Autor CIPERJ

porCIPERJ

Diagnóstico de câncer atrasa no SUS; lei quer prazo de 30 dias para exame

fonte: O Globo

Foi o resultado de um exame de sangue que acendeu o sinal amarelo na vida do aposentado Pedro da Silva, de 68 anos. O PSA, proteína que, quando alta, indica câncer de próstata, estava acima do indicado. Ainda assim, era preciso uma tomografia para a confirmação. O teste, no entanto, só foi realizado seis meses depois.

O caso do morador de Volta Redonda ilustra um cenário comum no país: falta a urgência adequada em casos da doença, o que leva a diagnósticos com os tumores já em estágios avançados — como atesta relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado em setembro.

—Demorou muito para fazer o exame. Só quando cheguei ao Inca é que a coisa andou —conta Silva, no ônibus da prefeitura de Volta Redonda que leva os pacientes da cidade do Sul Fluminense até o hospital na praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio.

Na semana passada, o Senado aprovou uma lei que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer, em até 30 dias, exames que confirmam o câncer, após o paciente ter passado por uma consulta médica que levante suspeita da doença. O texto seguiu para sanção ou veto do presidente Jair Bolsonaro.

Se aprovada, a mudança será incluída na lei que já estipula o início do tratamento pelo SUS em no máximo 60 dias a partir do diagnóstico do câncer.

No sistema público de saúde, a responsabilidade pelo exame de confirmação da doença é dos municípios. Após o diagnóstico, a rede municipal encaminha o paciente para as redes de complexidade mais alta, a estadual ou a federal.

A organização dos exames é feita através de uma espécie de fila eletrônica. Na cidade do Rio, por exemplo, o Sistema de Regulação (Sisreg) aponta que todas as 108 mulheres com o grau mais alto de urgência terão que esperar por uma ultrassonografia de mama — um dos exames para o diagnóstico de câncer no local — por pelo menos dois meses. A primeira da fila neste momento,por exemplo, entrou no sistema em fevereiro do ano passado.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio afirmou que a ultrassonografia de mama “não é o exame de rastreio ou diagnóstico de câncer, mas sim a mamografia”, que tem “número mais do que suficiente para atender à demanda da cidade”. Também diz que é preciso avaliar cada caso da ultrassonografia para explicar a demora.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia do Rio de Janeiro, Sandra Gioia, diz, no entanto, que a ultrassonografia de mama é importante para diagnosticar o câncer quando a mamografia não consegue a confirmação do resultado.

— O que nós queremos é a detecção precoce. Aí a mamografia é indispensável e o ultrassom pode ser necessário —afirmou a médica.

REDE SEM ESTRUTURA

O estudo do TCU atesta que o diagnóstico do câncer no país não está sendo realizado em tempo hábil. E revela um alto percentual de pacientes diagnosticados com a doença “em grau de estadiamento IV e V” — ou seja, os dois mais avançados dos cinco que existem.

— Uma paciente com nódulo suspeito, por exemplo, não pode entrar numa fila normal. Tem que ter tratamento especial, de urgência — defende Gioia. — A gente recebe os pacientes com os nódulos grandes, sangrando, o braço inchado. São sintomas da demora dos exames que levarão ao diagnóstico.

O estudo do TCU também destaca que a rede de exames ofertados pelo SUS não está suficientemente estruturada para possibilitar aos pacientes com suspeita de câncer receberem no tempo adequado o diagnóstico exato.

A regulação do acesso à assistência à saúde no país, segundo o TCU, possui “deficiências quanto à organização, ao gerenciamento e à priorização do acesso por meio de fluxos assistenciais no âmbito do SUS”.

O Ministério da Saúde afirmou que, em oito anos, dobrou os recursos federais destinados aos tratamentos do câncer na rede pública de saúde, passando de R$ 2,2 bilhões em 2010 para R$ 4,4 bilhões em 2018.

Afirma ainda que “a auditoria (do TCU) retrata uma amostra apenas dos oito tipos de cânceres mais prevalentes, o que não representa o cenário nacional”.

Segundo a pasta, o Brasil tem 309 hospitais habilitados a oferecer assistência ao paciente com câncer.

porCIPERJ

Uma hecatombe está prestes a ocorrer na medicina brasileira

fonte: O Globo

por Raphael Câmara Medeiros Parente (conselheiro Federal do CFM) e Sylvio Provenzano (presidente do Cremerj)

A medicina não tem o que comemorar no dia do médico. O trabalho de destruição da profissão por governos inescrupulosos com o objetivo de economizar e ganhar votos às custas de mortes da população está prestes do desfecho. Houve sucessão de medidas que foram nos minando: lei desfigurada do Ato Médico que permitiu invasão de outras profissões para baratear às custas da segurança da população, destruição da reputação, abertura indiscriminada de faculdades de péssima qualidade atendendo a interesse eleitoreiro, programa Mais Médicos que permitiu supostos médicos de Cuba e outros países sem avaliação e pauperização de condições de trabalho e salários.

