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Nota técnica: desabastecimento no SUS 3

Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2019.

Corroborando e comprovando a veracidade das duas notas técnicas emitidas pela CIPERJ em novembro e dezembro de 2019, com relação às dificuldades de trabalho no Rio de Janeiro, que somam atrasos em pagamentos de salários, excesso de demanda de trabalho e falta de insumos básicos, a unidade de emergência do hospital Albert Schweitzer fechou as portas para o atendimento ontem. Trata-se da única unidade de referência para cirurgia pediátrica emergencial no município do Rio de Janeiro. Os cirurgiões pediátricos lotados nesta unidade trabalham há dois meses sem pagamento de salários (os salários de outubro e novembro não haviam sido pagos até ontem).

A CIPERJ considera essencial que estes problemas sejam resolvidos e que a população, incluídos aqui os agentes de controle público, esteja ciente. É necessário registrar que os profissionais médicos e os cirurgiões pediátricos não são culpados, omissos ou descomprometidos e têm cumprido seus horários de trabalho apesar da demanda enorme de atendimento, das dificuldades extremas e da ausência do pagamento contratado pelo seu trabalho, em nome apenas do compromisso profissional e ético.

Associação de Cirurgia Pediátrica do Rio de Janeiro – CIPERJ

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CREMERJ move ação para preservar médicos plantonistas

fonte: CREMERJ

O CREMERJ entrou com habeas corpus na justiça federal para proteger médicos plantonistas contra eventuais acusações de omissão de socorro, durante os plantões, nos hospitais públicos do estado do Rio de Janeiro.

Médicos de grandes unidades vêm cumprindo seus plantões sozinhos. Isto é, sem o quantitativo médico mínimo previsto na escala do plantão, levando-se em consideração, dentre outros fatores, o porte da unidade, especialidades e população a que presta atendimento. Infringindo os princípios fundamentais do Código de Ética Médica.

Em casos de remoção de um paciente para outra unidade, por exemplo, o profissional precisa decidir entre acompanhar o paciente na ambulância, geralmente em condições graves, ou manter o atendimento aos enfermos e acidentados que chegam às emergências.

“Esta ação é para proteger os sofridos colegas médicos, que se desdobram para tentar minorar o sofrimento da população. Não entra na cabeça de ninguém punir quem vive para aliviar as dores dos seres humanos”, declarou o Presidente do CREMERJ, Sylvio Provenzano.

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Nota técnica: desabastecimento de insumos básicos no SUS

Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2019

Em nome de seus associados a CIPERJ vem novamente a público comunicar a falta de insumos básicos que persiste na maioria dos hospitais da rede SUS no Rio de Janeiro, já que a situação denunciada, ao invés de ser corrigida, se agravou desde nossa última denúncia, em novembro de 2019. Tais problemas, atribuídos à falta de verba pelo esgotamento do orçamento anual de 2019, variam entre o desabastecimento agudo de material cirúrgico essencial e a falta de materiais específicos para cirurgia pediátrica, associados ao desabastecimento crônico de materiais de uso permanente. Os problemas afetam os hospitais das redes Municipal, Estadual e Federal, seja com gerência pública direta ou por operadoras terceirizadas (OS). Paralelamente, profissionais de saúde têm tido o pagamento de salários atrasados ou até não realizados, por alegação de problemas financeiros das OS conveniadas com os governos municipal e estadual do Rio. Até mesmo o suprimento de refeições aos profissionais plantonistas foi suspenso em algumas instituições, que alegaram a necessidade de priorizar o suprimento limitado que está disponível para os pacientes, conforme noticiado recentemente pela imprensa.

Esta situação impossibilita cirurgias eletivas e torna procedimentos emergenciais extremamente arriscados, uma vez que aqueles que não puderem ser adiados por risco iminente de vida ou sequelas irreversíveis exigirão improvisos ou escolhas de segunda linha, conforme a disponibilidade de material no local. Da mesma forma, as vagas para internações e transferências diminuíram ainda mais, uma vez que as instituições com restrições graves de insumos não podem aceitar novos pacientes se é impossível garantir a assistência plena necessária. Vários relatos de demora em transferências neonatais a partir de maternidades, com consequências graves, têm sido feitos à CIPERJ.

Estes problemas precisam ser resolvidos IMEDIATAMENTE: as pessoas morrem por falta de assistência a problemas emergenciais. A população, incluídos aqui os agentes de controle público, tem direito de ser informada. É nosso dever informá-los.

Precisamos registrar que omissão, descompromisso ou incapacidade técnica dos profissionais de saúde não são a causa dos problemas que estão acontecendo. É impossível fazer cirurgia usando apenas a voz e a boa vontade. Profissionais precisam de tranquilidade e equilíbrio emocional para trabalhar. Não é possível que um profissional substitua uma equipe inteira. Não é possível que um ser humano, que também é um profissional de saúde, veja pessoas sendo mortas por falta de recursos e não o sinta. Não é possível que este mesmo profissional esteja equilibrado sendo agredido fisicamente e acusado por problemas que não pode resolver. Não foi à toa que ontem o CREMERJ impetrou habeas corpus preventivo solicitando o reconhecimento judicial da ausência de culpa dos profissionais médicos do Rio nas consequências do caos que estamos vivendo (https://www.cremerj.org.br/informes/exibe/4519).

Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro – CIPERJ

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Sífilis, a doença evitável e de tratamento barato que mata um número crescente de bebês no Brasil

fonte: BBC Brasil

Enquanto esteve grávida de cada um de seus dois filhos — um menino que tem hoje 2 anos e uma menina de 1 — a alagoana Luisa (nome fictício), 38 anos, precisou tomar um total de 21 injeções de benzetacil, antibiótico da família da penicilina. Mesmo assim, sua caçula, Tainá, nasceu com atrasos no desenvolvimento que persistem até hoje. “Notei que ela não sentava sozinha, caía para trás, tinha a função motora enfraquecida”, lembra a mãe, que mora em Maceió.

Ela ainda se lembra do dia em que recebeu do médico a notícia de que tinha sífilis, doença transmitida sexualmente e cercada de tabu e estigma, e que poderia afetar também o bebê que ela esperava. “Na hora eu me abalei. Chorei na sala, o médico ficou conversando comigo”.

Relatos como o de Luisa, marcados por culpa e sofrimento, são comuns entre as mães que têm a vida transformada pela sífilis, cuja incidência em grávidas e bebês vem aumentando no Brasil na última década, especialmente a partir de 2010.

Nos adultos, a doença tem sintomas que podem evoluir de feridas genitais e manchas no corpo, febre, mal-estar e até lesões na pele, nos ossos e nos sistemas nervoso e cardiovascular, podendo também desenvolver quadros semelhantes à demência e à depressão. Em bebês, os efeitos são ainda mais catastróficos: malformações, microcefalia, comprometimento do sistema nervoso, sequelas na visão, nos músculos, coração e fígado, até aborto ou morte ao nascer, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No ano passado, 241 bebês brasileiros com menos de um ano de idade morreram em decorrência da sífilis congênita, em que a infecção é passada pela mãe, durante a gestação.

O boletim mais recente do Ministério da Saúde, divulgado em outubro, aponta que, em 2018, foram registrados 26,3 mil casos de sífilis congênita no país. Desde 2010, quando a doença passou a ser de notificação obrigatória, o aumento foi de 3,8 vezes — passando de 2,4 para 9 casos a cada mil nascidos vivos.

O aumento de uma doença tão antiga e vista como superada pela ciência surpreende, já que a sífilis é considerada pelos médicos um mal de diagnóstico fácil e tratamento barato. Como é possível que uma infecção facilmente detectável, que existe há pelo menos 500 anos e cujo tratamento, inventado em 1928, é um dos mais simples e baratos da medicina, atinja um número tão grande de pessoas — e crianças — no Brasil e no mundo?

“A ciência já resolveu essa doença. O tratamento é à base de penicilina, extremamente barato. Não teria por que ter crianças nascendo com sífilis congênita”, afirma a enfermeira Ana Rita Paulo Cardoso, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Fortaleza com uma tese que analisou casos de sífilis gestacional e congênita nos anos de 2008 a 2010, em Fortaleza. A pesquisa mostrou que a maior parte das mães teve acesso a consultas de pré-natal, mas o que falta, segundo Cardoso, é melhorar a qualidade das consultas.

No caso de mulheres grávidas, é possível detectar a doença com um teste rápido de sangue. Feito o diagnóstico, é preciso tomar uma dose semanal de penicilina benzatina (benzetacil), durante três semanas. Se o tratamento for seguido no início da gravidez, as chances de infecção do bebê são mínimas.

Um outro obstáculo ao tratamento adequado da sífilis parece ainda mais difícil de superar: a resistência dos homens em relação ao tema, negando-se a comparecer às consultas para receber tanto o diagnóstico quanto o tratamento adequados. Para que a doença seja erradicada com sucesso, mesmo em gestantes, precisam ser medicados tanto a mulher quanto todos os seus parceiros sexuais.

Rotina pesada e falta de dinheiro

Luisa descobriu a doença na gestação de seu primeiro filho, Thiago. O diagnóstico foi precoce, ainda no primeiro trimestre, e ela tomou 13 injeções de antibiótico. Ficou aliviada quando, ao nascer, os exames mostraram que o menino estava livre da doença.

Na volta da licença-maternidade em seu trabalho, como auxiliar de cozinha em um hotel em Maceió (AL), Luisa foi demitida. No exame demissional, um novo susto: a notícia de que estava grávida novamente, embora acreditasse estar prevenida por usar pílulas anticoncepcionais e camisinha. E, apesar do tratamento, ela ainda tinha sífilis. “O obstetra falou que provavelmente foi a quantidade de benzetacil que eu tomei que cortou o efeito do anticoncepcional.”

