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O site da CIPERJ possui a seção Ache seu cirurgião pediatra, onde os associados quites podem divulgar seus consultórios e telefones tendo em vista os usuários que acessam nosso site em busca de cirurgiões pediatras para seus filhos (as).

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Nota técnica: desabastecimento dos hospitais

Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2019

Em nome de seus associados, a CIPERJ vem a público comunicar a falta de insumos básicos que afeta neste momento vários hospitais da rede SUS no Rio de Janeiro. Tais problemas variam entre o desabastecimento agudo de material cirúrgico essencial (escovas de antissepsia, canetas de eletrocautério, etc), desabastecimento agudo e crônico de materiais de consumo específico de uso em cirurgia pediátrica (cateteres venosos profundos, fios de sutura apropriados para cirurgia em crianças pequenas, etc) e desabastecimento crônico de materiais de uso permanente, em especial material apropriado para endoscopia urológica, cirurgia videolaparoscópica pediátrica e ultrasonógrafos para uso em tempo real em atos de inserção de cateteres venosos profundos (estes, por exemplo, constituem o estado da arte e possibilitam maior segurança e substituição de métodos de dissecção venosa por métodos de punção venosa com preservação do vaso afetado). Problemas têm sido verificados e denunciados à CIPERJ, em vários hospitais da rede, em graus e especificidades variáveis, afetando instituições federais, estaduais e municipais, seja com gerência pública direta ou por operadoras terceirizadas (OS). Há uma nítida piora dos problemas envolvendo materiais de consumo a partir de novembro de 2019.

Gostaríamos de destacar e tornar público que estas restrições têm obrigado várias instituições a adiar e cancelar procedimentos cirúrgicos ou, em situações de emergência extrema, a recorrer a manobras técnicas de segunda linha para resolver problemas clínicos.

Algumas implicações destes problemas são óbvias, como por exemplo, sobre as filas de espera. Outras são menos evidentes, e implicam, por exemplo, enormes coeficientes de estresse sobre profissionais e pacientes. Os níveis de esgotamento profissional (síndrome de burn-out) entre médicos são enormes neste momento, os níveis de suicídio entre profissionais, segundo algumas fontes, quintuplicaram nos últimos anos e as notícias de agressões contra profissionais de saúde proliferam largamente, inclusive na imprensa profissional. As taxas de complicações procedurais podem aumentar significativamente mesmo com a execução e indicação perfeitas de procedimentos, seja pelo uso emergencial necessário de materiais ou métodos de segunda linha ou pela espera significativamente aumentada para cirurgias.

A CIPERJ considera essencial que estes problemas sejam resolvidos e que a população, incluídos aqui os agentes de controle público, estejam cientes. É necessário registrar que os profissionais médicos e os cirurgiões pediátricos não são culpados, omissos ou descomprometidos. É impossível fazer cirurgia usando apenas a voz e a boa vontade.

Associação de Cirurgia Pediátrica do Rio de Janeiro – CIPERJ

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HUAP/UFF conta com uma vaga para Cirurgia Pediátrica em concurso

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) abriu concurso público com uma vaga para Cirurgia Pediátrica no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF).

O salário é de R$ 8.647,57 para uma carga horária de 24h semanais. As inscrições podem ser feitas até o dia 11 de dezembro pelo site do IBFC.

CONFIRA O EDITAL

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SUS pretende usar inteligência artificial para agilizar atendimentos

fonte: Agência Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, que o programa Conecte SUS, em fase de testes no estado de Alagoas, é o primeiro passo para informatizar e modernizar a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.

A iniciativa cria uma rede nacional de dados que permite que usuários do SUS tenham perfis acessíveis por qualquer profissional de saúde. Dessa forma, todos os procedimentos e recursos utilizados por esses pacientes estarão disponíveis em um banco online. De acordo com o ministério, dados como vacinação, procedimentos cirúrgicos, exames, consultas regulares e medicamentos receitados constarão na ficha médica do paciente.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, espera que metade dos estados brasileiros esteja no Conecte SUS até 2021.

De acordo com o ministro, o uso de tecnologia para criar filtros e estabelecer parâmetros nos atendimentos agilizará as filas de espera e, também, auxiliará na distribuição de recursos estaduais e municipais de forma mais inteligente.

