Arquivo mensal março 2020

porCIPERJ

No ar, a edição 14 da Revista CIPERJ

Em tempos de isolamento social, a CIPERJ disponibiliza a nova edição de sua revista científica. A edição 14 da Revista CIPERJ já pode ser visualizada, basta clicar na imagem abaixo:

porCIPERJ

Projeto fornece informações atualizadas sobre Covid-19 para cirurgiões pediátricos e urológicos

Os editores do The Hendren Project fornecem informações atualizadas sobre a pandemia de COVID-19 (coronavírus) para cirurgiões pediátricos e urológicos.

CONFIRA

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Cremerj entra com representação criminal contra fornecedores de material médico

fonte: Cremerj

O CREMERJ dispõe sobre o atendimento médico ambulatorial no Estado do Rio de Janeiro na vigência da pandemia de COVID-19

O CREMERJ, no uso de sua competência atribuída pela Lei 3268/57 e pelo Decreto Lei 44.045/58:

–  Considerando a excepcionalidade causada pela ocorrência da pandemia do Covid 19 e a necessidade de conter a disseminação da doença no Estado do Rio de Janeiro

–  Considerando as medidas recentes divulgadas pelo Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro determinando a restrição da movimentação de pessoas e normatizando o acesso da população aos Serviços de Saúde

–  Considerando que para a contenção da disseminação da doença, além das medidas restritivas à aglomeração de pessoas, torna-se essencial que as vagas para atendimento disponibilizadas nos Serviços de Saúde para esta demanda excepcional estejam acompanhadas de condições de segurança e número suficiente de profissionais de saúde para execução desta tarefa

Recomenda:

Art 1º – Em Clínicas e ambientes hospitalares

1 –   Os profissionais de saúde, na rede pública e privada,  só devem atender a população de risco com o uso do de equipamentos de proteção individual (EPI),  compostos, minimamente, de máscaras de proteção, luvas descartáveis e quando for o caso, avental de proteção.

2 –  As Unidades de Saúde obrigam-se a fornecer aos profissionais de saúde este material mínimo

3-  Para atendimento médico é suficiente a utilização de máscara cirúrgica padrão,  além do avental e luvas descartáveis. Para procedimentos que coloquem o profissional em contato direto com secreção do paciente é obrigatório o uso de máscaras padrão N95 e óculos de proteção. Em Unidades intensivas e semi-intensivas é obrigatório o uso de máscara padrão N95

4 – Nas salas de espera de atendimento das clínicas e hospitais (triagem e/ou acolhimento) deve ser respeitado o espaço mínimo de segurança entre as pessoas em espera de 1 metro de distância para todos os lados. Lotado o espaço reservado para espera, os eventuais pacientes devem aguardar avaliação do lado de fora da Unidade de Saúde.

5 – Pacientes portadores de febre e tosse devem também utilizar mascaras de proteção, desde sua entrada na Unidade de Saúde, sendo estas máscaras fornecidas pelo serviço de saúde. As máscaras deverão estar disponíveis em local visível na entrada das unidades.

6 – A autoridade sanitária deve promover campanha de esclarecimento à população, no sentido de restringir ao máximo sua ida as Unidades de Saúde.  A população deve ser alertada para o risco da visita desnecessária ao Hospital.    No caso de suspeita de infeções respiratórias compatíveis com COVID 19, os pacientes devem, inicialmente, permanecer recolhidos em sua residência, devendo comparecer as Unidades de Saúde apenas se portadores de febre, tosse e dificuldade respiratória.

7 – A previsão de vagas de atendimento nas Unidades de Saúde estabelecidas pela Autoridade Sanitária deve, necessariamente, ser compatível com o número de profissionais médicos de saúde existentes para o atendimento, todos devidamente habilitados e aptos ao exercício desta atividade.

Art 2º  – Em Consultório Médico

1 – É obrigatório a existência, no consultório médico, do equipamento mínimo de proteção individual,  composto de máscara e luvas descartáveis.   A critério do médico pode também ser utilizado na consulta aventais descartáveis.

2 –  Os equipamentos de proteção devem, obrigatoriamente, ser utilizados pelo médico no atendimento de pacientes portadores de febre e tosse.    A critério do médico, os equipamentos podem ser utilizados em todo tipo de consulta.

