Arquivo mensal setembro 2019

porCIPERJ

ANS lança iniciativa para estimular remuneração baseada em valor em saúde

fonte: ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou, durante o II Fórum sobre Qualidade da Atenção, o projeto Modelos de Remuneração Baseados em Valor. A iniciativa selecionará 10 projetos-pilotos de operadoras de planos de saúde fundamentados em experiências que levem em conta os resultados em saúde. Os selecionados serão acompanhados pela ANS e todas as operadoras com projetos aprovados receberão um bônus no resultado do Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) a partir do ano-base 2019.

Os projetos deverão seguir as diretrizes apresentadas no Guia para a Implementação de Modelos de Remuneração Baseados em Valor, lançado no dia 20/03, durante o I Fórum.

A participação no projeto poderá ser requisitada pelo formulário FormSUS, disponível no portal da ANS, de 29/08 a 30/10. As experiências inscritas serão analisadas pela equipe técnica da ANS, que priorizará a seleção de projetos com enfoque na melhoria da atenção à saúde e na sustentabilidade do sistema, com iniciativas vinculadas à atenção hospitalar e aos projetos de Melhoria da Qualidade da ANS, como o Programa de Atenção Primária à Saúde na Saúde Suplementar (APS) e os Projetos Parto Adequado e OncoRede. Lembrando que valor em saúde é definido como a relação entre os resultados que importam para os pacientes (desfechos clínicos) e o custo para atingir esses resultados.

Na abertura do evento, o diretor de Desenvolvimento Setorial, Rodrigo Aguiar, destacou o papel da diretoria na promoção de melhorias no setor. “Todas as nossas ações contribuem para a harmonização entre os atores do setor e para a indução de qualidade na saúde suplementar. Nosso trabalho se pauta na regulação indutora, conduzindo de forma amistosa, não forçada, as boas práticas no mercado”, disse.

Aguiar detalhou, ainda, a importância do novo projeto. “Para a ANS, a principal diretriz para a adoção de modelo de remuneração baseado em valor é a que tem como foco alcançar bons resultados em saúde para os pacientes com um custo mais acessível tanto para pacientes quanto para os planos de saúde, evitando-se focar somente na simples redução dos gastos”, explicou o diretor.

Confira aqui mais detalhes sobre o projeto e faça a sua inscrição.

Debate sobre modelos de remuneração na ANS

A ANS iniciou as discussões sobre modelos de remuneração de prestadores em 2016, através da criação de um Grupo de Trabalho (GT) específico sobre o tema, no âmbito do Laboratório de Desenvolvimento, Sustentabilidade e Inovação Setorial. Na Fase 1 do GT, o papel da ANS foi principalmente compartilhar estudos sobre os principais modelos de remuneração, com foco nas experiências internacionais, estabelecendo comparativo com os modelos em andamento no Brasil, em especial na saúde suplementar. Já na Fase 2, foram criados subgrupos com o objetivo de aprofundar temas específicos.

“Agora, com o lançamento do Projeto Modelos de Remuneração Baseados em Valor, o Grupo Técnico que discute esse tema entra em sua Fase 3, avançando ainda mais na implementação de iniciativas que contribuam para testar modelos de remuneração mais adequados e resolutivos para a saúde da população”, destacou o diretor.

A gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade Setorial da ANS, Ana Paula Cavalcante, discutiu com os participantes as premissas para modelos de remuneração bem-sucedidos. “Temos hoje um ciclo vicioso onde o cuidado em saúde é descoordenado e fragmentado, com duplicação de esforços e sem previsão dos desfechos clínicos para a remuneração de prestadores. A qualidade do que está sendo entregue e a satisfação do beneficiário precisam ser consideradas”, ponderou a gerente. Ana Paula frisou que o atendimento oportuno, seguro, efetivo e centrado no paciente são atributos da qualidade em saúde que devem ser considerados para a remuneração de prestadores.

porCIPERJ

CIPERJ reenvia anuidades para associados que perderam prazo em março

A CIPERJ enviou novos boletos de anuidade para os associados que perderam o prazo de pagamento em março. O envio foi feito para os e-mails dos associados. O valor é de R$ 350, e o vencimento da cobrança é para sexta-feira, dia 27.