A expectativa do ministro é que metade dos estados brasileiros esteja ligada ao Conecte SUS até o final de 2021. Leia abaixo a entrevista concedida à Agência Brasil:

Agência Brasil: Os dados dos perfis de usuários do SUS poderão ser usados pela rede privada? O usuário pode levar essa “ficha médica” para fora do SUS?

Luiz Henrique Mandetta: Sim. A ideia é propagar a informação entre os estabelecimentos públicos e privados. Desde que sejam atendidos todos os critérios técnicos de segurança.

Agência Brasil:  Esse novo sistema influencia no tempo de espera do SUS?

Mandetta: Acreditamos que, a partir do uso da Rede Nacional de Dados (RNDS), teremos uma visão macro sobre os padrões de atendimento e, com isto, gerar dados robustos para a tomada de decisão, entre elas, a diminuição da fila. O uso de inteligência artificial pode auxiliar a identificar prioridades.

Agência Brasil: Qual a estimativa para que o projeto atinja 100% de cobertura?

Mandetta: O piloto em Alagoas nos ajudará a ter esta visão do impacto do Conecte SUS. O primeiro objetivo é conectar todos os municípios, todas as unidades, para os gestores mapearem as necessidades. Com isso, o gestor pode gerenciar a unidade de saúde. Para um gestor estadual, é o conjunto de cidades e seus indicadores, para poder diminuir a mortalidade infantil e materna, melhorar a saúde mental, garantir o estoque de medicamentos, diminuir a interrupção de medicamentos, abastecer melhor a rede. Em Alagoas, teremos um retrato 3×4 do que vamos encontrar no Brasil no ano que vem. Temos a intenção de termos, até o final de 2021, mais da metade dos estados brasileiros cobertos.

Agência Brasil: Há novas iniciativas tecnológicas planejadas para o atendimento público de saúde?

Mandetta: Trabalhamos com a possibilidade de ter a carteirinha de vacinação digital, um padrão de prescrição nacional de medicamentos, de diminuir as fraudes e o mau uso dos serviços de saúde, entre outros.

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Credibilidade de vacinas é menor entre homens e jovens, diz pesquisa

fonte: Agência Brasil

Uma pesquisa feita pela organização não governamental Avaaz, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), mostra que a credibilidade das vacinas é menor entre homens e jovens de 16 a 24 anos. O estudo mapeou o impacto das fake news em vacinas e contou com um questionário domiciliar em que o Ibope ouviu 2.002 pessoas entre 19 e 22 de setembro deste ano, em todas as regiões do país.

Segundo a pesquisa, 54% dos brasileiros consideram as vacinas totalmente seguras, e 31% avaliam que elas são parcialmente seguras. Para 8%, elas são parcialmente inseguras, e 6% responderam que elas são totalmente inseguras. A soma dos três últimos grupos mostra que 45% dos brasileiros têm algum grau de insegurança em relação às vacinas. Um percentual de 2% não respondeu ou não soube opinar.

Entre os homens, cai para 49% o percentual dos que consideram as vacinas totalmente seguras, e os outros três grupos somam 48%. Em relação à faixa etária, a situação é mais preocupante entre os jovens de 16 a 24 anos, já que 45% veem as vacinas como totalmente seguras e 53% têm algum nível de insegurança.

As pessoas com ensino médio se mostraram menos seguras sobre as vacinas do que aqueles com nível fundamental completo ou incompleto, sendo este último grupo o que dá maior credibilidade às imunizações (61%). Segundo a pesquisa, metade das pessoas que pararam de estudar ao concluir o ensino médio têm inseguranças em relação à vacinação, enquanto para quem tem nível superior esse percentual cai para 43%.

Assim como nos níveis de escolaridade, a camada mais pobre da população, com renda de até um salário mínimo, é a que confia mais nas vacinas. O resultado se repete entre as classes D e E, que superam a A, a B e a C no percentual que avaliou as vacinas como totalmente seguras. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, os dados de renda, classe social e escolaridade mostram que a população mais pobre está menos impactada pelas fake news por consumir mais as informações da mídia tradicional, utilizar mais os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e ter menos acesso às redes sociais.