3 – Entre cada consulta e/ou procedimento, independente do uso de luva, o médico deve, preferencialmente, à vista do paciente,  lavar as mãos com  agua e sabão e/ou álcool 70º.

4 –  Sugere-se, fortemente, que os pacientes portadores de febre e tosse também utilizem máscaras de proteção.     Essas máscaras podem ser fornecidas pelo médico ou trazidas pelo próprio paciente.   O atendimento pode ser restringido aos pacientes protegidos com máscara.  Neste caso, os pacientes devem ser, previamente, informados que só terão acesso ao consultório em uso das máscaras solicitadas.

5 –  O número de pacientes e acompanhantes esperando na sala de espera deve ser compatível com o espaço existente,  garantindo a distância mínima de 1 metro para todos os lados entre as pessoas presentes na sala de espera.     Estando esta cheia, os pacientes e acompanhantes devem ser orientados a esperar fora da sala, preferencialmente na recepção do empreendimento ou em local aberto.

6 – Deve ser permitida a presença do menor número possivel de acompanhantes dos pacientes.  Esta restrição deve ser avisada no momento da marcação da consulta.  Reduzir ao máximo a presença de objetos que possam servir de fonte de contágio de infecção, como livros e brinquedos nos consultórios pediátricos

7 –  Na recepção do consultório deve ser disponibilizada solução de álcool  70º para uso dos paciente e acompanhantes na sua entrada.

Art 3º- Esta recomendação entra em vigor imediatamente, vigorando enquanto durar a pandemia de corona vírus no país.

Sobre a realização de procedimentos e cirurgias eletivas no Estado do Rio de Janeiro na vigência da pandemia de COVID-19, o CREMERJ, no uso de sua competência atribuída pela Lei 3268/57 e pelo Decreto Lei 44.045/58,

CONSIDERANDO a excepcionalidade causada pela ocorrência da pandemia do COVID-19 e a necessidade de conter a disseminação da doença no Estado do Rio de Janeiro

–  CONSIDERANDO as medidas recentes divulgadas pelo Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro determinando a restrição da movimentação de pessoas e normatizando o acesso da população aos Serviços de Saúde

–  CONSIDERANDO que para a contenção da disseminação da doença, além das medidas restritivas à aglomeração de pessoas torna-se essencial que as vagas para atendimento disponibilizadas nos Serviços de Saúde para esta demanda excepcional estejam acompanhadas de condições de segurança e número suficiente de profissionais de saúde para execução desta tarefa

–  CONSIDERANDO que os pacientes portadores de doença CRÔNICA representam em torno de 25 a 50% dos pacientes infectados, e que apresentam maiores taxas de mortalidade;

–  CONSIDERANDO que os pacientes com câncer apresentam taxa de mortalidade de 5,6%;

–  CONSIDERANDO que os pacientes com hipertensão arterial sistêmica  apresentam taxa de mortalidade de 6%;

–  CONSIDERANDO que os pacientes com diabetes apresentam taxa de mortalidade de 7,3%;

–  CONSIDERANDO que os pacientes com doença cardiovascular apresentam taxa de mortalidade de 10,5%;

–  CONSIDERANDO que os fatores associados a maior chance de morte são: idade acima de 50 anos, presença de doenças crônicas;

–  CONSIDERANDO que 60% dos pacientes apresentam alterações radiológicas no tórax e 89% alterações na tomografia de tórax;

–  CONSIDERANDO que os pacientes com doença cardiovascular tem maior chance de se contaminar com o vírus;

–  CONSIDERANDO que a realização de cirurgias eletivas que demandem pós-operatório em CTI pode obstruir um leito de terapia intensiva em caso de necessidade

–  CONSIDERANDO que a realização de cirurgias eletivas aumenta a circulação de pessoas nas ruas (Acesso aos hospitais) e dentro dos hospitais (responsáveis e visitas)

–  CONSIDERANDO a decisão do dia 12/03/2020 da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que suspende a cobrança de cumprimento pelas operadoras de saúde de prazos de atendimento para a realização de procedimentos eletivos.

RESOLVE

–  Recomendar o cancelamento das cirurgias e procedimentos invasivos – eletivos – de pacientes com doença benigna, exceto cirurgias cardíacas e aqueles cuja suspensão possa gerar risco a curto prazo para a saúde do paciente.

