Arquivo mensal junho 2020

porCIPERJ

10.700 cirurgias eletivas deixaram de ser feitas no estado do Rio

fonte: O Globo

Com achegada da Covid-19 ao Brasil em março, as unidades de saúde passaram adar prioridade aos pacientes infectados pelo novo coronavírus. Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões ( C BC ), Luiz Carlos Von Bah ten calcula que, durante a atual emergência sanitária, as restrições tenham atingido ao menos 70% das cirurgias, poupando apenas as de urgência e as classificadas como essenciais, como algumas de câncer. Diante dessa estimativa, no Estado do Rio, 10,7 mil intervenções eletivas deixaram de ser feitas na rede pública em abril e maio, se levada em consideração a média mensal de 7,7 mil internações para esses procedimentos registradas em 2018 e 2019 no Data sus, sistema de informações do Ministério da Saúde. No país, a que da é demais de cem mil.

Enquanto são batidos recordes de mortos pelo coronavírus, a paralisação de outros atendimentos contribui para que as filas não parem de crescer. Só no município do Rio, o portal do Sistema de Regulação Ambulatorial mostrava que, na última quinta-feira, havia 51.186 pacientes à espera por cirurgias eletivas e procedimentos diagnósticos invasivos. São pessoas que esperam desde a retirada das amígdalas e colonoscopias à reconstrução do crânio e amputações. As filas por procedimentos ligados à oncologia tinham 1.020 pessoas. As de biópsias, mais 617.

—A demanda reprimida é muito grande. Observamos que, mesmo onde já há um retorno desses atendimentos, os pacientes têm medo de ir aos hospitais. O desafio de organizar essa retomada será tão trabalhoso quanto o da própria pandemia — afirma Von Bahten.

Em março, quando foi declarada a pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados mais atuais do Datasus já demonstravam o início desse impacto. No Estado do Rio, por exemplo, foram 5.900 internações para procedimentos cirúrgicos eletivos nas redes federal, estadual e municipal — bem abaixo dos 7,1 mil de fevereiro.

Asuspensãodaseletivastem prolongado o sofrimento de milhares de pessoas. Com um tumor no ovário e cinco miomas, há dias em que carioca Laurita Graça Arbelino, de 39 anos,nãoconsegueselevantar da cama, tamanhas as dores que sente. Durante a quarentena, hemorragias e cólicas insuportáveis agravaram seu sofrimento. Sozinha, de ônibus, Uber ou pedindo carona, nos últimos meses ela peregrinou por seis hospitais públicos do Rio e da Baixada Fluminense, na esperança de conseguir vaga para uma operação. Quando atendida, era medicada e mandada para casa. A justificativa era sempre a mesma: ela precisa continuar na fila, porque sua cirurgia é considerada eletiva e, neste momento, a prioridade é a Covid-19.

Em desespero, Laurita, que é cuidadora de idosos, chegou a criar uma “vaquinha” on-line para tentar arrecadar R$ 7 mil e realizar a cirurgia na rede privada, que também vem registradoumaquedaacentuada de procura por procedimentos. Na semana passada, no entanto, finalmente ela conseguiu um encaminhamento para o Hospital Moncorvo Filho, num instituto ligado à UFRJ. Mas ainda não poderá operar. Precisará, antes, tratar uma anemia grave que adquiriu.

— Embora eu esteja com uma barriga que pareça com a de uma mulher grávida, neste período perdi dez quilos. Além de tirar os miomas, preciso fazer uma biópsia no tumor do ovário. É essencial tratar dos pacientes com a Covid-19, mas, na minha jornada por hospitais, conheci mulheres em situação parecida com a minha, que também precisam de cuidados —diz Laurita.