Alguns médicos e estudos apontam que pode haver interferência de antibióticos no efeito de anticoncepcionais, embora haja discrepâncias entre a dimensão dessa interferência.

O marido de Luisa, o pai da criança, nunca foi contaminado. A suspeita é de que ela tenha recebido a infecção do ex-marido, de quem estava separada há mais de um ano quando engravidou, e com quem não tem mais contato.

Com um ano de idade, a filha de Luisa tem uma rotina pesada de atendimentos com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e enfermeiro. A mãe, que cuida da menina em tempo integral, não voltou a procurar emprego. O pai trabalha como ambulante, vendendo óculos e chinelos na beira da praia de Pajuçara, em Maceió, mas o movimento anda bem fraco neste ano, apesar do calor.

“Como houve vazamento de óleo em praias aqui perto, como Maragogi e Japaratinga, os turistas ficam achando que Maceió todinha está poluída.” A sogra ajuda Luisa a pagar as despesas com alimentação desde que acabaram-se as parcelas do seguro-desemprego. O resto das contas começa a se acumular.

Por que os casos de sífilis não param de crescer?

Entre 2017 e 2018, a detecção da sífilis adquirida — ou seja, contraída por adultos em relações sexuais desprotegidas com pessoas contaminadas — aumentou 28,3% no Brasil, também segundo o Ministério da Saúde. Os sintomas podem evoluir de feridas iniciais na região do contágio e manchas no corpo, febre ou mal-estar para lesões na pele, nos ossos e nos sistemas nervoso e cardiovascular, e até mesmo desenvolvimento de quadros semelhantes à demência e à depressão.

A doença está distribuída por todas as regiões do país, aponta a coordenadora de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Angélica Miranda. Das 241 mortes de bebês por sífilis congênita, 101 foram no Sudeste, 77 no Nordeste, 27 no Norte, 21 no Sul e 15 no Centro-Oeste.

Os maiores percentuais de casos de sífilis congênita em 2018 ocorreram em crianças cujas mães tinham entre 20 e 29 anos de idade (53,6%); a maior parte possuía da 5ª à 8ª série incompleta (22,2%). Em relação à cor de pele das mães, a maioria se declarou como pardas (58,4%). Além disso, 81,8% das mães de crianças com sífilis congênita fizeram pré-natal, o que indica que não é o acesso a consultas o maior problema.

Para Daniela Mendes, enfermeira da área técnica de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, é possível que parte do aumento do número de casos registrados pelo Ministério da Saúde se explique pela melhora na detecção e nos pré-natais sendo realizados no país. Mas, em outra parte, esse crescimento reflete uma “lacuna na prática sexual segura”. Entre 2017 e 2018, a detecção da sífilis adquirida — ou seja, contraída por adultos em relações sexuais desprotegidas com pessoas contaminadas — aumentou 28,3% no Brasil, também segundo o Ministério da Saúde.

“É uma doença que existe desde a era pré-colombiana e o tratamento é muito barato. A detecção é feita com um furinho no dedo, de livre acesso (nos postos de saúde), até para adolescentes. Mas mesmo assim a gente não consegue controlar nem erradicar a doença. A conta não fecha”, afirma Mendes. “Temos uma baixa adesão das pessoas ao uso de preservativos (camisinha) e a se testar regularmente para as infecções sexualmente transmissíveis.”

O caminho, dizem os especialistas e o Ministério da Saúde, é conscientizar a população em relação à saúde sexual: reforçar a consciência de que quem tem vida sexual ativa precisa usar camisinha, e se tratar quando alguma doença aparecer. “Na população jovem, o que se observa é que as pessoas estão parando de usar camisinha. E, no caso da sífilis, é preciso ainda mais cuidado: a relação sexual não é só penetração, e você pode contrair sífilis por sexo oral, o que não é tão fácil com o HIV”, diz Ana Rita Cardoso.

A resistência dos homens ao tratamento

Existem, também, dois entraves significativos no tratamento: o primeiro é que se houver atrasos longos nas doses, ele se torna ineficaz. O segundo é que, se a mulher voltar a praticar sexo inseguro com um parceiro infectado, voltará a contrair a sífilis. O jeito, então, é tratar também os parceiros.

Mas isso não costuma ser fácil. Muitos estudos científicos mostram que os homens são mais reticentes a tratamentos médicos em geral, e mais ainda quando se trata de uma doença ligada à sexualidade.

“Existe um tabu, tanto das mulheres quanto dos profissionais de saúde no momento do pré-natal, de se falar (com as gestantes) sobre parceiros sexuais”, afirma Mendes. “Às vezes, as mulheres que vão chamar seu parceiro para se tratar acabam sofrendo violência por parte deles. Mas, se eu não o trato, a chance de a mulher se reinfectar é muito alta.”

“A reinfecção mostra a importância em se fazer também o pré-natal do parceiro”, afirma Angélica Miranda, do Ministério da Saúde.

