Arquivo mensal outubro 2019

porCIPERJ

Projeto inédito promove a anonimização de dados pessoais em exames de imagens e de sinais biomédicos

fonte: SaúdeBusiness

O InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) e a Intel estão desenvolvendo novos projetos de tecnologia focados na inovação digital voltada para a melhoria de processos do hospital. As soluções buscam oferecer maior precisão nos diagnósticos e tratamentos médicos, além de maior segurança aos pacientes — que ficam menos expostos a possíveis erros. O resultado esperado é a otimização do tempo dos profissionais, a diminuição do uso de papel e a geração de informações mais precisas, abrindo espaço para que as equipes de saúde atuem com foco ainda maior na humanização do atendimento.

Dentre os vários projetos em estruturação, uma solução inédita no âmbito da saúde em nível mundial torna anônimos os dados pessoais de exames diagnósticos por imagens e de sinais biomédicos. São considerados dados pessoais, todas as informações pelas quais é possível identificar o paciente, tais como nome, idade, data de nascimento, dentre outras. Esses dados são inseridos nos exames de imagens e de sinais biomédicos no formato de marca d´água e são essenciais para garantir a segurança do paciente.

Embora a importância de sua proteção, uma vez que essas informações não podem ser compartilhadas com terceiros sem o prévio consentimento do paciente, não havia até o momento no mundo uma ferramenta eficaz de anonimização automatizada desse conteúdo. Uma das dificuldades para que isso aconteça é a falta de padrão no local onde ficam armazenados esses dados e também o formato de exibição em cada imagem, que variam significativamente conforme o fabricante do equipamento de diagnóstico e o tipo de exame realizado.

O uso da solução está na fase de validação científica, porém, nos ensaios realizados até o momento, o hospital já conseguiu obter resultados com a anonimização dos dados sensíveis dos pacientes com precisão de até 91%, nos exames de imagens médicas e de sinais como eletrocardiograma. “É extremamente importante, nesta fase do avanço tecnológico, que possamos resolver os problemas do século XX com a cabeça do século XXI. Ter melhores processos e controles na área da saúde é uma evolução necessária que afeta toda a sociedade de forma positiva. Na Intel, nosso foco não está apenas em desenvolver as tecnologias necessárias, mas também em fomentar todo o ecossistema, seja por meio de soluções, conhecimento técnico, suporte, doação de horas de nossos especialistas e até networking com outros especialistas do setor para que esta evolução aconteça de fato”, afirma André Ribeiro, diretor de novos negócios da Intel Brasil.

porCIPERJ

ARTIGO: A geração dos médicos sem nome e o fim da relação médico-paciente

por Dr. Alexandre Campos Moraes Amato, integrante do departamento de Informática e Marketing da SBACV-SP

Por razões diferentes tanto a medicina socializada quanto a capitalizada tem a intenção de anonimizar o prestador da parte mais nobre da medicina, o atendimento médico-paciente. Vimos recentemente a entrada de médicos não validados para complementar o serviço escasso e mal distribuído do país, numa estratégia socializada onde a medicina é (teoricamente) igual independente de quem a executa e infraestrutura disponível. Visão notoriamente distorcida esta, mas que encontrou seus adeptos, por motivos eleitoreiros ou benefícios pessoais não republicanos.

Mas mesmo no capitalismo, onde a demanda por monopólio institucional também requer a massificação da medicina, a anonimização do prestador e criação de uma marca institucional forte faz com que o médico perca gradativamente o seu nome. Sua arte deixa de ser importante para a aceitação e seguimento de protocolos institucionais e contratos com operadoras. Não interessa mais se o médico na linha de frente é um excelente médico, mas, sim, se segue fielmente os protocolos fixos e imutáveis dessa ciência das verdades transitórias transformadas em dogmas para fins didáticos, e, acrescento, fins comerciais. E, quando o médico se recusa a assumir sua posição integral de autônomo, passa a ser peça num quebra cabeça maior e manipulado por interesses maiores.

