Arquivo mensal junho 2020

porCIPERJ

Transplantes de órgãos caem mais de 40% durante a pandemia da Covid-19

fonte: O Globo

O número de transplantes de órgãos no Brasil caiu em mais de 40% desde o início da pandemia da Covid-19, e o de doadores recuou em 34%, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Segundo Gustavo Ferreira, vice presidente da instituição, a queda se acentuou a partir da segunda quinzena de maio, quando houve um recuo de 49%. Nas duas primeiras semanas de junho, a redução já estava em 45%.

A diminuição de transplantes começou a acontecer desde o primeiro óbito pela Covid-19 identificado no país, em 17 de março. Até o último dia 14, segundo a Coordenação Geral Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), a queda no número de transplantes de rim, fígado, pâncreas, coração e pulmões foi de 43%, em média.

De acordo com Gustavo Ferreira, a alta ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a redução dos voos — dificultando o transporte dos órgãos pelo país — e o medo de que doadores e pacientes, estes já debilitados, sejam contaminados pelo coronavírus nos hospitais são alguns dos motivos que explicam a realidade atual. Ferreira afirma que a situação é preocupante, já que muitos dependem do órgão para sobrevivência, e não há perspectivas em curto prazo de uma normalização deste cenário:

— O Brasil enfrenta momentos da pandemia muito diferentes regionalmente. É muito difícil prever quando teremos um cenário melhor. Só podemos pensar em voltar ao número pré-crise quando soubermos melhor o futuro da pandemia.

Segundo Gabriel Teixeira, diretor-geral do Programa Estadual de Transplante (PET) do estado do RJ, o receio também parte dos médicos:

— Tivemos centros de transplante aqui do Rio que no começo da pandemia, quando tínhamos poucas informações sobre a Covid-19, contraindicaram a cirurgia para todos os seus pacientes.

Ele afirma que o estado teve o seu melhor 1º trimestre de todos os tempos, e que se não fosse a pandemia, o Rio viveria seu melhor ano para transplantes.

— Apesar de o número ter caído, não interrompemos os nossos serviços por nenhum momento. Alguns pacientes que podem esperar pelo transplante optaram por não realizarem as cirurgias. O receio também parte dos médicos — disse Teixeira, que informo que, desde março, o estado do Rio testa possíveis doares de órgãos para a Covid-19.

Ainda de acordo com o especialista, um dos motivos que pode ter contribuído para a redução de número de transplantes é a menor notificação de potenciais doares, assim como a possível redução de mortes encefálicas — o que possibilita a doação de órgãos —, provocadas por acidentes, violência e doença cerebrovascular, como o AVC.

— Nossa taxa de aceitação da família para a doação permanece em 75%, então o que realmente caíram foram as notificações de possíveis doadores.

Sobrecarga do sistema de hemodiálise

O Brasil realiza cerca de 30 mil procedimentos anualmente e é o maior sistema de transplante público do mundo. Até março, 26.816 pessoas aguardavam órgãos no país, de acordo com a ABTO.

Dessas, 24.879 são demandas por rim. Em maio de 2020, foram feitos 294 transplantes renais. Ano passado, foram cerca de 500 no mesmo mês, quase 30% a mais:

— São pessoas que vão ter que continuar fazendo hemodiálise, o que sobrecarrega ainda mais o sistema, já que, recebendo o órgão, elas liberariam vagas de diálise pra outras pessoas. O Brasil também vive, há anos, no limite de ambulatórios para hemodiálise, com pessoas aguardando às vezes meses para conseguir uma vaga.

Receio de receber rim durante a pademia

Para Everaldo Teodoro, de 54 anos, há 20 deles enfrentando sessões semanais de hemodiálise, a possibilidade de ser chamado para realizar um transplante no meio da pandemia da Covid-19 tem assustado. O aposentado, que já recebeu um rim em 2005, mas viu seu corpo rejeitá-lo.

Ele afirma que, se um novo órgão for disponibilizado enquanto a crise no coronavírus não estiver controlada, ele não pensa em fazer a operação.

— O que eu mais sonho é ver o telefone tocar me chamando para transplantar, mas só que, na atual circunstância, depois de tantos anos lutando para conseguir um órgão, eu tenho receio de ir para o hospital e ser contaminado. Quando fazemos um transplante, ficamos imunossuprimidos. Então, estou com um certo medo, sim. Se me chamarem hoje, eu não gostaria de transplantar. Prefiro deixar esse momento passar. E este não é um sentimento só meu, mas de outros amigos que estão na mesma situação — explica.

