Autor CIPERJ

porCIPERJ

Realidade virtual se torna mais presente em tratamentos médicos

2014-740589402-140711_gc_operacion_1.jpg_20140808fonte: O Globo

Música clássica e imagens de constelações ajudaram a acalmar uma paciente numa cirurgia no hospital Perpetuo Socorro, na Espanha. Josefa Ramírez fez parte de um experimento com o uso de realidade virtual, que já está mais presente na medicina do que se imagina e tem tido resultados expressivos. No caso de Josefa, que realizou uma artroscopia de joelho, em vez de medicamento, o que ela recebeu foram óculos da Oculus VR (sigla para realidade virtual) que a levaram para uma paisagem distante daquela da sala de cirurgia. E não parou por aí: o cirurgião-chefe, Gerardo Garcés, usava um Google Glass, transmitindo imagens do procedimento via internet para outros 150 profissionais e estudantes de Medicina da Universidade de Las Palmas.

Segundo os médicos, a aplicação da realidade virtual controla a ansiedade dos pacientes, diminuindo batimentos cardíacos e pressão arterial. A realidade virtual ficou popular no início dos anos 90, quando os primeiros headsets com a tecnologia apareceram no mercado. Mas na época as telas tinham baixa resolução e os sensores de movimento eram lentos.

SUPERAÇÃO DE LEMBRANÇAS

A tecnologia avançou e hoje é usada para diversos fins. O professor Willem-Paul Brinkman, da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, conta que seu projeto de terapia de exposição de realidade virtual é desenvolvido desde 1999. Usando óculos similares ao de Josefa, o paciente é transportado a situações amedrontadoras, e sua reação é acompanhada por especialistas, até que ele consiga superá-las. O foco inicial foi bolar sistemas para tratar pessoas com medo de altura ou de voar num avião. Depois, usá-los contra fobia social, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e paranoia em pacientes com psicose.

— Nosso próximo passo será mover estas terapias para a casa dos pacientes, usando inclusive treinadores virtuais — explicou Brinkman ao GLOBO.

Uma revisão de estudos clínicos de 2008 da Universidade de Amsterdã mostra que a terapia de exposição à realidade virtual é tão eficiente quanto as demais para tratar transtornos de ansiedade.

A maneira mais comum de se tratar o TEPT é trazer à tona lembranças do trauma, pois a ativação repetida dessas situações permite à vítima aprender a associar a memória com menos medo. Por isso, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia reuniram um grupo de 156 soldados americanos que estiveram no Afeganistão ou no Iraque. No tratamento, usavam equipamentos do Exército e os óculos VR para se “teletransportarem” aos locais dos confrontos. O professor Albert “Skip” Rizzo citou uma série de estudos garantindo a eficácia do método. Ele lembra, no entanto, que quando começou as pesquisas na área, em 1993 a tecnologia era “cara” e “bastante primitiva”.

— Avanços revolucionários nas tecnologias de VR permitiram a criação de sistemas sofisticados e acessíveis — comentou Rizzo.

Outro uso bastante diferente foi empregado por pesquisadores da Universidade de Washington, que acharam uma forma de diminuir o sofrimento de pessoas com queimaduras graves.

— É difícil tratá-las, pois as ataduras devem ser limpas com frequência para evitar a infecção — explicou Hunter Hoffman, da universidade, que criou um ambiente virtual de neve, o SnowWorld.

O ambiente gelado distrai o paciente e altera sua percepção de dor. A pesquisa conta com a brasileira Mariana Romo, que espera trazer a tecnologia ao Brasil. O empecilho ainda é o custo: US$ 35 mil. E está mais em conta: em 1990 chegava a US$ 90 mil.

porCIPERJ

Falta de macas traz caos ao atendimento de emergência pelo país

fantastico_ago_2014fonte: Fantástico | TV Globo

Os serviços públicos de socorro são o tema da reportagem especial desta noite. Ambulâncias modernas, equipes treinadas, tudo pronto, mas falta uma coisa fundamental: a maca. E essa falha grave afeta diversas cidades brasileiras. Os atendimentos urgentes são situações de vida ou morte, onde nada pode dar errado. Mas muitas vezes dá.

Gleice Kelly tem 20 anos. No fim de junho, sofreu uma forte crise de asma.

“A menina tem problema de asma e ela tomou um remédio. Ela é alérgica ao remédio e não sabia”, diz um familiar.

A família pediu ajuda para o Samu, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

“A menina está aqui morrendo, já desmaiou duas vezes!”, declara um familiar

E esperou.

“Uma hora a gente está esperando ela aqui para ser atendida, rapaz. Eu não quero desistir, não, eu quero que vocês mandem um carro!”, reclama o familiar.