Caso tenha alguma dúvida, basta entrar em contato por telefone ou WhatsApp (21) 96988 8467 ou ainda pelo e-mail contato@ciperj.org.

porCIPERJ

MEC anuncia que reativará 3.182 bolsas da Capes

fonte: O Globo

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) reativará 3.182 bolsas vinculadas a cursos de pós-graduação com as notas máximas (5 a 7), anunciou o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Com isso, o número de incentivos cortados pela agência de fomento neste ano cai de cerca de 11,8 mil para 8,6 mil — o equivalente a aproximadamente 9% do total de bolsas de pós ofertadas pelo órgão no início deste ano.

Weintraub informou que obteve recursos para garantir a reativação das bolsas ainda neste ano em reunião com integrantes do Ministério da Economia, na última terça-feira.

Em 2019, as 3.182 bolsas representarão um investimento de R$ 22,4 milhões.

O MEC anunciou ainda ter obtido mais R$ 600 milhões para o orçamento da Capes no ano que vem, que sofreu uma queda expressiva, de cerca de 50% na proposta orçamentária enviada ao Congresso, em relação aos R$ 4,2 bilhões de dotação deste ano.

NEGOCIAÇÕES EM ANDAMENTO

Com o dinheiro extra, segundo o presidente da Capes, Anderson Correia, será possível garantir a manutenção dos bolsistas atuais e mais a dos 3.182 que ingressarão no sistema. Novos editais para o ano que vem, no entanto, ainda não estão garantidos.

— Outras negociações estão em andamento para garantir novas bolsas — disse Correia, que participou da entrevista coletiva.

No total, a fundação ligada ao MEC tem atualmente cerca de 92 mil bolsistas de pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado) e 119 mil de formação de professores da educação básica.

O ministro da Educação afirmou que a prioridade foi reativar bolsas de cursos de pós-graduação com as melhores notas “porque são os que dão maior retorno para a sociedade”. Weintraub reclamou de reportagens na imprensa sobre os impactos dos cortes de bolsas para a ciência, dizendo se tratar de “terror e pânico que em nada ajudam”.

Mostrou-se também incomodado com a publicação, nos veículos de comunicação, de um ofício enviado por ele ao Ministério da Economia com erros de português , como “paralização” com z em vez de s.

— Saiu do MEC é meu o erro, apesar de que não fui eu que escrevi — assinalou o ministro.

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Hospitais disputam médicos com cifras milionárias

fonte: O Globo

A transferência do cirurgião que operou o presidente Bolsonaro, Antonio Luiz Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein para o Vila Nova Star, da RedeD’ Or ,ambos em São Paulo, mostra a disputa acirrada no segmento premium da saúde por profissionais que garantem renome e clientela às instituições.

A disputa cada vez mais acirrada no segmento premium de saúde foi exposta esta semana pela transferência recente do cirurgião Antonio Luiz Macedo,de 67 anos, que trocou o jaleco do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, pelo do Vila Nova Star, da Rede D’Or, aberto em maio. Lá ele comandou, na segunda feira, a mais recente cirurgia do presidente Jair Bolsonaro.

Especula-se que, na mudança, Macedo tenha fechado um contrato milionário por cinco anos, além de honorários de consultas, cirurgias e outros benefícios.

IMÓVEL E EQUIPE PRÓPRIA

Ninguém fala oficialmente de cifras, mas quem está nos bastidores dessas negociações garante que, quando a conversa é com médicos famosos, os contratos são longos, envolvem o pagamento de luvas (prêmios em dinheiro) e, em alguns casos, até mesmo um imóvel de luxo próximo ao hospital para facilitar deslocamentos, além da garantia de levar sua própria equipe.

— Os que recebem essas luvas representam uma minoria. Uns 5%, eu diria. Não é crime. É uma forma de conquistar um mercado — diz um médico do Hospital Sírio-Libanês que pediu para não ser identificado.