O tiro de morte está marcado para os próximos dias usando a Medida Provisória (MP) 890/19, que cria o programa Médicos pelo Brasil. Sem entrar no mérito que não foi a carreira de estado prometida pelo governo, vamos aos jabutis com emendas que descaracterizam a MP. O relatório apresentado pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO) é uma colcha de retalhos que transformou a MP num Frankenstein, com potencial cataclísmico para a saúde da população pobre que depende do SUS e que em nada vai afetar a vida dos políticos atendidos em hospitais de abastados inatingíveis para a plebe. Dentre as emendas, há previsão de um processo muito mais simples para médicos formados fora, muitas vezes em faculdades que mais parecem casebres, para se tornarem médicos aqui após se formarem fora; o chamado Revalida light. Também foram incluídas formas de médicos de fora atuarem sem CRM no Brasil e consórcios para que estados e municípios possam contratar médicos de Cuba. É fundamental que a população pressione os parlamentares para impedir a aprovação desta MP da forma que está. Muitos parlamentares estão desinformados dos riscos da aprovação: genocídio da população pobre com a inundação de médicos sem qualquer capacidade de atender recebendo doentes graves nos hospitais e feridos nas estradas. Não há dia e hora para acidentes. Nosso presidente foi salvo em hospital do SUS, após ser esfaqueado, cuidado por médicos daqui. Com esta MP aprovada, serão médicos sem capacitação comprovada que os gestores para economizar vão alocar. O CFM e o Cremerj se colocam à disposição para dialogar com os 594 parlamentares e explicar o motivo de sermos contra a aprovação da MP como está. Não é por corporativismo ou reserva de mercado. É por segurança da nossa população.

A MP também prevê que a revalidação de diplomas seja feita em faculdade privada. Seria se permitir um balcão de negócios já que muitas destas faculdades têm como único objetivo o lucro, vide operações recentes da PF prendendo gestores destas universidades que favoreciam a obtenção de diplomas de estudantes de fora. A própria suplente do senador Confúcio Moura foi acusada pela AMB (Associação Médica Brasileira) de ter relações com faculdade privada que faz curso de revalidação para médicos de fora, sendo esta notícia retirada do ar pela Justiça. Também nos preocupa o forte apoio que Eduardo Bolsonaro dá a emendas que facilitam o exercício da medicina por médicos formados fora, além de exibições públicas de amizades com líderes destas pessoas que podem estar influenciando suas decisões. Esta atitude vai frontalmente contra as promessas de campanha emanadas de seu pai e ratificadas recentemente com dirigentes de sociedades médicas. Dentre as emendas, somente uma tem nosso apoio — a que trata da gratificação de médico federal, classe que foi deixada de fora de negociações prévias e convive com salários depreciados.

Não podemos ficar calados e imóveis a poucos dias de a saúde brasileira poder entrar num fundo do poço sem retorno. Quem fizer parte disso literalmente sujará as mãos de sangue. Sangue da população pobre.

porCIPERJ

Pesquisa aponta que 69% das UBS possuem um sistema eletrônico para registro das informações dos pacientes

fonte: SaúdeBusiness

Em 2018, 69% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) possuíam um sistema eletrônico para registro das informações dos pacientes. Além disso, 65% mantiveram os prontuários dos pacientes em formato totalmente ou parcialmente eletrônico, enquanto 35% o fizeram apenas em papel. Os dados são da sexta edição da pesquisa TIC Saúde, lançada nesta quinta-feira (17/10) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A divulgação dos indicadores e da publicação aconteceu em São Paulo durante o painel “A importância de medições e indicadores para o aprimoramento das políticas públicas do setor de saúde” promovido dentro do workshop “Computação Científica, Visualização de Dados & Analytics na Medicina na Era do Big Data”.

“As UBS são a porta de entrada para o sistema de saúde. No entanto, a adoção das novas tecnologias e sistemas de informação pelas UBS ainda encontra barreiras relacionadas a infraestrutura, como a falta de computador e de acesso à Internet”, destaca Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br. Em 2018, 10% das UBS não tinham computadores e 20% não tinham acesso à Internet. Em um universo de 40.500 UBS, essa proporção corresponde a cerca de 3,9 mil e 4,2 mil, respectivamente.

Contemplando todos os estabelecimentos de saúde públicos (incluindo as UBS) com acesso à Internet, 66% deles possuíam algum tipo de sistema eletrônico para registro de informações dos pacientes em 2018 – número que chegou a 80% nos estabelecimentos privados. Em relação à forma de armazenamento dos prontuários, 10% dos locais públicos mantiveram apenas em formato eletrônico; 38% exclusivamente em papel; e 51% em ambas as formas. Nos estabelecimentos privados, os números foram 25%, 17% e 56%, respectivamente.

As funcionalidades mais presentes nos estabelecimentos de saúde foram as de natureza administrativa, quando comparadas com as informações de suporte à decisão e de troca de informações. Agendamento de consultas, exames ou cirurgias estavam disponíveis em 53% dos estabelecimentos públicos e 56% nos privados; gerar pedidos de materiais e suprimentos em 50% dos estabelecimentos públicos com acesso à Internet, e 39% nos privados. Funcionalidades de suporte à decisão como diretrizes clínicas, alertas e lembretes sobre alergia a medicamentos ou contraindicação estavam presentes em cerca de um quarto do total dos estabelecimentos de saúde com acesso à Internet.

Infraestrutura e Gestão TIC

Os dados da pesquisa TIC Saúde 2018 também revelam o uso de computadores (91%) e acesso à Internet (83%) nos estabelecimentos públicos de saúde, e nos privados, se manteve estável (99% em ambos os casos) em relação ao ano anterior. Além da disparidade em relação a esfera administrativa, o acesso à Internet nos estabelecimentos de saúde também foi distinto conforme a região: aquelas com percentual mais baixo são Norte (80%) e Nordeste (82%).