REESTRUTURAÇÃO NO INCA

No Instituto Nacional do Câncer (Inca, onde são realizadas cerca de 500 cirurgias mensais), a pandemia obrigou a reestruturação do atendimento devido ao afastamento de profissionais que estão no grupo de risco ou com sintomas da doença e à reserva de áreas exclusivas para pacientes com suspeitas da Covid-19ecâncer—515atendimentos até a última quintafeira. Coordenador de assistência do instituto, o médico Gélcio Mendes afirma que esse quadro, em alguns momentos, levou ao bloqueio de 20% a 25% dos leitos.

Em meados de maio, o instituto decidiu submeter todos os candidatos a cirurgias ao teste da Covid-19. Para cerca da metade deles, o resultado tem sido positivo, o que surpreende Mendes.

— Esses fatores têm uma consequência negativa, como a redução de 30% a 40% das cirurgias do Inca. As que não podem esperar, como nos casos de câncer de estômago, são realizadas. Para as de tumores de evolução mais lenta, como o de próstata, avaliamos o quadro — afirma o médico

Em todo o Brasil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) calcula que sete em cada dez cirurgias de câncer foram suspensas, sendo mantidas só as dos tumores mais agressivos.

—Teremos que adaptar os serviços de saúde para retomar esses atendimentos suspensos. Temos incentivado, por exemplo, áreas “Covid-free” para câncer em hospitais — afirma o cirurgião oncológico Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da SBCO.

No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio, cirurgias e consultas eletivas também precisaram ser adiadas, num total de dez mil atendimentos ambulatoriais postergados.

Para esse pós-pandemia, o CBC, junto com outras entidades médicas, elaborou uma série de recomendações e protocolos. A associação defende que a liberação das cirurgias eletivas não essenciais seja autorizada somente no momento em que a curva epidemiológica se mostre decrescente.

—Não há uma regra para o Brasil inteiro. É preciso avaliar a realidade de cada lugar. Onde a pandemia está em atividade, incluindo o Rio, as restrições deveriam ser mantidas —afirma Von Bahten.

No Estado do Rio, porém, a Secretaria de Saúde afirma que, diante de uma redução na filadeesperaporleitosdeUTI, em breve, pacientes com Covid-19 vão começar a ser transferidos de hospitais regulares especializados para as unidades de campanha, que ainda estão sendo montadas para atender as vítimas da pandemia. “Desta forma, os serviços serão devolvidos à população de forma gradativa, como, por exemplo, o Hospital do Cérebro, que já tem dois andares livres”, diz o texto.

Já a Secretaria municipal de Saúde afirma que as cirurgias eletivas voltarão a ser marcadas a partir do dia 16, priorizando as com maior urgência, com um esforço para que os casos sejam atendidos dentro do menor prazo.

porCIPERJ

A importância da análise de dados no combate à COVID-19

fonte: Saúde Business

A pandemia do novo coronavírus coloca-se como um desafio tão elaborado quanto o das provocações utópicas das discussões de saúde. É um sistema complexo que envolve biologia, comportamento humano, economia e política. Grandes conjuntos de dados estão sendo criados, os quais cientistas se esforçam para trazer significado, e assim encontrar respostas.

O trabalho de análise, rastreio e orientações pode parecer um tanto vago quando se tem muito mais pontos faltando na história do que peças encaixadas. Ainda mais para uma parcela da população que possui dificuldades em relacionar a ocorrência do surto com os resultados em sua comunidade – até que a doença esteja perto demais.

Não faltaram projeções que assustassem até os mais experientes cientistas, mas há alguns meses, não faltaram críticas ao isolamento social e o quanto a medida estava sendo precipitada. Afinal, eram somente alguns casos. Foi com o trabalho massivo dos grandes meios de comunicação, destacando a validade do meio científico e o poder dos dados, que conseguiu-se legitimação de fala para as análises.

O vírus expôs algumas das feridas mais fundamentais da saúde, a disparidade de acesso, o esgotamento clínico e a dificuldade na integração de informações e governança nos sistemas de saúde como um todo.

