Artigos

porCIPERJ

ARTIGO: Até quando vamos reproduzir estudos inúteis de saúde?

fonte: Folha de SP

por Cláudia Collucci, repórter especializada de Saúde

Alguém precisa de algum motivo para beber ou não beber uma cerveja ou realmente dá alguma importância para as dezenas de estudos publicados sobre o tema? Na semana passada, a notícia de que os bebedores de cerveja atraem mais mosquitos bombou nas redes sociais. Além de velhas (há estudos desde 2002 tratando do mesmo assunto), pesquisas desse tipo não conseguem demonstrar a relação de causa e efeito. Portanto, não LLeia mais

porCIPERJ

ARTIGO: Mais prejuízos?

fonte: CREMERJ

Por Alfredo Guarischi, médico cirurgião

No artigo publicado em O Globo “Mais saúde e integração”, em 8 de dezembro, o autor assina como empresário e não como CEO da United Health.

Claudio Lottenberg é um bom médico e o presidente da filial brasileira de uma das maiores empresas privadas de saúde do mundo. Um artigo seu em que não assina como tal confunde o leitor. Na frase inicial “A assistência à saúde é um direito social… foco na qualidade, no acesso e na equidade para todos…”, fica clara sua intenção: “…com o início de um novo governo… temos a oportunidade…”. Nesse texto (profissional), defende o interesse da sua empresa e de alguns grupos em vender serviço de alta complexidade para o SUS. Enxerga o prontuário eletrônico como meio de gestão e não como assessoria de informações clínicas.

O autor deseja também “as informações de nossa população” para direcionar “programas de gestão de saúde, calibrando práticas” (qual o real significado de “calibrar”?), “focando na prevenção e reduzindo desperdício” (o real significado de “prevenção” seria exclusão, e o de “desperdício” seria uma medicina mais barata, excluindo os “gastos”, que são o direito de tentar novas técnicas ou medicamentos?).

Sua última frase é um jogo de temas e palavras: “O resultado será uma população mais saudável e um sistema de saúde mais sustentável para todos.” Não é verdade. O jogo de palavras “…políticas de saúde, e não em política na saúde”, absolutamente correto e escrito anteriormente por vários autores, nesse artigo soa falso, pois há sim um enorme interesse na troca da “política na saúde” pelo “empresariado da saúde”, o qual não atuará nas periferias pobres, com os índios, na vacinação, no atendimento ao trauma e em tantas outras ações do SUS.

Alguns segmentos do sistema privado desejam o fim do SUS. A perda da gestão dos serviços de alta complexidade e mais custoso asfixiará o sistema público, que perderá verbas ao aumentar as questionáveis isenções fiscais para algumas empresas. O sistema de saúde é um programa vital e de Estado. Não pode continuar sendo um programa de governo e mudado a todo momento, uma diretriz consistente e duradoura precisa ser seguida e implantada. Os profissionais de saúde, suas entidades e a população fazem parte dessa solução e não do problema.

Precisamos de mais saúde e não de maus na saúde. Precisamos de mais integração e não de mais cartelização. Parcerias público-privadas são uma opção de gestão, mas há a necessidade de fiscalização e de claro entendimento de que a saúde é o bem maior da população.

porCIPERJ

ARTIGO: Perspectivas e possibilidades

fonte: Folha de SP

por José Gomes Temporão e Francisco Campos

O processo de estruturação do SUS desde seus primórdios se defrontou com a questão da má distribuição dos médicos no país. Um famoso sanitarista dos anos 70, Carlos Gentile de Melo, já apontava para a coincidência entre a distribuição de médicos e a existência de agência bancária no local. Ou seja, os médicos vão aonde existem recursos, o que não é de modo algum demérito, apenas um fato. Dispor de médicos nas regiões mais pobres e remotas em caráter permanente é um grande desafio.

Faltam médicos em áreas da ilha de Manhattan, na província de Ontário, em diversas partes da Europa, na África e no sudeste da Ásia. Muitos países utilizam o recrutamento especial para regiões pouco atrativas, permitindo que profissionais formados em outros países exerçam a medicina em certas áreas. O exemplo mais claro é o “Moratorium” australiano, que recruta médicos da Índia, Paquistão e de outros países.

Várias propostas têm sido implementadas para superar esse problema, desde a criação de incentivos financeiros e investimento em infraestrutura até a garantia de um plano de carreira específico.