Em relação à segurança e proteção dos dados, a pesquisa aponta que 19% dos estabelecimentos públicos e 27% dos privados possuíam algum documento que define uma política de segurança. Ferramentas de segurança da informação como criptografia de e-mails (27% público e 56% privado) e da base de dados (24% público e 35% privado) ainda permanecem como as com menores percentuais de uso pelos estabelecimentos de saúde.

Serviços on-line oferecidos aos pacientes e telessaúde

Os serviços on-line mais disponibilizados pelo total de estabelecimentos para acesso dos pacientes foram agendamento de consultas (26%), agendamento de exames (27%) e visualização de resultados (26%). O destaque ficou para os estabelecimentos sem internação que apresentaram uma tendência de alta na disponibilização de agendamentos on-line, passando de 18%, em 2016, para 29%, em 2018.

Seguindo a tendência apresentada nos anos anteriores, a disponibilização de serviços de telessaúde foi maior nos estabelecimentos públicos em relação aos privados, principalmente no que diz respeito à educação a distância em saúde (37% nos públicos contra 12% nos privados) e atividades de pesquisa a distância (29% nos públicos contra 8% nos privados).

A 6ª edição da pesquisa apresenta novos indicadores de serviços de telessaúde, como teleconsultoria (29% nos públicos e 11% nos privados), segunda opinião formativa (17% nos públicos e 5% nos privados) e telediagnóstico (22% nos públicos e 4% nos privados). “Um melhor aproveitamento do potencial da telessaúde é essencial para a busca de uma real universalização dos serviços prestados”, acrescenta Barbosa.

Adoção das TIC entre médicos e enfermeiros

A pesquisa aponta que apenas 25% dos enfermeiros e 19% dos médicos declararam ter realizado algum curso relacionado à área de informática em saúde nos 12 meses que antecederam a pesquisa. Em geral, profissionais de estabelecimentos privados realizam mais cursos nessa área, quando comparados com os dos estabelecimentos públicos. Segundo a percepção de médicos e enfermeiros, entre os impactos mais mencionados em relação ao uso de sistemas eletrônicos estão: a melhoria na eficiência dos processos de trabalho das equipes (92% para ambos) e a percepção de que os sistemas eletrônicos proporcionam uma maior eficiência no atendimento (89% para enfermeiros e 84% para médicos). Além disso, apenas 29% dos enfermeiros e 34% dos médicos concordaram que os recursos financeiros para investimento em sistemas eletrônicos eram suficientes para as necessidades do estabelecimento.

Sobre a pesquisa

A pesquisa TIC Saúde tem o objetivo de investigar a penetração das TIC nos estabelecimentos de saúde e sua apropriação por profissionais de saúde (médicos e enfermeiros). Em sua sexta edição, a pesquisa entrevistou 2.387 gestores de estabelecimentos de saúde localizados em todo o território nacional. Além disso, foram entrevistados 1.697 médicos e 2.716 enfermeiros vinculados a estes estabelecimentos. A coleta de dados ocorreu entre julho e novembro de 2018, para os gestores, e para amostra dos profissionais de saúde, a coleta de dados foi realizada entre setembro de 2018 e fevereiro de 2019.

Para acessar a pesquisa na íntegra, assim como rever a série histórica, visite o site. Leia a publicação anual, e compare a evolução dos indicadores a partir da visualização de dados.

porCIPERJ

Hospitais brasileiros testam robô que usa inteligência artificial contra sepse

fonte: Estadão

A cada 3,8 segundos, o robô Laura faz uma varredura nas informações sobre pacientes internados e, utilizando inteligência artificial, consegue mapear casos de sepse, grave infecção que pode afetar o funcionamento dos órgãos e levar à morte. A plataforma, criada pelo arquiteto de sistemas Jacson Fressatto, de 40 anos, está presente em 13 hospitais em três Estados e deve chegar à capital e ao interior de São Paulo em novembro.

Quadro que causa a morte de 250 mil pessoas ao ano no País e de cerca de 6 milhões de pacientes no mundo, a sepse tem sido alvo de estudos de instituições, principalmente dos Estados Unidos. A ideia de criar uma plataforma para evitar a complicação em pacientes que estão internados ocorreu depois de uma tragédia na família de Fressatto. Em 2010, a filha Laura nasceu prematura e, após 18 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), morreu por sepse.

“Até 2012, fiquei estudando o que era e vi que se fazia necessário construir uma tecnologia que fosse integradora, mas pouco se falava em inteligência artificial e “machine learning” (aprendizado das máquinas)”, lembra Fressatto. “Passei a investir recursos pessoais, vendi meu patrimônio e construí, em 2015, um protótipo que foi testado em um hospital para validar o tratamento.”

Segundo o fundador do Instituto Laura Fressatto, a primeira implementação foi em julho do ano seguinte no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, e a plataforma se mostrou eficiente. O balanço da entidade, de outubro de 2016 a junho deste ano, aponta que 2,5 milhões de pacientes já foram monitorados e 12.289 acabaram beneficiados pela tecnologia. “A minha meta pessoal não está relacionada com o que eu passei, mas em saber que a gente pode ter um controle efetivo de risco de morte. Não sou médico nem da área de saúde, mas o que fiz salva 12 pessoas por dia.”