Everaldo, que tem insuficiência renal crônica e é hipertenso, entrou novamente na fila do transplante novamente há dois anos. Enquanto não recebe um novo rim, ele faz diálise três vezes por semana Cada sessão dura quatro horas. Além do medo de contrair o novo coronavírus na operação, ele também tem receio de se infectar quando sai de casa para se tratar. Morador do Méier, na Zona Norte do Rio, ele pega um ônibus e o metrô para chegar na clínica onde faz diálise em Botafogo, na Zona Sul da cidade.

Possíveis doadores não estão sendo testados

As demais 1.937 pessoas que aguardam transplante de órgãos essenciais às suas sobrevivências também vivem momento dramático. Outras 390 crianças também estão na fila.

A pandemia e a baixa testagem nacional têm afetado o número de doadores não vivos. Como quem teve Covid-19 não pode doar, agora é necessário testar todas as pessoas que morrem no país. O problema, reforça ele, é que o país não tem testes o suficiente, deixando para trás possíveis doadores:

— É uma situação muito preocupante porque estamos perdendo potenciais doadores, o que deixa o cenário de difícil recuperação para o futuro. Teremos que fazer uma ação muito efetiva nacionalmente no segundo semestre e no próximo ano.

PCR passará a fazer parte do protocolo para transplantes

Para a entidade, o quadro pode aumentar a mortalidade de pessoas que estão na fila à espera de um órgão. O presidente da ABTO, o cirurgião José Huygens Garcia, também professor da Universidade Federal do Ceará, disse que, diante da nova realidade provocada pelo coronavírus, a instituição está reformulando o seus protocolos.

Além dos exames que já eram realizados nos doadores para detectar doenças, incluindo o teste de HIV, o procedimento incluirá, na rotina, o exame RT-PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction) para diagnóstico da Covid-19.

— Não se pode mais fazer retirada de órgãos sem a testagem.A nossa esperança é na redução cada vez maior do tempo para detectar a presença do coronavírus e um número maior de testes — explicou Huygens.

Ele acredita que a situação deve começar a melhorar a partir de agosto. O principal fator para que esse cenário se torne positivo é a liberação de leitos de UTI, essencial para o pós-operatório de transplantados:

— A situação é diferente em regiões do país. No Sul, há o aumento do número de casos de Covid. Enquanto isso, em locais como o Ceará, por exemplo, há a liberação desses leitos, o que pode possibilitar o retorno das cirurgias.

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Pesquisa mostra que anticorpos de pacientes assintomáticos da Covid-19 diminuem rapidamente em até três meses

fonte: O Globo

Os níveis de anticorpos encontrados em pacientes –  sintomáticos e assintomáticos – recuperados da Covid-19 diminuíram dois a três meses após a infecção, informa estudo pubicado no periódico científico “Nature Medicine” e comandado por pesquisadores da Universidade Médica de Chongqing, uma filial do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China.

A conclusão da pesquisa aumentou as dúvidas a respeito da duração da imunidade contra o novo coronavírus e do momento seguro do retorno dos recuperados ao trabalho e à escola, por exemplo. Especialistas lembram, no entanto, que o trabalho não exclui a possibiilidade de outras partes do sistema imunológico oferecerem proteção.

A pesquisa, comandada por Ai-Long Hua, da Universidade Médica de Chongqing, foi publicada na Nature Medicine no dia 18 e enfatiza o risco dos chamados “passaportes de imunidade”, a  liberação da quarentena a pacientes já infectados pela Covid-19. Para os pesquisadores, os resultados justificam o uso prolongado de intervenções de saúde pública como o distanciamento social e o isolamento de grupos de alto risco.

Autoridades de saúde de alguns países, como a Alemanha, já estão debatendo a ética e a viabilidade de se permitir que pessoas que tiveram um exame de anticorpos positivo circulem com mais liberdade do que as que não tiveram.

Sintomáticos vs. assintomáticos

A pesquisa também mostrou que pacientes assintomáticos infectados pelo Sars CoV-2 podem ter uma resposta imunológica mais fraca do que os que desenvolveram os sintomas — entre eles febre e tosse.