Nas orientações para a prevenção, a responsabilidade recai mais sobre a mulher: a recomendação é que ela pense em fazer o exame para sífilis antes de engravidar, como parte das consultas de rotina. “Tem uma questão do machismo que bloqueia todo o tratamento”, diz Ana Rita Cardoso. “O homem tem que participar, não é o tratamento mais fácil porque é injetável, mas não é questão de escolha”.

A pesquisa “Compreendendo a sífilis congênita a partir do olhar materno”, das pesquisadoras Martha Helena Teixeira de Souza e Elisiane Quatrin Beck, da Universidade Franciscana de Santa Maria, entrevistou 15 mães de bebês portadores de sífilis congênita em Brasília. Nove dessas mulheres receberam as três doses da medicação preconizada pelo Ministério da Saúde. No entanto, apenas três parceiros realizaram conjuntamente o tratamento.

“A reinfecção mostra a importância em se fazer também o pré-natal do parceiro”, afirma Angélica Miranda, do Ministério da Saúde. Ela diz que 100 municípios brasileiros com o maior número de casos de sífilis participam, desde 2017, de um programa especial da pasta, em que as prefeituras recebem mais testes, e os esforços de pré-natal são intensificados, para aumentar a detecção precoce da sífilis. No momento, estão sendo analisados os dados para verificar se a ação teve impacto real e se levou a reduções nos números da sífilis.

No Brasil em geral, Miranda afirma que os números mostram que “houve uma desaceleração, a doença continua a crescer, mas não com a mesma frequência”. A taxa de casos notificados de sífilis congênita em bebês entre 2018 e 2019 (segundo casos registrados até junho deste ano), por exemplo, subiu de 7 para 7,1.

“Na sífilis congênita, o desafio principal é aumentar a quantidade de diagnósticos ainda no primeiro trimestre da gestação — incluir mais mulheres no pré-natal e mais precocemente, com mais consultas. Quanto antes essa gestante for tratada, mais se evitará a transmissão da doença pela placenta”, agrega Miranda.

Para além do Brasil, a sífilis é uma preocupação global, aponta a OMS, que registra 6 milhões de novos casos da doença a cada ano.

A incidência da sífilis congênita caiu globalmente entre 2012 e 2016, mas isso ainda representa cerca de 660 mil casos anuais da doença em crianças. “É a segunda principal causa evitável de natimortos, precedida apenas pela malária”, diz boletim da organização.

Por que as consultas de pré-natal falham em detectar a sífilis?

Daniela Mendes, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, afirma que alguns profissionais da saúde têm dificuldade tanto em discutir o tema com os pacientes quanto em registrar corretamente a doença nos prontuários, o que dificulta o tratamento subsequente.

Em sua tese de mestrado em Fortaleza, a enfermeira Ana Rita Paulo Cardoso analisou 175 casos de grávidas que tiveram bebês com sífilis congênita. Chamou atenção da pesquisadora o fato de que, mesmo quando o diagnóstico da sífilis na gestante ocorria durante o pré-natal, é possível que a maioria dos testes tenham sido aplicados tarde demais, considerando que a maioria dos relatórios de notificação da doença foi feito durante o segundo e terceiro trimestres da gestação.

“Estudos mostram a importância de prever atendimento pré-natal de qualidade com diagnóstico precoce em grávidas, e destacam que a evolução inadequada do tratamento dado à mãe têm relação com a mortalidade das crianças”, diz o estudo de Cardoso.

Vergonha, tabu e exames atrasados

Os casos no Brasil são, provavelmente, subnotificados. Nos registros oficiais, a informação de que uma criança morreu por sífilis só é registrada quando o médico escreve no obituário, o que muitas vezes não acontece a pedido da própria família, diz a pesquisadora, que cita o exemplo do Ceará, onde realizou a pesquisa.

“Para dizer ‘essa criança morreu por sífilis’ é preciso que o médico coloque isso no atestado de óbito. E a maioria das vezes passa batido, coloca ‘causa desconhecida’ para a morte. Há resistência, vergonha de falar, estão cercadas de tabu. DST é muito associada à promiscuidade”, diz.

O estudo explica que a sífilis pode ser transmitida ao bebê a partir da nona semana de gravidez, embora a transmissão seja mais frequente entre a 16ª e a 28ª semanas. É fundamental que a evolução do tratamento seja monitorada atentamente pelos médicos, para evitar possíveis reinfecções.

Entre os principais problemas das consultas, a pesquisadora aponta testes realizados com atrasos e com resultados defasados; mulheres que abandonam o pré-natal; falta de acompanhamento para chamar de volta as mulheres que abandonam o pré-natal; dificuldades em trazer o parceiro e convencê-lo a seguir o tratamento.