A geração anterior de médicos ainda em atividade acompanha essa transição boquiaberta, onde aplicativos no celular, ou instituições de nome forte indicam seu melhor “produto” para determinado problema, e, esse produto agora é um médico sem nome, sob uma marca. Momentaneamente esse médico sente sua importância no sistema sendo referenciado e reconhecido pelo seu paciente, mas, da mesma maneira que o paciente não o encontrou pelo seu nome, na pequena variação do “produto” entregue, perceberá que o paciente não é seu, pois será redirecionado para um outro “produto” solucionador do problema. E esse produto é escolhido com base em “estrelinhas” num aplicativo ou algum índice de metas medido milimetricamente pelo sistema em que está inserido. Sejamos sinceros, o índice de resolutividade é apenas uma variável medida, o de retorno financeiro para a instituição é outro. Entre eles, qual é o mais importante para o intermediário?

A tradicional relação médico-paciente está se tornando relação hospital-paciente (ou qualquer outro intermediário-paciente, aplicativo-paciente por exemplo): os pacientes não buscam mais determinado médico, mas sim determinado serviço de saúde. E o mais incrível é que isso ocorre bem no meio da revolução da mídia social, que, teoricamente, coloca as pessoas em contato… com outras pessoas… ou não? E o pior de tudo, os médicos não estão só deixando isso acontecer, mas por não pensarem o que está escondido nas propostas que recebem, acabam agradecendo a oportunidade. Sem pensar que serão sumariamente trocados pelo próximo que bater as metas interessantes no momento.

Com o cerceamento da comunicação médica, que ocorre de várias maneiras, desde limitações severas impostas aos médicos e limitações frouxas aos serviços de não-médicos, muitos abstêm-se de qualquer aparecimento social com receio de julgamento externo. Embora sabidamente outros abusam. Isolam-se do problema colocando-se contratualmente sob clausulas (escritas ou não) abusivas. Aceitam a situação, agradecem a oportunidade, mas reclamam da conjuntura.

A aceitação desse status quo levará inexoravelmente ao fim da relação médico-paciente e da arte da medicina, e à massificação e transformação do serviço médico em um produto encapsulado e prontamente vendável. As máximas: “a clínica é soberana” e “cada paciente é um paciente” tornam-se fracas em frente à protocolos massificados e o poder financeiro das instituições.

Passou da hora de nós, médicos, olharmos criticamente para nosso passado e entendermos onde foi que erramos. E planejarmos o futuro que queremos, não os que nos é imposto.

porCIPERJ

Habilitação em ultrassonografia para bloqueios anestésticos é aprovada pela AMB

fonte: AMB

A AMB votou nesta terça-feira (8) a criação da primeira habilitação aprovada dentro das novas regras, que digitalizam a obtenção de certificados e tornaram o processo mais simples e rápido.

A Comissão de Ensino Médico e Pós-Graduação da entidade aprovou a criação da habilitação em ultrassonografia para bloqueios anestésicos, solicitada pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).

A reunião foi presidida pela diretora Acadêmica da AMB e membro da comissão, Maria José Maldonado. Também participaram do encontro Antonio Carlos Chagas, diretor científico da AMB, e José Roberto Baratella, membro da comissão.

Eles também discutiram detalhes sobre o evento de Saúde Digital que a AMB organiza e sobre a parceria recém formalizada entre a AMB e a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) para nacionalizar a prova da entidade.

Certificação aprovada

A habilitação vai certificar o médico anestesista em quatro áreas: acessos vasculares guiados por ultrassonografia; bloqueio de nervos periféricos e neuroeixo guiados por ultrassonografia; avaliação de resíduo gástrico; e avaliação de vias aéreas. O curso e as provas para emissão do certificado serão objeto de proposta específica da SBA para a AMB, avaliadas posteriormente.