Os níveis de anticorpos de pacientes que não apresentaram os sintomas caíram mais de 80% após 8 semanas da saída do hospital.

A pesquisa estudou 37 pacientes sintomáticos e 37 assintomáticos. Entre os 37 assintomáticos, 22 eram mulheres e 15 homens, com idades entre 8 e 75 anos (média: 41 anos).

Ai-Long Hua descobriu que os pacientes assintomáticos, isolados no hospital, tiveram uma duração média de excreção viral de 19 dias. Já entre os pacientes com os sintomas, o tempo médio foi de 14 dias. Essa duração da excreção não significa, no entanto, que eles possam contagiar mais outras pessoas.

No total, entre os pacientes que tiveram exames positivos para a presença dos anticorpos IgG, um dos principais tipos de anticorpos induzidos após a infecção, mais de 90% mostraram declínios acentuados dentro de dois a três meses.A porcentagem média de declínio foi sempre de mais de 70% em pacientes sintomáticos e assintomáticos.

Jin Dong-Yan, professor de virologia da Universidade de Hong Kong que não participou do grupo de pesquisa, disse, no entanto, que o estudo não nega a possibilidade da existência de um nível de proteção contra o vírus pelos infectados.

Algumas células, ele explica, memorizam como lidar com um vírus quando são infectadas pela primeira vez e podem apresentar uma proteção eficiente se houver uma segunda rodada de infecção, disse. Cientistas ainda investigam, no entanto, se este mecanismo funciona para o novo coronavírus.

— As descobertas deste estudo não significam que o céu está desabando — disse Dong-Yan, observando ainda que o número de pacientes estudados não foi substancial.

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Planos de saúde registram menor uso em quatro anos, com suspensão de cirurgias e exames eletivos

fonte: O Globo

Os planos de saúde registraram, em maio, o menor uso por seus beneficiários desde o início da série histórica iniciada em 2016. Boletim da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que a  suspensão de cirurgias e exames eletivos por conta da pandemia  por coronavírus,  fez o desembolso das operadoras frente ao valor recebido de mensalidades cair de  76%  abril para 66% no mês passado.

Isto é, do que as empresas do setor receberam de seus usuários, gastaram 66% para coberturas de atendimentos assistenciais. A média dos últimos quatro anos era de 76%, sendo o pico de 85%, em abril e junho de 2016.

O levantamento da ANS, com dados fechados em 31 de maio, também mostra uma ligeira alta do número de inadimplentes: a média subiu de 13% para 16%.

Apesar da rediução de custos, os planos de saúde não têm facilitado a negociação dos consumidores em dificuldade para pagar as mensalidades, diz Ana Carolina Navarrete, coordenadora de pesquisa em saúde, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec):

— A inadimplência já subiu um pouco e a tendência é se agravar, já que as empresas estão dificultando a negociação de mensalidades. Por isso é tão importante que projetos de lei como PL 1542/20, que suspende os reajustes de planos de saúde, já aprovado no Senado e agora indo para a Câmara, tramite com celeridade e seja aprovado — destaca.

Para médica sanitarista, Ligia Bahia  mais do que facilitar as negociações de inadimplentes, as empresas teriam condições hoje de oferecer algumas facilidades a quem perdeu renda:

— A redução da procura por cuidados lhes permite aumentar retornos financeiros porque recebem as mensalidades e estão pagando menos para os prestadores de serviços.  Essa “folga” entrada de recursos preservada a inadimplência é pequena e menor saída para o pagamento das despesas assistenciais deveria estimular a redução temporária do valor das mensalidades —  sugere.

A  Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) diz que o crescimento da inadimplência preocupa e que ainda não é possível dimensionar seu real impacto no setor.

Embora diga que as informações do relatório estão dentro das expectativas do setor, a associação disse que deverá solicitar uma reunião à ANS “para se aprofundar nas informações levantadas.”

A Abramge chama atenção ainda para o fato que o Brasil é um país continental e cada região, assim como cada operadora de plano de saúde estão em diferentes estágios de combate à Covid-19.

Ocupação de leitos é menor do que em 2019

Os números da saúde suplementar de maio mostram ainda um aumento na taxa de ocupação geral de leitos (com e sem UTI), passando de 51%, em abril,  para 61% em maio.Apesar da alta, o percentual ainda é menor do que o registrado em maio do ano passado quando era de 76%.