O Sírio-Libanês também perdeu um médico renomado para a Rede D’Or: o oncologista Paulo Hoff, que vai chefiar a área de câncer da rede.

—É muito importante para um hospital ter uma personalidade em seu quadro. Isso garante a ele representatividade, renome e, obviamente, clientela — diz Luiz Roberto Londres, ex-dono da Clínica São Vicente.

Essa disputa por médicos renomados era comum em São Paulo. O que se vê agora é o fenômeno chegar a outras capitais, como Rio, Brasília e Goiânia, com a inauguração de unidades do Einstein, do Sírio-Libanês e da rede Star, do grupo D’Or, nessas cidades.

PACIENTES FAMOSOS

O cardiologista Evandro Tinoco, presidente da seção fluminense do Colégio Brasileiro de Executivos de Saúde, diz que, ao atrair um profissional que é considerado um artífice numa determinada técnica ou que tenha núcleo de serviços com resultados diferenciados, a instituição acelera seu ciclo de reconhecimento:

—É um elemento de competição, mas, por si só, não garante alta qualidade.

A disputa na qual o Vila Nova Star mergulha agora na capital paulista já era travada, principalmente, entre os hospitais Sírio-Libanês, fundado em 1921, e Albert Einstein, inaugurado em 1955. Tradicionalmente, os dois disputaram os holofotes com pacientes famosos. Antes do Vila Nova, Bolsonaro foi operado no Einstein, onde se tratou após o atentado que sofreu em 2018. Já pelo Sírio passaram os ex-presidentes Lula e Dilma. Comum a economia em recessão e a decadência dos planos de saúde, os grandes hospitais tentam se reinventar.

Sírio e Einstein, por exemplo, são sociedades sem fins lucrativos, não distribuem lucros aos acionistas e podem reinvestir o que resta no fim do mês. Nos últimos anos, passaram a se concentrar ainda mais em pesquisa, formação e inovação, para reduzir custos e expandir a capacidade para além da classe A.

— O segmento premium encolheu com a crise. Cada vez mais as iniciativas têm de mudar para um sistema que remunere valor, focado mais no paciente do que em amenidades de luxo e chef da alta gastronomia — defende Sidney Klajner, presidente do Albert Einstein.

CLIMA DE HOTEL SOFISTICADO

O saguão do Hospital Vila Nova Star pode ser facilmente confundindo com o de um hotel de luxo — e não por acaso. Um de seus objetivos é evitar o “clima de hospital”: não há paredes brancas ou luzes de LED.

O paciente que ficar internado lá tem uma hotelaria caprichada: chef de cozinha francês, televisão de tela plana e a possibilidade de se comunicar com os enfermeiros por meio de um tablet que fica acoplado à cama, além de acessos a aplicativos e à internet.

A unidade também tem alguns dos equipamentos mais modernos em uso atualmente na medicina e uma estrutura “escondida”. Além dos 16 andares,o hospital tem quatro pisos subterrâneos, onde fica uma unidade de radiologia.

Bolsonaro, sua equipe e seus familiares estão em uma ala separada só para eles no oitavo andar do prédio. O presidente tem na TV acesso ao Première Futebol Clube, a plataforma de pay-per-view do Campeonato Brasileiro. Desde a internação, já comemorou as vitórias de Palmeiras e Botafogo, dois de seus clubes do coração, segundo o porta-voz Otávio Rêgo Barros. A primeira-dama Michelle e o filho Carlos têm um quarto cada um.

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Dia Mundial da Segurança do Paciente chama atenção para a importância da qualidade da assistência à saúde prestada

fonte: Anvisa

Segurança do paciente: uma prioridade de saúde global. Esse é o tema da campanha deste ano do Dia Mundial da Segurança do Paciente, comemorado em 17 de setembro. O objetivo é mobilizar pacientes, profissionais de saúde, formuladores de políticas, pesquisadores, redes profissionais e o setor de saúde para defender a segurança do paciente.