Uma publicação do Health IT Analytics provoca: “Embora o coronavírus tenha acentuado a promessa de ferramentas avançadas de análise, a pandemia também revelou a relativa imaturidade da tecnologia. Problemas relacionados ao acesso, compartilhamento e qualidade de dados ainda afetam a precisão dos algoritmos, bem como a capacidade de desenvolver algoritmos em primeiro lugar. Para um setor que passou anos com o EHR (electronic health records) e os dados digitais, é preciso se perguntar: por que tantos cuidados de saúde ainda são reativos em vez de proativos?”

Quando o setor de saúde formou a linha de frente contra o coronavírus, notou-se um padrão curioso, no qual organizações de diferentes setores e indivíduos de várias parte do mundo se juntaram para trazer o seu melhor e concentrar seus esforços para encontrar soluções. Essas informações coletadas de fontes extra setor de saúde, como dados de telecomunicação, estão ajudando aos governantes a tomarem decisões mais informadas. Por se tratar de uma nova doença, quanto mais dados houver, mais precisas serão as previsões de como a pandemia pode ser melhor gerenciada.

Os exemplos de utilização decorrem por todo o ciclo de vida do surto: da previsão, detecção até o tratamento. No final do ano passado, uma startup chamada BlueDot, de Toronto, já havia identificado anomalias em casos respiratórios em Wuhan através do cruzamento de análise de dados de passagens aéreas, avisos do governo e relatórios de saúde. Isso antes da Organização Mundial da Saúde emitir uma declaração alertando para um surto de uma nova doença semelhante à influenza no mesmo local.

No combate ao contágio e triagem em massa, câmeras de detecção equipadas com inteligência artificial fornecem relatórios em tempo real sobre a temperatura corporal de uma pessoa em uma determinada localização. Dados de telefone celular ajudam a identificar onde provavelmente a doença se espalhará e aconselhar a alocação de recursos de acordo com essa informação. A utilização de dados possibilitou que as autoridades da Coreia do Sul entrassem em contato com um usuário caso ele tivesse tido proximidade com um caso positivo.

As fontes de dados são infinitas, bem como os propósitos de uso. A Black Swan, empresa que utiliza dados para antecipar estratégias de negócio, está utilizando Processamento de Linguagem Natural para entender o comportamento humano durante a pandemia. Como estão reagindo aos decretos do governo, se há apoio ou repúdio, como está a saúde mental das pessoas, sobre o que elas estão falando?

Conversas sobre como ter um melhor sistema imune cresceram 560% em março, comparado a fevereiro, no Reino Unido, e o pico sobre estocagem de mantimentos se deu em 02/03. A movimentação em torno de comfort foods se equipara à de suplementos. Claro, a ferramenta de análise de texto também está sendo utilizada para vasculhar estudos científicos em torno da transmissão, incubação, estabilidade ambiental e intervenções médicas para o vírus.

A Harvard Medical School e o Dana Farber Cancer Institute fizeram uma parceria com o Google Cloud para o uso de tecnologias avançadas de analytics e assim acelerar a descoberta de possíveis terapias. Usando uma plataforma de código aberto os pesquisadores conseguem objetificar bilhões de fármacos contra a proteína da COVID-19, em questões de dias. Isso reduz drasticamente o tempo necessário para analisar possíveis tratamentos.

Outra iniciativa que vale destaque é o projeto da Sociedade Americana de Química, que divulgou de forma aberta a sua base de substâncias com potencial antiviral reconhecido para suporte à pesquisa, análise de dados e aplicações de machine learning. As ferramentas e parcerias em desenvolvimento podem ser muito úteis para descobertas futuras. Uma democratização de acesso e conhecimento que antes estava nas mãos de poucas empresas e, agora, é um recurso livre, independente de interesses comerciais.

Espera-se que novas maneiras de coletar, compartilhar e avaliar dados se estendam após a COVID-19. Um dos efeitos desejados do pós pandemia é o entendimento que os setores, sejam eles locais ou globais, precisam estar conectados. Outro é o comprometimento com a infraestrutura de saúde pública e investimento sério em tecnologia para prevenção e planejamento assistencial.