O boletim aponta ainda um crescimento significativo de leitos  para atendimento à Covid-19 de abril para maio: de 45% para 61%.

Segundo o levantamento da ANS, os dados não indicam, até o momento, desequilíbrio assistencial ou econômico-financeiro no setor.

Em maio, registrou-se ainda o aumento na autorizações pelas operadoras  de  pedidos de exames e terapias. O volume, no entanto, ainda é 46% menor do que o registrado em maio no ano passado.

Em 9 de junho, a ANS acabou com a medida que flexibilizava o prazo para realização de cirurgias, exames e consultas eletivas pelas operadoras.

Hospitais e laboratórios disseram já estarem prontos para atender ao aumento de demanda. No entanto, especialistas analisam que a retormada dos procedimentos vai depender da contenção da evpidemia para que as pessoas se sintam seguras e voltem a sua rotina de cuidados médicos.

Para a elaboração do boletim a agência reguladora, para os dados assistenciais, utiliza informações enviadas por 50 operadoras classificadas que possuem hospitais próprios. Para a análise econômica são analisados os dados de  102 operadoras que juntas somam 74% dos usuários  de planos de saúde médico-hospitalares do país.

Agência recebeu 4,7 mil  relacionadas à Covid-19

A ANS informou ainda ter recebido, entre março e 15 de junho, 4,7 mil queixas relacionadas ao tema coronavírus, entre as 7.149 solicitações enviadas a reguladora. O o número total de reclamações neste ano, destaca a agência, é menor do que no mesmo período de 2019.

Do total de reclamações relacionadas à Covid-19, 36% (1,7 mil) se referem a dificuldades de atendimento relativas ao exame para detecção ou tratamento da Covid-19. Outros 43% tratam de problemas relacionados outras assistências afetadas pela pandemia e 21% são temas não assistenciais (contratos e regulamentos, por exemplo).

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) disse que a redução da sinistralidade, ou seja, da utilização das estruturas de saúde no mês de maio, é consequência direta de orientação expressa das autoridades sanitárias do país no sentido de estimular os pacientes a postergarem procedimentos eletivos.

De acordo com a federação, esse é um resultado que coincide com momento crítico da pandemia no país. “Tende, portanto, a ser pontual e localizado”.

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Homenagem da CIPERJ ao Dr. Ruy Bayma Archer da Silva

Um dos pioneiros da Cirurgia Pediátrica no Rio de Janeiro, Dr. Ruy Bayma Archer da Silva faleceu há um mês, em 22 de maio de 2020.

Não apenas pioneiro, Dr. Ruy formou um grande número de cirurgiões pediatras. Muitos dos que hoje estão em atividade trabalharam com ele no serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital Municipal Jesus, criado por ele, em Vila Isabel, seja como staff ou residente.

Em homenagem ao Dr. Ruy Archer, pegamos alguns depoimentos de cirurgiões pediatras que falaram da importância dele na Cirurgia Pediátrica. Confira:

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Ministério da Saúde publica orientações para retomada segura das atividades

fonte: Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde, publicou nesta sexta-feira (19), no Diário Oficial da União (DOU), a portaria nº 1.565, que estabelece orientações gerais à prevenção, o controle e à mitigação da transmissão da Covid-19. As orientações também são voltadas à promoção da saúde física e mental da população. O objetivo é apoiar as estratégias locais para retomada segura das atividades e do convívio social, respeitando as especificidades e características de cada setor ou ramo de atividade. Caberá às autoridades locais e aos órgãos de saúde locais decidir, após avaliação do cenário epidemiológico e capacidade de resposta da rede de atenção à saúde, quanto a retomadas das atividades.

“A portaria é resultado do trabalho conjunto do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Consaems). São orientações amplas, que atendem e orientam qualquer atividade, desde uma reunião de condomínio até os espaços públicos. Elas servirão de apoio ao gestor para quando for flexibilizar as ações de distanciamento, consiga, com medidas de prevenção, mitigar a contaminação coletiva da população. Também a partir da avaliação epidemiológico e capacidade de resposta da rede de saúde, o gestor poderá dar um passo atrás, caso haja aumento de casos”, explicou o secretário-executivo substituto, Elcio Franco.