Atualmente, a plataforma está em funcionamento em cinco hospitais do Paraná, entre eles o Erasto Gaertner e o Nossa Senhora das Graças, na capital, além de uma instituição de Minas e sete do complexo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O valor de implementação varia de acordo com o tamanho do hospital e há um gasto mensal de, em média, R$ 4 mil.

Infectologista e diretor médico da plataforma, Hugo Morales explica que a tecnologia funciona monitorando dados do prontuário do paciente e informações contidas em uma ferramenta. Sinais vitais e resultados de exames são analisados pela plataforma, que emite alertas para a equipe médica, caso o paciente apresente alterações no quadro clínico. “A plataforma é a potencialização do ser humano pela máquina, mas quem toma a decisão é o ser humano. Fizemos um estudo seis meses antes e seis meses depois do uso da tecnologia, com 55 mil pacientes. Tivemos redução de mortalidade de 25% e o tempo de internação caiu 10%.”

Diretor assistencial do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu (PR), Sandro Scarpetta diz que a ferramenta está sendo utilizada há pouco mais de um ano e já trouxe resultados. “A (taxa) de mortalidade passou de 4,33% para 1,64%.”

Alerta

Presidente do Instituto Latino-Americano de Sepse e intensivista do Hospital Sírio-Libanês, Luciano Azevedo observa que grupos em outros países estão estudando e desenvolvendo plataformas para evitar a complicação, mas ainda são necessários trabalhos científicos para comprovar a eficácia. “Isso é uma tendência, mas ainda não tem uma plataforma que esteja totalmente validada cientificamente para uso. É como um medicamento, que passa por várias etapas de validação”, explica Azevedo.

“A inteligência artificial que a gente tem ainda não é capaz de discernir totalmente se é um caso de sepse”, observa ele. “Se alarma o tempo inteiro com pacientes que não têm sepse, fadiga a equipe médica. Mas, no futuro, certamente ajudará.”

Diagnóstico

A dona de casa Francielli Colle Santana, de 34 anos, estava grávida de 21 semanas do segundo filho quando sentiu um mal-estar, em abril do ano passado. Ela buscou um hospital e foi liberada após três dias de internação. Mas não melhorou.

“Fiquei mais dois ou três dias em casa, mas estava com muita fraqueza e falta de ar”, lembra ela. “Fui diagnosticada com sepse por causa do robô, que deu um alerta. Uma bactéria dentária pegou uma válvula do meu coração. Fiz uma cirurgia cardíaca grávida. O médico não deu muita esperança para o bebê.”

Naquele momento, Francielli não conseguia compreender a gravidade de seu estado. “Estava tão ruim que não conseguia pensar. Quem sofreu mais foi a minha família.” Foram 20 dias de internação, mas a gravidez correu bem. Rafael, que está com 1 ano, e a mãe estão saudáveis.

Montanha-russa

Bianca, de 1 ano e 8 meses, é outra paciente que teve a sepse detectada com a plataforma. A mãe da criança, a jornalista Jéssica Amaral, de 33 anos, teve uma infecção no útero e a menina nasceu prematura. “A gente ficou 77 dias na UTI. Durante a internação, ela teve várias complicações: pneumonia, hemorragia pulmonar. Nem sabia que o hospital tinha essa tecnologia. Mas vi no laudo, depois, que ela teve a sepse. Foi uma forma de salvar a Bianca.”

No período de internação, ela viu o robô Laura sendo utilizado pela equipe médica em outros pacientes. “Via a movimentação dos médicos e descobri depois que era a sepse. A UTI é uma montanha-russa. Um dia, a pessoa está bem, no outro, está muito ruim. A minha filha, quando quase estava saindo do hospital, teve a pneumonia. É difícil ver o começo da vida daquele jeito.”

porCIPERJ

Uma a cada três crianças sofre de desnutrição ou sobrepeso no planeta

fonte: Folha de SP

Uma a cada três crianças com menos de cinco anos está desnutrida ou sofre de sobrepeso no mundo, o que pode acarretar problemas de saúde durante toda a vida, adverte um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) publicado nesta terça-feira (15).

Ao menos 227 milhões de crianças dos 676 milhões que habitavam o planeta em 2018 são afetadas por esses problemas alimentares, calcula o Unicef. Esse é o maior relatório sobre o assunto dos últimos 20 anos.

O texto revela ainda que 340 milhões de crianças sofrem de carências alimentares.

A globalização dos hábitos alimentares, a persistência da pobreza e a mudança climática estão fazendo com que um número crescente de países acumule esta “tripla carga” de desnutrição, sobrepeso e carências, destaca o relatório.

“Muitos países na América Latina, no leste da Ásia e no Pacífico acreditavam que a desnutrição era um problema do passado, mas agora descobriram que têm um problema novo muito importante”, disse Victor Aguayo, chefe do programa de nutrição da agência.

Aguayo citou como exemplo o México. “No país ainda há uma grande proporção de crianças desnutridas e, ao mesmo tempo, uma grande pandemia de sobrepeso e obesidade infantil, considerada uma emergência nacional pelo governo”, diz.

“A maneira como entendemos e reagimos à desnutrição precisa mudar: não se trata apenas de dar às crianças comida suficiente. Antes de tudo, é preciso lhes dar uma boa alimentação”, destacou Henrietta Fore, diretora do Unicef, em um comunicado que acompanha o relatório.

desnutrição continua sendo o principal problema porque afeta as crianças quatro vezes mais que o sobrepeso.