A habilitação certifica que o médico especialista possui um conjunto de conhecimentos teóricos e habilidades práticas específicas relacionadas a uma ou mais áreas de atuação ou especialidade médica. Em dezembro, a lista das habilitações e cursos será disponibilizada no site da AMB.

porCIPERJ

Obesidade infantil: onde estamos e para onde vamos

fonte: Saúde Abril

por Maria Arlete Meil Schimith Escrivão, pediatra com área de atuação em Nutrologia e membro Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Houve uma mudança significativa na condição nutricional da população brasileira nas últimas décadas, com ascensão do sobrepeso e da obesidade e declínio do déficit de peso. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada no Brasil em 2008/2009, revelaram que 33,5% das crianças de 5 a 9 anos e 21,5% dos adolescentes de 10 a 19 anos estavam com excesso de peso.

A obesidade tem origem multifatorial e resulta da associação de fatores genéticos e ambientais, como hábitos alimentares inadequados e estilo de vida sedentário. O fácil acesso a alimentos industrializados com alta densidade energética, o aumento no tamanho das porções (principalmente dos fast foods) e a redução da atividade física contribuíram para a elevação do número de indivíduos obesos no mundo, atingindo todas as idades e todos os níveis socioeconômicos.

As crianças e os adolescentes obesos precisam ser identificados e controlados precocemente. Com o passar do tempo, há piora do grau do excesso de peso e o aparecimento das comorbidades, como alterações do colesterol, dos triglicérides, da glicemia e pressão arterial, além dos problemas psicossociais provocados pelo estigma da obesidade.

Cabe ressaltar que um indivíduo obeso na infância e na adolescência tem grande risco de permanecer acima do peso na fase adulta. Como consequência, pode sofrer uma redução na expectativa de vida por causa do aumento da probabilidade de desenvolver doenças cardiovascularesdiabetes, entre outras patologias associadas ao peso elevado.

Precisamos fazer algo

O aumento expressivo da prevalência de obesidade, a gravidade das suas repercussões, as dificuldades para o seu controle e o alto custo para a sociedade fazem desse distúrbio nutricional um relevante problema de saúde pública, que necessita ser combatido desde a infância.

A prevenção pode ser feita a partir dos cuidados primários de saúde e o pediatra tem papel de destaque nessa ação. Cabe a ele, por exemplo, fazer o monitoramento do peso e da estatura da criança. Quando verificar aumento excessivo de peso em relação à altura, especialmente se os pais forem obesos, deve realizar uma orientação nutricional com o objetivo de evitar o desenvolvimento da obesidade. O quadro, uma vez instalado, é difícil de ser revertido.

Também cabe ao pediatra a promoção do aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida e complementado a partir dessa idade até os 2 anos ou mais, fator que protege contra o excesso de peso. Esse profissional ainda deve orientar a introdução correta dos alimentos complementares, além de observar possíveis distúrbios na relação mãe-filho e na dinâmica familiar. Muitas vezes, o comportamento dos familiares interfere na esfera alimentar da criança e contribui para a instalação e manutenção da obesidade nessa fase.

Por falar em família…

Sua participação ativa é fundamental para propiciar hábitos alimentares adequados, como incentivo ao consumo de frutas, legumes e verduras, e redução da oferta de alimentos com quantidades elevadas de açúcarsal e gorduras. Também é preciso evitar na rotina alimentar da criança a presença de bebidas com baixo valor nutricional e alto valor calórico, a exemplo de refrigerantes e sucos artificiais.

Fazer as refeições com as crianças, ser modelo de consumo de alimentos saudáveis, observar sinais de fome e saciedade dos filhos e não realizar trocas afetivas exclusivamente por meio da alimentação (por exemplo: oferecer guloseimas como forma de dar afeto aos filhos) são outras importantes recomendações aos pais.

A família deve ainda modificar o comportamento sedentário, estimulando a criança a ter um estilo de vida mais ativo. É preciso incentivar a troca do tempo gasto com TV, videogame, computador, tablet e celular por momentos de brincadeiras ao ar livre, caminhadas, passeios de bicicleta, etc. – todas essas atividades com o envolvimento dos pais.