No Brasil, o SUS colocou nas mãos dos municípios a responsabilidade pelos serviços básicos de saúde. É comum que essa realidade crie situações de disputa desses profissionais com propostas de salários e condições de trabalho impossíveis de serem honradas, prejudicando a criação de vínculos entre médicos e a população, um dos pré-requisitos de uma atenção básica resolutiva.

Por outro lado, não há dúvida de que milhões de brasileiros só passaram a contar com assistência médica regular após a presença do Mais Médicos e dos médicos cubanos –e, ao contrário do que alguns afirmam, eles são profissionais qualificados para o exercício da clínica na atenção básica. Com a iniciativa tomada pelo governo cubano de denunciar o acordo com o governo brasileiro, cerca de 8.000 médicos deixarão o país nas próximas semanas.

As medidas emergenciais anunciadas pelo governo para repor esses profissionais não surtirão efeito a curto prazo, o que poderá criar grave situação, deixando nossos compatriotas desassistidos.

Enfim, como no tempo de Carlos Gentile o problema continua sem uma solução adequada e não existem soluções mágicas como a defendida nesta Folha pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, no último domingo (18). Enfrentar essa complexa questão exige a construção de uma estratégia de médio e longo prazos que contemple, pelo menos:

1) a criação do Serviço Civil Obrigatório para graduados em medicina, odontologia e enfermagem em universidades públicas ou cuja formação tenha sido custeada por recursos públicos. Isso exigirá mecanismos de supervisão para a atuação desses recém-formados, que pode ser suprida por meio de parcerias com universidades.

2) a criação de uma carreira de Estado para médicos, enfermeiros e odontólogos para suprir essas regiões mais pobres e desassistidas e de mais baixo IDH.

3) a revisão da necessidade de leis específicas para cada categoria profissional (como a Lei do Ato Médico), o que dificulta a existência de atos compartilhados mais flexíveis e adequados às equipes multiprofissionais. Dever-se-ia pensar em escopos de prática em que o compartilhamento seja a regra, não a exceção.

4) o apoio aos profissionais que atuam nessas áreas, por meio da telemedicina e da educação permanente.

5) a garantia de condições para o bom exercício profissional, com unidades de saúde bem equipadas, disponibilidade de insumos, garantindo a qualidade e resolutividade da atenção básica.

Só assim, contando com médicos e outros profissionais de modo permanente em todo o país, construiremos um sistema que atenda às expectativas e necessidades da sociedade.

José Gomes Temporão e Francisco Campos

Ex-ministro da Saúde (2007-2010, governo Lula) e médico sanitarista; Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

porCIPERJ

Artigo: Uma receita para o prontuário eletrônico

fonte: O Globo

por Alfredo Guarischi, médico.

A documentação adequada aumenta a eficiência e a segurança no sistema de saúde, porém os prontuários eletrônicos atualmente comercializados ainda causam inúmeros problemas, pois não são a solução para uma assistência adequada.

Recentemente, duas importantes revistas – Harvard Business Review e The New Yorker – publicaram matérias sobre o desperdício de bilhões de dólares com essa tecnologia nos EUA, que resultou em grande aumento dos custos e pouco impacto na qualidade do atendimento médico.

Vamos aos fatos.

Os burocratas hospitalares e de planos de saúde veneram a ideia, afinal ficam livres de caligrafias inadequadas e têm gratuitamente uma qualificada equipe de faturistas. Sim, a equipe de saúde é que preenche, de forma indireta, a fatura de exames, medicamentos e procedimentos.

Médicos, enfermeiros e demais profissionais disputam computadores sempre ocupados, deixando estetoscópios e termômetros abandonados. Nos EUA, estudos demonstram que cada hora com um paciente pode gerar até duas horas no cuidado de formulários, que preterem a informação científica em favor da “perfeita” cobrança pelo serviço prestado e salvaguardas contra eventuais demandas jurídicas. “Tudo tem que ser bem documentado, entendeu?”

As pessoas inicialmente se empolgam com as possibilidades propostas pela informática, depois passam a depender dela, e, finalmente, um sistema informatizado passa a controlar sua atividade profissional, aprisionada por grilhões burocráticos.

Na maioria dos hospitais brasileiros, públicos e privados, ainda é preciso imprimir e assinar manualmente tudo, com um enorme gasto de papel. O volume dos prontuários aumentou, em vez de diminuir. Uma maldade com a natureza.

Pesquisadores norte-americanos sugerem que isso pode estar contribuindo para a crescente insatisfação de pacientes e médicos, pois, em média, esses são obrigados a perder 70% de seu tempo grudados em teclados e mouses.

