministro interino da Saúde, João Gabbardo, assinou uma portaria ajustando o preço pago nas soluções usadas para manter a viabilidade das células dos órgãos antes de serem transplantados, garantindo o funcionamento adequado no receptor.

Para a captação de rim e coração, o preço passou de R$ 35/litro para R$ 350/litro. Já para pulmão, o reajuste foi de R$ 269, passando de R$ 81/litro para R$ 350/litro. Desde 2007 os preços das soluções não tinham sido reajustados. A medida representa, segundo o Ministério da Saúde, um impacto financeiro de R$ 3,5 milhões, que serão repassados via Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (Faec), a partir da produção apresentada pelos estados ao ministério. A expectativa é que o reajuste impacte positivamente no aumento do número de transplantes desses órgãos.

Balanço

De acordo com o Ministério da Saúde, a doação de órgãos, tecidos e células realizados no país no primeiro semestre deste ano cresceu em comparação ao mesmo período do ano passado. O balanço desse período mostrou que houve crescimento de transplantes considerados mais complexos, ou seja, dos mais difíceis de serem realizados devido a aspectos como o tempo curto entre retirada e implante de órgão, estrutura do hospital e equipe especializada.

Os transplantes de medula óssea aumentaram 26,8%, passando de 1.404 para 1.780. Já os transplantes de coração cresceram 6,3%, passando de 191 para 203. Também tiveram aumento transplantes de pâncreas-rim (45,7%), passando de 46 para 67; e pâncreas isolado (26,7%), que cresceu de 15 para 19 transplantes.

Houve uma pequena queda no número de transplantes realizados no primeiro semestre de ano, que somaram 13.263, em comparação ao mesmo período do ano passado, de 13.291. Ainda segundo o ministério, este ano deve ser fechado com a taxa de 17 doadores efetivos por milhão da população (pmp). Em números absolutos, o país deve alcançar 3.530 doadores efetivos este ano. Já o número de pessoas em lista atualmente por um transplante é de cerca de 44.60 pessoas.

O Ministério da Saúde repassa recursos para estados e municípios apoiando na qualificação dos profissionais de saúde envolvidos nos processos de doação e transplante. O orçamento federal para essa área mais que dobrou em 11 anos, passando de R$ 458,40 milhões para R$ 1,058 bilhão.

Ainda segundo o ministério, a parceria firmada por meio do acordo de cooperação técnica das companhias aéreas comerciais e da Força Aérea Brasileira (FAB) na logística de transporte continua a ser realizada. Juntas elas transportaram 696 órgãos no primeiro semestre de 2019, sendo 626 por voos comerciais e 70 pela FAB.

porCIPERJ

Moradores de 55% dos municípios precisam ir a outra cidade para ter exames

fonte: Estadão

Mais da metade dos municípios brasileiros, 55,3% deles, ainda precisava encaminhar seus moradores usuários da atenção básica de saúde para outras cidades para a realização de exames. No quesito internação, 60,7% dos locais encaminhavam os pacientes para outros municípios para conseguir esse tipo de atendimento. O serviço mais ofertado foi o atendimento de emergência, presente em 91,9% dos locais.

Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais e Estaduais: Perfil dos Municípios (Munic) e Estados (Estadic) Brasileiros 2018, divulgada nesta quarta-feira, 25 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2018, 93,2% das cidades brasileiras tinham estabelecimentos municipais de saúde. Desses municípios que ofereciam atendimento de saúde, 13,2% tinham estabelecimentos municipais administrados por terceiros.

Em apenas 14,7% dos municípios, havia estabelecimentos com serviço de nefrologia em estabelecimento público ou conveniado ao SUS. Somente 9,7% das cidades tinham leitos/berços de UTI neonatal, e 34,6% possuíam leitos/berços intermediários.

porCIPERJ

Cirurgiões pediatras do RJ tem trabalho mencionado no Pediatric Urology Fall Congress

O Pediatric Urology Fall Congress está sendo realizado em Arizona, nos Estados Unidos, até este domingo, dia 29. O evento é organizado pela Sociedade de Urologia Pediátrica dos Estados Unidos e durante uma das palestras desta quinta-feira, dia 26, foi mencionado o trabalho Glans duplication: In-depth review and proposal of a new classification, das Dras. Lisieux Eyer de Jesus, Erica Lopes, Andreia Bacon e do Dr. Samuel Dekermacher.

