Arquivo mensal maio 2020

porCIPERJ

Tratamento com anticorpos contra coronavírus deve chegar antes de vacina

fonte: Folha de SP

Cientistas de diversos países estão engajados no desenvolvimento de terapias para a Covid-19 baseadas em anticorpos. Resultados de estudos em fase inicial indicam que há uma boa chance de que o método funcione contra a doença, mas ele é considerado caro e depende de fábricas bem equipadas para manter uma produção adequada, que responda à demanda.

Na avaliação de especialistas, o uso desses anticorpos como um remédio deve estar disponível antes de uma vacina, uma vez que os experimentos que atestam eficácia e segurança são mais simples e podem ser realizados em menos pessoas e em um período de tempo mais curto.

Quando o corpo percebe a entrada do vírus, ele passa a produzir as proteínas que podem nos defender do invasor —os anticorpos. Quando o paciente não consegue gerar naturalmente a defesa contra o Sars-CoV-2 de forma eficiente, o parasita se multiplica e migra para outros órgãos que possuem em suas células o receptor ECA-2, ao qual o vírus se conecta.

Entre as partes que podem ser infectadas pelo novo coronavírus estão o sistema respiratório, o intestino e os rins.

“Ainda estamos construindo o conhecimento sobre a Covid-19, mas há indícios de que a inflamação que ela causa nos pacientes em estado mais grave não permite que os anticorpos cheguem a ser produzidos”, explica a bióloga Ana Maria Moro, diretora do Laboratório de Biofármacos do Instituto Butantan.

“Um produto com os anticorpos poderia fornecer o que a pessoa não conseguiu produzir por conta própria e evitar que o vírus chegue a outras partes do corpo”, completa.

Um princípio semelhante é usado no tratamento que usa o sangue de pessoas recuperadas da Covid-19, já praticado no Brasil. Na terapia, é usada a parte líquida do sangue, chamada de plasma, que contém os anticorpos policlonais —uma variedade de proteínas protetoras produzidas por aquela pessoa.

“Uma pessoa produz vários anticorpos diferentes, nossa capacidade de produzir essas proteínas é imensa. Mas nem todas elas podem neutralizar o vírus”, diz Moro.

Assim, o ideal seria um tratamento que usasse os anticorpos monoclonais, ou seja, cópias de um único anticorpo com a função específica de combater o Sars-CoV-2.

Para desenvolver a terapia, os cientistas fazem uma investigação dos anticorpos gerados pelo organismo dos recuperados da doença, testando as diversas moléculas dessa grande biblioteca de anticorpos.

Os experimentos são feitos em culturas de células infectadas pelo vírus. O anticorpo mais potente para barrar a infecção pode seguir para os testes em animais e pessoas. Uma vez aprovado, é necessária a produção de uma célula que seja capaz de fazer a multiplicação daquele anticorpo, funcionando como uma fábrica.

Mais de uma proteína deve funcionar contra a doença, segundo Wilma Carvalho Neves Forte, médica e professora de imunologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP).

“Sabemos que são várias chaves que podem abrir essa fechadura, mas algumas vão funcionar melhor do que outras”, afirma a médica.

Entre publicações de artigos científicos, relatórios e comunicados, sabe-se que dezenas de empresas e universidades já encontraram um bom candidato a ser usado nesse tratamento.

No início de maio, um grupo de cientistas de universidades europeias publicou resultados que demonstraram a eficiência de um anticorpo humano para bloquear a infecção pelo novo coronavírus em cultura de células.

O artigo que descreve o estudo foi publicado no periódico Nature Communications, revista de acesso gratuito publicada pelo mesmo grupo responsável pela prestigiosa Nature.

Mas assim como a variedade de anticorpos que os humanos produzem é grande, as possibilidades de tratamento com essas proteínas também são diversas. Um grupo de pesquisadores de instituições chinesas, por exemplo, conseguiu usar uma dupla de anticorpos como um antiviral contra o Sars-CoV-2.

No artigo, publicado na revista Science em 13 de maio, os cientistas afirmam que o par de anticorpos foi capaz de reduzir a quantidade do vírus em pulmões de ratos.

Em outra pesquisa, um grupo de cientistas de universidades e empresas europeias e norte-americanas encontrou um anticorpo capaz de bloquear a infecção pelo novo coronavírus e o seu parente mais velho: o Sars-cov, causador de um surto de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em 29 países entre os anos de 2002 e 2003. Os resultados promissores foram publicados no dia 18 de maio na revista Nature.