–  Recomendar o cancelamento das cirurgias e procedimentos invasivos – eletivos – em pacientes com fatores de risco (Idade maior de 50 anos, hipertensos, diabéticos, cardiopatas, pneumopatas, renais crônicos e tabagistas) para o agravamento da COVID-19

–  Recomendar o preenchimento de consentimento informado específico (ver anexo), para as cirurgias e procedimentos invasivos – eletivos.

–  Recomendar o cancelamento de cirurgias que necessitem o uso de leitos de terapia intensiva, exceto os casos considerados urgências, emergências, procedimentos e cirurgias oncológicas / cardíacas.

–  Recomendar que o Responsável Técnico da unidade hospitalar mantenha reservados os leitos de terapia intensiva para a epidemia de tal forma que as cirurgias e procedimentos invasivos – eletivos – não deixem pacientes de Covid 19 sem acesso a leitos dessas unidades.

porCIPERJ

Coronavírus eleva demanda por médicos virtuais e expande Telemedicina

fonte: Associação Paulista de Medicina

Em toda o Planeta, cresce a demanda pelo atendimento médico virtual em razão da pandemia de Coronavírus. Na China, as novas tecnologias foram determinantes para conter a evolução. A distâncias quilométricas, milhares de atendimentos eram realizados on-line. Breves consultas eram suficientes para a triagem de casos simples, que exigem descanso e prescrição de medicamentos, daqueles em que era de fato necessário apoio médico-hospitalar.

Taiwan, Tailândia, Japão, Coréia do Sul, França, Canadá e Estados Unidos também recorrem às novas tecnologias em saúde para estancar o avanço do COVID-19. E no Brasil? Estamos prontos para uma intervenção desse nível, o que provavelmente parece que será prudente?

Realidade brasileira
Em nosso País, de forma preocupante, a Telemedicina parece ainda engatinhar. Ao menos no campo regulatório, em que data de 2002 a mais recente normativa do Conselho Federal de Medicina sobre o tema.

O atraso, no tempo e no espaço, explica resultado de recente pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina, com 2.258 médicos brasileiros, das 55 especialidades, sendo 60,54% de sexo masculino e 39,46% feminino.

Para 43,76% dos entrevistados, a falta de regulamentação é a grande barreira na utilização de ferramentas de comunicação on-line para assistir ao paciente. Outros 32,11% entendem que não existem barreiras e dizem que utilizariam as ferramentas.

64,39% dos médicos querem uma regulamentação que permita a ampliação de serviços e atendimentos à população brasileira, incluindo a teleconsulta (médico direto com o paciente). Já 63,06% utilizariam a Telemedicina como uma ferramenta complementar ao atendimento da clínica/hospital, a partir do momento em que houver uma regulamentação oficial do CFM e com os recursos tecnológicos necessários para segurança e ética da Medicina. 25,16% talvez utilizariam, sem se opor, e apenas 11,78% não utilizariam.

Aliás, 90% dos médicos acreditam que as novas tecnologias digitais, que possuam alto padrão de segurança e ética, podem ajudar a melhorar a assistência em saúde à população.

A pesquisa da APM começou a ser divulgada há uma semana (no dia 10 de março), sendo levada à comunidade médica e agora a todos os órgãos de imprensa. A base de dados utilizada contemplou os médicos associados da APM e de associações médicas parceiras de vários pontos do Brasil. O questionário foi aplicado por meio da ferramenta Survey Monkey.

Dados mostram ainda que 90% dos profissionais também entendem que o sistema público de saúde poderia ser beneficiado com novas ferramentas tecnológicas digitais capazes de diminuir as filas de espera por um atendimento especializado.

Dados a se destacar
As informações mostram que os médicos têm endossado muito mais a interação com os pacientes por meio de tecnologias. 65,19% deles utilizam o WhatsApp (e aplicativos similares) para interagir com o paciente e/ou familiares fora do atendimento na clínica ou no hospital. Outros 16,83% mantêm interação por telefone, enquanto 5,67% optam pelo e-mail. Apenas 11,51% dos pesquisados não utilizam nenhum meio de comunicação fora das consultas.