Parabéns aos cirurgiões pediatras pela menção!

porCIPERJ

CREMERJ faz levantamento sobre agressões a médicos

fonte: CREMERJ

O CREMERJ fez um levantamento das notificações de casos de agressões a médicos, que foram recebidas de dezembro de 2018 a agosto deste ano. Na análise, fica claro que as mulheres foram as mais atingidas, sendo 59% dos episódios, enquanto os homens foram 41%.

Sobre o perfil do agressor, o paciente encabeça a lista, aparecendo em 75% das ocorrências. Já outros médicos (7%), médico/diretor (6%), chefe de plantão/médico (3%) e outros (9%) surgem em seguida.

Os tipos de violência mais sofrida foram: verbal (57%), assédio moral (14%), por rede social (12%), física (9%) e outros (9%). A maior parte dos casos ocorreu na rede pública (69%), sendo 48% na esfera municipal, 19% estadual e 4% federal. Como a saúde pública está deteriorada, este percentual é maior. Trinta e um por cento (31%) dos episódios aconteceram na área privada, sendo 29% deles, especificamente, em unidades particulares.

Sessenta por cento (60%) dos médicos agredidos tinham menos de dez anos de formatura e menos de 40 anos de idade. Esse é o perfil do médico jovem, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM). E é a massa que está na linha de frente dos atendimentos, daí o seu percentual maior. Já 40% dos profissionais tinham mais de dez anos de formatura e mais de 40 anos de idade.

Só na cidade do Rio de Janeiro foram 42 casos de agressões a médicos notificados. Avaliando por área, Ramos, Méier, Madureira, Inhaúma, Penha, Pavuna e Ilha do Governador tiveram 17 registros; Zona Sul e Tijuca, 9; Centro, 6; Jacarepaguá e Barra da Tijuca, 7; Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba, 1; e outros municípios, 29.

De janeiro a maio, foi o período em que o maior número de denúncias ocorreu. No total, foram 45 notificações recebidas.

“O canal “Notificação sobre agressão no exercício da Medicina” existe para que os médicos possam notificar o CREMERJ para que esses acontecimentos graves não se percam no dia a dia da Medicina”, destacou o diretor Ricardo Farias, conselheiro responsável pelo projeto.

porCIPERJ

Saiba como foi o Congresso Brasileiro de Infectologia e confira as infecções que preocupam o Brasil

fonte: Saúde Abril

Acompanhar o Congresso Brasileiro de Infectologia, cuja vigésima primeira edição acaba de ocorrer em Belém do Pará, é ter um painel do que o vírus, bactérias, fungos e companhoa vêm aprontando por aí e, ao mesmo tempo, um retrato das diversas (e desiguais) realidades do país. Enquanto regiões ainda penam com doenças que parecem (mas só parecem) coisa do passado, como a hanseníase, nas grandes cidades os hospitais mais modernos já quebram a cabeça para contra-atacar micróbios resistentes e letais. O ponto em comum, e que independe de lugar ou classe social, é: as doenças infecciosas continuam sendo um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo.

Queda na vacinação, desmatamento e crescimento urbano, mudança climática, falta de informação… Tudo isso conspira para que micro-organismos ganhem terreno e imponham problemas à humanidade. A medicina corre atrás, buscando não só novos imunizantes e tratamentos, mas estratégias mais eficazes de esclarecer e engajar a população a se defender. Inclusive porque, em matéria de moléstias infecciosas, todo cidadão tem um papel a cumprir: seja lavando as mãos e não usando antibiótico por conta, seja limpando o quintal para não dar abrigo ao mosquito da dengue.

Mapeamos, a seguir, alguns dos temas mais preocupantes debatidos no congresso, que reuniu mais de 2 mil profissionais em Belém entre os dias 10 e 13 de setembro.

É ano de dengue

Entre as doenças disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti, capaz de transmitir denguezika e chikungunya, a dengue já é o principal tormento de 2019. Como o próprio Ministério da Saúde divulgou, já foram registrados mais de 1,4 milhão de casos até agosto deste ano — um aumento de quase 600% em relação a 2018.