A publicação da portaria faz parte do rol de medidas indicadas sistematicamente pelo Ministério da Saúde, para resposta e enfrentamento da Covid-19, desde a declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e do reconhecimento da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). São medidas não farmacológicas que devem ser utilizadas de forma integrada, como distanciamento social, etiqueta respiratória e de higienização das mãos, uso de máscaras, limpeza e desinfeção de ambientes e isolamento domiciliar de casos suspeitos e confirmados.

A retomada das atividades e o convívio social são também fatores de promoção da saúde mental das pessoas. O confinamento, o medo do adoecimento e da perda de pessoas próximas, a incerteza sobre o futuro, o desemprego e a diminuição da renda, são efeitos colaterais da pandemia e têm produzido adoecimento mental em todo o mundo.

RETOMADA SEGURA E GRADATIVA

A portaria deixa claro que a retomada das atividades deve ocorrer de forma segura, gradativa, planejada, regionalizada, monitorada e dinâmica, considerando as especificidades de cada setor e dos territórios, de forma a preservar a saúde e a vida das pessoas. Para isso, é essencial a observação e a avaliação periódica, no âmbito loco-regional, do cenário epidemiológico da Covid-19, da capacidade de resposta da rede de atenção à saúde, dos aspectos sócio-econômicos e culturais dos territórios e, principalmente, das orientações emitidas pelas autoridades locais e órgãos de saúde.

É importante que os setores de atividades elaborem e divulguem protocolos específicos de acordo com os riscos avaliados para o setor, considerando os ambientes e processos produtivos, os trabalhadores, os consumidores e usuários e a população em geral. Destaca-se também a necessidade de que cada estabelecimento desenvolva seu plano de ação para reabertura gradativa da atividade, incluindo a possibilidade de desmobilizar o processo de abertura, em função de mudanças no contexto local de transmissão da Covid-19.

A medida reforça e detalha as orientações que já vêm sendo dadas pelo Ministério da Saúde, como: Cuidados Gerais a serem adotados individualmente pela população; Cuidados Gerais e Medidas de Higiene a serem adotadas por todos os setores de atividades; Medidas de Distanciamento Social a serem adotadas individualmente e por todos os setores de atividades; Medidas de Higiene, Ventilação, Limpeza e Desinfecção a serem adotadas individualmente e por todos os setores de atividades; Medidas de Triagem e Monitoramento de Saúde a serem adotadas por todos os setores de atividades; Medidas para o Uso de Equipamentos de Proteção; Uso de Transporte Individual; e Uso de Transporte Coletivo.

MEDIDAS NOS FRIGORÍFICOS

Nesta sexta-feira (19), também foram divulgadas, no Diário Oficial da União (DOU), três portarias conjuntas assinadas pelo Ministérios da Saúde; Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); e da Economia (ME). As portarias nºs 1819 e 20 estabelecem medidas destinadas à prevenção, o controle e à mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 nas atividades desenvolvidas na indústria de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo humano e laticínios. O objetivo é garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores, o abastecimento alimentar da população, os empregos e a atividade econômica.

Atualmente existem 3.299 estabelecimentos processadores de carnes e derivados registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), dos quais, 445 comercializam proteína animal. Entre as recomendações trazidas pela portaria estão a necessidade de acompanhamento de sinais e sintomas de Covid-19 e afastamento imediato por 14 dias dos funcionários que tiverem casos confirmados, suspeitos ou contactantes de confirmados da doença. Os afastados do trabalho só poderão voltar às suas atividades antes de 14 dias de afastamento mediante exame laboratorial descartando a Covid e se estiverem sem sintomas por mais de 72 horas.

No interior do frigorífico o distanciamento entre os funcionários deverá ser de, pelo menos 1 metro, conforme recomendações da OMS e do Ministério da Saúde. Se for necessário manter distanciamento menor, os trabalhadores devem usar máscaras cirúrgicas além dos equipamentos de proteção individual (EPI), e serem instaladas divisórias impermeáveis entre esses funcionários ou fornecidas viseiras plásticas ou óculos de proteção. As instalações devem dar preferência à ventilação natural e, se o ambiente for climatizado, deve ser evitada a recirculação do ar, com reforço na limpeza e desinfecção dos locais de trabalho.