Desta maneira, somando os porcentuais relativos às formas de diálogo entre médicos e pacientes via aplicativos de mensagens, e-mail ou chamadas de voz por telefone, 88,49% dos participantes acompanham seus pacientes além do atendimento presencial. Para 58,50% dos pesquisados, o uso de ferramentas de comunicação com pacientes é diário, enquanto 24,84% utilizam algumas vezes na semana.

Por outro lado, as horas dispensadas pelos médicos no contato extra consulta (independente da forma) ainda deixam 99% dos profissionais sem saber como seria o estabelecimento de remuneração ou se haverá a consolidação do entendimento de que o custo está embutido na consulta presencial.

Em termos de Telemedicina, a Telerradiologia foi apontada como a forma mais conhecida entre os médicos (76,75%), seguida pela Telecardiologia (45,53%). Entre os diversos tipos de atuação citados, 30,7% dos pesquisados afirmaram que já utilizam alguma forma de Telemedicina.

Ainda de acordo com o levantamento, 60,98% dos médicos utilizam tecnologia em seus consultórios e/ou hospitais para o armazenamento de informações do paciente e 39,02% afirmam não usar nenhum tipo de tecnologia. A ferramenta tecnológica mais usada no cotidiano das clínicas e hospitais ainda é o prontuário eletrônico, com 48,10%; softwares de gestão de consultórios para agendamento de consultas vêm em seguida, com 18,4%; e armazenamento de dados em HD ou nuvem soma 17,5%.

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Covid-19: nota da Anvisa orienta profissionais de saúde

fonte: Anvisa

A Anvisa atualizou as orientações destinadas aos serviços de saúde sobre as medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas na assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19).

As atualizações foram focadas nas orientações sobre o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) por profissionais de saúde, como uma das formas de evitar contágio, e o manejo e descarte do lixo – materiais usados durante o atendimento (resíduos).

Também foram acrescentadas informações direcionadas aos serviços de diálise, destinados aos pacientes com problemas renais e necessidade de filtragem de sangue, e aos serviços de atendimento odontológico. Além disso, a Anvisa atualizou os procedimentos e cuidados que os profissionais dos serviços de saúde devem ter no manejo dos cadáveres.

As informações atualizadas podem ser consultadas na Nota Técnica 04/2020, da Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS), vinculada à Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES).

Confira a nota na íntegra.

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Hemorio inicia coleta de sangue no Corpo de Bombeiros do RJ

fonte: Agência Brasil

O Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio) iniciou hoje (19) a coleta externa de sangue no Quartel Central do Corpo de Bombeiros. Segundo afirmou o diretor do Hemorio, Luiz Amorim, o estoque do banco de sangue do instituto “está muito ruim, como em todo o Brasil, mas especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, que são as unidades mais afetadas (pelo coronavírus)”.

O médico considerou acertada a recomendação das autoridades para que a população não saia de casa e faça o isolamento social. “É uma medida fundamental no controle e prevenção da pandemia. Mas isso significa também que as pessoas não saem de casa para doar sangue”, advertiu. “A gente precisa que as pessoas saiam de casa com esse fim específico de doar sangue, porque senão vai faltar sangue (para quem precisar)”.

O Hemorio tomou algumas precauções para que os doadores mantenham distância uns dos outros em suas instalações. Foram retiradas algumas cadeiras para abrir o espaço e foi permitida a entrada de pequenos grupos para evitar aglomeração e tornar a doação de sangue mais segura.

Luiz Amorim informou que até a semana passada o instituto manteve um nível de doação dentro do normal. A partir da última segunda-feira (16), porém, houve queda de 50% a 60% do serviço no Hemorio e nos demais serviços da rede. Em todo o estado, a queda foi de aproximadamente 80% no total de bolsas coletadas.

Amorim alertou que se não houver uma reversão desse quadro de doadores, os estoques vão durar pouco tempo. “A gente precisa muito que os doadores procurem o Hemorio ou outro serviço perto de sua casa”. O diretor lembrou que, na zona sul, o Hospital de Laranjeiras dispõe de um serviço de doação de sangue. O mesmo ocorre no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), em Vila Isabel, zona norte. Todos os endereços podem ser encontrados no ‘site’ do Hemorio (www.hemorio.rj.gov.br). “Realmente, a gente precisa muito”, insistiu.