“Podemos concluir que as mulheres grávidas e os recém-nascidos com sífilis congênita não estão recebendo tratamento adequado. Os recém-nascidos não recebem testes de rotina para investigar a neurosífilis, como é a recomendação do Ministério da Saúde, e muitas mortes e abortos poderiam ter sido evitados com a administração adequada.”

A filha de Luisa já demonstra melhoras desde que começou o tratamento, conta a mãe. Já está mais firme ao sentar, mas, com um ano de idade, ainda não dá sinais de falar ou engatinhar. A menina fez exames mais precisos no dia 26 de julho para saber quais os efeitos neurológicos da sífilis congênita, mas o resultado não saiu até hoje.

“Eu ainda não sei se ela tem microcefalia porque estou esperando os exames, que não estão prontos por falta de material aqui”, lamenta. “Me mandam ligar de 15 em 15 dias e ficar aguardando. Quando eu ligo, dizem: daqui a 15 dias a senhora liga novamente, daí eu ligo. Desde julho”.

A esperança de Luisa é conseguir respostas positivas sobre os pedidos de Bolsa Família, que ela fez no mês passado, e do Benefício de Prestação Continuada, salário mínimo pago pelo governo federal para pessoas de baixa renda “com deficiência que apresentem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”.

“Tenho vontade de voltar a trabalhar, mas minha vida parou. Minha rotina é toda dedicada a ela”, diz Luisa.

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Senado aprova criação do Médicos pelo Brasil

fonte: Agência Brasil

O Senado aprovou, na tarde de quarta-feira (27), a medida provisória (MP) que cria o programa Médicos pelo Brasil. A MP expiraria na quinta-feira (28) e perderia a validade de não fosse votada. A matéria vai agora à sanção presidencial.

Na terça-feira (26), o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados e chegou ao Senado para uma aprovação rápida, sob risco de expirar. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), havia se comprometido a votar a MP, mesmo com pouco tempo para apreciação da matéria. “Ela [MP] é importante, tem que votar, vou falar com os senadores. Mesmo faltando um dia [para expirar] a gente vai botar para votar”, disse ele, na semana passada.

Assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em 1º de agosto, a MP amplia em pouco mais de 7,3 mil o número de médicos nas áreas mais carentes do país – 55% dos profissionais serão contratados para atender as regiões Norte e Nordeste.

O programa Médicos pelo Brasil, lançado em substituição ao Mais Médicos, criado em 2013, também define novos critérios para realocação dos profissionais considerando locais com maior dificuldade de acesso, transporte ou permanência dos servidores, além do quesito de alta vulnerabilidade. A nova proposta ainda prevê formação de especialistas em medicina da família e comunidade.

De acordo com as regras do programa, os profissionais deverão ser selecionados para duas funções: médicos de família e comunidade e tutor médico. Todos deverão ter registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Revalida

O Senado aprovou, em seguida, o projeto de lei (PL) que institui o Revalida, programa que faz a revalidação dos diplomas de médicos formados em universidades do exterior. Esses profissionais, inclusive os cubanos que deixaram o Mais Médicos e continuaram no Brasil, terão de passar pelo processo de revalidação do diploma para obter o registro e atuar no novo programa.

Segundo o texto, poderão participar do programa, que terá duas edições a cada ano, faculdades privadas com cursos de medicina cuja nota de avaliação no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) seja 4 ou 5. O programa será acompanhado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

porCIPERJ

Inscrições abertas para curso de aperfeiçoamento no INCA

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) está com inscrições abertas para cursos de aperfeiçoamento nos moldes fellow. A Cirurgia Pediátrica conta com duas vagas.

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Almoço de final de ano da CIPERJ acontece em 14 de dezembro na Barra da Tijuca

A Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro realiza no dia 14 de dezembro, sábado, a partir das 13h, um almoço de final de ano para os associados da CIPERJ, que ocorrerá no Espaço Gourmet do condomínio Quintas da Península, situado na Rua dos Jacarandás da Península, 1.160, na Barra da Tijuca.

O evento é por adesão e o valor é de R$ 100 por pessoa, sendo que crianças de até seis anos não pagam e de sete a 11 anos pagam R$ 50 cada.

FAÇA SUA ADESÃO E REALIZE O PAGAMENTO ONLINE:

Após o envio dos dados do formulário, é necessário efetuar o pagamento do valor referente à (s) adesão (ões), que pode ser feito através de cartão de crédito ou transferência bancária:

  • CARTÃO DE CRÉDITO

  • TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA

Bancoob (756)

Agência: 4327

Conta-corrente: 4551-9

Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro

CNPJ: 68.613.801/0001-66

CONFIRA O CARDÁPIO DE COMIDAS E BEBIDAS

Entrada: Salsichão, fraldinha, filé de frango, drumete e pão com pasta de alho.

Almoço:

  • Carnes: Maminha, alcatra, fraldinha, linguiça suína, salsichão, lombo, costelinha suína, filé de frango, drumete, coração de frango e costela gaúcha (servido self service);
  • Acompanhamentos: Arroz branco, maionese de batata com cenoura, farofa, molho a campanha, ovo de codorna e salada de alface com tomate (servido self service);
  • Sobremesa: Banana assada com açúcar, canela e sorvete de creme.