Uma promessa mais ousada vem da empresa sul-coreana Celltrion, que no fim de março anunciou ter planos de desenvolver um “superanticorpo”, que seria capaz de neutralizar todos os tipos de coronavírus, inclusive suas possíveis mutações. A substância também poderia ser útil em futuras pandemias.

Todos esses anticorpos devem passar para outras fases de pesquisa, com testes em animais e pessoas que avaliem a segurança e a eficácia de seu uso.

De acordo com Forte, é possível o uso de anticorpos também para prevenção. “Mas, inicialmente, a prioridade deve ser o uso nos pacientes com a doença”, afirma.

“Anticorpos são moléculas muito caras e que precisam de uma produção imensa”, lembra Moro. Pelo menos em um primeiro momento, o Brasil teria de importar o material, de acordo com a cientista, que também conduz pesquisas com anticorpos para coronavírus no Instituto Butantan.

Para Moro, o uso dos anticorpos de maneira preventiva não exclui a necessidade do isolamento social, mas pode ser uma opção para barrar a contaminação entre os profissionais da saúde que lidam diretamente com pacientes da Covid-19.

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Nota de falecimento: Dr. Ruy Archer

A Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro (CIPERJ) comunica, com pesar, o falecimento do Dr. Ruy Archer, um dos pioneiros da Cirurgia Pediátrica no país. Ele faleceu nesta sexta-feira, em Brasília, onde residia, aos 96 anos.

Dr. Ruy Archer nasceu no Maranhão, formou-se em Medicina em 1948 pela UFRJ, depois atuando no Hospital Getúlio Vargas. Após um período nos EUA, retornou e passou em concurso para o serviço de Cirurgia do Hospital Municipal Jesus, onde logo em seguida criou o serviço de Cirurgia Pediátrica do hospital e foi o primeiro chefe do serviço.

A diretoria da CIPERJ presta sua solidariedade e sentimentos nesse momento de dor a seus amigos e familiares.

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Como a COVID-19 acelerou os planos do DataSus

fonte: Saúde Business

Durante o webinar da Associação Brasileira de Estudos Populacionais e o Fundo de População da ONU, Jacson Barros, Diretor do Departamento de Informática do SUS (DATASUS/Ministério da Saúde) contou um pouco sobre os desafios na produção de dados populacionais no contexto da COVID-19.