Enquanto ela espera por socorro, a menos de quinze minutos de distância, equipes do Samu também esperam as suas macas.

Socorrista: Estamos aguardando aqui o médico atender o paciente e fazer a reposição da maca.

Enfermeira: Essa maca não foi encontrada, copiado? A viatura continua ainda sem maca.
Central do Samu: Positivo.

As macas das ambulâncias estão sendo improvisadas como leitos hospitalares comuns. Sem a maca, que é o equipamento mais básico de atendimento, a central do Samu é obrigada a pedir uma equipe que está longe, na estrada.

Central do Samu: Paciente asmática, apresentando crise aguda.
Socorrista: Central, por gentileza avise que a gente vai demorar pelo menos um pouquinho.
Central do Samu: Positivo, positivo, já foi feito o contato com o solicitante informando-o.

Fantástico: Você ligou de novo para ambulância?
Mulher: Liguei.
Fantástico: E ele falaram o quê?
Mulher: Que já está no caminho.

Finalmente, o socorro chega, mas só duas horas depois da primeira ligação.

O que ocorreu com a Gleice Kelly não é um caso isolado. Acontece todos os dias em várias cidades do país. As macas do Samu, que deveriam ser usadas apenas durante os atendimentos de emergência, acabam retidas dentro de hospitais públicos superlotados. E, os socorristas são obrigados a esperar.

Com uma microcâmera, entramos no Hospital de Urgência de Sergipe, em Aracaju, o principal do estado. Lá dentro, superlotação. Pacientes aguardam em cima das macas do Samu.

“A retenção da maca impede o correto funcionamento da ambulância. Então, isso não é permitido, isso não é admitido”, afirma Fausto Pereira dos Santos, secretário de Atenção à Saúde do Ministério de Saúde.

O Samu foi criado em 2004 pelo Governo Federal para prestar socorro em casos de emergência. Mais de 70% dos brasileiros têm acesso ao serviço, por meio do telefone gratuito 192.

O Ministério da Saúde define as regras para o seu funcionamento. E, dependendo do lugar, são as prefeituras ou os governos estaduais que fazem a coordenação no dia a dia.

“O Samu faz o primeiro atendimento e leva o paciente para o hospital mais adequado para aquela condição. E deve imediatamente retornar ao seu ponto de origem para fazer um novo atendimento”, diz o secretário de Atenção à Saúde do Ministério de Saúde.

Não é o que acontece em Aracaju. Do lado de fora do hospital de urgência, as equipes estão paradas. Sem saber que estavam sendo gravados, os socorristas contaram os bastidores do atendimento na cidade.

Fantástico: Há quanto tempo a sua maca tá parada aqui?
Socorrista: Rapaz, a minha já tem uns 40 minutos. Mas eu tenho colegas aqui que já está há no mínimo aqui três, quatro horas.

Fantástico: A sua maca tá desde que horas aqui?
Socorrista: Uma hora da tarde.
Fantástico: Agora são quase sete.
Socorrista: Isso.

Fantástico: Mais de cinco horas parada a maca, é normal?
Socorrista: Normal, normalíssimo.

Fantástico: Das viaturas que estão paradas sem maca, quantas aqui?
Socorrista: Cinco aqui na porta e duas lá na frente. Sete viaturas.
Fantástico: Paradas?
Socorrista: É. Por falta de maca.

Ao todo, a cidade de Aracaju, com 570 mil habitantes, tem 12 ambulâncias do Samu.

Fantástico: E se acontece uma ocorrência agora?
Socorrista: O que que a gente vai fazer?

Os atendentes do Samu não podem nem voltar para a base. Têm que esperar na porta do hospital.

“Se a gente se deparar com um acidente no meio do caminho. Como é que a gente vai pegar a vítima sem a maca?”, questiona um socorrista.

No rádio, as reclamações são constantes.

Socorrista: Estamos aqui agora na saga da procura de macas.
Socorrista: Como sempre nossa maca está presa na área de trauma.
Socorrista: A viatura continua ainda sem maca.
Socorrista: Aguardando maca aqui, estamos presos também.

O problema existe faz tempo. Há um ano, na cidade de Salgado, a 60 quilômetros de Aracaju, o marido de dona Ana Maria teve um infarto. O socorro foi chamado, mas não chegou a tempo.

“Não tem o carro vai fazer o quê? Quando chegou já estava morto”, conta a viúva Ana Maria Ribeiro.

Arnaldo estava na ambulância que foi para a casa de dona Ana Maria, mas ele não é da cidade.

“A viatura do município de Salgado, que deveria atender, estava retida, sua maca, no Hospital de Urgência em Aracaju”, afirma Arnaldo Chagas Jr., socorrista do Samu.