Bebidas:

  • Caipivodka e caipirinha de limão, cerveja Antárctica, Coca-Cola normal e zero, Guaraná normal e zero, Mate, Fanta Uva e Fanta Laranja, Sprite, água mineral com e sem gás e sucos.

SAIBA COMO CHEGAR

Rua dos Jacarandás da Península, 1.160, Barra da Tijuca

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ARTIGO: “O SUS está vivinho da Silva. É o sonho de consumo em muitos países”

fonte: Viva Bem/UOL

O médico Renato Tasca, coordenador de sistemas e serviços de saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, é italiano de Turim. Não perdeu o sotaque, mas incorporou expressões e gírias brasileiríssimas em uma década de andanças pelo país. Observador atento dos sucessos e desafios do Sistema Único de Saúde (SUS), Tasca acredita que ele está “vivinho da Silva” e precisa ser valorizado pelos brasileiros. “O SUS é o sonho de consumo dos cidadãos de muitos países”.

Por que o sr. diz que o SUS está vivinho da Silva?

Renato Tasca: Existe certa opinião negativa em relação ao SUS e à administração pública em geral. Pensam que o Estado tira o dinheiro dos cidadãos, por meio de impostos, como se isso fosse uma função predatória. Acham que funcionários públicos são parasitas que aquecem cadeiras e se envolvem em corrupção. Uma das formas de destruir esse mito é dar visibilidade aos heróis silenciosos que trabalham, cotidianamente, em situações muito complicadas, com poucos recursos, em contextos difíceis e com chefes que não ajudam. E, mesmo assim, realizam coisas muito importantes no SUS.

É essa força de trabalho tão comprometida que mantém o SUS vivinho da Silva?

Renato Tasca: O SUS é feito de pessoas. Não são os equipamentos, os hospitais. São as pessoas: os médicos, as enfermeiras, os profissionais de saúde etc. É fundamental manter a motivação deles. O setor público não é como o setor privado, no qual os profissionais são incentivados para produzir lucro. O setor privado produz um valor monetário. As pessoas são recompensadas de acordo com a contribuição delas para a obtenção desse lucro. Se eu vendo 10 planos de saúde e o meu colega vende 20, ele vai ter que ganhar mais do que eu. O resultado é muito visível.

O desafio de medir desempenho

Medir desempenho no setor público é mais difícil? Renato Tasca: É complicado definir o que é performance. O valor que se produz é um valor público – não é o lucro. E não basta apenas verificar se a doença foi curada ou controlada. Existe também uma parte intangível. É o caso da humanização, por exemplo. Há pessoas (principalmente os idosos) que procuram a unidade de saúde só para conversar. Fazem isso porque é a única forma de contato que eles têm com outras pessoas. Isso é eficiência? Possivelmente, não. Mas tem um valor público enorme. São valores difíceis de medir com indicadores clássicos.

O etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), diz que a atenção primária é o lugar onde se ganha ou se perde a batalha da saúde humana. O sr. concorda?

Renato Tasca: No futuro, com inteligência artificial, não sei como serão as coisas – pode ser que elas mudem para pior. Mas hoje não há como manter um sistema universal como o SUS sem fortalecer a atenção primária. Ela é o ponto mais próximo entre o Estado e o cidadão. É o momento do encontro. É ali que você vai interceptar a demanda que chega. É por meio dessa primeira porta de acesso que você organiza a rede de serviços. Se não tem isso, se a pessoa vai direto a uma unidade  de pronto atendimento (UPA), aquilo ali não tem continuidade. É um atendimento episódico. Com uma atenção primária forte, o sistema tem melhor resultado, mais satisfação dos usuários, menos erros médicos, melhores encaminhamentos. Não basta ter apenas atenção primária, mas ela viabiliza o funcionamento orgânico racional de todos os serviços.

O Ministério da Saúde anunciou recentemente um novo formato de financiamento da atenção primária. Qual é a opinião do sr. sobre essa mudança?

Renato Tasca: A opinião da OPAS sobre isso não é relevante. É uma questão muito específica, que diz respeito a mudanças de cadastramento e de modelo de financiamento. Acho que o debate não é tanto sobre como financiar. O debate é se esse novo modelo terá realmente condição de fortalecer a APS. A princípio não opino, não formo nenhum julgamento. Essa é uma medida que tem que ser aprovada e implementada. Depois veremos os resultados. Se eles forem bons, seremos os primeiros a aplaudir. A priori, ninguém pode dizer se é bom ou ruim. Se eu der alguma opinião, será achismo. No papel, toda proposta é boa. Concordamos com os pressupostos dessa iniciativa. Ouvi muitas opiniões contra e muitas a favor. Acho que cada um tem argumentos.