O número de crianças que não recebe suficiente comida para suas necessidades nutricionais caiu 40% entre 1990 e 2005, mas esse ainda é um grande problema em muitos países, especialmente na África subsaariana e no sul da Ásia.

“FOME ESCONDIDA”

No total, 149 milhões de crianças no planeta têm atraso no crescimento devido à desnutrição crônica, e 50 milhões são magros em relação à sua estatura, devido à desnutrição aguda ou a um problema de absorção de nutrientes.

A Unicef assinala que cerca de 340 milhões de crianças sofrem de uma “fome escondida”, recebendo o número de calorias suficientes mas não o de minerais e vitaminas indispensáveis para seu desenvolvimento, como ferro, iodo, vitamina A e C, devido principalmente à falta de frutas, verduras e produtos de origem animal.

Essas carências podem ter consequências físicas e intelectuais severas (sistema imunológico deficiente, problemas de vista ou de audição).

O fenômeno começa muito cedo, com uma amamentação insuficiente e uma diversificação alimentar baseada em produtos impróprios, e se agrava com a “crescente acessibilidade a alimentos ricos em calorias mas pobres em nutrientes”, como o macarrão instantâneo.

OBESIDADE NOS PAÍSES POBRES

Paralelamente, o sobrepeso e a obesidade crescem rapidamente, com 40 milhões de crianças pequenas afetadas, inclusive nos países pobres.

Enquanto o problema era praticamente inexistente nos países com baixa renda em 1990 (3% deles tinham mais de 10% de crianças com sobrepeso), agora três quartos deles enfrentam a questão.

“Antes se acreditava que […] o sobrepeso e a obesidade eram a má nutrição dos ricos, mas agora já não é o caso”, diz Aguayo.

“As diferentes formas de má nutrição coexistem cada vez mais em um mesmo país […] e até em um mesmo lar”, com a mãe com sobrepeso e o filho desnutrido, por exemplo.

Também pode ocorrer com um “mesmo indivíduo, ao longo de diferentes idades”, já que a má nutrição infantil é um fator de risco de sobrepeso e obesidade na idade adulta.

Essa situação está estreitamente relacionada à pobreza: afeta mais os países pobres e as populações em situação precária nos países ricos, destaca o relatório.

Diante desta situação, o Unicef convoca os governos a promover os alimentos necessários para uma dieta equilibrada e a agir para que seja acessível economicamente.

Também defende a regulamentação da publicidade do leite infantil em pó e dos refrigerantes, assim como a aplicação de etiquetas com informação nutricional nos alimentos “facilmente compreensíveis”, para ajudar os consumidores a escolher produtos mais saudáveis.

NÚMEROS DE CRIANÇAS NO MUNDO COM PROBLEMAS ALIMENTARES

227 milhões
De crianças em 2018 estavam desnutridas ou apresentavam sobrepeso

340 milhões
De crianças sofrem de carências alimentares

149 milhões
De crianças no mundo têm atraso no crescimento devido à desnutrição crônica

50 milhões
São magros em relação à sua estatura, devido à desnutrição aguda ou a um problema de absorção de
nutrientes

porCIPERJ

Empresas querem vender plano de saúde em módulos

fonte: O Globo

Com poucas perspectivas de forte crescimento do emprego formal no curto e no médio prazos e com uma perda acumulada de três milhões de usuários, as operadoras de planos querem aumentar o número de beneficiários da saúde suplementar com uma nova tentativa demudara regulação para voltara vender contratos individuais. A modalidade hoje representa só 20% do setor, sendo a maior parte do mercado de planos coletivos empresariais.

Para a volta dos individuais ao mercado, as empresas demandam mudanças no marco legal. Na prática, querem que os reajustes deixem de ser limitados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A ideia é que cada operadora apresente sua variação de custo e a agência verifique e autorize. Além disso, as operadoras querem ampliar os tipos de contratos, o que chamam de modulação de produtos.

A proposta que será apresentada no5º Fórum da Fena saúde, que acontece dia 24, em Brasília—coma presença do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, com representantes do Judiciário e do Legislativo —prevê a possibilidade de contratação de módulos só com consultas, outro de exames, um de terapias (como tratamento de câncer) e ainda outro hospitalar, sendo este último o único quedaria direito à emergência.

Ou seja, quem tiver plano só de consulta, vai ter que pagar pelos exames ou recorrer ao SUS. Já quem tem um conjugado de consultas e exames, mas não o de terapia e descobrir um câncer, vai ter que se tratar no serviço público. E em todos esses casos, quem não contratou o pacote de hospital, se quebrar um braço, vai para o hospital público ou paga pelo atendimento.

INTEGRAÇÃO COM O SUS

Na avaliação de Vera Valente, diretora executiva da Fenasaúde —que reúne as maiores empresas do setor —essa modulação permitiria a contratação de planos por quem hoje é 100% dependente do SUS:

— Essa medida desoneraria o serviço público. E mesmo que o usuário precise fazer o tratamento no SUS, ele chegará lá com outra condição, pois estará recebendo uma atenção continuada — diz Vera, que prevê competição entre empresas pelo menor reajuste. — Com a portabilidade, o consumidor pode trocar de empresa, caso a que esteja aplique reajustes muito altos.