A equipe de Arnaldo é do município de Lagarto, a 30 quilômetros de distância, e, para atrasar ainda mais, já estava atendendo um paciente.

“Demoramos algo em torno de uma hora e dez para poder conseguir chegar a esse atendimento. Infelizmente, o paciente já estava em óbito”, diz o socorrista.

“Na grande maioria das vezes ou quase na totalidade das vezes, é de responsabilidade da administração do hospital”, afirma Fausto Pereira dos Santos, secretário de Atenção à Saúde do Ministério de Saúde.

Em Sergipe, o governo estadual é responsável tanto pelo Samu, quanto pelo Hospital de Urgências. Para a representante da Secretaria de Saúde, a retenção de macas acontece, porque pacientes que poderiam ir para unidades de atendimento mais simples superlotam o hospital de urgências.

“O paciente clínico pode e deve ser atendido na unidade de pronto atendimento”, diz Luciana Prudente, da Secretaria de Saúde de Sergipe.

Segundo ela, o hospital tenta devolver as macas o mais rapidamente possível. “A gente tem como política nossa o foco na liberação rápida dessas viaturas”, afirma.

Em Campina Grande, na Paraíba, o Fantástico encontrou a mesma situação.

Fantástico: Não tem maca para levar ela?
Enfermeira: Sem maca, sem cadeira, sem nada.

Hospital superlotado e macas de emergência usadas como leitos. Enquanto isso, no lado de fora.

“Teve dias de a gente chegar aqui por volta de meia noite, sair daqui dez horas da manhã, onze horas, meio dia. Já várias, várias vezes”, afirma Silvia Santa Cruz, enfermeira do Samu.

A equipe flagrou uma ambulância que ficou uma hora parada sem maca. Ao mesmo tempo, na BR-230, um motoqueiro também esperava.

“Quando chegamos aqui, o pessoal disse que tinha mais de uma hora e meia que tinham ligado lá para o Samu. Disseram que não tinha ambulância”, diz o sargento Clementino, da Polícia Militar.

“Esse acidente foi aqui ainda estava claro, sabia? A gente chamou a Samu, mas a Samu não veio, não. Disse que não tinha ambulância lá, não”, afirma Rose Silva, testemunha do acidente.

O carro que finalmente chega é o mesmo que o Fantástico flagrou há pouco parado, esperando maca na porta do hospital.

“Acabou de ser liberada nesse momento a maca. Cada vez mais que o Samu leva um paciente para o trauma, fica uma maca presa”, diz o socorrista Edson Nunes.

No começo de julho, a retenção de macas levou à morte de um senhor em Campina Grande.

“Perdi meu pai. Eu não gosto nem de pensar. Eu me humilhando, entendeu? E só escutando, só escutando, escutando e nada. Pedindo ambulância”, conta Francisco Rodrigues Filho, filho da vítima.

O drama dessa família começou quando o pai de Francisco teve um infarto em casa.  A primeira a ligar para o Samu foi a nora.

Nora: Ele está sentindo muitas dores.
Central do Samu: Senhora, olha. No momento eu estou sem nenhuma ambulância. Sem UTI móvel, sem unidade básica. Eu tenho algumas com maca presa no Hospital de Traumas e as outras estão em ocorrência.

A família esperou três horas e desistiu.

“Coloquei meu pai em cima de uma camionete para trazer para o hospital. Quando eu cheguei aqui, cinco ambulâncias da Samu que eu vi. Todas sem maca”, conta o filho da vítima.

O Seu Francisco foi trazido para o hospital, que, além de Campina Grande, atende a mais de 270 municípios de quatro estados diferentes. É o único hospital de referência da região.

Fantástico: O que vocês estão fazendo aqui?
Socorrista: Aguardando a maca, liberação
Fantástico: Há quanto tempo?
Socorrista: Há mais de uma hora.

“Ao invés de estar ali socorrendo, você está aqui na porta do hospital, no lado de fora, esperando para prestar um atendimento que a gente sabe que a gente podia estar lá, resolvendo o problema da população, e não pode”, afirma a socorrista.

Em Campina Grande, o Samu é coordenado pelo município.

Fantástico: Você tem, atendendo a população de Campina Grande, quantas ambulâncias?
Hermano Barbosa de Lima (coordenador médico do Samu de Campina Grande): Dez ambulâncias.
Fantástico: E você já chegou a ficar com quantas paradas por falta de maca?
Hermano Barbosa de Lima: Dez ambulâncias paradas. Para cada unidade, nós temos uma reserva. Quando o serviço fica 100% inviável, é porque, além das dez macas reservas, ficaram também as dez macas oficiais da unidade retidas no hospital.
Fantástico: Ou seja, você já chegou a ter 20 macas retidas dentro do Hospital de Traumas?
Hermano Barbosa de Lima: Rotineiramente.
Fantástico: Vocês já entraram em contato com o hospital para falar sobre esse problema?
Hermano Barbosa de Lima: Sim. Além disso, uma vez a maca ficando presa, a equipe que se encontra presa sai do hospital, vai para a delegacia, faz um Boletim de Ocorrência para documentar.