A data foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na 72ª Assembleia Mundial da Saúde. A Anvisa, que desenvolve ações nacionais voltadas para a segurança do paciente em serviços de saúde desde sua criação, em 1999, se une à iniciativa da OMS, contribuindo para assegurar cada vez mais qualidade na assistência prestada.

Não fique de fora dessa! Acesse o cartaz “Vamos lutar pela segurança do paciente!” e celebre o dia 17 de setembro em sua instituição. Dê visibilidade às iniciativas exitosas que você vem desenvolvendo para a implementação de práticas mais seguras em suas redes sociais e marque @anvisaoficial nas fotos e vídeos de até um minuto produzidos. Utilize as hashtags #17desetembro, #diamundialdasegurancadopaciente e #eulutopelasegurancadopaciente.

Seja um agente transformador!

Se você é paciente: 

– Envolva-se, ativamente, no seu próprio cuidado.

– Faça perguntas! Cuidados de saúde seguros começam com uma boa comunicação.

– Certifique-se de fornecer informações precisas aos profissionais sobre seu histórico de saúde.

Se você é profissional de saúde ou líder de serviços de saúde: 

– Faça do paciente um parceiro, de modo a envolvê-lo em seu próprio cuidado.

– Garanta o desenvolvimento profissional contínuo para melhorar suas habilidades e conhecimentos em segurança do paciente.

– Crie uma cultura de segurança aberta e transparente.

– Notifique à Anvisa e investigue os eventos adversos que ocorreram no seu serviço de saúde. É importante aprender com as falhas.

Materiais da Anvisa para consulta

Relatório da Autoavaliação das práticas de segurança do paciente – 2018 

Relatórios e boletins sobre eventos adversos em serviços de saúde 

Manuais da série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde 

Guia: Como posso contribuir para aumentar a segurança do paciente? Orientações aos pacientes, familiares e acompanhantes 

Hotsite Segurança do Paciente 

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Em meio a cortes, Brasil tem número baixo de pós-graduados

fonte: O Globo

Dados do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostraram também que o Brasil ainda está engatinhando em números de pós-graduação. Segundo o estudo, entre as 35 nações com dados sobre o tema, o país tem a quarta menor taxa de pessoas entre 25 e 64 anos com doutorado. Enquanto por aqui o índice é de 0,2% da população, a média dos países é 1,1%, quase seis vezes maior.

A situação também é crítica em relação aos mestres: enquanto o Brasil tem apenas 0,8% das pessoas de 25 a 64 anos com mestrado, a média dos outros países é de 12,7%.

Com os cortes anunciados também no orçamento de dois importantes órgãos de fomento à pesquisa, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a situação pode se agravar.

Segundo Salomão Ximenes, especialista em ensino superior, a pós de alto nível, com desenvolvimento científico, exige investimento massivo:

— Se a educação superior em geral perde, a pós praticamente se inviabiliza.

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Oficina sobre Endoscopia Pediátrica com entrada aberta a médicos será neste sábado

Endoscopia Pediátrica. Este será o tema da oficina de setembro da SOBED-RJ, que será realizada neste sábado, dia 14, das 8h40 às 11h45, no centro de estudos do Hospital Samaritano, em Botafogo.

A entrada é aberta a médicos. Não perca!

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

8h40 Abertura

8h45 Caso Clínico do projeto Jovem Endoscopista

9h Endoscopia Digestiva no Neonato Dra. Paula Peruzzi Elia

9h15 Estenose de Esôfago na Infância – Papel da Endoscopia Dr. Paulo Bittencourt

9h30 Manejo endoscópico da ingestão de corpos estranhos na infância Dr. Paulo Bittencourt

9h45 Debate

10h15 Intervalo

10h30 Hemorragia digestiva varicosa na Infância Dra. Laura Helman

10h45 CPRE na Criança Dr. Manoel Ernesto

11h Ecoendoscopia na criança Dra. Simone Guaraldi

11h15 Debate

11h45 Encerramento

MODERAÇÃO:
Dra. Graça Dias

SAIBA COMO CHEGAR

Rua Assunção, 286, Botafogo

 