Especialmente sobre as dificuldades enfrentadas na linha de frente no combate à pandemia, o responsável pela implementação da saúde digital no Brasil, diz que, apesar das várias dificuldades enfrentadas, é um momento muito bom para acelerar iniciativas.
“Antes de iniciar o COVID, nós estávamos trabalhando em um projeto chamado Conecte SUS, em Alagoas, que consistia na criação de uma rede de dados na área da Saúde”, disse Jacson. Em março ocorreria o início da validação do modelo da rede de dados, a partir do monitoramento e avaliação dos processos realizados nos municípios alagoanos. Seria uma quebra de paradigma reunir os dados dentro de uma plataforma nacional. Um dos grandes aprendizados dessa fase foi conseguir migrar parte do Data Center para a nuvem.
Com a demanda do coronavírus, o projeto foi pausado, e os esforços se voltaram para o desenvolvimento de um aplicativo para informar a população sobre a doença. O desafio foi o desenvolvimento em 2 dias, logo no início da pandemia. O objetivo do aplicativo era captar informações sobre a COVID, mas sem CPFs, ou seja, não havia correlação do ponto de vista populacional.
“O aplicativo foi feito em dois dias. Ele não foi criado de forma massiva, foi criado com o que tínhamos no momento, reaproveitado de outro aplicativo. Mas devido ao sucesso na divulgação, saiu de uma escala de milhares para milhões e a sua proposta teve que ser alterada. Isso permitiu que pudéssemos usar o aplicativo para captar outras informações”. A segunda versão contou com aprimoramento da performance, mensagens push e conexão com o TeleSuS, canal criado pelo Ministério da Saúde para verificar sintomas e esclarecer as suas dúvidas sobre o novo coronavírus
Uma das informações colhidas nesse momento foi sobre síndrome gripal leve, para analisar o panorama pré-COVID. Esse sistema teve o prazo de 4 dias para o desenvolvimento, Jacson explica que isso só foi possível pela experiência anterior na nuvem. Hoje o aplicativo atinge cerca de 10 mil acessos simultâneos no país. Outra demanda foi a captação ativa das informações dos usuários, na qual um robô liga para pessoas acima de 50 anos perguntado sobre o seu estado de saúde. Já foram realizadas mais de 120 milhões de interações.
Com a junção de todas essas informações, acabou-se criando uma grande massa de dados em relação ao Covid-19. Segundo o diretor do DataSus, o primeiro ponto focal foi a captura de dados, e em um momento posterior, a disponibilização dos mesmos. Inclusive para a comunidade, com o intuito de fomento a pesquisa.
O segundo grande grupo de ações está relacionado ao projeto de Alagoas, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RDNS). Ainda não pode-se dizer que é um prontuário eletrônico, mas é certamente uma quebra de barreira em relação à troca de informação segura em saúde. O sistema tem como foco o resumo do atendimento, sumário de imunização, medicamentos dispensados e exames realizados. O último item, ainda em andamento.
“A RDNS é o motor que propicia tudo isso. Já implementamos a RNDS em todos os estados nacionais. É como se tivéssemos várias caixas d’água, uma para cada estado. Mas elas estão vazias porque não focamos em enchê-las com outros dados. Enchemos, por hora, de exames realizados sobre COVID-19”, explica Jacson, e continua, “No momento que começarmos a receber os dados de todos os laboratórios nacionais, eles vão cair nesse motor que vai trafegar todas as informações e disponibilizar essa informação para quem precisa”. Sobre o projeto, ele comenta: “Foi uma anarquia completa!”. Foram realizadas APIs com os municípios para o fluxo de dados e notificações, uma ação muito bem recebida e com alto engajamento.
O terceiro grupo de ações, também ligado à conectividade, é sobre a disponibilização de internet nas quase 50 mil Unidades de Saúde da Família. Como todos os dados integrados, vindos de diferentes pontos da rede de atenção à saúde, será o primeiro passo para preencher o gap existente entre as informações da atenção primária e especializada. Isso também permitirá que o paciente saiba exatamente quais atendimentos recebeu, e um maior controle do sistema quanto se trata da jornada do usuário e duplicação de exames, mais eficiência e organização para o setor público, e uma melhor oferta de serviços assistenciais para a população.
Sobre os próximos passos, Jacson ressalta o trabalho para a disponibilização dos dados tratados de forma segura e aberta, e a execução do plano de contingência para o COVID-19,  que visa principalmente estabelecer uma estrutura de responsabilidade para tomada de decisão do DATASUS durante a epidemia no auxílio ao governo para enfrentamento dessa emergência de saúde pública.
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CREMERJ divulga recomendação para transmissão de informações a familiares de pacientes de covid-19

O CREMERJ divulgou na quinta-feira, dia 14, a Recomendação Nº 06/2020, que apresenta alternativas para a transmissão de informações diárias sobre o quadro clínico dos pacientes da Covid-19 aos seus familiares.

Um familiar deverá ficar encarregado por meio de autorização, obtida no termo de consentimento específico criada pelo Conselho (acesse aqui). As unidades de saúde poderão utilizar a recomendação da forma que considerarem mais conveniente.

Com o avanço da pandemia da Covid-19, o aumento de internações e a redução de profissionais de saúde, o CREMERJ considera que a transmissão normal de informações, dos pacientes aos seus familiares, não tem sido satisfatória.

O Conselho também deixa a critério da unidade de saúde escolher o meio de contato que será utilizado. Sendo preferível os que não exigem deslocamento de pessoas ao local, como telefônico ou mensagens de texto. Ou ainda, que sejam realizadas videochamadas entre paciente e família, monitoradas pela equipe de saúde.

CONFIRA A RECOMENDAÇÃO

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CREMERJ publica recomendação sobre alocação de pacientes de covid-19

O CREMERJ divulgou, nesta sexta-feira, dia 15, a Recomendação n° 05/2020, que dispõe sobre a utilização de critérios objetivos e transparentes para estabelecer prioridades na alocação dos pacientes em leitos de terapia intensiva e suas intervenções.

A decisão foi tomada pelo Conselho, em razão da situação emergencial causada pelo novo coronavírus (Covid-19), que tem ainda provocado o esgotamento de recursos em toda a rede de saúde do estado do Rio de Janeiro.

