Arquivo mensal outubro 2020

porCIPERJ

Pandemia da Covid-19 deixou legados para a Medicina, como uso amplo de EPIs, telemedicina e a valorização da ciência

fonte: O Globo

A pandemia de Covid-19 trouxe grandes transformações para o cotidiano médico, e algumas deixaram legados que devem ser incorporado permanentemente à prática, dizem os próprios profissionais ouvidos pelo GLOBO.

O uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) em todas as etapas de atendimento é um deles. A necessidade de proteção contra o novo vírus fez com que fosse adotado um protocolo rígido de paramentação que incluía a retirada quase cirúrgica dos equipamentos para evitar o contágio. Pós-pandemia, o procedimento deverá continuar, sobretudo em prontos-socorros, para proteger os profissionais não apenas do coronavírus, mas também de outros agentes infecciosos transmitidos pelo ar.

A rotina da lavagem das mãos entre um atendimento e outro dentro do hospital também foi amplamente incorporada não só pelos médicos na linha de frente da Covid-19, mas pelas equipes que dão assistência a outros pacientes.

— A prática traz segurança também ao paciente, que passa a correr menos risco de ser contaminado. É um protocolo que não poderá deixar de ser feito mesmo quando a pandemia acabar — explica Robson Moura, segundo vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), que destaca que a higienização constante das mãos também entrou na rotina da sociedade em geral.

Além disso, durante a crise da Covid-19, também ocorreu a consolidação da telemedicina, autorizada no país em caráter emergencial no começo da crise. A consulta remota foi aliada, inclusive, na triagem de quem, diante dos sintomas da Covid, deveria ou não procurar um pronto-socorro no auge da pandemia.

— Embora não substitua a medicina presencial, a telemedicina complementa e facilita o acesso, resolvendo muitas coisas e direcionando de maneira muito mais racional aquilo que precisa ir para a consulta presencial — destaca Rubens Belfort Junior, presidente da Academia Nacional de Medicina, que lembra ainda que a modalidade pode economizar tempo e dinheiro tanto de profissionais quanto de pacientes.

Presidente do Cremesp, Irene Abramovich faz um alerta sobre excessos na prática:

— A medicina não pode ser exercida o tempo todo via internet, porque é uma relação humana, de ouvir e examinar o paciente.

A confiança e busca por orientação da ciência, com suas descobertas quase em tempo real, foram destacadas pelo patologista Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do laboratório Richet, como outro grande avanço nos últimos meses:

— Nunca se teve tão rápido uma descrição de uma doença como tivemos sobre a Covid. Toda a comunidade científica, dos laboratórios e das pesquisas trabalharam bastante.

Por não se ter uma terapia definida, a Covid-19 fez com que médicos tivessem que adaptar tratamentos de outras doenças à realidade dos pacientes com coronavírus. Esta experiência deu mais autoconfiança aos médicos à medida que seus pacientes se recuperavam.

— Desde o começo, falo para os meus colegas que temos que fazer a terapia intensiva que nós sabemos, que é a de cuidar de pacientes graves. Na Covid-19, cada paciente tem que ser ventilado de forma individual. Não existe receita de bolo, a resposta é a personalização. Usamos nossos conhecimentos sobre outras doenças respiratórias para ventilar o paciente de uma maneira que se evitasse mais lesões em um pulmão muito impactado pela doença — conta Felipe Saddy, médico intensivista chefe da UTI respiratória do Hospital Copa D’Or.

A relação médico-paciente também foi transformada nos últimos meses. Os profissionais de saúde se tornaram o apoio emocional dos pacientes internados em isolamento e a ponte com as famílias, que não podiam estar presentes. Muitos são os relatos de pacientes que ficaram próximos de seus médicos após superarem grandes dificuldades.

Por sim, outro grande legado foi a valorização do trabalho em equipe. Não apenas dos profissionais de saúde que atuam nos CTIs ou ambulatórios, mas de toda a organização hospitalar.