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Estados com letalidade maior por câncer têm mais desigualdade social

fonte: Agência Brasil

Um estudo do Observatório de Oncologia, do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, para avaliar fatores sociais que possam estar relacionados com os resultados e a eficácia do tratamento do câncer no Brasil, mostrou que estados onde há letalidade maior pela doença há mais desigualdade social, maior percentual de população pobre, menor gasto per capita em saúde, menor número de leitos hospitalares e menor percentual de população com acesso a planos de saúde. O estudo usou os percentuais de pessoas que falecem depois do diagnóstico. Os dados englobam o período de 2010 a 2016 e foram coletados de fontes públicas oficiais, segundo o observatório.

Um dos dados apontados pela pesquisa mostra que estados com Índice de Desenvolvimento Humando (IDH) mais altos têm menores estimativas de taxa de letalidade, como no Distrito Federal que, com o maior IDH do país (0,824), tinha uma das menores taxas de letalidade (28,5%). Já no sentido contrário, Alagoas tinha o menor IDH (0,631) e a taxa de letalidade por câncer de 46,5%.

Índices de Gini

Outro índice analisado foi o de Gini, que mede a igualdade de distribuição de renda na população. A pesquisa indicou que estados com Índices de Gini mais baixos como Santa Catarina (0,490) tinha uma das menores taxas de letalidade, com 28,3%. No outro extremo, está o estado do Acre, com um dos maiores Índices de Gini (0,630) e a maior estimativa de letalidade do país (54,3%).

Já estados com maior porcentagem de pessoas em condição de pobreza, mostram que têm maiores estimativas de letalidade. No estado do Maranhão, por exemplo, havia no período da coleta dos dados 39,53% da população vivendo nessas condições, o que levou a taxa de morte pelo câncer a 48,5%. Já Santa Catarina, que tinha 3,65% das pessoas em condição de em condição de pobreza e uma taxa de letalidade de 28,3%.

A taxa de leitos hospitalares também influencia no número de mortes, de acordo com os dados da pesquisa. Onde há menos leitos, como o Amapá, com 1,61 leitos por cada mil habitantes, a taxa de morte foi a maior. Por outro lado, o estado do Rio de Janeiro, com a maior taxa de leitos hospitalares (2,93 leitos por mil habitantes), tem uma das menores estimativas de letalidade (53,4%).

Quando a pesquisa aborda os gastos per capita, estados com menor gasto têm maior número de mortes causadas por câncer, como o Pará, que gastava R$ 703,67 por pessoas e tinha taxa de letalidade de 50,3%. Enquanto isso, o Mato Grosso, que registrava gasto per capita de R$ 1496,13, tinha taxa de morte de 27,7%.

Estudo

De acordo com um dos realizadores da pesquisa, o médico oncologista Felipe Ades, os estudos apontam uma forte relação entre fatores socioeconômicos e maior letalidade por câncer. “A hipótese do estudo é que a eficácia do sistema de saúde estaria relacionada à capacidade médica instalada, o financiamento do sistema de saúde, os indicadores sociais e econômicos de cada estado e o perfil demográfico da população. Os resultados apontam uma forte relação entre fatores socioeconômicos e maior letalidade por câncer”, explicou.

Segundo o pesquisador, é preciso ainda analisar as práticas de saúde de estados que têm melhores desfechos por câncer com o objetivo de servirem de exemplo de melhorias para outros estados. Ele avalia que a melhoria das condições de vida e educação da população tem, possivelmente, o potencial de melhorar o desfecho por câncer no futuro.

“Existem medidas de saúde muito baratas e efetivas como o combate ao tabagismo, à obesidade, ao sedentarismo, um estímulo à boa dieta. No sistema de saúde de rastreamento podemos citar na média complexidade, fazer exames de colo uterino, intestino. Com esses exames podemos tratar a doença precocemente, quando a chance de cura é maior e se gasta menos no tratamento”, ressaltou Felipe Ades.

porCIPERJ

Rotatividade de profissionais prejudica capacitação para imunizações

fonte: Agência Brasil

A rotatividade de profissionais de saúde que atuam na vacinação foi um dos problemas apontados durante a Jornada Nacional de Imunizações, que discutiu como combater a queda nas coberturas vacinais. O evento ocorreu na última semana, em Fortaleza, no Ceará.