A recomendação desconsidera, por exemplo, faixa etária como um tipo de critério e ainda prevê que a assistência integral dos pacientes não eleitos não seja, de forma nenhuma­­­­­ prejudicada.

CONFIRA A ÍNTEGRA DA RECOMENDAÇÃO

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MIT e Harvard preparam máscara que se acende quando detecta covid-19

fonte: Associação Paulista de Medicina

Pesquisadores da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão desenvolvendo uma máscara de proteção que será capaz de detectar se a pessoa está infectada com o novo coronavírus. Sempre que o indíviduo tossir, espirrar ou respirar, uma luz fluorescente se acenderá. Para os cientistas, isso poderá ajudar a sanar o problema da falta de testes, recorrente em muitos países, uma vez que os doutores podem colocar a máscara nos pacientes e descobrir rapidamente, sem precisar levar os exames a um laboratório, se eles têm ou não a covid-19.

A tecnologia será adaptada de um teste feito em 2014 pelo MIT, quando cientistas começaram a desenvolver sensores que poderiam detectar o vírus do ebola uma vez congelado em papel. O laboratório das universidades, em 2018, já era capaz de detectar sars, sarampo, influenza, hepatite C, entre outras doenças, com a ajuda dos sensores.

“A máscara poderá ser usada até em aeroportos, quando passamos pela segurança, ou enquanto esperamos para entrar em um avião. Nós poderemos usá-la para ir trabalhar. Hospitais poderão usar para pessoas em salas de espera ou para avaliar quem está infectado”, afirmou Jim Collins, do MIT, ao site americano Business Insider.

Segundo Collins, o projeto ainda está “no começo”, mas mostrou resultados promissores e, nas últimas semanas, ele e o time de pesquisadores vêm testando o objeto para ser capaz de detectar o coronavírus em pequenas amostras de saliva. A expectativa deles é provar que a teoria funciona também na prática já nas “próximas semanas”.

Os sensores para a identificação precisam de duas coisas para ser ativados: a primeira delas é a umidade, adquirida através da saliva, por exemplo; a segunda é dectectar a sequência genética do vírus. A umidade, então, é congelada no tecido da máscara e pode ficar estável em temperatura ambiente por meses.

Em janeiro, um laboratório em Xangai conseguiu sequenciar o genoma do coronavírus. É com base nisso que a máscara será construída e, uma vez utilizada, poderá detectar a covid-19 de 1 a 3 horas após o uso. Atualmente, o resultado dos testes comuns sai em 24 horas — ou mais.

As máscaras podem ser também uma alternativa aos termômetros, uma vez que eles não conseguem identificar pacientes assintomáticos.

Para que as máscaras atendam à demanda de usuários durante a pandemia da covid-19, seria necessário que elas fossem de baixo custo e pudessem ser produzidas e distribuídas em massa rapidamente. No entanto, essas abordagens de negócio ainda estão distantes porque as máscaras estão em fase de testes.

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CFM divulga primeiro levantamento com denúncias de médicos da linha de frente contra a pandemia

fonte: CFM

Médicos que atuam em unidades de saúde que prestam assistência a casos confirmados e suspeitos de COVID-19 denunciaram ao Conselho Federal de Medicina (CFM) quase 17 mil inconformidades na infraestrutura de trabalho oferecida por gestores (públicos e privados) de todo o País. Entre as principais ‘faltas’ identificadas em 2.166 serviços de saúde, estão a falta de máscaras N95 (ou equivalente), assim como de outros equipamentos de proteção individual (EPIs); a insuficiência ou completa ausência de kits de álcool gel ou 70%, de exames para covid-19; e a carência de equipes de enfermagem (enfermeiros e técnicos). Outro ponto preocupante para os médicos é a dificuldade no acesso a leitos de UTI e de internação.

Os dados fazem parte do primeiro levantamento feito pelo CFM após o lançamento de plataforma online exclusiva aos médicos com inscrição nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Desde o lançamento da ferramenta, entre 30 de março e 6 de maio, um total de 1.563 profissionais acessaram a base.

Principais falhas – De acordo com o levantamento do CFM, a queixa recorrente – cerca de 38,2% dos casos – está relacionada à falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), considerados obrigatórios para o enfrentamento de epidemias. Apesar da recomendação das autoridades sanitárias, como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 1.585 formulários denunciaram falta de máscara N95 ou equipamento equivalente. Também foi notificada falha na oferta de aventais (1.417 relatos), óculos ou protetor facial (1.215), máscara cirúrgica (1.038), gorro (697) e luvas (496).