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Dr. Walter Palis Ventura é o novo presidente do Cremerj

Dr. WALTER PALIS VENTURA assume a Presidência do CREMERJ, de acordo com o Regimento Interno, que prevê 3 gestões, durante os 5 anos de direção dos Conselheiros eleitos em 2018. Seu mandato vai de junho de 2020 a janeiro de 2022.

Ele é formado pela Universidade Gama Filho, Chefe da disciplina de Ginecologia da Escola de Medicina Souza Marques e atua no Serviço de Ginecologia do Hospital Federal dos Servidores do Estado. Tem MBA em Gestão Estratégica de Saúde. Foi Médico do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro.

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CREMERJ ingressa com medida judicial para garantir autonômia do médico

fonte: CREMERJ

O Médico convocado para trabalho compulsório, em hospital de campanha, na epidemia de COVID-19, tem o direito e o dever de não trabalhar em atividade, na qual não tenha treinamento formal, não se sinta em condições técnica e ética para atuação.  Tudo isto somado pode representar sobretudo, danos para a saúde do paciente.

Quando esta situação ocorrer, o Médico deve enviar comunicado formal para a sua chefia, com cópia para o CREMERJ para o e-mail portaldadefesamedica@crm-rj.gov.br

A fim de garantir a prerrogativa de autonomia do Médico, o CREMERJ ingressou, hoje, com mandado de segurança contra os atos de convocação compulsória.

porCIPERJ

Com coronavírus, cai o número de atendimentos médicos e cresce o de mortes por outras doenças

fonte: BBC Brasil

No dia 29 de abril, o empresário Miguel da Rocha Correia Lima, de 55 anos, deu entrada na emergência do hospital UMC (Uberlândia Medical Center), em Uberlândia, Minas Gerais, depois de desmaiar em casa.

Lá, passou por um procedimento cardíaco que durou cerca de uma hora, e, apesar dos esforços da equipe médica, acabou não resistindo. Ele teve um infarto do miocárdio do ventrículo direito.

“No dia anterior, meu pai sentiu uma dor no peito, mas, como foi fraca, não deu muita importância, e também achou que não valia o risco de ir ao hospital por causa do coronavírus”, conta a filha Anna Paula Graboski, de 31 anos.

“Os médicos disseram que se ele tivesse procurado ajuda logo, assim que a dor começou, provavelmente estaria vivo, mas, como esperou muito tempo, o coração dele não aguentou”, acrescenta.

Assim como Lima, muita gente tem evitado buscar atendimento neste momento, e isso está se tornando um dos efeitos colaterais mais preocupantes da pandemia no Brasil.

Todas as regiões do país têm registrado quedas brutais nos números de consultas, exames e cirurgias e, consequentemente, aumento de mortes por outras enfermidades que não a covid-19, como infarto do miocárdio, câncer e acidente vascular cerebral (AVC).

Para se ter uma ideia, segundo levantamento do epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em março, a capital paulista contabilizou 743 mortes – excluindo homicídios e acidentes em geral – a mais que a média para o mesmo mês dos últimos cinco anos.

“No período, tivemos 277 óbitos confirmados por covid-19 e 466 por não covid-19, e vários destes, mesmo não tendo sido causados diretamente pela doença, podem ser atribuídos a ela”, afirma o médico.

A explicação é que o vírus, além de agravar a condição de pessoas já debilitadas pelas mais diversas razões, tem feito muitas delas não apenas desmarcarem consultas e até cirurgias e desistirem de ir às clínicas ou pronto-socorros quando não estão se sentindo bem, mas também não serem atendidas por conta da superlotação e do foco no combate à pandemia.