Todos os trabalhadores devem ser orientados para a necessidade de higienização correta e frequente das mãos, evitando filas com distanciamento inferior a 1 metro, além de aglomerações. Também deverão ser reforçados os cuidados nos refeitórios, nos vestiários e no transporte dos trabalhadores, quando fornecido pelas organizações.

Quando houver a paralisação das atividades de um frigorífico decorrente da Covid19 devem ser feitas a higienização e desinfecção do local de trabalho, áreas comuns e veículos utilizados; reforçada a comunicação aos trabalhadores; feita a triagem dos trabalhadores por médico do trabalho, garantindo afastamento dos casos confirmados, suspeitos e contactantes com os confirmados de Covid19. Não deverá ser exigida a testagem laboratorial de todos os trabalhadores como condicionante para retomada das atividades.

porCIPERJ

Hospitais municipais do Rio retomam cirurgias eletivas

fonte: Agência Brasil

Os hospitais do município do Rio de Janeiro retomaram na quinta-feira (18) as cirurgias eletivas, que tinham sido suspensas por causa da necessidade de uso da capacidade total das unidades de saúde para pacientes infectados com o novo coronavírus. O anúncio da retomada das cirurgias eletivas foi feito pelo prefeito Marcello Crivella, segundo o qual não é possível retardar mais a volta do atendimento a pacientes que aguardam em filas.

O prefeito disse que as pessoas que estão esperando pelas cirurgias poderão fazê-las nos hospitais Miguel Couto, Souza Aguiar, Salgado Filho e Lourenço Jorge, que integram a rede municipal.

Em entrevista coletiva após reunião com representantes de clubes de futebol do Rio de Janeiro, para discutir as medidas de retorno dos jogos no município, Crivella afirmou também que é preciso voltar a atender os pacientes com doenças crônicas. “A gente pede o seguinte: quem está em tratamento crônico deve voltar. Quem tem que fazer na rede privada a quimioterapia, ou uma biópsia, as pessoas têm que fazer testes importantíssimos para a sua saúde. Agora, estamos realmente precisando que as pessoas voltem, porque já passou muito tempo e as outras comorbidades ficam tomando o lugar da covid.”

Selo

Crivella destacou que muitos desses pacientes precisam de transporte e lembrou que os motoristas inscritos no aplicativo Táxi.Rio começaram a fazer testes de covid-19 na última segunda-feira (15). Os que comprovarem que estão livres da doença receberão um selo para dar mais segurança aos usuários.

“Trinta mil taxistas trabalham com o Táxi.Rio. Então, vai ter o selo para os que estão testados e imunizados. É um veículo que a pessoa pode pegar sem medo. Não tem problema nenhum. Além disso, a Comlurb está higienizando esses carros”, completou.

Autorizações

O prefeito ressaltou que as flexibilizações definidas no Plano de Retorno das Atividades Econômicas, que divide a volta dos serviços em seis fases, são uma orientação para os setores e, por isso, não são obrigatórias. Crivella citou os shopping centers já liberados para funcionar, mas destacou quem não quiser abrir agora pode permanecer fechado.

Apesar de os centros comerciais terem registrado grande movimento de frequentadores na quinta-feira (11), primeiro dia de funcionamento, e na sexta-feira (12), por causa do Dia dos Namorados, o prefeito afirmou que as pessoas estão conscientes e têm se dirigido menos a esses locais.

Crivella disse que ontem foi ao BarraShopping, na zona oeste, e tinha pouca gente. “Reabrimos com um terço [da capacidade de frequentadores], mas acho que não tinha um sexto, não tinha um quinto de pessoas no shopping. Está realmente devagar, e as pessoas estão indo aos poucos.”

Normalidade e Escolas

O prefeito disse que, se os registros de casos de covid-19 e de atendimento na rede hospitalar do Rio continuarem nos patamares atuais de controle e redução, a cidade deve estar perto da normalidade, que pode chegar entre julho e agosto, quando deverá ocorrer também a volta às aulas.

De acordo com Crivella, para que isso ocorra, é preciso que continuem caindo o número de óbitos, a necessidade de internação em enfermarias e em unidades de terapia intensiva (UTIs) e o número de pessoas com  sintomas de gripe na rede municipal de  saúde e também nos hospitais da Baixada Fluminense. “[Com isso], vamos ter mais confiança para ir retomando fase a fase e, quem sabe em julho ou agosto, estar mais próximos da realidade em agosto, voltando inclusive às aulas”, afirmou.