Falta de EPI (n=6.448 – 38,2%)

N

%

Máscara n95, EPPP ou equivalente

1585

24,6

Avental

1417

22,0

Óculos ou protetor facial

1215

18,8

Máscara cirúrgica

1038

16,1

Gorro

697

10,8

Luvas

259

4,0

Luvas cirúrgicas

237

3,7

No quesito insumos, exames e medicamentos, os relatos de fragilidades no processo de assistência pesaram sobre a ausência de kits de exame para Covid-19, relatada em 937 denúncias. Também foi registrada a falta de medicamentos (697), de material educativo de prevenção contra o vírus (592), acesso a exames de imagem (439), material para uso em UTI (326) e material para curativo (193).

Falta de insumos, exames e medicamentos (n=3.184 – 18,9%)

N

%

Kits de exame para covid-19

937

29,4

Medicamentos

697

21,9

Material educativo (cartazes e folders)

592

18,6

Acesso a exames de imagem

439

13,8

Material para uso em UTI

326

10,2

Material para curativo

193

6,1

A falta de equipes de enfermagem (enfermeiros e técnicos de enfermagem) foi também uma das queixas mais frequentes: 974 formulários destacaram o problema, que representa 42,1% das ‘faltas’ no eixo dos recursos humanos. Outros 590 notificaram carência de médicos, 349 indicavam fragilidade em equipes de apoio – limpeza e cozinha, e 310 denunciaram falta de fisioterapeutas, entre outros.

Falta de Recursos Humanos (n=2.314 – 13,7%)

N

%

Equipe de enfermagem (enfermeiros e técnicos)

974

42,1

Médicos

590

25,5

Equipes de apoio (limpeza e cozinha)

349

15,1

Fisioterapeuta

310

13,4

Outros

91

3,9

Também há falta de material para correta higienização, conforme relatada grande parte dos denunciantes. Pelo menos 702 (30,8%) indicaram a falta de álcool gel ou de álcool 70% (502 relatos). Outros itens básicos de higienização também faltam nas unidades de saúde, como papel toalha (441), sabonete líquido (396) e desinfetante ou outro insumo recomendado (240).

Falta de material para higienização (n=2.281 – 13,5%)

N

%

Álcool gel

702

30,8

Álcool 70%

502

22,0

Papel toalha

441

19,3

Sabonete líquido

396

17,4

Desinfetante ou outro insumo recomendado

240

10,5

Foram alvo de queixas dos médicos, ainda, as falhas no processo de triagem, com destaque para a falta de orientação aos pacientes e acompanhantes (706) e de informação para os profissionais (704). Dificuldades em ter acesso a leitos também foram reportadas. Denunciantes relataram problemas em encontrar leito de UTI adulto (315) e de internação hospitalar (257).

Falha no processo de triagem (n=1.850 – 11,0%)

N

%

Orientação aos pacientes e acompanhantes

706

38,2

Informação para os profissionais

704

38,1

Equipe para atender demanda

440

23,8

 

Dificuldade em acesso a leito (n=802 – 4,8%)

N

%

Leito de UTI adulto

315

39,3

Leito de internação adulto

257

32,0

Leito de UTI pediátrico

141

17,6

Leito de internação pediátrico

89

11,1

Localização – A maioria dos denunciantes relatou problemas em hospitais (930), serviços de Atenção Primária (650) ou pronto atendimento (393). Em menor proporção, também figuram no painel de denunciados os serviços de atenção pré-hospitalar (41); assistência médica ambulatorial, ambulatório médico de especialidades e centros de atenção psicossocial (78); entre outros (tipos de unidades (68). Segundo os médicos denunciantes, quase 85% das unidades em que atuavam prestam serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS), 10% eram privados, 3,4% eram filantrópicos e 1,7% não foi identificada a natureza do serviço.

“Para enfrentar a pandemia, nos adaptamos ao contexto de excepcionalidade da pandemia – com a autorização do uso da telemedicina e mudança nos critérios para funcionamento de UTIs –, mas nunca abrimos mão de uma coisa: os gestores, em todos as esferas, devem estar comprometidos com a proteção e a segurança dos médicos e demais profissionais da saúde, que precisam contar com EPIs e a infraestrutura adequada para salvar vidas”, destacou o presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro.