Coletas móveis

Luiz Amorim disse que, atualmente, os estoques dos bancos de sangue dependem muito do sistema de coleta móvel nas entidades, escolas, empresas, universidades, igrejas, mas a maioria delas não está funcionando devido à pandemia do coronavírus. Este mês, as 65 coletas externas que estavam programadas foram canceladas.

A direção do Hemorio está entrando em contato também com as polícias Civil e Militar do estado, Guarda Municipal e com o Exército, em busca de novos doadores. Estão sendo feitos contatos ainda com municípios próximos à capital, com o mesmo objetivo. Amanhã (20), técnicos do instituto visitarão a cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense. Quem tiver interesse em fazer uma coleta externa no local de trabalho ou de moradia pode telefonar para o instituto pelo número gratuito 0800 282 0708 e agendar a doação.

Transfusão x vírus

O diretor do Hemorio informou que não existe nenhum teste em nenhum lugar do mundo para identificar se o doador está contaminado pelo coronavírus. Os servidores que atuam na recepção do instituto foram orientados no sentido de não deixar entrar qualquer pessoa que apresente algum sintoma respiratório, como tosse, coriza, falta de ar, mesmo que não tenha viajado ao exterior recentemente, nem tenha tido contato com alguém contaminado, Essa pessoa deverá ser encaminhada a uma unidade de saúde. Amorim destacou que se essa pessoa entrar no Hemorio, passará por uma nova triagem que poderá determinar sua retirada do instituto.

“O mundo inteiro, na verdade, tem agido dessa maneira porque não há um teste específico para determinar se o sangue de um doador está contaminado”. Amorim salientou que não há também evidências de que esse vírus seja transmissível por transfusão. “Ele é transmitido por via respiratória”.

O diretor do Hemorio observou que vírus semelhante batizado coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV, do nome em inglês) teve o primeiro registro relatado em 2012, após o sequenciamento do genoma de um vírus isolado de amostras de escarro de pacientes que ficaram doentes em um surto de uma nova gripe de 2012. Em abril de 2014, casos de Mers-CoV foram relatados em vários países, como Arábia Saudita, Malásia, Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Tunísia e Filipinas. O número de casos da doença chegou a 238, com 92 mortes. Mas nenhum desses casos teve transmissão por transfusão, destacou Amorim. Por isso, reiterou que, “muito provavelmente, não há transmissão do (novo) coronavírus por transfusão”.

Em toda a rede estadual, a média alcança 500 doadores de sangue por dia. Nos próximos dias, o Hemorio estará divulgando a agenda da semana que vem, com a indicação dos locais onde os técnicos estarão para fazer a captação de sangue.

Doadores

Para doar durante o período de pandemia, a pessoa precisa ter entre 16 e 69 anos de idade e pesar, no mínimo, 50 quilos. É necessário estar bem de saúde. Todos os doadores devem apresentar documento de identidade oficial com foto. O Hemorio informa que não é necessário estar em jejum, bastando apenas evitar comer alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e não ingerir bebidas alcoólicas 12 horas antes.

porCIPERJ

Insumos hospitalares registram aumentos acima de 1.000%

fonte: Agência Brasil

A Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp) divulgou levantamento no qual aponta a falta e o aumento abusivo de preços de materiais e medicamentos de uso dos serviços de saúde. De acordo com a entidade, foram identificados aumentos de mais de 1000% em insumos hospitalares.

Diante da situação, o presidente da Fehoesp, Yussif Ali Mere, encaminhou ofícios ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e às secretarias estadual e municipal de São Paulo no qual diz ser urgente atuar contra os abusos para que os serviços de saúde possam garantir o atendimento digno e de qualidade à população.

“Precisamos que as autoridades de saúde fiscalizem o que está ocorrendo e deem solução emergencial”, disse por meio de nota o presidente da federação. Segundo ele, o problema atinge, principalmente, serviços de saúde de pequeno e médio porte.

De acordo com o levantamento, estão em “falta crônica” álcool gel a 70%, máscaras e vários medicamentos, que inclusive não estão relacionados ao coronavírus.

O levantamento cita especificamente alguns produtos. Uma caixa com 50 unidades de máscara tripla com elástico, por exemplo, que custava R$ 4,50 em janeiro aumentou para R$ 35 no começo de março e, no dia 17, já estava a R$ 140.