Crivella reiterou que a avaliação do número de casos e de ocupação de leitos permitiram a volta de algumas atividades, agora já na Fase 2 do plano. O prefeito ressaltou, no entanto, que a flexibilização das atividades em municípios vizinhos podem também impactar a rede municipal de saúde. Ele garantiu que, se houver uma reversão do quadro da doença na capital, a prefeitura vai retomar o isolamento social. “Se a contaminação subir lá, vai refletir aqui na gente, e vamos ter que dar marcha-ré.”

porCIPERJ

Análises apontam relação entre mortalidade por Covid-19 e pobreza

fonte: Folha de SP

O código postal pode ser mais importante para a condição de saúde de uma pessoa do que o seu código genético. Com base nessa ideia, um novo índice para medir o impacto de características socioeconômicas na saúde das pessoas foi criado por pesquisadores da USP e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Feito em parceria com o Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS), o índice recebeu o nome de GeoSES e um estudo sobre ele foi recentemente publicado na revista científica Plos One.

A ideia é resumida por Edson Amaro, responsável pela área de Big Data do Einstein, em parte de uma letra da música “Crumbs From Your Table”, do U2: “Where you live should not decide/Whether you live or whether you die [onde você vive não deveria indicar se você vai viver ou morrer, em tradução livre]”.

Os pesquisadores já puderam observar parcialmente, por exemplo, a relação da Covid-19 no Brasil com as condições socioeconômicas, ou seja, a fragilidade frente a doença de pessoas em maior situação de vulnerabilidade.

“Das sete dimensões analisadas pelo GeoSES, a pobreza estava com uma relação inversa à da Covid-19. Quanto maior o percentual de pobreza do município, maior o risco relativo de mortalidade pela Covid-19”, afirma Ligia Vizeu Barrozo, pesquisadora do departamento de geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenadora do grupo de estudos espaço urbano e saúde do Instituto de Estudos Avançados também da USP.

Segundo os pesquisadores, a relação entre o local em que cada um mora e a sua suscetibilidade é mais visível, por exemplo, em casos de doenças crônicas, mais prevalentes conforme menores são os indicadores socioeconômicos.

“Na cidade de SP, 75% da variação da mortalidade de doença cardiovascular, causa número um de mortes, são explicados por fatores que não têm nada a ver com saúde”, diz Amaro.

Segundo ele, fatores como educação e o transporte podem ter impacto no caso específico das doenças cardiovasculares, com maior ou menor chance de morte pela condição.

“O que faz uma pessoa sobreviver se ela tiver um infarto em casa? Ela tem que chegar rápido no hospital”, diz Amaro. “Não adianta ter condições de atender pessoas no serviço público se as pessoas não tem como chegar ao serviço público, se elas não têm rua, transporte ou Samu que chegue.”

O índice analisa, a partir de dados do censo 2010 —facilmente adaptáveis para o próximo—, sete dimensões socioeconômicas: educação, pobreza, riqueza, renda, segregação, mobilidade e privação de serviços e recursos (com possibilidade de análises específicas para cada tema). Com isso, torna-se possível medir a vulnerabilidade socioeconômica.

A nova escala surgiu a partir do trabalho de Barrozo para tentar entender o impacto socioeconômico na saúde em São Paulo, dentro do projeto temático Modau, que é coordenado pelo pesquisador Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP.

O trabalho então cresceu e passou a ser aplicável a todo o território brasileiro com a equipe de dados do Einstein.

Mas se já existe o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que considera exatamente aspectos socioeconômicos, para que serviria uma nova métrica?

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, o IDH já leva em conta longevidade, ou seja, considera a saúde em seu cálculo, o que dificulta quando você quer analisar unicamente aspectos sociais para análises de saúde.

“Matematicamente, quando vamos tentar explicar riscos por doença, o componente de saúde do IDH acaba criando uma correlação que polui o que é social e não é”, diz Barrozo.

Além da utilização do índice para pesquisas na área da saúde, os pesquisadores afirmam que gestores públicos podem usá-la para planejamento.

O índice pode ser analisado em escalas municipal, estadual e federal.

Os dados já estão disponíveis para ser baixados no DataSUS.