Médica sanitarista e professora da UFRJ, Ligia Bahia não acredita que a modulação dos planos venha a ter um efeito sobre o SUS:

— Entre os anos de 1990 e 2015, dobrou o número de usuários na saúde suplementar, e isso não fez o SUS melhorar. Por outro lado, não há lógica de fazer pré-pagamento para ter direito a um plano que só prevê consultas, se for assim, é melhor recorrer a clínicas populares. Ao compartimentar todos os serviços do plano, o risco é encarecer o contrato que hoje é de referência, que virá com todos os adicionais, assim como vimos acontecer com os carros.

Apesar de afirmar que ainda não foi feito um estudo econômico que permita dizer o quanto o plano em módulos será mais barato que o tradicional e quantas pessoas poderão ser incluídas na saúde suplementar nesse sistema, a diretora executiva da Fenasaúde afirma que quem vai hoje à clínica popular teria benefício contratando o novo modelo.

Para Christiane Cavassa, vice-presidente do Ministério Público do Consumidor (MPCon), o que preocupa é a redução de direito dos consumidores sem contrapartida:

— Não há demonstração clara de contrapartida para o consumidor. Além disso, há a preocupação de que o plano tradicional, tal qual conhecemos, deixe de ser vendido, assim como aconteceu com o individual nos últimos anos. Fora o risco do reajuste ilimitado. Se as empresas vão disputar por reajustes menores num mercado mais livre, por que já não o fazem?

A promotora se preocupa ainda com o fato de a acessibilidade aos planos de saúde estar presente na proposta de Agenda Regulatória da ANS em consulta pública. Em nota, a agência elenca entre os temas da Agenda Regulatória 2019-2021 a garantia de acesso da população aos planos de saúde; a adoção de modelos eficientes de remuneração e atenção à saúde; o aperfeiçoamento do processo de revisão do rol de Procedimentos. A agência, no entanto, não quis comentar a proposta das empresas.

Para Reinaldo Scheibe, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), o excesso regulatório está matando o sistema:

—Se não há estrutura no interior para que se forneça um determinado transplante ou exame, nem vou, pois posso ser multado. Nesse novo sistema, posso oferecer uma atenção básica a quem hoje não tem nada. Coma obrigatoriedade de oferecer todo o rol, não conseguimos chegar ao interior.

FLEXIBILIZAR É NECESSÁRIO

Andre Medici, economista sênior em Saúde do Banco Mundial, também defende flexibilizar a regulação para oferecer planos mais acessíveis:

—Mas isso só poderá ser feito se for preservada a mesma cobertura prevista no atual arcabouço regulatório. Fazendo uma analogia, optar por um plano de saúde é como optar por um carro, e não por um conjunto de autopeças. Mas existem diferentes modelos de carros de acordo com as necessidades e capacidade de pagamento das famílias. O importante é que a finalidade do carro, que é transportar a família, e a do plano, que é proteger a saúde de forma coerente com suas demandas, sejam preservadas.

Um dos grandes riscos da modulação, diz Medici, é a falta de integração entre o SUS e a saúde suplementar.

— Em países como o Canadá, onde existem planos de saúde complementares à oferta pública para um segmento expressivo da população, essa integração funciona perfeitamente, facilitando o traslado do paciente da atenção pública para a do plano e vice-versa. No Brasil, a saúde suplementar e o sistema público funcionam como compartimentos estanques. Para o médico Luiz Roberto Londres, fundador do Instituto de Medicina e Cidadania, não cabe falar em modulação:

— Não há como se garantir atenção integral à saúde, é uma desfiguração da medicina. Estou certo que a única saída é recuperar o SUS.

Sem comentar a proposta do setor, o titular da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Luciano Timm, diz que pediu à ANS dados econômicos das empresas para avaliar a abrangência do rol e o impacto da judicialização:

— Quando um consumidor vai à Justiça pedir um medicamento ou procedimento que não está contemplado no rol, estamos olhando para uma árvore. A missão da Senacon é olhar para a floresta.

“Essa medida desoneraria o serviço público” Vera Valente, diretora executiva da Fenasaúde

“Entre os anos de 1990 e 2015, dobrou o número de usuários na saúde suplementar, e isso não fez o SUS melhorar” Ligia Bahia, médica sanitarista, professora da UFRJ

porCIPERJ

Política de combate ao câncer ainda é insuficiente no Brasil

fonte: O Globo

No Brasil, o combate ao câncer é um na teoria e outro na prática. É o que especialistas concluíram ao analisar o ranking elaborado pela revista “The Economist” que mede o preparo dos principais países da América Latina para lidar com a doença. O índice, apresentado no fórum “War on Cancer”, realizado neste mês na Cidade do México, mostra queoBrasilocupaotopodalista na pontuação geral, sendo, portanto, o mais preparado entre as 12 nações estudadas. No entanto, há uma “pegadinha”: o país pontua bem nos aspectos relacionados a planejamento (94,4 pontos, num total de 100) e prestação de cuidados de saúde (84,1) —que envolvem registros nacionais de câncer, controle do tabaco e vacinação —, mas vai mal em itens relacionados a governança (54,1), basicamente ação política e atuação intersetorial. — Fico até triste, porque o ranking passa a impressão de queagenteestámelhordoque a realidade — afirmou Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), durante o fórum: — O Brasil já tem uma estrutura de cobertura universal, e isso é ótimo, é mais do que a maioria dos nossos vizinhos. Só não conseguimos fazer a paciente ir do posto até o diagnóstico, e daí até o tratamento, tão rapidamente quanto ela precisa.