O papel do setor privado

Existe uma onda que defende a privatização como única alternativa possível para o SUS?

Renato Tasca: Essa narrativa existe, mas algumas argumentações são míticas. Há uma construção teórica segundo a qual o SUS é ineficiente, um projeto perdedor. Outro mito é a crença de que o SUS não precisa de mais dinheiro. Bastaria torná-lo mais eficiente. Não é verdade. O SUS é claramente subfinanciado. Em todos os países que têm sistema de saúde universal, a maioria dos gastos em saúde deveria ser para o setor público. No Brasil, gastamos quase 9% do PIB em saúde em 2015. Só que menos da metade desse dinheiro foi para o SUS. Somos um país com um perfil totalmente desequilibrado de gasto em saúde. Temos um gasto privado muito importante e um gasto público insuficiente. Não chegamos a 4% do PIB quando, internacionalmente, se diz que um sistema público universal deveria chegar a 6% do PIB. Estamos muito atrás. O subfinanciamento é real, mas melhorar a gestão é fundamental.

Qual é o papel do setor privado na gestão do SUS?

Renato Tasca: O setor privado, quando é chamado segundo uma lógica saudável, pode contribuir. O SUS já nasceu com o privado em seu DNA, mas acho que deveríamos procurar uma relação diferente entre o público e o privado. Hoje parece que eles são dois boxeadores, um tentando acertar o outro primeiro. É preciso achar outros caminhos para que seja, realmente, uma relação ganha- ganha. Não pode ser como é hoje, em que ganha um ou ganha o outro, mas a população pode perder. O setor privado pode dar ideias e, de alguma forma, contribuir para a gestão. A gestão do SUS é participativa. Todos os agentes sociais (cidadãos, empresas etc) estão envolvidos. Mas o fato de o setor participar diretamente na execução não quer dizer que ele tenha que participar do planejamento do sistema. Até porque há conflitos de interesse aí. A principal crítica feita às agências reguladoras é que, quando os interesses privados entram nas agências, começa a dar problema. O Estado tem que cuidar dos interesses da população. O setor privado tem que pensar na sua responsabilidade social para com o país, mas fundamentalmente, ele pensa no lucro.

Qual é o efeito de políticas de austeridade, como a Emenda Constitucional 95, de 2016,  que congelou os investimentos em saúde por 20 anos?

Renato Tasca: O último lugar onde eu colocaria austeridade seria em um programa social – sobretudo na área da saúde. O SUS tem que ser fortalecido. Ele tem mais impacto que o Bolsa Família. Para receber o Bolsa Família, as pessoas precisam vacinar os filhos e cumprir outras exigências. Um programa potencializa os efeitos do outro. O Brasil vive uma crise econômica danada que afeta principalmente os mais pobres. Isso se reflete negativamente nos indicadores de saúde. A perspectiva não é positiva.

O problema do SUS é a administração direta?

Renato Tasca: Esse é outro mito. Falam do SUS como se houvesse nele uma ineficiência intrínseca. Uma coisa podre que não pode mais melhorar. Segundo esse mito, a única forma de tornar o SUS mais eficiente seria tirar a gestão da administração direta e passar para outros tipos de organização. Não estou dizendo que as Organizações Sociais de Saúde (OSS) são ruins, mas elas são apenas um instrumento. É como um carro. Quem faz a OSS funcionar são as pessoas. Há OSS maravilhosas e outras muito ruins – coisa de tubarões, de tiranossauros. Alguns serviços públicos são uma porcaria, mas o mesmo acontece no setor privado. O privado tem mais eficiência no que diz respeito à flexibilidade operacional, pode contratar recursos humanos e fazer compras mais facilmente.

Ser eficiente ou ser eficaz?

Ser eficiente (fazer mais com o orçamento disponível) deve ser o foco do SUS?

Renato Tasca: Quando fala em eficiência no SUS, o Banco Mundial, por exemplo, foca muito em eficiência operacional administrativa: compras, corrupção, abusos, fraudes etc. Mas eles não se debruçam sobre o tema da pertinência dos serviços. Um hospital pode ser muito eficiente em fazer ressonância magnética. Com um orçamento X, ele consegue fazer 200 exames de alta qualidade. O problema é que, talvez, a maioria dessas ressonâncias seja desnecessária. O que isso quer dizer? Esse hospital é muito eficiente em desperdiçar dinheiro. O SUS tem que se preocupar em ser eficaz.Ele tem que resolver os problemas de saúde. O objetivo principal não deve ser eficiente. Para ser eficiente, o SUS não poderia ser universal. Como vou atender regiões ribeirinhas, ir a aldeias indígenas? É tudo longe, complicado. Se pensarmos em eficiência, concluímos que não vale a pena ir até lá. Mas a Constituição diz que a saúde é para todos. Ou seja: o SUS assume ações que têm ineficiência intrínseca. Esse papo de que o SUS é ineficiente é muito superficial. É óbvio que o SUS precisa adotar medidas para ser mais eficiente, mas a eficiência não pode acabar com os princípios de universalidade, integralidade e gratuidade dos serviços.