O papel da escola

As intervenções no ambiente escolar também fazem parte das estratégias para o controle da obesidade infantil, com a vantagem de a escola já possuir uma estrutura organizada e ser possível atingir grande percentual da população a um custo baixo. O tempo de permanência dos alunos nesse espaço é longo e, durante o período, eles fazem de uma ou duas refeições ao dia, durante cinco dias da semana.

Destaca-se ainda o fato de a escola ser um potencial agente de mudança na família e na comunidade onde está inserido. Os modos de intervenção em escolas incluem a introdução no currículo escolar de matérias que forneçam informações sobre saúde, alimentação, nutrição, vantagens do exercício físico; atuação junto às lanchonetes e à merendeira, assegurando maior oferta de alimentos saudáveis; e a promoção de práticas esportivas.

Existem evidências científicas sobre a eficácia de outras medidas, como regulação do marketing de alimentos não saudáveis (principalmente aquele voltados para o público infantil), melhora da rotulagem dos produtos alimentícios, taxação de alimentos não saudáveis, além de mudanças na infraestrutura urbana para promover transporte ativo e aumentar espaços para recreação.

Como dá para perceber, as estratégias para o controle da obesidade necessitam da atuação de toda a sociedade – família, escola, órgãos governamentais, indústria alimentícia, sociedades científicas, mídia etc. O objetivo principal é modificar o ambiente “obesogênico”, que contribui para o excesso de peso em indivíduos geneticamente predispostos.

porCIPERJ

ARTIGO: Hipertensão em crianças e adolescentes

fonte: Folha de SP

por Julio Abramczyk, médico

A hipertensão na infância e na adolescência está associada ao aumento de peso também nesta faixa etária, mostra estudo publicado no Jama Pediatrics deste mês.

Yajie Zhu, P. Song e colaboradores do Centro de Pesquisas de Saúde Global da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, elaboraram uma revisão e meta-análise da prevalência global da hipertensão infantil e da adolescência, de 1994 a 2018.

Os autores destacam a importância de avaliar a relação entre a prevalência da hipertensão nessas faixas etárias e o sobrepeso e a obesidade.

Os pesquisadores encontraram alta prevalência de hipertensão em crianças e adolescentes obesos (15,27%) e com sobrepeso (4,99%) em comparação com 1,9% de prevalência em crianças e jovens com peso normal.

As evidências epidemiológicas sugerem que o aumento da pressão arterial em crianças e adolescentes está associado à hipertensão essencial (aumento da pressão arterial de causa não identificada) e suas repercussões no sistema cardiovascular na idade adulta, segundo os autores.

Por outro lado, como refere o professor Stephen R. Daniels no editorial do Jama Pediatrics, os dados que serviram de base para o estudo de Zhu e Song indicam que a hipertensão é relativamente comum em crianças e adolescentes e sugerem que os pediatras poderão diagnosticar esse problema na rotina das consultas clínicas e adotar as medidas adequadas quando necessárias.

porCIPERJ

TV CREMERJ: conselho conta com canal de Educação Continuada

fonte: CREMERJ

O CREMERJ faz, semanalmente, eventos voltados para a educação médica continuada. Além do modo presencial, é possível acompanhar as aulas em tempo real pela TV CREMERJ. O conteúdo dos cursos anteriores também fica disponível no site e no aplicativo do Conselho.

No site, acesse pelo link https://bit.ly/2ZaDkRE

O aplicativo está disponível para os sistemas Androi e iOS. Baixe o app através dos links disponíveis.

Apple Store: https://apple.co/2JrfDgM

Google Play: https://bit.ly/2YIWygB

porCIPERJ

Alvo de Weintraub, professor com teto salarial é minoria

fonte: O Globo

Docentes de universidades federais com dedicação exclusiva têm qualificação acima da média e 16 anos de carreira para chegar ao teto.

Paulo Gomes, de 55 anos, é, na avaliação do ministro da Educação, uma “zebra gorda”: professor universitário federal que ganha entre R$ 15 mile R $20 mil, sinônimo para a elite docente no dicionário de Abraham Weintraub.