EM RITMO LENTO

Dados levantados pela “Economist” indicam algumas barreiras: dos 12 países analisados, o Brasil foi o único onde, nos últimos dez anos, os pacientes não diminuíram seus gastos pessoais com exames e tratamentos; entre 2007 e 2016, o investimento do governo federal em saúde teve aumento próximo de zero; e o país investe menos na área do que os 5% do PIB recomendados pela ONU — na região, apenas Uruguai, Chile, Costa Rica e Argentina investem percentual maior. Emmeio ao Outubro Rosa, o câncer de mama é um bom exemplo desse cenário: embora haja bons centros de tratamento, mastologistas e regulamentações médicas específicas, há também uma enorme demora para realizar diagnósticos e começara tratar. Em 2018, ao descobrir um câncer de mama aos 27 anos, Karen Stephanie Oliveira teve a primeira consulta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) marcada somente para dois meses depois do diagnóstico. Com receio de esperar tanto tempo, ela fez consultas e até cirurgia na rede privada. Quando chegou à consulta do SUS, já estava pronta para seguir tratamento com quimioterapia e, depois, radioterapia. — Senti que cortei um atalho. Mas nem todas as pessoas podem pagar. Tive muita sorte de ter condições de fazer tudo muito rápido. Com certeza fez toda a diferença —diz ela, que, antes do diagnóstico, ouviu de duas ginecologistas que deveria esperar, porque era possível que o nódulo sumisse. Foi o namora doque insisti up araque ela procurasse outro médico.

CHANCES DE CURA

Segundo a presidente da Femama, um diagnóstico na fase inicial do tumor aumenta as chances de cura em 95%. No entanto, ela afirma que metade das brasileiras que desenvolvem a doença recebem o diagnóstico em fase avançada. —Tratar tumor avançado é complexo e caro. O Brasil não tem e não vai ter dinheiro para isso. Temos que investir na prevenção e no diagnóstico o mais precoce possível. Só assim reduziremos a mortalidade —diz Maira.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que neste ano sejam identificados cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama no país. A doença representa a primeira causa de morte por câncer na populaçãofemininabrasileira, com 13 óbitos por cada 100 mil mulheres em 2017 — dados disponíveis mais recentes. O Uruguai, terceiro no ranking da “Economist” (veja ao lado), é tido por especialistas como exemplo na América Latina de melhorias aceleradasnaformadecombateradoença. Desde 2008, o país tem um sistema integrado de saúde baseado no modelo de atenção de países nórdicos. Alícia Ferreira Maia, diretora do Fundo Nacional de Recursos do Uruguai, responsável por alocar investimentos no sistema universal de saúde do país, destaca a decisão política de se investir em Saúde:

— No Uruguai, existe um consenso: saúde é política de Estado. Hoje, o país tem um déficit fiscal alto, de 5,5%. Mas houve uma escolha de não retirar gastos de projetos sociais e de saúde.

Ela opina que, apesar da força do SUS, a Lei do Teto de Gastos —que congela o limite máximo de investimento em saúde e educação por 20 anos —deveria ser revista.

“Tratar tumor avançado é complexo e caro. O Brasil não tem dinheiro para isso. Temos que investir na _ prevenção”

Maira Caleffi, presidente da Femama

O QUE DIZ O GOVERNO

O Ministério da Saúde informou, em nota, que averba para controle do câncer no SUS dobrou de 2010 (R$ 2,2 bilhões) para o ano passado (R$ 4,4 bilhões ). A indano comunicado,afirmou que até agosto deste ano já foram gastos R$ 3,7 bilhões. Também listou 309 estabelecimentos do SUS especializados em oncologia e todos os programas voltados ao tratamento da doença.

“No Uruguai, existe um consenso: saúde é política de Estado. Há 15 anos, priorizamos o financiamento da saúde”, diz Alícia Maia, diretora do Fundo de Recursos do Uruguai

porCIPERJ

Feliz Dia do Médico

A CIPERJ dá os parabéns a todos os médicos do país e, especialmente, aos cirurgiões pediatras do Rio de Janeiro.

Feliz Dia do Médico!

porCIPERJ

Nota técnica: Postectomia

São Paulo, 16 de outubro de 2019

O noticiário de mídia de hoje (https://g1.globo.com/mg/vales-mg/noticia/2019/10/15/menino-de-3-anos-tem-parte-do-penis-amputada-apos-cirurgia-de-fimose-em-mg-e-pai-se-desespera-fui-pro-chao.ghtml, https://www.folhavitoria.com.br/saude/noticia/10/2019/pai-de-crianca-que-teve-penis-amputado-durante-cirurgia-de-fimose-faz-vaquinha-online-para-pagar-tratamento https://odia.ig.com.br/brasil/2019/10/5811604-menino-de-3-anos-tem-parte-do-penis-amputada-em-cirurgia-de-fimose-e-cirurgiao-e-encontrado-morto.html) denunciou, com grande destaque, a ocorrência de perda acidental do pênis em uma criança de três anos, durante uma cirurgia para tratamento de fimose (chamada de postectomia ou circuncisão), em Minas Gerais.