Outro produto citado pela Fehoesp é a luva descartável de procedimento. Uma caixa com 200 pares custava R$ 14,70 em fevereiro. No início de março ela custava R$ 17,90 e, depois R$ 22,00. Já o cateter 22, que no começo do mês era vendido a R$ 0,65, atualmente é encontrado com preços na faixa de R$ 2,46 a unidade.

Uma ampola de 40mg de Omeprazol que custava R$ 5,72 no dia 10, dois dias depois passou a custar R$ 15,20. O Berotec de 20 ml, medicamento usado para inalação, custava, no dia 5, R$ 2,45. Agora ele está a R$ 13,25.

Fabricantes

Contatado pela Agência Brasil, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Paulo Henrique Fraccaro, informou que a entidade, que representa os fabricantes desses produtos, não tem controle sobre os preços que são cobrados na ponta. “Além disso, as planilhas de custos de vários produtos estão sempre sob sigilo”, disse, ao relatar a dificuldade que se tem para identificar ocorrências de sobrepreço.

Fraccaro, no entanto, admite ser possível que “pessoas estejam cometendo excessos”, mas pondera que há vários fatores que podem ter resultado no aumento do preço final desses produtos.

“Não temos ideia do impacto da alta do dólar. Outra coisa: há fornecedores de matéria prima que, sabendo da demanda que estava por vir, também aumentaram os preços. Há também o fato de que muitas das matérias primas são importadas e não vêm de navio, e sim de avião. Outra coisa que pode resultar no aumento dos preços é a necessidade de pagarmos mais horas extras [para aumentar a produção]”, explicou Fraccaro.

Ele lembra que a demanda atual está acima da capacidade da produção. “E, na fase crítica, muitos países deixaram de exportar produtos que não temos por aqui, ou temos em uma quantidade menor do que a da demanda”.

“De fato é uma situação que não deixa nada a desejar ao que ocorre durante uma guerra. É muito difícil entender o que é abuso e o que é real”, completou.

porCIPERJ

No Rio, quase 16 mil voluntários se apresentam para reforçar saúde

fonte: Agência Brasil

Mais de 15,8 mil estudantes e profissionais de saúde atenderam a um chamado do governo do Rio de Janeiro e se apresentaram como voluntários para atuar no combate ao novo coronavírus nos últimos dois dias.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, 56% são estudantes e 44% são graduados, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outras formações na área da saúde. Os voluntários reforçarão as equipes das unidades de assistência a pacientes diagnosticados com covid-19 em todo o estado. Para o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, a possibilidade de salvar vidas é o que está motivando as pessoas a se candidatar.

“A solidariedade fará a diferença com os voluntários fortalecendo o combate no atendimento para pacientes com coronavírus. Quanto mais pessoas inscritas, menos mortes. Uma corrente de solidariedade está se formando em todo o estado. Mas reforço que a população deve seguir as medidas de não se deslocar, ficando em casa”, disse Edmar, em nota.

Entre os voluntários está a médica Cristina Quadrat, 56 anos. Com mais de trinta anos de profissão, ela já atuou no voluntariado durante a epidemia de ebola, em 2014.

‘’Nesse momento, toda ajuda é bem-vinda. Sabemos que a crise pode aumentar e eu me sinto feliz e ansiosa em poder auxiliar o máximo de pessoas nesse cenário tão difícil’’, afirmou.

Enquanto alguns voluntários têm muitos anos de experiência, no outro extremo estão estudantes da área de saúde, como Douglas Borges, 19 anos, que cursa enfermagem. Ele e seus colegas de turma souberam do programa de voluntariado por meio das redes sociais

“Não é um medo ficar na linha de frente no combate do novo vírus, porque eu sinto que nasci para ajudar num momento como esse. Por isso, escolhi a profissão. É importante que as pessoas fiquem em casa, porque nós estamos indo pra rua, pros hospitais, para cuidar de quem realmente precisa”, contou.

Para equipar os milhares de voluntários que combaterão o novo coronavírus e os profissionais de saúde, a Secretaria comprou 1,5 milhão de máscaras cirúrgicas, 150 mil máscaras de proteção, 300 mil óculos de proteção e 600 mil aventais, além de gorros cirúrgicos e luvas de proteção.

As inscrições para participar do programa voluntário de combate ao novo coronavírus podem ser feitas pela internet. Ao realizar o cadastro, é importante que o candidato insira seu telefone e e-mail atualizados para contato.