Há 22 anos ensinando engenharia de produção na Faculdade de Tecnologia da UnB (Universidade de Brasília), com doutorado e dedicação exclusiva, Paulo dá 14 horas de aulas semanais na graduação, divididas em seis turmas que somam 410 alunos.

Separa quatro horas por semana para atender orientandos e outras 16 para projetos de extensão e pesquisa, além de se desdobrar em funções administrativas. Somadas, as 40 horas contratadas são escassas para tanto trabalho.

—Preparo as aulas no período das férias escolares, entre os semestres letivos — diz.

Os salários dos professores universitários foram tratados diretamente por Weintraub em evento realizado há duas semanas em São Paulo. Para uma plateia de dirigentes de instituições privadas de ensino superior, ele afirmou que, para recompor o orçamento do Ministério da Educação (MEC), iria “atrás da zebra gorda, queéo professor de uma federal, com dedicação exclusiva, que dá oito horas de aulas por semana e ganha de R $15 mil aR $20 mil por mês ”.

MAIS QUALIFICAÇÃO

Procurado, o MEC não se manifestou sobre o tema e não respondeu quantos profissionais estão nesse patamar — pedi up araque O GLOBO procuras secada universidade.

Na Unifesp, ondeWeintraubd ava aula até assumira Educação, somente um terço dos professores recebe a partir de R$ 15 mil — de acordo com dados da folha de pagamento de agosto de 2019, publicados após pedido via Lei de Acesso à Informação. O maisal to chega aR $30 mil.

Nos últimos dez anos, devido às políticas traçadas pelo MEC, o Brasil viveu uma expansão

do ensino superior aliada à qualificação dos docentes, e a combinação desses fatores levou a um aumento de 77% na folha de pagamento de pessoal do ministério.

O número de alunos da rede federal cresceu 52% no mesmo período, o de professores de ensino superior da rede pública subiu 55% e o de docentes com doutorado, 125%.

—O problema fiscal do Brasil não é por conta dos salários. O que causou impacto na folha de pagamento foi o crescimento do número de federais. Aí o país deveria ter sido mais cauteloso — aponta Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV.

Sem cargos de comissão ou bolsas de pesquisa, apenas professores com doutorado, dedicação exclusiva e 16 anos de carreira conseguem chegar ao patamar salarial mais alto na Educação pública superior. Ou seja, são pelo menos 27 anos de qualificação, somando o tempo na graduação, no mestrado e no doutorado.

— Se os salários não forem atrativos, as universidades não conseguirão bons professores. Estamos falando de profissionais altamente qualificados para os quais o mercado oferece postos bem remunerados —argumenta Paulo Gomes.

Na UFRJ, 49% dos professores chegaram ao teto salarial. Lá, 52% dos professores têm mais de 51 anos. A reitora da universidade, Denise Carvalho, afirma que a remuneraçãobrasileira não sec om paraà de outros países.

— Um professor que ganha menos nos EUA, em universidades que não são de ponta, ganha US$ 80 mil por ano na área de Ciências Humanas e Sociais. Mesmo os que ganham R$ 20 mil mensais no Brasil não chegam a esse patamar anual — diz a reitora. — O salário (dos docentes da UFRJ )é acima da média dos trabalhadores no país, masa qualificação dele sé muito acimada média nacional.

TRABALHO EXTRA

Márcio Markendof, de 38 anos, é doutor com dedicação exclusiva na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com sete anos de casa, ainda não está no patamar salarial criticado por Weintraub. Das 40 horas semanais de atividades, dá um mínimo de oito horas de aulas. O restante é dividido entre pesquisa, projetos de extensão e funções administrativas, como a participação em comitês.

— Assumi nesse semestre a coordenação de pós-graduação em Literatura. Vou ter mais trabalho sem ganhar nada por isso, pois não recebemos por orientação.

Seu salário pode passar do teto de R$ 20,5 mil com atividades como obtenção de bolsa de pesquisa, sempre aprovados pela universidade.

porCIPERJ

Nota técnica: Torção de testículo

Rio de Janeiro, 05 de outubro de 2019.