— O cuidado em saúde é complexo e depende de uma equipe multiprofissional, de uma rede organizada funcionando e do planejamento bem feito das ações. Isso ficou mais claro na pandemia porque o quadro do paciente piorava muito rápido, e era preciso de rapidez em conseguir uma vaga de UTI, por exemplo, função que não é do médico. Assim, ele percebeu quando isso funciona, o trabalho dele vai ficar mais fácil, porque ele vai poder atuar exclusivamente no cuidado do paciente  — afirma Gulnar Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

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Soperj realiza Live! nesta quarta-feira sobre transplante cardíaco em Pediatria

A Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj) organiza nesta quarta-feira, dia 21, às 19h30, Live! abordando Transplante Cardíaco em Cardiologia Pediátrica.

O evento gratuito será transmitido pela plataforma Teams.

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Presidente da CIPERJ recebe homenagem do Journal of Pediatric Urology

A Dra. Lisieux Eyer de Jesus, presidente da CIPERJ, recebeu nesta sexta-feira, dia 16, homenagem do Journal of Pediatric Urology por ser uma das dez maiores revisoras da publicação. A premiação veio com uma carta personalizada pelo editor-chefe da JPU, o Dr. Anthony A. Caldamone.

Trabalhar em prol da ciência é uma das características da Dra. Lisieux. Além de conciliar as cirurgias e escala de trabalho no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) e no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF), onde é chefe de serviço, ela dedica boa parte do seu tempo livre em produção de artigos e material científico. A cirurgiã pediatra foi também a idealizadora da Revista CIPERJ, publicação científica oficial da entidade, que está em seu 8º ano.

Confira depoimento da Dra. Lisieux sobre a importância do trabalho de pesquisa científica e da homenagem feita pela JPU

Vivemos um momento bastante confuso da história humana. Ao mesmo tempo que precisamos de verdades, vemos pessoas tripudiando da transitoriedade das verdades em ciência, o que é fato inquestionável: pesquisa e pensamento questionador não acabam, o que se sabe hoje é só um degrau para o que se vai saber amanhã. As coisas não duram mesmo, o que era inquestionável quando eu me formei pode ser ridicularizado agora. Só que foi de onde se partiu. O passado gera o futuro, e o presente vai ser passado amanhã.

Ao mesmo tempo, neste momento, algumas pessoas escolhem suas verdades favoritas ou que estejam mais de acordo com suas convicções.  Como diz a expressão idiomática em inglês, colhem só as cerejas de informação que escolhem (cherry-picking).

Pesquisa séria é a forma de progredir com bom senso, com segurança, com responsabilidade. É o jeito de provar para onde se pode ir e de descobrir como se pode melhorar.

A reavaliação de estudos por pares (o famoso peer review) é um instrumento para julgar, validar e aperfeiçoar os dados de pesquisas que serão publicados e então vão ser usados como instrumento de aprendizado para a comunidade médica. Tudo começa com a pesquisa, mas não termina com os resultados. Eles são propostos, julgados e aperfeiçoados durante a revisão por colegas anônimos. Raramente a pesquisa tem problemas insuperáveis, e não é aceita para publicação. Depois de tudo isso as informações são divulgadas e a comunidade médica as usa em benefício das pessoas em geral.

Temos visto o que acontece quando pesquisas que não passam por este processo (porque são publicadas em portais que dispensam este mecanismo) ou que são validadas de forma açodada, com pressa ou com vieses, são adotadas como verdades, durante a pandemia de covid-19.

Os revisores trabalham de forma gratuita. Posso garantir que é muito trabalho, quase sempre esquecido e muito delicado. Exige respeito para com o esforço dos autores, imparcialidade que pode ir contra suas próprias convicções e convencimentos e uma responsabilidade enorme, porque ratificar pesquisa é ser co-responsável. Precisa ser um processo construtivo e generoso. É uma concessão de autoridade, mas parte do princípio da humildade.

Fico muito grata pelo reconhecimento do J Pediatr Urol. É uma honra muito grande ser revisora para eles, que são responsáveis pela revista mais importante sobre urologia pediátrica do mundo.

Aproveito para agradecer de novo a turma de revisores da Revista CIPERJ, que faz um esforço fundamental para nós. Sem eles a Revista não existiria, não poderia continuar. Eles são importantíssimos.