“Soube do caso de uma moça com aneurisma que não conseguiu ser operada porque o centro cirúrgico do hospital que ela procurou foi transformado em UTI para receber pacientes com covid-19. A razão imediata da morte dela não foi o coronavírus, mas de forma indireta foi”, afirma Lotufo.

Situação parecida aconteceu com a dona de casa Isabel Zebelin Duarte, de 85 anos. No ano passado, ela sofreu um AVC. Em março deste ano, apresentou uma piora e ficou internada durante 12 dias em um hospital de Jacareí, no interior de São Paulo.

“Por causa do coronavírus, os médicos acharam melhor dar alta. Eles consideraram que o caso dela não era mais uma emergência, e também precisavam de leitos”, conta uma de suas filhas, a jornalista e radialista Andréa Duarte, de 50 anos.

No dia 7 de maio, Isabel passou mal e uma equipe foi chamada até sua casa. Os profissionais diagnosticaram pneumonia, resultante de estar acamada há tanto tempo, mas optaram por não interná-la novamente. Cinco dias depois, ela faleceu.

“Não culpo o hospital, sei que, hoje, a preferência é para os casos de covid-19, e minha mãe, de um jeito ou de outro, estava recebendo acompanhamento. Mas fico pensando que lá, talvez, os médicos teriam conseguido reanimá-la”, desabafa Andréa.

Menos consultas, exames e cirurgias

Desde o início da pandemia no país, juntando o medo que as pessoas têm da contaminação pelo novo coronavírus, a falta de atendimento em determinados locais e ainda a recomendação dos órgãos de saúde de suspender os procedimentos eletivos (não urgentes), a queda no número de atendimentos, exames e cirurgias só tem aumentado.

Em se tratando das patologias do coração, as principais causas de morte no Brasil e no mundo, levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) mostra diminuição de 50% na realização de angioplastia primária (procedimento feito em caráter de emergência durante o infarto) em março, e de 70%, em abril, na comparação com o mesmo período de 2019.

“Baseado nesses dados, soou o alerta de que os pacientes não estão procurando os serviços médicos para receber o tratamento. Essa hipótese é reforçada porque esse fenômeno tem sido identificado em outros locais. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de atendimentos de emergência de parada cardíaca domiciliar cresceu quatro vezes e o de mortes nessa situação, oito vezes”, relata Ricardo Costa, presidente da SBHCI.

O especialista pontua que o infarto é uma urgência médica e, portanto, necessita de intervenção imediata. “Se ele não for tratado, sua taxa de mortalidade pode chegar a 50%, e ainda há o risco de sequelas graves, como insuficiência cardíaca, comprometendo totalmente a qualidade de vida.”

No caso do câncer, pelos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), de março para cá foram realizadas, nas redes pública e privada, 70% menos operações e entre 50% e 90%, dependendo do serviço, de biópsias para diagnóstico da doença.

Só do câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia aponta diminuição de 75% nos atendimentos em hospitais públicos de pacientes em rastreamento e tratamento para a enfermidade nos meses de março e abril, em relação ao ano passado.

“Estamos assustados com o que temos observado e preocupados tanto com a diminuição nos diagnósticos primários quanto com o acompanhamento. Por causa da pandemia, as pessoas, inclusive as que têm sintomas, estão deixando de ir ao médico e de fazer o rastreamento da doença, e, as que estão em tratamento, de fazer o controle”, diz Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da SBCO.

O especialista avalia que isso terá impacto humano e econômico enormes mais para frente. “Se essa situação se prolongar por muito mais tempo, haverá aumento no número de casos, de tumores em estágio avançado e de recidivas, comprometendo seriamente as chances de cura e a sobrevida dos pacientes.”

A pandemia ainda tem interferido nas internações hospitalares. De acordo com a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), nos primeiros quatro meses do ano a queda foi de 18,1%, em relação aos meses de janeiro a abril de 2019.