“Elas são bastante impactadas pelas mídias tradicionais, mesmo sendo populações mais carentes. E tem a ação do SUS. São pessoas que são usuárias do SUS. E quando elas conseguem acessar o sistema, os profissionais de saúde se tornam muito importantes na informação”.

Outro dado trazido pela pesquisa é que os evangélicos dão menor credibilidade às vacinas que os católicos e as pessoas que se declararam de outras religiões. Enquanto 60% dos católicos e 49% do terceiro grupo consideram as vacinas totalmente seguras, esse percentual cai para 44% no caso dos evangélicos, o menor percentual entre todos os recortes populacionais.

Fake News

O questionário mostra que 61% dos entrevistados já receberam mensagens negativas sobre vacinas nas redes sociais, sendo que 9% disseram que essas mensagens chegam todos os dias ou quase todos os dias.

Entre as pessoas que declararam considerar as vacinas parcialmente inseguras, 72% disseram ter recebido notícias negativas por redes sociais. E, entre os que disseram que elas são totalmente inseguras, esse percentual é de 59%.

A pesquisa revela que a mídia tradicional ainda é a principal fonte de informação sobre vacinas para a população, sendo citada por 68% dos entrevistados, que podiam apontar as três fontes principais de informações sobre o assunto. As redes sociais ficaram em segundo lugar, com 48%, à frente do governo (42%) e dos profissionais de saúde (41%). O presidente da SBIm acredita que a disponibilidade das redes sociais contribui para que elas tenham ultrapassado fontes oficiais.

“A gente tem que estar disponível para ensinar e esclarecer da mesma forma que as pessoas que disseminam essas inverdades estão. A gente tem que encontrar tempo, disponibilidade e uma linguagem pra isso”, diz ele, que reconhece que redes sociais como o Whatsapp favorecem a criação de “guetos”, onde informações que desmintam fake news dificilmente conseguem penetrar. “É importante a gente ter a parceria com as plataformas [de redes sociais]”.

Para a coordenadora de campanhas do Avaaz no Brasil, Nana Queiroz, o país vive uma epidemia de desinformação que precisa ser combatida por diferentes esferas de governo, sociedades médicas e também pelas plataformas de redes sociais, como o Facebook, o YouTube, o Instagram e o Whatsapp. “Nesse caso, o remédio é que as plataformas mostrem correções (vindas de checadores de fatos independentes) a todos que foram expostos a notícias falsas. Essa estratégia ficou conhecida mundialmente como correct the record [corrigir o erro]. Ela é prática, justa e nos protege contra a censura, pois nada é tirado do ar: apenas corrigido”.

O Avaaz analisou ainda 30 histórias falsas sobre vacinas desmentidas pelo Ministério da Saúde e por serviços jornalísticos de checagem de informações. Esses conteúdos tiveram  23,5 milhões de visualizações e 578 mil compartilhamentos no Facebook. Além disso, foram 2,4 milhões de visualizações no YouTube. Quase metade desses artigos ou vídeos foi traduzida de sites antivacina dos Estados Unidos.

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Sob críticas de entidades, Bolsonaro muda lógica de financiamento a atenção primária no SUS

fonte: Estadão

Sob críticas de entidades ligadas à saúde pública, o governo Jair Bolsonaro apresentou nesta terça-feira, 12, uma nova lógica para financiar a atenção primária no Sistema Único de Saúde (SUS). O formato, formulado com a anuência de secretários estaduais e municipais, levará em conta o número de pessoas cadastradas e o cumprimento de indicadores de saúde. Quanto mais pessoas inscritas e quanto melhores os resultados, maiores serão os valores. Hoje, o pagamento é feito com base em dados populacionais.

A mudança na forma de repasse não será imediata. A ideia é que, ao longo de 2020, monitoramentos sejam realizados e capacitações ofertadas para que municípios consigam fazer o cadastramento. O acompanhamento dos dados será feito a cada quatro meses. Resultados começarão a ser aferidos em agosto do próximo ano.

Ao anunciar a nova política, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou não haver risco, no curto prazo, de haver redução nos repasses para municípios. Ele disse ainda que o novo formato não aumentará as desigualdades. De acordo com ele, os indicadores determinados são simples e podem ser atendidos tanto por municípios de pequenas cidades quanto das maiores.