O Hospital de Traumas é de responsabilidade do governo da Paraíba. O secretário diz que as macas ficam presas, porque o Samu manda pacientes para lá que poderiam ir para unidades mais simples e não avisa os médicos.

“Na medida em que você tem uma ambulância direcionada a qualquer serviço sem ter a regulação médica, sem preparar o hospital, obviamente que essa ambulância, ela terá que esperar a liberação da maca. Essa responsabilidade não pode ser do hospital, ela não deve ser do hospital. É como se você tivesse preparado para receber cinco pessoas na sua casa para almoçar e chegar 50”, afirma o secretário de Saúde da Paraíba, Waldson de Sousa.

“Eles acham que a gente sempre coloca o paciente lá, o que não é uma verdade. Nós trabalhamos aqui com uma grade de referência hospitalar. A gente tenta poupar a todo momento, colocar paciente que pode ficar em outro hospital ao invés de colocar lá no trauma”, afirma o coordenador do Samu de Campina Grande, Hermano Barbosa de Lima.

No Sudeste do país, em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, a mais de dois mil quilômetros de distância de Campina Grande, Viviane também perdeu a mãe por falta de maca.

Dona Maria Terezinha morreu no terminal de ônibus, a dois minutos do hospital mais próximo. “Pelo telefone, eu consegui escutar a minha mãe chorando, gritando: ‘Ai que dor! Que dor!”, disse Viviane Cristina Santos, filha da vítima.

Para o jurista Sérgio Guerra, da FGV-RJ, quem não recebe atendimento de urgência por falta de macas, pode entrar na Justiça. “A pessoa deve, nesses casos, registrar tudo que aconteceu durante aquele episódio para que tudo isso seja levado posteriormente ao Judiciário”, explica.

Foi o que a Jandira, que viu tudo, fez. Ela gravou imagens quando viu a dona Maria Terezinha passando mal.

“E ela pedia: ‘Pelo amor de Deus, gente! Socorro, socorro!’. E nisso, foi aglomerando gente falando: ‘Cadê o socorro? Cadê o socorro?’”, conta a cobradora de ônibus Jandira da Silva.

O secretário de saúde da cidade, Marcelo Cusátis confirma que não havia ambulâncias para atender dona Maria Teresinha naquele momento. “Teve uma superlotação hospitalar na cidade. Macas ficaram retidas, sete ambulâncias, paradas, e acabou demorando um pouquinho mais que o comum o atendimento”, afirmou.

Os hospitais são a Santa Casa e o Luzia de Pinho Melo, que é administrado pelo governo estadual.

“Não há retenção de macas. O que acontece é, como o Samu é um serviço de urgência, ele traz o paciente a qualquer momento, a qualquer hora, não quer dizer que a qualquer momento nós temos vagas. Então, o paciente tem que aguardar uma vaga naquele momento para ser atendido. Em média, é uma espera de 30, 40, até uma hora”, afirma o diretor do Hospital Luzia Pinho Melo, Luiz Carlos Viana Barbosa

Em nota, a Santa Casa disse que não retém ambulâncias do Samu e que tem o objetivo de não ter nenhum paciente no hospital em macas.

Em São Paulo, capital, um paciente fez imagens de macas usadas como leitos nos corredores do Hospital Vereador José Storopoli, na Zona Norte, de responsabilidade da prefeitura. Do lado de fora, socorristas afirmaram que a retenção de macas é frequente.

Socorrista: Normalmente eles prendem maca.
Fantástico: Quantas macas estão presas lá dentro agora?
Socorrista: De reserva são onze.
Fantástico: Tem onze macas lá dentro?
Socorrista: Que a gente leva de reserva. Oficial a gente não sabe.

Enquanto acompanhávamos a rotina do hospital, sete ambulâncias estavam estacionadas esperando maca. Uma delas passou oito horas parada. Eram 18h e a ambulância que chegou às 10h15 continuava em frente ao hospital esperando a maca ser liberada.

Enquanto essas viaturas esperavam, Augusto ligava para o Samu pedindo socorro para o primo, José, de 51 anos.

Central do Samu: Samu da cidade de São Paulo, a ligação é gravada.
Augusto: Meu primo, recentemente, fez um tratamento pro câncer e ele está desmaiando agora.

Vinte e cinco minutos depois, uma nova chamada.