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Fique em casa, mas defenda o SUS

fonte: Folha de SP

por Deisy Ventura, professora titular da Faculdade de Saúde Pública e coordenadora do programa de doutorado em Saúde Global e Sustentabilidade da USP

A pandemia de coronavírus é uma dor aguda que escancara as nossas dores crônicas. É sabido que nem o mais rico entre os países estaria preparado para o afluxo súbito de milhares de pessoas acometidas por uma doença até então desconhecida, para a qual não há vacina nem tratamento específico. Porém, há uma larga diferença entre os pontos de partida, entre as nações que contam com estruturas construídas ao longo de décadas e as que precisam partir quase do zero.

Logo, os brasileiros não cansam de perguntar se o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para a pandemia. Poucos sabem que temos o maior sistema de acesso universal à saúde do planeta, referência internacional não só por seu alcance mas pela excelência de diversos de seus programas, entre eles os que são capazes de prevenir as doenças, como os Agentes Comunitários de Saúde.

No entanto, em sua própria casa, como um gigante inacabado e maltratado, o SUS costuma ser percebido mais por seus tombos do que pela grandeza. Somos bombardeados há anos com imagens de equipamentos de saúde que fecham, longas esperas, atendimentos sumários, casos de corrupção e má gestão, filas e mortes evitáveis. Enquanto as causas raramente são vistas, os efeitos nefastos são amplamente propalados.

Daí resulta que somos um dos mais bem preparados países em matéria de resposta às pandemias, mas justamente as nossas maiores virtudes estão sendo enfraquecidas ou eliminadas.

Ao longo dos anos, o Brasil desenvolveu capacidades decisivas para fazer frente às emergências. Contudo, políticas de austeridade, ausência de prioridade política, privatização desafortunada, propaganda ideológica, fundamentalismo religioso e outras mazelas vêm comprometendo programas que outrora foram florões da saúde pública brasileira. A indiferença quanto à dilapidação deste patrimônio nacional explica-se pela existência de duas saúdes: uma para os pobres e a outra para os remediados e ricos. Essa dualidade, além de indecente, compromete a segurança de todos nós.

Justamente quando se vê convertido em grande laboratório global do avanço do novo coronavírus — por ser um país em desenvolvimento com dimensão continental e população que ultrapassa os 200 milhões de habitantes—, o Brasil descobre o tesouro que está por perder. Além de sua estrutura complexa que envolve as três dimensões federativas, existe a massa crítica oriunda de um potente sistema público de formação e pesquisa, fruto do investimento dos recursos dos contribuintes brasileiros e hoje ameaçado.

Ao enfim perguntar-se como de fato anda o SUS, a parte mais aquinhoada dos brasileiros descobre o heroísmo do pessoal de saúde do sistema público, que inclui a pouco valorizada excelência de nossa pesquisa científica em diversas vertentes, mas descobre também a penúria de recursos humanos, de equipamentos de proteção individual, de leitos e dos mais variados insumos.

As disfunções estão longe de ser novidade para quem conhece o sistema. Há anos os profissionais do SUS padecem de fadiga crônica, baixos salários, ausência de incentivo à progressão na carreira ou precarização absoluta de seu trabalho via privatização de serviços. Muitos atuam em condições degradantes, com falta de material e equipamentos, e se sentem sufocados pelos limites que a escassez de meios impõe ao sistema. Os casos de violência física ou moral contra profissionais de saúde somam-se à sua penosa impotência diante dos fatores econômicos, políticos e sociais que determinam a saúde das pessoas, ou a ausência dela.

Entre os milhares de brasileiros ora pendurados nas janelas para aplaudir o pessoal da saúde, poucos mobilizaram sua voz e seu voto em favor do SUS. Oxalá não se trate de uma paixão passageira movida pelo temor. Somos todos beneficiários dos programas de imunização, dos serviços de vigilância sanitária e epidemiológica, das estratégias de prevenção de doenças, entre tantas outras missões que somente um sistema público, com ação baseada em evidências científicas, pode cumprir.

Que esta pandemia deixe um legado construtivo apesar da imensa dor. Que cada brasileiro entenda a diferença entre ter e não ter o SUS, sabendo que sua segurança depende, de forma decisiva, do grau e da qualidade do investimento público em saúde.