“O indicador vai trazer um ciclo virtuoso”, afirmou. Hoje, não há nenhum mecanismo para controle de atendimento ou resultados e os municípios recebem independentemente da sua forma de atuação. “É muito melhor olhar para o problema do que deixá-lo varrido debaixo do tapete”, disse. Para poder impulsionar a mudança, o Ministério da Saúde prevê um incentivo de R$ 2 bilhões.

Pelos cálculos do ministério, cerca de 50 milhões de pessoas que deveriam estar cadastradas no SUS não são acompanhadas. “Boa parte delas são as mais necessitadas. Pessoas que já recebem benefícios como o Bolsa Família”, disse o secretário do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira.

Um levantamento feito pelo Conasems mostra que, pelos novos critérios, 1.070 municípios perderiam recursos se os parâmetros agora definidos pelo governo fossem imediatamente colocados em prática. “Acreditamos que isso não vá acontecer. Isso porque, com as novas regras, todos vão se adaptar. E, além disso, há um tempo para que os problemas sejam resolvidos”, afirmou Junqueira.

Em um primeiro momento, serão sete indicadores de saúde. Com o tempo, esses indicadores serão ampliados até chegar a 21 em 2022.

Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Gastão Wagner afirma que a existência de parâmetros poderia ser bem-vinda, desde que fosse adotada no médio prazo. “Algumas cidades não têm condições de fazer o cadastramento. Sem equipes, como isso poderá ser feito?”, questionou.

Em um manifesto assinado por 12 associações ligadas à saúde pública na semana passada, especialistas alertam que a nova lógica rompe com o princípio de saúde como direito de todas as pessoas e inviabiliza a aplicação de recursos de acordo com a necessidade de saúde e territórios.

O manifesto observa ainda que os R$ 2 bilhões de incentivos são ilusórios. “Às vésperas das eleições municipais de 2020, não é justo impor aos profissionais do SUS nos municípios sobrecarga ainda maior de trabalho para operacionalizar as mudanças da portaria, sem que os problemas reais da gestão sejam de fato considerados e equacionados”, diz o documento.

Para Wagner, o novo formato será usado, no futuro, para reduzir o repasse para municípios, sobretudo os de médio porte. “Cidades maiores não têm condições de fazer o registro. E sem funcionários, sem possibilidade de contratação, esses números não serão atingidos. E aí, o maior risco é de que cortes sejam de fato realizados.”

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Metade da dieta dos bebês não é natural

fonte: Estadão

O consumo de alimentos ultraprocessados é cada vez mais precoce no Brasil. Crianças com menos de 2 anos chegam a ter praticamente a metade da sua alimentação diária composta por produtos industrializados. São farináceos, bebidas lácteas, refrigerantes, biscoitos. Por isso, o Ministério da Saúde lançou uma campanha de prevenção da obesidade infantil.

O objetivo é alertar e orientar as famílias sobre a importância da formação de hábitos saudáveis na infância. Foi lançada também uma nova versão do guia alimentar para bebês. A alimentação com altas quantidades de sal, gordura e açúcar desde a primeira infância tem impacto direto nos índices de obesidade dos pequenos e também da população em geral.

Dados do governo mostram que 15,9% das crianças com menos de 5 anos já apresentam excesso de peso. Nos últimos 13 anos, o porcentual de obesos no País passou de 11,8% para 19,8%. Foi um aumento de 67,8%, um dos maiores índices de crescimento no mundo.

Já está bem estabelecido cientificamente que o excesso de peso pode causar doenças crônicas como diabete, hipertensão e colesterol alto. Também é fator decisivo para o desenvolvimento de problemas cardíacos e câncer. “O cenário de obesidade infantil é muito preocupante, com índices cada vez mais altos de diabete e hipertensão”, afirmou o nutricionista Cristiano Boccolini, da Fiocruz. “Cada vez mais as crianças estão recebendo produtos ultraprocessados em vez de comida de verdade. Temos de desembalar menos e descascar mais.”

A má alimentação desde a primeira infância tem causas múltiplas, como indicam especialistas. Um dos maiores problemas está relacionado ao aleitamento materno. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é que bebês de até 6 meses se alimentem exclusivamente do leite materno.