Augusto: Eu acabei de ligar, só que tá demorando a viatura. Não tá conseguindo respirar, tá desmaiando.
Central do Samu: Estou pedindo uma brevidade, uma urgência no seu chamado, ok, senhor?

Desesperado com a demora, o primo, Adriano dos Santos, foi a pé até um posto de saúde próximo. “Tinham duas ambulâncias. Uma estava com um caso fatal também que era uma mulher e tinha outra lá que estava sem maca. Eu pedi ajuda, ele falou que não podia sair de lá porque estava sem maca, não tinha como transportar”, conta.

Uma hora e dez minutos depois da primeira chamada, a ambulância do Samu chegou.

Em nota, a Secretaria municipal de Saúde de São Paulo informou que o primeiro chamado sobre o caso de José foi classificado como não urgente e que, assim que a emergência foi detectada, uma viatura do Samu chegou em dez minutos.

A secretaria também disse que orienta os hospitais para não reterem macas e que está trabalhando na criação de mais leitos.

José dos Santos Neto morreu no hospital.

“Quando eu vi que ele deu um suspiro assim, acho que ele deu um último suspiro e não respirou mais, aí eu peguei, saí daqui e fui pra janela, estava quase, estava, não sabia mais o que fazer”, lembra o primo da vítima Augusto Fernandes.

Gleice Kelly, a jovem com a forte crise de asma que você viu no começo desta reportagem, teve sorte: ela sobreviveu. “Me entubaram no oxigênio e ali começaram a fazer as minhas medicações. E ali me salvaram. n Eu pensei realmente que eu não ia mais sobreviver naquela noite”, conta a cabelereira Gleice Kelly.

Fantástico: A quem você culpa pela morte do seu pai?
Francisco Rodrigues Filho: Negligencia médica. Por falta de Samu. No caso, uma maca. Falta de maca.

“E quando eu voltar agora pra outra ocorrência, quando eu voltar, ela fica presa de novo. Não tem onde a gente colocar os pacientes”, diz uma socorrista.

VEJA O VÍDEO DA MATÉRIA

fantastico_ago_2014

porCIPERJ

Vagas em plantões no Hospital Souza Aguiar

O serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital Municipal souza_aguiar_Souza Aguiar conta com vagas em aberto em plantões (12h) às segundas-feiras, durante o dia, quartas-feiras, à noite, sextas-feiras, à noite, e sábados, durante o dia. Os plantões são feitos em duplas e a remuneração é por CLT junto à Prefeitura do Rio de Janeiro no valor de R$ 6.000.

Mais informações com o Dr. Edmo Dutra Franco pelo telefone (21) 99987 6366 ou por edmocirped@yahoo.com.br.

porCIPERJ

Reunião científica da CIPERJ leva médicos de diversas especialidades ao Rios D´Or

20140807_193224Cirurgiões pediatras, pediatras e obstetras estiveram presentes na noite desta quinta-feira, dia 8, a reunião científica de agosto da CIPERJ, realizada no auditório do Hospital Rios D´Or, em Jacarepaguá. O evento teve início com o Dr. Marco Daiha, tesoureiro da associação, dando às boas-vindas aos presentes e elogiando a parceria com o Rios D´Or.

Após uma breve apresentação do sistema médico MeConsulte, a Dra. Renata Christiane Guimarães realizou palestra sobre o tema Abdômen agudo por esferas imantadas. Finalizando o encontro, a Dra. Anita Marsilac fez colóquio sobre pontos de vista de Hérnias inguinais, Hidrocele e Fimose.

BAIXE A PALESTRA DA DRA. RENATA GUIMARÃES

BAIXE A PALESTRA DA DRA. ANITA MARSILAC

Durante todo o evento houve grande interação entre os presentes e os palestrantes debatendo os casos apresentados.

20140807_201822

20140807_195826

A próxima reunião científica da CIPERJ ocorre no dia 4 de setembro, quinta-feira, às 19h30, no mesmo local. Em breve será divulgada a programação da mesma.

 

 

porCIPERJ

Reunião científica da CIPERJ ocorre nesta quinta e aborda abdômen agudo, hidrocele, fimose e hérnias

logo_riosdorA diretoria da CIPERJ convida seus associados, residentes, acadêmicos e médicos em geral para a reunião científica de agosto da entidade, a ser realizada nesta quinta-feira, dia 7, às 19h30, no auditório do Hospital Rios D´Or, em Jacarepaguá.

O evento contará com:

  • Apresentação de caso clínico-cirúrgico, com a Dra. Renata Christiane Guimarães, abordando o tema Abdômen agudo por esferas imantadas;
  • Colóquio – Pontos de vista – Hérnias inguinais, Hidrocele e Fimose, com a Dra. Anita Marsilac.