NOTA TÉCNICA

Após reportagem recente na imprensa a respeito de um caso de perda de um testículo após um episódio de torção, a Sociedade de Cirurgia Pediátrica do Rio de Janeiro gostaria de se manifestar sobre o problema do tratamento em tempo hábil das torções de testículo. Nosso objetivo é de alertar quanto ao problema, seus desdobramentos em nosso meio e a necessidade de educar a comunidade em geral quanto ao nível de urgência envolvido.

Esta é uma doença que atinge predominantemente adolescentes (1:4000 homens < 25 anos). Manifesta-se como uma dor aguda e brusca, muito intensa, que afeta um dos testículos. O grande problema é que se atendida após um tempo maior do que seis horas desde o início do episódio de dor tem um risco muito grande de evoluir com retirada por cirurgia ou atrofia completa do órgão, que sofre necrose (morre por falta de irrigação sanguínea por um tempo prolongado).

Alguns problemas afetam o atendimento desta doença, a nível mundial. Dados recentes da Universidade do Texas mostram que em torno de 70% dos testículos foram salvos quando atendidos plenamente em menos de 12h, enquanto que a mesma fração se perdeu após este prazo, num cálculo aproximado (Chen et al, Testicular Atrophy Following Torsion in Pediatric Patients, Congresso Americano de Urologia Pediátrica, 2018).

O principal deles é a demora na demanda de atendimento, pelo paciente ou pelos pais. As pessoas de forma geral não sabem do risco envolvido ou da existência desta doença e tentam, antes de buscar atendimento emergencial, controlar o episódio com tratamentos domésticos. Também é costume atribuir os sintomas a algum trauma testicular, relativamente frequente entre adolescentes ativos e praticantes de esportes de contato ou ciclismo, o que justifica a seus olhos os acontecimentos e reforça a busca tardia de atendimento. Adolescentes, por pudor, frequentemente retardam comunicar suas queixas aos responsáveis.

 

QUALQUER EPISÓDIO DE DOR TESTICULAR AGUDA PRECISA DE ATENDIMENTO MÉDICO IMEDIATO, e é essencial que pais, professores e crianças/adolescentes sejam educados a respeito.

Outro problema é que os sintomas de torção testicular devem ser diferenciados de outras doenças, principalmente de inflamações do testículo (orquites), torções da hidátide testicular e traumas efetivos do testículo. O diagnóstico diferencial é difícil e os exames complementares têm um índice alto de falhas, além de retardar o diagnóstico em muitos casos. EM CASOS DE SUSPEITA BEM FUNDAMENTADA DE TORÇÃO TESTICULAR ESTÁ INDICADA CIRURGIA EXPLORATÓRIA NUM PRAZO MÁXIMO DE SEIS HORAS, E ISTO INDEPENDE DE EXAMES COMPLEMENTARES PARA COMPROVAR O DIAGNÓSTICO: com raras exceções, o risco da cirurgia é menor do que o risco de uma espera prolongada e não se deve esperar por outros exames em casos com indicação clara.

Acentuamos que, na saúde pública/SUS, retardos no fluxo de pacientes entre unidades primárias de atendimento e unidades capazes de prover o tratamento cirúrgico são extremamente relevantes na piora dos resultados. Infelizmente, considerando os sistemas atuais de regulação, é muito raro que o paciente seja atendido numa unidade primária, receba o diagnóstico inicial, chegue à unidade de referência e seja operado num prazo de seis horas. Há entraves para o diagnóstico inicial, quando mecanismos de triagem retardam o atendimento e não há disponibilidade de profissionais treinados para este diagnóstico e há entraves para a transferência do paciente para cirurgia em tempo hábil. É imperativo que os gestores se conscientizem da necessidade de tratamento IMEDIATO desta entidade, que cursa com isquemia do testículo, da mesma forma que existem protocolos de atendimento imediato de episódios de isquemia cardíaca ou cerebral.