Dados do governo brasileiro mostram, no entanto, que duas em cada três crianças com menos de 6 meses já recebem algum outro tipo de leite, em geral acrescido de alguma farinha e açúcar. E apenas um terço continua recebendo leite materno até os 2 anos. Nesta faixa etária, 49% já se alimentam também de sucos adoçados, refrigerantes e biscoitos. O preconizado é zero açúcar até essa idade.

“A amamentação previne a obesidade na idade adulta, as crianças amamentadas têm menos chances de se tornarem adultos obesos”, afirmou Boccolini. “Mas, além disso, a complementação alimentar dos bebês deve ser feita com comida de verdade – arroz, feijão, carne, legumes e verduras.”

Alguns obstáculos são a pouca disponibilidade das mães que precisam trabalhar e o alto preço dos alimentos mais saudáveis. “O paladar das crianças na hora de descobrir o açúcar é muito aguçado”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que lançou a campanha no Rio. “É preciso evitar alimentos que não agregam valor nutricional, mas agregam peso. E criança tem de andar descalça, correr, pedalar. Se essas atividades forem substituídas por horas de tela, vamos pagar um preço muito alto.”

“O leite materno tem menos proteína que o leite de vaca, mas é uma proteína de qualidade superior. Quando tira a o leite materno, a criança recebe um excesso de proteína que já favorece o ganho de peso”, afirmou o nutricionista Marcio Atalla, embaixador da campanha do ministério. “Além disso, tem muita criança com menos de 2 anos tomando refrigerante, comendo biscoito; um excesso de caloria que ela não gasta nessa idade e vai reverter no sobrepeso.”

Controle

Os pais tentam equilibrar a alimentação dos filhos, mas enfrentam dificuldades. Chocolate soa como palavra mágica para Bryan, de 4 anos. “Ele adora, come qualquer um”, conta o pai, o vistoriador Pedro Reis, de 22 anos, morador da Tijuca, na zona norte do Rio. “Se deixar, come todo dia, mas eu e a mãe não permitimos. É uma vez por semana mais ou menos”, conta o pai.

Já Rafael, de 1 ano, ainda nem sabe o que é o sabor doce. “Só dou pra ele comida sem sal nem açúcar”, conta a mãe do bebê, a nutricionista Mayra Reis, de 34 anos. “Sei que não vai dar pra manter essa regra para sempre, mas meu objetivo é que, até os 2 anos, ele não coma nada industrializado. No começo deu certo, mas agora ele vê os primos comendo (lanche do) McDonald’s e também quer”, diz. “Eu não deixo. O máximo que ele come não feito em casa é biscoito de polvilho e algum pão.”

A nutricionista convenceu o marido a manter o filho na dieta, mas a falta de sal e açúcar motivou protestos da sogra, “Ela reclamou, disse que a comida ficaria sem sabor nenhum. Mas eu expliquei que assim é que o Rafael sentiria o verdadeiro gosto dos alimentos.”

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OMS vai certificar versões genéricas de insulina para reduzir preço

fonte: Estadão

A fim de reduzir o preço de insulina em todo o mundo e aumentar o número de pessoas em tratamento contra diabete, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou, na última quarta-feira, um programa piloto de avaliação de insulina humana produzida por diversos fabricantes. A ideia é fazer o que a OMS chama de pré-qualificação – testar e aprovar novas versões genéricas da droga de modo a encorajar as farmacêuticas a entrarem nesse mercado. Hoje, apenas três empresas controlam a maior parte do mercado global. Aumentando a competição, a expectativa é que os preços caiam.

A pré-qualificação também vai permitir que agências da ONU e organizações médicas não-governamentais, como Médicos sem Fronteiras, comprem as versões genéricas. A medida, anunciada um dia antes do Dia Mundial do Diabete (celebrado na quinta, 14), é parte de uma série de ações da organização para lidar com o número crescente de casos da doença em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento.

Segundo a OMS, estima-se que haja cerca de 420 milhões de pessoas com diabete em todo o mundo – o número quadruplicou desde 1980. Cerca de 20 milhões de pessoas sofrem com diabete tipo 1 e precisam de injeções de insulina para sobreviver. Entre os pacientes com o tipo 2, estima-se que cerca de 65 milhões precisam de insulina, mas apenas metade tem condições de acessar a droga, em parte por causa dos altos preços.