A entrada é aberta a profissionais da Saúde e acadêmicos de Medicina.

O Rios D´Or fica na Estrada dos Três Rios, 1.366, Freguesia, Jacarepaguá.

SAIBA COMO CHEGAR

porCIPERJ

Eleições da AMB têm chapa única

logoambfonte: AMB

O prazo para a inscrição nas eleições da Associação Médica Brasileira terminou nesta sexta-feira (1º de agosto), às 18h. Com isso, a chapa liderada pelo atual presidente, Florentino Cardoso, é a única inscrita para o pleito da gestão 2014-2017, que acontece no dia 28 de agosto.

Confira a composição da chapa:

Dr. Florentino de Araujo Cardoso Filho (CE) Presidente
Dr. Antônio Jorge Salomão (SP) Secretário-Geral
Dr. Aldemir Humberto Soares (SP) 1º Secretário
Dr. José Luiz Bonamigo Filho (SP) 1º Tesoureiro
Dr. Miguel Roberto Jorge (SP) 2º Tesoureiro
Dr. Eleuses Vieira de Paiva (SP) 1º Vice-Presidente
Dr. Lincoln Lopes Ferreira (MG) 2º Vice-Presidente
Dr. Lairson Vilar Rabelo (DF) Vice-Presidente – Centro
Dr. Eduardo Francisco de Assis Braga (TO) Vice-Presidente Reg. Centro-Oeste
Dra. Cléa Nazaré Carneiro Bichara (PA) Vice-Presidente Reg. Norte
Dr. Salustiano José Alves de Moura Junior (PI) Vice-Presidente Reg. Norte-Nordeste
Dr. Álvaro Roberto Barros Costa (RN) Vice-Presidente Reg. Nordeste
Dr. Petrônio Andrade Gomes (SE) Vice-Presidente Reg. Leste-Nordeste
Dr. José Luiz Weffort (MG) Vice-Presidente Reg. Leste-Centro
Dr. Eduardo da Silva Vaz (RJ) Vice-Presidente Reg. Leste-Sul
Dr. Jurandir Marcondes Ribas Filho (PR) Vice-Presidente Reg. Centro-Sul
Dr. Aguinel José Bastian Junior (SC) Vice-Presidente Reg. Sul
Dr. Antonio Carlos Vieira Lopes (BA) Diretor do D.A.P.
Dra. Jane Maria Cordeiro Lemos (PE) Diretora Cultural
Dr. Emilio Cesar Zilli (RJ) Diretor de Defesa Profissional
Dr. Nívio Lemos Moreira Junior (SP) Diretor de Relações Internacionais
Dr. Giovanni Guido Cerri (SP) Diretor Científico
Dr. Rafael Klee de Vasconcelos (SC) Diretor de Economia Médica
Dr. Jorge Carlos Machado Curi (SP) Diretor de Saúde Pública
Dr. Diogo Leite Sampaio (MT) Diretor de Comunicações
Dr. Edmund Chada Baracat (SP) Diretor Acadêmico
Dr. Antonio Carlos Weston (RS) Diretor de Atendimento ao Associado
Dr. Márcio Silva Fortini (MG) Diretor de Proteção ao Paciente
Dr. Carmelo Silveira Carneiro Leão Filho (CE) Diretor de Marketing
Dr. José Luiz Dantas Mestrinho (DF) Diretor de Assuntos Parlamentares
Conselho Fiscal – Efetivos
Dr. Dante Mário Langhi Júnior (SP)
Dr. Hélio Barroso dos Reis (ES)
Dr. José Fernando Macedo (PR)
Dr. Newton Monteiro de Barros (RS)
Dr. Waldemar Naves do Amaral (GO)
Conselho Fiscal – Suplentes
Dr. Aristóteles Comte de Alencar Filho (AM)
Dr. Carlos David Araújo Bichara (PA)
Dr. Guilherme Benjamin Brandão Pitta (AL)
Dr. Roberto Queiroz Gurgel (SE)
Dr. Robson Freitas de Moura (BA)
porCIPERJ