Segundo ele, os Conselhos de Medicina estão ao lado da população, dos médicos e das equipes que atuam na linha de frente. Por isso, todos os relatos recebidos estão sendo automaticamente direcionados aos Departamentos de Fiscalização dos CRMs dos estados onde estão as unidades indicadas pelos denunciantes. Com base nessas informações, os CRMs tentarão solucionar os problemas junto aos gestores locais e poderão realizar fiscalizações.

Para registrar uma denúncia, o médico deve preencher alguns dados básicos de identificação (número do CRM, CPF e Estado onde mora). Superada essa etapa, ele terá acesso a um questionário simplificado que lhe permitirá indicar, de modo objetivo, as carências que encontra e que dificultam sua atuação no atendimento de casos suspeitos e confirmados de COVID-19.

O levantamento do CFM avaliou ainda o perfil dos 1.563 médicos que apresentaram seus relatos na plataforma de denúncia. É possível verificar, por exemplo, que muitos são profissionais experientes, com tempo médio de 11 anos de graduação, sendo que mais de 60% possuem título de especialista. Na distribuição por idade, 69% dos denunciantes têm até 39 anos, 29% entre 40 e 69 anos e o restante mais de 70 anos. Outra constatação: 56% dos médicos que apresentaram queixa eram do sexo feminino e 44% masculino.

porCIPERJ

Abertas as inscrições para a 17ª turma do EpiSUS

fonte: Ministério da Saúde

Estão abertas até 7 de junho as inscrições para a 17ª Turma do processo seletivo do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS-Avançado). A seleção será dividida em três etapas: a primeira, com inscrição online e análise curricular; a segunda, de entrevista por videoconferência, entre os dias 20 de julho e 4 de agosto; a terceira, com participação dos aprovados na etapa anterior em curso intensivo em Epidemiologia Aplicada, entre 21 e 25 de setembro.

O EpiSUS-Avançado é uma das principais capacitações para o provimento de respostas rápidas às situações e emergências de saúde pública em qualquer lugar do país, sendo que os profissionais em capacitação podem ser deslocados rapidamente. Compõem força de resposta em situações de surtos, epidemias, desastres, catástrofes e outras ameaças à saúde pública nacional ou internacional, em especial em áreas de fronteiras.

A duração do treinamento, conduzido pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) com colaboração do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é de  dois anos presenciais, com exigência de dedicação exclusiva por parte do profissional, com sede de atuação em Brasília. Os selecionados com vaga homologada para o treinamento receberão uma bolsa no valor de R$ 5 mil mensais, por meio do CNPq.

QUEM PODE PARTICIPAR

Podem se candidatar ao processo seletivo profissionais de nível superior em biologia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, psicologia, saúde coletiva/saúde pública, gestão em saúde pública/coletiva, e terapia ocupacional com pelo menos um curso de pós-graduação concluído em uma das seguintes áreas: epidemiologia, estatística, doenças infecciosas e parasitárias ou medicina tropical, infecção hospitalar, infectologia, medicina preventiva e social, medicina comunitária, saúde coletiva/saúde pública, saúde da família, saúde do trabalhador, vigilância em saúde, vigilância em saúde ambiental, vigilância epidemiológica, vigilância hospitalar, vigilância sanitária.

Profissionais de nível superior de outras áreas do conhecimento também podem se candidatar, devendo ter doutorado concluído nas mesmas áreas de pós-graduação acima especificadas.

Clique aqui para ver o edital completo

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Ministério da Saúde abre inscrições para concurso com 4.117 vagas no Rio

fonte: Metrópoles

Começaram nesse sábado (16/05) as inscrições do novo concurso do Ministério da Saúde para preenchimento de 4.117 vagas temporárias em diversos cargos, todos para o Rio de Janeiro. O objetivo é reforçar o combate à pandemia do novo coronavírus.

Há 1.137 vagas para médicos com salário de R$ 11.000 para 24 horas semanais.

As contratações serão para atuar na área de assistência e apoio à assistência à saúde, com duração de seis meses, podendo ser prorrogado por até dois anos. Gratuitas, as inscrições vão até 24 de maio, devendo ser efetuadas online.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO

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As oportunidades serão para nove unidades hospitalares: Hospital Federal de Andaraí (HFA), Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), Hospital Federal de Lagoas (HFL), Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), Hospital Federal de Ipanema (HFI), Hospital Federal Cardoso Fontes (HFCF), Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).