Finalmente, lembramos que nos episódios de torção testicular não é só a cirurgia do testículo que é importante: é essencial que o testículo que não foi afetado inicialmente pela doença seja fixado numa posição normal, porque o risco de torção posterior é alto. Isto é ainda mais fundamental se após o episódio de torção o paciente perde o órgão por retirada ou atrofia, já que um novo episódio protraído de torção significaria uma situação de anorquia (ausência de testículos), andropausa e infertilidade. Q

MENINO QUE TENHA SOFRIDO UMA TORÇÃO DE TESTÍCULO PRECISA TER O OUTRO TESTÍCULO FIXADO CIRURGICAMENTE, ASSIM QUE POSSÍVEL.

Associação de Cirurgia Pediátrica do Rio de Janeiro – CIPERJ

porCIPERJ

CIPE divulga nota técnica sobre Linfangioma

fonte: CIPE

São Paulo, 1º de outubro de 2019

O linfangioma (modernamente chamado preferencialmente de malformação linfática) é uma doença congênita causada  pelo  desenvolvimento anormal dos vasos  linfáticos, provocando o surgimento de tumores formados por múltiplos cistos preenchidos por líquido linfático, de tamanhos variados, que podem atingir um grande volume. Ocorre mais frequentemente no pescoço, mas pode atingir qualquer localização da anatomia. Embora seja uma doença relativamente incomum (1 a 5:10.000 nascidos vivos), considerando a taxa de natalidade do país (14 nascidos vivos/1.000 habitantes/ano numa população aproximada de 200.000.000 pessoas), em torno de 1.000 crianças afetadas nascem no Brasil a cada ano, num cálculo aproximado.

A doença apresenta um alto nível de morbidade, que varia desde deformidades cervico-faciais que determinam problemas sociais graves até problemas clínicos sérios e potencialmente fatais, principalmente pela chance de causar dificuldades respiratórias secundárias à compressão da laringe e da traquéia (as estruturas por onde passa o ar para os pulmões). Como agravante, casos inicialmente controlados podem sofrer piora brusca por causa de infecções secundárias e/ou sangramentos espontâneos ou pós-traumáticos dentro das lesões, levando o paciente a apresentar insuficiência respiratória aguda com risco de morte imediata se não for possível atendimento emergencial com intubação traqueal ou, em alguns casos, realização de traqueostomias.

Atualmente o tratamento dos linfangiomas é feito através de um processo de esclerose dos vasos linfáticos anormais envolvidos, injetando-se na lesão medicamentos adequados para esta finalidade. O tratamento cirúrgico é reservado para casos específicos, muito incomuns, que apresentem contraindicações ou resposta inadequada ao uso das medicações.  A escolha do tratamento medicamentoso, ao contrário do que se pode supor inicialmente, não se deve apenas a esta ser a opção de mínima invasividade. O fato é que as cirurgias para linfangiomas têm uma morbidade muito grande, por exigir dissecções cirúrgicas agressivas em regiões anatomicamente delicadas, que abrigam vasos sanguíneos de grande calibre e nervos importantes, com grande risco de lesões secundárias permanentes, independentemente da capacidade técnica do cirurgião. Outro problema é que o risco de recorrência de linfangiomas tratados cirurgicamente é muito elevado, maior do que 1 caso a cada 5 pacientes operados.

Há duas drogas que são utilizadas e reconhecidas mundialmente como estado da arte para o tratamento dos linfangiomas (chamado  de escleroterapia): o OK-432 (Picibanil®), um imunoterápico patenteado e fabricado no  Japão que não é comercializado no Brasil e a bleomicina, um quimioterápico de uso rotineiro no tratamento de alguns tumores malignos, que tem sido a droga de escolha para o tratamento dos linfangiomas no Brasil. O uso de  outras drogas para esta finalidade não foi, até o momento, validado cientificamente em protocolos clínicos.