80% dos hospitais filantrópicos no país operam no vermelho

santacasaspfonte: Veja

O acúmulo de dívidas não é exclusividade da Santa Casa de São Paulo. Pelo menos 83% dos 2.100 hospitais filantrópicos brasileiros operam no vermelho, segundo estimativas da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB). A dívida total das instituições já supera os 17 bilhões de reais, de acordo com José Luiz Spigolon, diretor-geral da CMB. Ele afirma que, mesmo com o aumento dos incentivos governamentais nos últimos anos, as unidades de saúde ainda não recebem o valor que gastam ao realizar procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Em média, a tabela SUS só cobre 60% do gasto real do procedimento”, diz ele. “É verdade que temos incentivos governamentais. O problema é que os incentivos não estão disponíveis para todos os tipos de hospitais e, além disso, quando o hospital faz mais procedimentos do que o previsto em contrato, ele dificilmente recebe por eles”, explica o diretor. De acordo com Spigolon, isso acontece porque os hospitais filantrópicos ganham por produção, mas têm um número limite de procedimentos pelos quais são remunerados. Se realizam mais procedimentos do que o previsto, podem ficar sem pagamento porque os valores ultrapassam o teto de verbas do gestor público. “Em 2012, os governos deixaram de pagar 334 milhões de reais em internações”, diz.

Aos 471 anos e com dívida de 130 milhões de reais, a Santa Casa de Santos, a mais antiga do país, é uma das filantrópicas que passam por crise. “A Santa Casa não tem de dar lucro, mas deve ter equilíbrio nas contas, coisa praticamente impossível com a tabela SUS”, diz a diretora financeira, Miriam Cajazeira Diniz, que, junto com o provedor Félix Alberto Ballerini, está disposta a mudar o perfil das finanças da instituição.

Dona de um patrimônio de 534 milhões de reais, a instituição já prepara a venda de imóveis e pretende reivindicar uma linha de crédito no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com prazo de pelo menos dez anos para pagamento. Para Spigolon, a solução para o endividamento dos filantrópicos passa por mudanças na gestão das entidades e aumento dos repasses. “Tem de acabar com o subfinanciamento. É preciso que o projeto de lei que prevê uso de 10% da receita bruta do país para a saúde seja aprovado. Com isso, o orçamento da saúde ficaria 30% maior”, diz. No aspecto da gestão, ele diz que as entidades “devem entender” que nem sempre é possível que o atendimento seja totalmente público. “É preciso separar leitos para planos de saúde porque é o que vai ajudar a garantir as finanças.”

porCIPERJ

Muitos médicos na universidade, poucos médicos na saúde pública

50741b065249a85fc1e838a038892bebfonte: FENAM

Mesmo com 250 novos médicos formados todos os anos em Ribeirão Preto, o sistema de saúde pública ainda sofre com a falta de especialidades médicas, como pediatria, clínica média e psiquiatria. A explicação: a falta de interesse na carreira pública.

Para o delegado regional do Cremesp (Conselho Regional de Medicina) Eduardo Bin, residentes e estudantes ouvidos pela reportagem, não faltam profissionais no mercado, mas existe uma mudança de perfil dos médicos formados. “O médico está buscando cada vez mais se especializar, isso é um reflexo da má remuneração da rede pública, além disso, só 20% desse número de formados fica em Ribeirão para fazer residência, porque são de outras cidades e vieram para cá para estudar”, afirma.

É o caso do residente de clínica média do Hospital das Clínicas Mateus Gomes. Ele saiu de Chaval, no Ceará, para estudar em Ribeirão e quer voltar para atuar em Fortaleza no futuro.

“O que me deixa apreensivo de trabalhar no sistema público é que, com a troca de prefeitos, você acabe sendo descartado e perde todo o vínculo que você construiu ao longo daquele tempo com aquele povo”, diz Gomes. “Quanto mais especializado você é, mais desejado pelo mercado você se torna”, completa.

O estudante do sexto ano de medicina da USP, Heric Kobayashi, diz que as especialidades são cíclicas. “Na década de 1980 havia muitos pediatras no mercado, hoje a procura de especialidade está focada nas áreas mais rentáveis.”

Para Kobayashi, não existe falta de médicos na cidade. “O acesso do paciente ao sistema é que poderia ser facilitado, principalmente na questão da atenção básica. Vejo uma certa desorganização nesse aspecto”, afirma.

Outras áreas

O presidente da Associação dos Médicos de Ribeirão Preto, Lucas Agra, também defende o aumento de especializações em outras áreas da medicina.

“A residência para clínica médica continua sendo uma das mais disputadas e com um grande número de inscritos, só que estes profissionais prolongam a especialização para alguma outra área [oncologia, cardiologia, nefrologia], também para fugir daquele cenário caótico dos atendimentos de emergência que nossos governantes não se interessam em melhorar”, afirma.

Valor pago por prefeituras não agrada médicos

O médico Ricardo Miranda Lessa, coordenador do curso de medicina da Barão de Mauá, diz que não faltam médicos para atender o mercado, tanto público, quanto privado e que faltam melhores condições de trabalho.

Segundo ele os médicos recebem o mesmo que outro profissional que optou por investir em outras áreas de atuação.