De que forma o SUS ameniza a desigualdade social?

Renato Tasca: O SUS é o maior programa social do Brasil. Imagine os pobres, as pessoas sem emprego, as mais afetadas pela crise… Imagine se elas tivessem que usar o pouco dinheiro que têm para vacinar os filhos, fazer pré-natal e ir ao médico – tudo no sistema privado. Seria uma coisa terrível. Na maioria dos países e, sobretudo, naqueles do tamanho do Brasil (China e Índia), não existe nada como o SUS. Se o pobre quiser uma cura, tem que pagar. Ter um SUS é o grande sonho de consumo dos cidadãos de muitos países. Nos Estados Unidos, o número de famílias que se ferram, que perdem tudo por causa de contas de hospital é enorme. O avô teve um AVC, foi para a UTI, morreu, e a família recebe uma conta de US$ 200 mil ou mais. Tem que vender a casa, o carro, tudo o que tiver. No SUS, isso não acontece. Os brasileiros não percebem, mas o SUS tem uma relevância enorme no mundo. O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes com um sistema universal que funciona. O SUS foi criado como um programa social que vai muito além da atenção médica. É uma pena que hoje todo o esforço na criação e desenvolvimento do sistema não seja reconhecido. Hoje as pessoas acreditam mais em fake news do que em um artigo científico publicado no The Lancet. Não podemos desistir. É preciso acabar com a narrativa de que o SUS não funciona.

porCIPERJ

Mais de 80% dos adolescentes do mundo não fazem exercícios o suficiente

fonte: Deutsche Welle

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que jovens em todo o mundo praticam atividades físicas em níveis bem menores do que o ideal.

Segundo a OMS, 81% dos adolescentes não se movimentam de maneira suficiente. Eles praticam menos de uma hora por dia de atividades físicas, o que pode acarretar sérios danos à saúde. Chama a atenção o fato de que o problema é maior entre as meninas.

No Brasil, essa taxa é de 83,6%, ou seja, maior que a média mundial.

O relatório, publicado pela revista científica The Lancet Child & Adolescent Health Journal se baseia em pesquisas realizadas entre 2001 e 2016 com mais de 1,6 milhão de estudantes de idades entre 11 e 17 anos em 146 países. Entre eles, 81% não se enquadravam na recomendação da OMS de exercer ao menos uma hora diária de atividades físicas como caminhadas, jogos, andar de bicicleta e práticas esportivas em geral.

Apesar de metas globais ambiciosas para aumentar as atividades físicas entre os jovens, o relatório afirma que não houve mudanças no período de 15 anos avaliado no levantamento.

A OMS não especificou os motivos da inatividade entre os jovens, mas a coautora do estudo Leanne Riley observou que “a revolução eletrônica […] parece ter transformado os padrões de movimentação dos adolescentes e os encorajado a passar mais tempo sentados e serem menos ativos”. Muitas vezes, a falta de infraestrutura e de segurança dificulta que os jovens possam caminhar ou utilizar bicicletas para ir à escola.

O estudo revela que os níveis de inatividade física se mantiveram no patamar mais alto entre os adolescentes de diversas regiões e países, variando de 66% em Bangladesh para 94% na Coreia do Sul. “Encontramos níveis altos em praticamente toda parte”, disse a autora principal do estudo, Regina Guthold. Ela afirma que em muitos países, entre 80% e 90% dos adolescentes não se enquadram nas recomendações da OMS.

A questão é ainda mais preocupante no que diz respeito às meninas. Apenas 15% delas estão dentro das recomendações da OMS, contra 22% dos meninos. As jovens são mais ativas em apenas quatro países avaliados: Afeganistão, Samoa, Tonga e Zâmbia.

Enquanto a situação dos meninos apresentou leve melhora entre 2001 e 2016, com os índices de inatividade caindo de 80% para 78%, o percentual entre as meninas se manteve em 85%. Em muitos países, as disparidades de gênero parecem estar ligadas a pressões culturais para que as jovens permaneçam em casa ou evitem práticas esportivas, além de preocupações com a segurança em ambientes externos.

Isso, porém, não explicaria o motivo pelo qual a maior disparidade entre os gêneros foi registrada nos Estados Unidos e na Irlanda, países onde a diferença entre os níveis de atividade de meninos e meninas é de mais de 15%.

As atividades físicas trazem enormes benefícios à saúde, como melhoras nas condições cardíacas e respiratórias e nas funções cognitivas, facilitando o aprendizado. Além disso, os exercícios são fundamentais no combate à epidemia sistêmica de obesidade.

A OMS estabeleceu como meta a redução da inatividade dos jovens entre os jovens de 11 a 17 anos em 70% até 2030. “Precisamos certamente fazer mais ou veremos um quadro bastante negativo em relação à saúde dos adolescentes”, afirmou Leanne Riley.