No Brasil, nas últimas décadas, o Ministério da Saúde gastou uma fortuna para tentar implantar um prontuário eletrônico único para o SUS. Um desastre científico e econômico. Foram várias as firmas contratadas que tinham a “solução” para o problema. Todas falharam, por diversas razões, mas claramente não ouviram adequadamente seus usuários – pacientes e profissionais de saúde.

A medicina, composta de muitas partes interconectadas e de várias camadas, é um sistema adaptativo complexo que evoluiu de forma variável. Um prontuário eletrônico precisa ser simples e desenvolvido de forma plural. A tecnologia deve servir à medicina, e não o inverso. Esse é o ponto central do problema, que não poupa os hospitais privados.

As fraudes e a corrupção estão entre os maiores problemas do sistema público de saúde. Adaptar a enorme experiência em tecnologia da Receita Federal seria uma forma menos onerosa de combatê-las. Assim, os profissionais de saúde teriam mais tempo para que seus olhos, ouvidos e mãos fiquem “grudados” aos pacientes.

porCIPERJ

ARTIGO: Medicina em xeque

fonte: O Globo

por Andrea Amaral, consultora em educação.

Um dos primeiros desafios que o novo governo terá que enfrentar é o da formação dos médicos brasileiros. Desde o início deste ano, está vetada pelo MEC a abertura de novos cursos de Medicina pelos próximos cinco anos. Essa “moratória” tem o objetivo de reavaliar a formação médica no país.


O presidente eleito expressou a intenção de substituir progressivamente os estrangeiros do Mais Médicos por brasileiros, criando uma carreira de Estado, com salário LLeia mais

porCIPERJ

Incêndio em hospital expõe crise na saúde

fonte: O Globo | Editorial

Pelo menos cinco pacientes morreram em consequência do incêndio na Coordenação de Emergência Regional (CER), ao lado do Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na tarde de sábado. Quatro deles não resistiram à transferência para outra unidade. O quinto teria inalado muita fumaça.


A prefeitura informou que eles estavam em estado grave. Mas não se pode achar natural que pacientes internados num hospital do município, sob cuidados intensivos, venham a morrer LLeia mais

porCIPERJ

ARTIGO: Acabar com balcão de negócios é condição para tornar saúde menos corrupta

fonte: Folha de SP

por Cláudia Collucci, jornalista especializada em saúde

Mais do que a definição do nome que assumirá o Ministério da Saúde (especula-se dois, o oncologista Nelson Teich e o diretor do Hospital de Câncer de Barretos, Henrique Prata), o setor espera um plano de governo de fato para a área que tem o segundo maior orçamento da União (R$ 130,8 bilhões) e é a maior fonte de preocupação do brasileiro.

As proposta apresentadas até agora pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ou são equivocadas ou são tão genéricas que tornam impossível qualquer análise. A primeira falácia é dizer que o SUS já gasta o suficiente em saúde e que basta acabar com a corrupção e aumentar a eficiência que mais recursos vão brotar.

Ninguém duvida que essas iniciativas sejam fundamentais, mas beira a má-fé dizer que a área não precisa de mais verba. Quando se olha o valor absoluto ou o gasto per capita em saúde, estamos muito atrás dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Outro equívoco é em relação ao programa Mais Médicos, lançado em 2013 pelo PT, por meio de cooperação com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde). Bolsonaro promete expulsar os profissionais que não passaram pelo Revalida, exame nacional exigido por formados no exterior que queiram exercer a medicina no país.

Ocorre que esse exame é válido para quem quer exercer a profissão médica de forma independente no país. Na visão da Opas, não se aplica a profissionais que trabalham apenas dentro do programa e que já passam por acompanhamento e avaliações.

Essa é uma exigência do CFM (Conselho Federal de Medicina), utilizada para garantir mercado. Antes de tomar qualquer decisão em relação aos cubanos, sugiro que o presidente eleito busque informações não envenenadas sobre os resultados do programa.

Na conferência internacional sobre atenção primária em Astana (Cazaquistão), a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou uma publicação em que coloca o Mais Médicos com um caso de sucesso, aprovado por 95% da população que o utiliza.

Segundo a OMS, o programa, que atende a uma população de 63 milhões de pessoas, aumentou o número de consultas médicas em 33% e a cobertura da atenção primária (de 62,7% para 70,4%). Também levou a uma diminuição de hospitalizações evitáveis de 45% para 41%.