Focando nas enfermidades crônicas, neoplasias e doenças do aparelho circulatório e nervoso – que incluem câncer, infarto e AVC, dentre outros problemas que exigem tratamento contínuo -, as reduções foram de 23,2%, 20,9% e 26,6%, respectivamente.

Emergências não podem ser negligenciadas

Diante de todo esse cenário, as entidades de saúde brasileiras destacam que, ao mesmo tempo em que o isolamento social é fundamental para minimizar o risco de contágio pelo novo coronavírus, a população não deve suspender o acompanhamento ambulatorial, sobretudo quem sofre de cardiopatias e enfermidades autoimunes, renais, vasculares, respiratórias e oncológicas, adiar exames, consultas e cirurgias sem orientação de um profissional e nem negligenciar quaisquer sintomas importantes.

Também ponderam que médicos, hospitais e clínicas precisam manter os atendimentos aos pacientes com doenças graves e casos emergenciais não relacionados à covid-19.

Por conta disso, a SBCO enviou ao Ministério da Saúde um documento que propõe a criação de vias livres de covid-19, ou seja, de ambientes seguros, para garantir a assistência durante a pandemia e sem riscos de contaminação.

“Inicialmente, não sabíamos quanto tempo a fase mais crítica da pandemia iria durar. Como agora a expectativa é de que teremos de três a quatro meses até passar o pico e começar um declínio de casos, precisamos adaptar os serviços para retomar os atendimentos suspensos”, destaca Oliveira.

A SBHCI, por sua vez, criou a campanha “O enfarte não respeita quarentena”, com o objetivo de conscientizar e incentivar os brasileiros a procurarem ajuda imediata ao apresentarem os sintomas da doença (dor ou aperto no peito que pode irradiar para o braço, acompanhada de mal estar, cansaço e suor excessivo).

“É imprescindível que se respeite a quarentena, o isolamento social e não haja exposição de maneira desnecessária, mas, diante de um quadro suspeito, o não atendimento ou o atendimento muito retardado, pode trazer sérios riscos”, informa o presidente da entidade.

E ele acrescenta: “Não é preciso ter medo de ir até o hospital. Muitos estão trabalhando com protocolos bastante rigorosos para dar assistência segura aos pacientes”.

Nas três unidades hospitalares do Grupo Leforte (duas em São Paulo e uma em Santo André, no ABC Paulista)., por exemplo, as equipes médicas e de enfermagem de outras áreas são separadas das que estão na linha de frente do combate à covid-19. O mesmo protocolo é adotado nos ambulatórios, salas de consultas, centros cirúrgicos, áreas de internação e UTIs.

“Também temos feito um controle rigoroso para não haver aglomeração. Espaçamos as consultas, que passaram a ser realizadas de 30 em 30 minutos, e limitamos a entrada nos elevadores”, relata Sérgio Gama, diretor clínico do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama.

A rede também tem realizado o teste PCR para a detecção do novo coronavírus em todos que passarão por cirurgias de urgência e precisem ser entubados, ou conforme solicitação do médico.

“Neste momento, é fundamental que as pessoas saibam que, se precisarem de ajuda, encontrarão ambientes protegidos e preparados”, finaliza o especialista.

porCIPERJ

EPI Solidário facilita integração na pandemia

fonte: Agência Brasil

Alunos de diferentes cursos de graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF) criaram o aplicativo EPI Solidário, para smartphones, que já está disponível nas lojas Apple. O objetivo é conectar profissionais que estão necessitando de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), trabalham na linha de frente de combate ao novo coronavírus e não estão encontrando esse material no mercado, com outras pessoas ou empresas que produzam equipamentos e queiram doar. O criador do aplicativo é Eduardo de Oliveira Camara, formado em ciência da computação e, atualmente, aluno de medicina da UFF.