Ocorre que a importação do princípio ativo da bleomicina foi suspensa no Brasil pela ANVISA desde agosto de 2017 devido a questões técnicas na fábrica do medicamento (portal.anvisa.gov.br/descontinuacao-de-medicamentos),   levando à indisponibilidade da medicação para uso clínico. Este problema, persistente até o momento, tem levado  a questões graves na rede pública de saúde, que vão desde a indisponibilidade da droga para o tratamento de doenças malignas até a impossibilidade prática de tratar crianças portadoras de linfangiomas.

Várias sociedades médicas têm comunicado problemas gerados pelo desabastecimento de bleomicina no Brasil. As Sociedades Brasileiras de Hematologia e Hemoterapia, Transplante de Medula Óssea, Linfoma e Leucemia, Oncologia Pediátrica e Oncologia Clínica assinaram carta pública solicitando soluções para o problema    (https://abhh.org.br/noticia/anvisa-responde-a-abhh-sobre-a- descontinuidade-de-medicamentos-onco-hematologicos-leia-na-integra/, https://www.abrale.org.br/abrale-noticias/341-bleomicina-esta-em-falta).

Relatos de alteração em esquemas clássicos de quimioterapia para linfomas, comunicações públicas do problema pelas sociedades médicas e de defesa dos pacientes, demandas judiciais pelos medicamentos (https://panoramafarmaceutico.com.br/2018/09/04/falta-de-respostas-estimula-pacientes-a-buscar- solucao-na-justica/)       e   campanhas públicas pedindo a resolução do problema (https://www.facebook.com/mblivre/posts/liberaanvisa/1004016123055864/)

https://twitter.com/hashtag/bleomicina.

Com relação aos linfangiomas, há muitos relatos, em diversos estados do país, de problemas de desabastecimento da medicação (https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/pacientes-com- doenca-rara-em-cuiaba-estao-sem-remedio-para-tratamento-apos-suspensao-da-anvisa.ghtml, https://defatoonline.com.br/canais/saude-e-bem-estar/noticias-saude-e-bem-estar/2018/07/10/sem- medicamentos-bleomicina-no-mercado-itabirano-de-1-ano-tem-tratamento-de-doenca-rara-paralisado/,         https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/07/falta-de-droga-contra-lesao- vascular-suspende-terapia-de-criancas.shtml,      http://clicfolha.com.br/imprimir-materia/80890/anvisa- suspende-medicamento–para-tratamento-de-doenca-rara, https://www.diariodoaco.com.br/noticia/0060697-mae-relata-dificuldades-em-tratar-doenca-rara-do-filho-).

Vários cirurgiões pediátricos têm comunicado a esta sociedade o recebimento de casos protraídos ou complicados  de linfangiomas congênitos pela impossibilidade de tratamento prévio, eventualmente com complicações agudas   que exigiram terapia intensiva prolongada, frente a uma dificuldade intransponível em obter a medicação nos vários hospitais públicos, embora eventualmente seja possível a obtenção através de importação, na rede privada.

A ANVISA tem afirmado em várias ocasiões que o problema se deve ao desinteresse da indústria farmacêutica em  fornecer o medicamento no Brasil, mas, independentemente das razões, nós e os pacientes precisamos de uma solução: é uma questão de saúde pública e é papel do gestor público de saúde encontrar uma solução razoável. A   alternativa de importação em caráter excepcional de medicamentos (http://www.sbpc.org.br/noticias-e-comunicacao/importacao-de-medicamentos-sem- registro-na-anvisa/) não é adequada, em especial no sistema público de saúde, pelo tempo prolongado para a obtenção efetiva da medicação e mecanismos de gestão de compras pouco ágeis e com muitas restrições legais, processuais e burocráticas, além do caráter de excepcionalidade.

Considerando estes argumentos e o grau de importância da situação, já indevidamente prolongada por anos, sendo esta uma doença com risco eventual de morte, a CIPE solicita providências governamentais urgentes para resolver a questão da disponibilidade de bleomicina no país e atender às necessidades dos pacientes portadores de  linfangiomas, sem esquecer da necessária solidariedade aos colegas e pacientes que necessitam da mesma droga para tratamento oncológico.

Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica – CIPE