Outros estudos citados pela OMS também demonstram uma diminuição da iniquidades regionais, especialmente no Norte e no Nordeste, com a presença de médicos em regiões vulneráveis que nunca tinham visto um doutor por perto.

Outra ideia de Bolsonaro para saúde, o tal “credenciamento universal dos médicos”, onde qualquer médico poderia escolher onde trabalhar, se na rede privada ou no SUS, é tido como “uma bobagem” pelos especialistas em gestão pública.

A proposta já foi defendida no passado, mas não seguiu adiante porque, além de representar mais custos para o sistema público, os planos de saúde não tiveram interesse no assunto. Aliás, sobre o setor suplementar, que atende a um quarto da população brasileira, Bolsonaro não apresentou propostas concretas.

O prontuário eletrônico nacional interligado, outra promessa do presidente eleito, é uma medida teoricamente válida, que já foi tentada por governos anteriores, mas que, além de ser de difícil implantação, é uma tarefa que deve ser abraçada antes por estados e municípios. Só depois, com esses sistemas funcionando e conversando entre si, é que será possível a interligação no âmbito federal.

Embora venha repetindo à exaustão que vai melhorar a gestão e combater a corrupção na área da saúde,  Bolsonaro ainda não deu sinais de que forma pretende fazer isso. Um bom começo seria não aceitar interferência política dos partidos na nomeação do novo ministro e dos cargos chaves da pasta. Um caso recente mostra o resultado dessa prática nefasta tão enraizada na política nacional.

Há duas semanas, o atual diretor do departamento de atenção básica do Ministério da Saúde, João Salame Neto, foi preso pela Polícia Federal acusado de estar envolvido em esquema de desvio de mais de R$ 2 milhões de recursos públicos destinados à compra de gás medicinal no Pará.

Ex-prefeito de Marabá, João Salame Neto chegou ser afastado do cargo por improbidade. Passou a integrar o governo de Michel Temer desde agosto de 2017, indicado pelo PP durante negociações para barrar denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da União) contra Temer na Câmara.

Essa troca de favores políticos por cargos, esse balcão de negócios estabelecido há décadas pelo Executivo e Legislativo, tem sido um câncer na administração pública e, em especial para o SUS. Se Bolsonaro pretende mesmo tornar a área mais eficaz e menos corrupta como vem alardeando, acabar com essas indicações espúrias e exigir a profissionalização de gestores seriam passos fundamentais.

porCIPERJ

Rendimento do fundo x rendimento do investidor

Quando um investidor faz aportes periódicos em um fundo de investimento, o rendimento não acompanha necessariamente o rendimento do fundo. Dependerá de como o fundo chegou ao resultado no final do período.

No gráfico abaixo, o ganho após o período, para quem investiu tudo no primeiro intervalo, foi de 12%. Como foi feito apenas um aporte no início, o investidor comprou suas cotas pelo valor de 100 e agora elas valem 112. O resultado do investimento, portanto acompanhou a valorização das cotas do fundo, salvo eventuais taxas, impostos ou “come-cotas”.

Quem, no entanto, investiu o mesmo valor, mas o distribuiu igualmente nos intervalos do período, obteve um rendimento de apenas 6,28%, porque a cada aporte ia adquirindo cotas com valores cada vez maiores e, portanto, ele ficou com menos cotas ao final do período, comparando com o caso anterior quando as obteve todas com valor menor.

O segundo gráfico mostra o mesmo rendimento final de 12% para o fundo, porém como a curva de crescimento foi diferente, o rendimento para quem distribuiu seus aportes igualmente nos intervalos, foi de 13,20% neste exemplo. Em resumo, como o investidor comprou cotas por preços mais baixos durante boa parte da evolução do fundo, ele conseguiu até um rendimento maior do que se tivesse colocado todo o valor no início do período.

No próximo gráfico, a situação é outra. Como as cotas subiram e depois baixaram, apesar do rendimento final também chegar aos 12%, o investidor as comprou por valores maiores, adquirindo bem menos cotas, durante boa parte do tempo. No exemplo, o rendimento ficou até negativo em 0,08%.

Em resumo, não é suficiente observar o rendimento dos fundos durante o período de investimento, A forma como eles se movimentam é importante para quem faz aportes periódicos. Confira a lâmina do fundo, mas também acesse seu portal individual para ver como estão seus investimentos.

Autor: Paulo C I Domingues, CFP®, (21) 98133-2379, paulo.cid@iteranex.com.br