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIRURGIA PEDIÁTRICA, reconhecendo que não teve acesso a dados técnicos específicos a respeito do ocorrido, comenta o acontecimento através desta nota técnica, a fim de prestar orientação ao público em geral com relação às cirurgias de postectomia/circuncisão em crianças.

Gostaríamos de sinalizar primeiramente que NÃO EXISTEM cirurgias sem complicações, infelizmente. Ainda que alguns procedimentos apresentem um índice baixo de problemas secundários, eles podem acontecer. No caso de circuncisões, o índice é próximo de 1% (predominam complicações menos graves, mas a complicação citada nas reportagens não é, de forma nenhuma, inédita – veja, por exemplo, Manentsa et al 2019; Giovanny et al 2018; van der Merwe et al 2017, Appiah et al 2016, Ince et al 2016, Pippi-Salle et al 2013). A apresentação de problemas médicos na mídia de forma sensacionalista, sugerindo que tragédias foram causadas por erros médicos evitáveis não é útil à sociedade. Criar um clima de desconfiança contra tratamentos médicos em geral, menos ainda.

No caso de cirurgias em crianças pequenas, NÃO EXISTEM PROCEDIMENTOS FÁCEIS, “SIMPLES”. É necessário um nível sofisticado de treinamento para tratar tecidos delicados e órgãos pequenos e a fisiologia da criança é especial: crianças não são adultos pequenos, são pacientes com requisitos específicos do ponto de vista clínico, cirúrgico e anestésico.

Conforme a DECLARAÇÃO DA CIRURGIA PEDIÁTRICA (World Federation of Pediatric Surgeons – WOFAPS, 2001), TODA CRIANÇA QUE APRESENTA UMA DOENÇA TEM O DIREITO DE SER TRATADA EM AMBIENTE ADEQUADO, POR UM ESPECIALISTA EM PEDIATRIA OU CIRURGIA PEDIÁTRICA. Isto, é claro, não impede que complicações aconteçam, mas, temos certeza, diminui sua incidência e garante que se complicações acontecerem, também elas sejam tratadas da maneira ideal, do ponto de vista técnico e do ponto de vista da abordagem socio-familiar do problema.

Lamentamos profundamente, é claro, o acontecido com este paciente e não pretendemos, de forma alguma, imputar culpa aos colegas. Seríamos irresponsáveis e levianos se o fizéssemos, não tendo dados técnicos e reconhecendo que complicações são uma parte lamentável mas intrínseca ao trabalho do médico e podem ser minoradas, mas não evitadas por completo. Nosso objetivo, enquanto ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIRURGIA PEDIÁTRICA, é reafirmar, como tantas vezes já o fizemos, que o tratamento cirúrgico da criança deve, idealmente, ser feito por profissionais especificamente treinados para isso: os cirurgiões pediátricos.

DIRETORIA DA CIPE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIRURGIA PEDIÁTRICA

porCIPERJ

Projeto inédito promove a anonimização de dados pessoais em exames de imagens e de sinais biomédicos

fonte: SaúdeBusiness

O InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) e a Intel estão desenvolvendo novos projetos de tecnologia focados na inovação digital voltada para a melhoria de processos do hospital. As soluções buscam oferecer maior precisão nos diagnósticos e tratamentos médicos, além de maior segurança aos pacientes — que ficam menos expostos a possíveis erros. O resultado esperado é a otimização do tempo dos profissionais, a diminuição do uso de papel e a geração de informações mais precisas, abrindo espaço para que as equipes de saúde atuem com foco ainda maior na humanização do atendimento.

Dentre os vários projetos em estruturação, uma solução inédita no âmbito da saúde em nível mundial torna anônimos os dados pessoais de exames diagnósticos por imagens e de sinais biomédicos. São considerados dados pessoais, todas as informações pelas quais é possível identificar o paciente, tais como nome, idade, data de nascimento, dentre outras. Esses dados são inseridos nos exames de imagens e de sinais biomédicos no formato de marca d´água e são essenciais para garantir a segurança do paciente.

Embora a importância de sua proteção, uma vez que essas informações não podem ser compartilhadas com terceiros sem o prévio consentimento do paciente, não havia até o momento no mundo uma ferramenta eficaz de anonimização automatizada desse conteúdo. Uma das dificuldades para que isso aconteça é a falta de padrão no local onde ficam armazenados esses dados e também o formato de exibição em cada imagem, que variam significativamente conforme o fabricante do equipamento de diagnóstico e o tipo de exame realizado.

O uso da solução está na fase de validação científica, porém, nos ensaios realizados até o momento, o hospital já conseguiu obter resultados com a anonimização dos dados sensíveis dos pacientes com precisão de até 91%, nos exames de imagens médicas e de sinais como eletrocardiograma. “É extremamente importante, nesta fase do avanço tecnológico, que possamos resolver os problemas do século XX com a cabeça do século XXI. Ter melhores processos e controles na área da saúde é uma evolução necessária que afeta toda a sociedade de forma positiva. Na Intel, nosso foco não está apenas em desenvolver as tecnologias necessárias, mas também em fomentar todo o ecossistema, seja por meio de soluções, conhecimento técnico, suporte, doação de horas de nossos especialistas e até networking com outros especialistas do setor para que esta evolução aconteça de fato”, afirma André Ribeiro, diretor de novos negócios da Intel Brasil.