A doença é a sétima principal causa de morte e uma das principais causas de complicações de alto custo e debilitantes, como ataques cardíacos, derrame, insuficiência renal, cegueira e amputações de membros inferiores. “O simples fato é que a prevalência de diabete está crescendo, a quantidade de insulina disponível para tratar o diabete é muito baixa, os preços são muito altos, por isso precisamos fazer alguma coisa”, disse Emer Cooke, diretora de Regulamentação de Medicamentos e outras Tecnologias de Saúde da OMS durante o lançamento da iniciativa.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que são “catastróficos” os impactos dos custos da insulina. “O diabete prejudica a saúde e mina as aspirações educacionais e de emprego para muitos, afetando as comunidades e levando as famílias a dificuldades econômicas”, disse Guterres, reforçando que isso ocorre particularmente em países de baixa e média renda.

Dados coletados pela OMS entre 2016 e 2019 em 24 países de quatro continentes mostraram que a insulina humana estava disponível apenas em 61% das unidades de saúde e versões análogas em 13%. De acordo com o levantamento, o suprimento de um mês de insulina custaria para um trabalhador em Acra, Gana, o equivalente a 5,5 dias de seu salário mensal – ou 22% de seus ganhos. Mesmo nos países ricos, revelou o estudo, há pessoas que precisam racionar suas doses de insulina, comprometendo o tratamento, o que pode ser fatal.

A expectativa é que a pré-qualificação possa aumentar a oferta, permitindo que a droga esteja disponível de modo constante para esses pacientes. Entre outras ações para melhorar o enfrentamento ao diabete no mundo, a OMS tem planos para atualizar as diretrizes de tratamento do diabete, elaborar estratégias de redução de preços para análogos e melhorar os sistemas de entrega e o acesso ao diagnóstico. A organização trabalha com países para também promover dietas saudáveis e atividade física para reduzir o risco das pessoas de desenvolver o diabete tipo 2.

Experiência com HIV

O sistema de pré-qualificação já foi usado pela OMS no passado para drogas usadas no tratamento da tuberculose, da malária e do HIV. De acordo com a diretora da organização, isso foi o que possibilitou que 80% dos pacientes com HIV hoje usem produtos genéricos. “Quando os anti-retrovirais foram produzidos, o custo por paciente por ano era de US$ 10.000”, afirmou Emer. “Quando abrimos a pré-qualificação para produtos genéricos contra o HIV, o preço caiu para US$ 300 por ano.”

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Como a medicina evoluiu das cirurgias sem anestesia ao uso de antissépticos

fonte: Folha de SP

Nos antigos cemitérios ingleses estão enterradas testemunhas silenciosas das desumanas cirurgias realizadas no século 19. Eram os tempos terríveis das dolorosas amputações de pernas e braços realizadas sem anestesia por hábeis e rapidíssimos cirurgiões, com mãos e roupas de passeio sujas.

Nos hospitais com leitos fétidos e contaminados, muitos pacientes morriam poucos dias depois da operação por infecção generalizada. Os familiares dos raros sobreviventes, quando eles voltavam para casa, diziam com justa razão: “graças a Deus”.

Esse período é retratado pela historiadora Lindsay Fitzharris em seu livro “Medicina dos Horrores ““ A história de Joseph Lister, o homem que revolucionou o apavorante mundo das cirurgias do século 19”.

A autora descreve as operações realizadas por cirurgiões sem proteção contra contaminações, sem os mínimos cuidados de higiene e na presença de um público de aprendizes e curiosos.

O período vitoriano, de significativo avanço do poderio militar e econômico inglês — época do reinado da rainha Vitória, de 1837 a 1901 — marca também importante mudança na medicina e na atenção aos doentes e no tratamento de enfermidades.

Ela começou quando o médico britânico Joseph Lister (1827-1912) passou a recomendar, após obter sucesso com seus pacientes, que os médicos lavassem as mãos antes de examinar os doentes e de realizar intervenções operatórias sob a caridosa anestesia com éter ou clorofórmio, iniciada naqueles anos.

Fitzharris, especializada em história da ciência e medicina, mostra em seu livro a evolução das observações e estudos de Lister para afastar a teoria da geração espontânea das doenças e sua transmissão por “miasmas”.