O professor do Instituto de Computação da UFF responsável pelo projeto, Flávio Luiz Seixas, disse à Agência Brasil que o aplicativo aproxima o doador do receptor. “Ele vai ao aplicativo e vê se tem o registro de alguém que tem EPI para fazer alguma doação solidária. O mecanismo dele é esse”. As pessoas não pagam nada para ter acesso ao aplicativo, nem para receber as doações. Daí o nome EPI Solidário, afirmou Seixas. “O aplicativo pode facilitar esse intercâmbio de informação”.

O aplicativo foi disponibilizado em versão de testes numa plataforma da Microsoft (appcenter.ms), que permite fazer seu download para dispositivos Android. Para isso, basta a pessoa interessada fazer um cadastro e registrar uma senha. O primeiro contato é por e-mail. “Assim, a pessoa já está apta a usar o aplicativo”. O APP Center é uma plataforma de anúncio de aplicativos.

Flávio Seixas disse que os alunos da equipe já estão com ideia de implementar novas funcionalidades para o aplicativo, como identificar a localização do usuário e mandar informação de que há uma pessoa próxima querendo doar. “Há particularidades que a gente vai implementar nos próximos ciclos evolutivos. A ideia é ter ciclos evolutivos constantes a partir de agora, “muitos alimentados pelo que os usuários vão comentar com a gente”, completou o professor.

Eduardo Camara acredita que o aplicativo também poderia vir a servir, por exemplo, como facilitador para outros equipamentos, incluindo aparelhos produzidos por iniciativa das universidades, como face shield (protetor facial) e respiradores.

porCIPERJ

InovaHC inicia projeto-piloto para monitorar à distância equipamentos de leitos

fonte: Saúde Business

Os cuidados à saúde e a busca por maior eficiência na administração hospitalar nunca foram tão necessários, considerando a crescente demanda por atendimentos intensivos exigidos por grande parcela da população contaminada pelo novo coronavírus (COVID-19). O objetivo é otimizar o atendimento e aumentar a segurança durante o tratamento de pacientes que necessitam de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s) e enfermarias no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HCFMUSP).

“A gente iniciou a fase de testes da plataforma, que poderá controlar, de forma remota, os ambientes hospitalares”, explica Marco Bego, diretor executivo do Instituto de Radiologia (InRad) e diretor do InovaHC. Trata-se de um projeto-piloto em fase final de testes no InovaHc – braço de tecnologia do HCFMUSP, o maior complexo hospitalar brasileiro. Bombas de infusão de fármacos, ventiladores e monitores multiparamétricos essenciais nos leitos de UTIs são os primeiros equipamentos monitorados à distância. Por meio das telas do software, os profissionais de saúde poderão operar estes equipamentos em salas adjacentes aos leitos onde são preparadas as medicações.

“O objetivo é reduzir os riscos de contaminação à COVID-19 por parte dos profissionais de saúde para que possam tratar dos pacientes em estado grave com mais segurança, qualidade e agilidade. Diversos procedimentos, a exemplo da dosagem dos fármacos nas bombas de infusão, antes realizados manualmente, agora poderão ser executadas de forma remota. Além disso, não sendo mais necessária a presença constante destes profissionais nos leitos, haverá também redução nos custos com os equipamentos de proteção individual (EPIs), como aventais, luvas, propés e máscaras”, aponta Fábio Correa, diretor de Engenharia do HCFMUSP e líder do projeto.

Para prover a comunicação do software com os equipamentos monitorados, as empresas responsáveis pela tecnologia têm desenvolvido drivers de comunicação para diversos equipamentos presentes em leitos hospitalares, com protocolos próprios (B.Braun, Philips Respironics e HL7). Por meio deles, a plataforma E3 consegue interagir e se conectar às bombas de infusão, ventiladores e respiradores, sendo capaz de monitorar dados do paciente, emitir alarmes e até mesmo modificar parâmetros remotamente. Importante salientar que as soluções são compatíveis ou adaptáveis a equipamentos de diferentes fabricantes, facilitando assim a expansão da aplicação para automação de diferentes sistemas hospitalares.