“Para se ter uma ideia da hora de trabalho, o valor bruto de um médico com especialização, que requer no mínimo nove anos (seis faculdade e três de residência) de investimentos em formação, gira em torno de R$ 30 a R$ 50 nos setores públicos valor igual ou aquém de um profissional de nível técnico ou outro segmento. Esse cenário, agravado pela falta de investimento, na saúde acaba conduzindo os médicos ao setor privado”.

No entanto, Lessa deixa claro que o fator decisivo não é o salário, mas sim a estrutura para que o profissional possa trabalhar. Procurada, a Secretaria de Saúde não se manifestou.

Novo curso

No segundo semestre deste ano, a Estácio Uniseb passa a oferecer o curso de medicina. Serão 76 vagas e o vestibular ocorre no dia 16 de agosto. As aulas começam dia 1º de setembro.

A reitora da universidade, Karina Bizerra, diz que o diferencial do curso de medicina da Uniseb é a infraestrutura oferecida ao aluno. “Temos um corpo docente de mestres e doutores e estamos com dois professores da USP na frente do curso, o Dr. Fernando Nobre e Dr. José Ernesto dos Santos.” A mensalidade do curso será de R$ 5,2 mil no primeiro bimestre.

porCIPERJ

Vagas para cirurgiões pediatras em plantões

20111221135603514rtsO Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, e o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias contam com vagas em aberto para cirurgiões pediatras.

No Hospital Estadual Albert Schweitzer as oportunidades são para quarta-feira (12h), durante o dia; sexta-feira (12h), durante o dia, sábado (24h) e domingo (12h), durante a noite. A remuneração é por regime de CLT com salário de R$ 9.265,00 bruto para 24h, com acréscimo de 10% para final de semana. Interessados devem entrar em contato com a Dra. Karla Ferreira Pinto através de cirurgiapediatrica.heas@gmail.com ou (21) 99842 7700. O serviço de CIPE conta diariamente com: 1 cirurgião pediatra 24h e 1 de 12h dia

Já no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna) as vagas em aberto são às quartas-feiras (24h) e na noite de sexta-feira (12h). A remuneração é de R$ 8.000 para 24h e R$ 4.000 para 12h. A prestação de serviço compreende visitas à enfermaria e ao CTI, dar pareceres e eventualmente realizar cirurgias. Interessados devem entrar em contato com a Dra. Ana Teresa Oliveira através de (21) 99989 0717 ou anateresavacchiano@hotmail.com.

porCIPERJ

Edital de convocação para eleição da CIPE

logo_cipefonte: CIPE

O Secretário Geral da CIPE, Profa. Dra. Roseli Giudici, no uso de uso de suas atribuições legais e de acordo com o Capítulo 14 dos Estatutos, declara aberto, a partir do dia 8 de agosto de 2014, o período para inscrição de chapas concorrentes à eleição da Diretoria e do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica, para o biênio 2014/2016.

As chapas concorrentes para os cargos da diretoria deverão ser constituídas por: Presidente, Primeiro Vice-Presidente, Segundo Vice-Presidente, Secretário Geral, Primeiro Secretário, Segundo Secretário, Primeiro Tesoureiro, Segundo Tesoureiro, Diretor de Patrimônio, Diretor de Publicações e Diretor de Relações Internacionais.

Estatutariamente, deverão residir na cidade sede da CIPE um dos Vice-Presidentes (caso o candidato a Presidente não resida em São Paulo), além do Secretário Geral, de um dos Tesoureiros e do Diretor de Patrimônio.

As chapas concorrentes ao Conselho Fiscal deverão ser constituídas por seis membros, sendo três Titulares e três Suplentes.

Só serão aceitos para inscrição, em qualquer das chapas, os Associados Titulares em dia com as suas obrigações com a Tesouraria e os Remidos.

A inscrição de chapas deverá ser feita por meio de carta ou fax endereçado ao Secretário Geral da CIPE, encerrando-se este prazo às 18h00 de 08 de setembro de 2014.

A Eleição será realizada por meio de voto por correspondência. As cédulas serão encaminhadas aos sócios de todas as categorias que se encontrarem aptos para votar (quites com a Tesouraria), até 22 de setembro de 2014 e deverão ser entregues na sede da CIPE até às 13h00 de 22 de outubro de 2014. A apuração dos votos dar-se-á em 22 de outubro de 2014, a partir das 14h00, também na sede da CIPE, em ato público, e será presidida por Comissão Eleitoral designada pela Diretoria.

Este Edital será publicado no Jornal da CIPE e no site da CIPE (www.cipe.org.br), além de ser enviado a todos os presidentes das Estaduais/Regionais, para ampla divulgação.

São Paulo, 12 de julho de 2014.

Profa. Dra. Roseli Giudici
Secretário Geral