Quando Lister chega ao University London College, levou consigo o microscópio de seu pai, um estudioso da óptica. O aparelho, considerado supérfluo na época para a prática médica, serviu ao longo dos anos para seus estudos.

Um dia, o jovem estudante observou no sangue de um tumor retirado em uma operação “células bem delineadas”.

Lister também observou que muitas fraturas simples, sem a ruptura da pele, cicatrizavam sem problemas. Concluiu que “alguma coisa” penetrava no ferimento, de fora para dentro. Foi a origem do “método de oclusão” (ou do curativo), que procurava afastar o ar contaminado circulante ao redor de um ferimento.

Lister, com base nos estudos de Louis Pasteur sobre organismos vivos no processo da fermentação de vinhos, concluiu que não era o ar em si, mas o seu componente microbiano a causa das infecções hospitalares.

Por isso, decidiu experimentar antissépticos profilaticamente nas fraturas expostas. Esses acidentes apresentavam alto índice de infecção, evoluindo em seguida para a septicemia e a morte.

Ele então passou a lavar e limpar as feridas abertas das fraturas com ácido carbólico (fenol), por vários dias e repetidamente por horas.

Com o ótimo resultado obtido pelo seu método, a mortalidade pós-operatória caiu de 50% para 15% entre 1865 e 1869. Em 1910, o nível de mortalidade caiu para 3% devido ao uso do fenol como antisséptico em cirurgia.

A revista médica The Lancet, editada até os dias de hoje no Reino Unido, publicou há 152 anos, no dia 16 de março de 1867, o trabalho pioneiro de Lister: “Um novo método para tratamento de fraturas expostas, abscessos, etc. com observações sobre as condições de supuração”.

Médicos europeus e norte-americanos não aceitaram a teoria microbiana da contaminação no século 19. Não só não aceitaram como contraindicaram as recomendações de Lister para os tratamentos de ferimentos e abscessos.

Três anos após introduzir seu método, ele foi chamado para atender a rainha Vitória, da Inglaterra, que apresentava um grave abscesso na axila, com 15 cm de comprimento, de alto risco para uma época em que o tratamento de uma infecção era cirúrgico.

Após a paciente ser anestesiada com clorofórmio, Lister fez a incisão no abscesso, lavou e limpou a área, usando o ácido carbólico. Colocou um dreno e fez o curativo.

Foi um sucesso. Mas, se piorasse, poderia ter evoluído para a fatal septicemia, frequente naquela época.

A maior parte da classe médica do século 19 recusou as conclusões de Joseph Lister. Consideraram suas propostas charlatanice, mas o tratamento bem-sucedido da rainha reforçou a confiança no método de Lister e ajudou a divulgá-lo.

A antissepsia sugerida por Lister demorou ainda alguns anos para ser totalmente aceita. E sua adoção marcou a aceitação da teoria microbiana pela comunidade médica, assinalando o momento em que a medicina e a ciência se fundiram, como destaca Fitzharris no final do livro.

Medicina dos Horrores
Autora: Lindsay Fitzharris; editora Intrínseca; tradução de Vera Ribeiro; 320 págs; R$ 59,90 (ebook R$ 39,90)

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CREMERJ entra com ações em defesa do Ato Médico

fonte: CREMERJ

O CREMERJ promove ações judiciais contra profissionais “não-médicos” que estão realizando procedimentos exclusivos da classe médica. Não podemos ficar de braços cruzados, enquanto a população é enganada por maus profissionais, sejam eles quem forem, que fazem intervenções médicas, sem ter o devido estudo e preparo para tal. Pergunte a qualquer ser humano se ele gostaria que um “não-advogado” o defendesse num causa judicial, ou se entregaria a construção de sua casa nas mãos de um “não-engenheiro”. Assim é com os profissionais que estudam anos a fio para serem chamados de “médicos”. Aliás, nunca deixam de estudar, pois a Medicina com “M” evolui a cada dia. Os médicos são aqueles que o povo recorre quando de uma doença ou mal do corpo. Eles e, somente eles, são os profissionais que podem realizar procedimentos médicos!

“Somos, frontalmente, radicalmente contra procedimentos médicos tentados tornarem-se legais por ‘não-médicos’, frisou o Conselheiro Luís Guilherme”.