A troca de equipes temporárias se soma à circulação de notícias falsas, à baixa percepção de que doenças erradicadas são um risco, ao horário limitado de funcionamento dos postos de vacinação e até mesmo à violência que dificulta a visita de agentes de saúde e o deslocamento de pessoas até os postos.

A infectologista Tânia Petraglia, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, chamou a atenção para o conhecimento que se perde quando postos de vacinação deixam de ter profissionais de carreira e passam a ter constantes trocas de equipes temporárias.

“O conhecimento sobre vacina está cada vez mais amplo, e a complexidade também. Você não consegue formar as pessoas adequadamente. A reserva de conhecimento é perdida [com a rotatividade]. Ao final, você tem pessoas minimamente formadas para dar conta de situações pontuais, mas não tem aquele profissional de referência com um acúmulo de conhecimento, que é uma pessoa mais indicada para intervir em situações de postergar vacinação e de contestar falsas contraindicações. Isso requer um conhecimento mais profundo”, disse.

A pesquisadora avalia que a rotatividade não significa que a solução seja banir as terceirizações, mas que é preciso mesclar profissionais estatutários e terceirizados, e não trocar equipes inteiras de uma só vez.

“Você pode trabalhar com a terceirização, mas tem que rever o modelo de gestão. Vai ter que ter uma gestão mais responsável e mais técnica”, defendeu. “Um profissional que começa a ser treinado leva tempo para ficar atualizado e apto a responder qualquer dúvida”.

Boatos

A convicção dos profissionais de saúde e a segurança na hora de responder questionamentos é um dos principais instrumentos no combate a boatos e notícias falsas. A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, exemplifica que é comum que profissionais se sintam inseguros em relação à vacinação simultânea, quando diferentes vacinas são aplicadas no mesmo dia.

“Sou partidária de que com capacitação a gente acaba com as fake news”, disse a vice-presidente da SBIm, destacando que é preciso capacitar os profissionais que atuam na ponta, para que eles compreendam as notas técnicas e tenham segurança na hora de tomar decisões e esclarecer dúvidas. Ela argumenta que profissionais de saúde não pode agir como parte da população, que busca vacinas somente quando vê o risco evidenciado por um surto.

“De quem é a culpa por essas baixas taxas de vacinação, da população ou nossa? É nossa. Também estamos localmente agindo quando a coisa já perdeu o rumo”, afirmou.

Rede de atenção

Diretora da SBIm em Minas Gerais e assessora da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Jandira Campos Lemos defende que se reforce o uso da rede de atenção básica para localizar quem não está seguindo o calendário de vacinação e “bater de porta em porta”, se for preciso.

“É necessário que os agentes comunitários de saúde identifiquem os que estão em atraso, sem esperar que essa criança ou que esse adulto venha para se vacinar”, disse, acrescentando que essa é uma escolha de prioridade na gestão da saúde, já que envolve custos em um cenário em que muitos municípios enfrentam dificuldades financeiras. “Precisa de veículo, precisa de combustível, precisa do profissional. É um investimento grande. Os gestores têm que entender a importância de priorizar essa ação. É preciso sair da sala de vacinação”.

Ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde até o último mês de agosto, Carla Domingues destaca que é preciso rever a forma de chegar até as pessoas e levar em consideração mudanças na sociedade, como a indisponibilidade de tempo para comparecer aos postos de vacinação em horários limitados durante a semana.

“Hoje, a mulher está no mercado de trabalho, e 56% são arrimo de família. Muitas estão na informalidade e não comparecer ao trabalho significa que vão deixar de ter uma renda para o alimento dos seus filhos”, alerta. “É preciso que a gente crie mecanismos para que saíamos da nossa zona de conforto”.