 

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Profissionais de saúde investem em marca pessoal e se destacam em meio à concorrência

fonte: Saúde Business

Nas mais diversas especialidades, médicos com pouco conhecimento digital costumam ter dúvidas sobre como chamar atenção de seu público-alvo. A capacidade de gerir a própria reputação é um fator que tem ganhado cada vez mais importância no mercado de trabalho, o que não é diferente para os profissionais da saúde. Levantamento do Google, de 2019, aponta que 26% dos brasileiros recorrem ao buscador para pesquisar temas relacionados à saúde, o que reforça a preponderância dos resultados online no processo de decisão. Diante da presença e da demanda crescente no ambiente digital, os médicos também estão investindo em personal branding para se destacar no mercado.

Trabalhar a marca pessoal não significa fazer propaganda mas, sim, se posicionar perante o público de forma que ele compreenda quem é o profissional e o que ele tem a oferecer. O objetivo é construir uma imagem que se destaque e crie uma boa percepção sobre a sua identidade e a sua capacidade por meio de boas práticas, tais como planejamento estratégico, relação pós-consulta, marketing de conteúdo, dentre outras. Sendo assim, há diversas maneiras de divulgar o profissional com um trabalho ético e responsável.

Estratégias aproximam médicos e pacientes

Para o médico ginecologista Pedro Leopoldo Doria, de São Paulo (SP), as ferramentas digitais possuem grande capacidade de fazer com que o profissional se consolide como referência em sua área de atuação. “Eu prefiro uma comunicação mais transparente, em que o paciente possa acompanhar o nosso dia a dia, saber mais sobre doenças específicas ou conhecer o trabalho e o foco do médico ginecológico”, observa. Doria completa, ainda, que isso ajuda a reduzir a distância entre médico e paciente, principalmente em redes sociais, como o Instagram. “Além disso, o compartilhamento de informação de qualidade e de conhecimento científico também traz grandes benefícios, fazendo com que os pacientes vejam em você um profissional em quem podem confiar”, ressalta.

Como o comportamento dos pacientes se transformou no ambiente digital, passando a percorrer uma série de etapas até a escolha da clínica e do profissional, a presença digital e a gestão da reputação são essenciais para gerar credibilidade ao profissional. É o que explica o fisioterapeuta osteopata Weslei Lima, de São Paulo (SP), o qual revela que a chegada de pacientes por buscadores, como o Google, faz toda a diferença para a sua clínica atualmente.

“A maior parte dos nossos pacientes chegou pelos anúncios do Google. Isso acontece por causa da boa reputação que temos: o usuário pesquisa pela clínica e, além do nosso conteúdo, pode ver avaliações, comentários e experiências de outros pacientes. Tudo isso ajuda a dar visibilidade e confiança nos serviços que prestamos”, comenta Weslei Lima. “As pessoas pesquisam todos os detalhes, querem saber quem atende bem e o que dá resultado. E, quando você se posiciona de forma clara, gera credibilidade perante os pacientes e a comunidade científica, além de influenciar de forma positiva a escolha final da pessoa”, completa.

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Soperj realiza Live! nesta quinta-feira sobre Ensino Médico

A Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj) organiza nesta quinta-feira, dia 15, às 17h, Live! abordando Desafios na implantação do Ensino da Medicina em Momento de Quarentena.

O evento gratuito será transmitido pelo Instagram da entidade.

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Observatório da Saúde faz pesquisa sobre telemedicina. Participe!

O Observatório da Saúde do Rio de Janeiro é uma organização civil, que tem por objetivo acompanhar as iniciativas sobre acesso e cuidados com a saúde. Com a autorização do uso de ferramentas de Telemedicina durante a pandemia, pacientes e médicos tiveram suas dinâmicas de atendimento alteradas, de uma forma ou de outra.
Por isso a entidade que ouvir sua opinião, como médico, sobre o tema.

PARTICIPE DA PESQUISA

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Associadas da CIPERJ presentes na programação do I Congresso Brasileiro de Cirurgia Pediátrica online

O I Congresso Brasileiro de Cirurgia Pediátrica online teve início nesta segunda-feira, dia 12, e vai até o domingo, dia 18. Serão diversas palestras ao longo dos sete dias de evento e duas associadas da CIPERJ estão presentes na programação científica.

A Dra. Lisieux Eyer de Jesus será moderadora da palestra do Dr. João Luiz Pippi Salle sobre DDS no domingo, dia 18, às 10h. Já a Dra. Simone de Oliveira Coelho moderará a apresentação do Dr. Horácio Alberto Questa sobre Tumor de pâncreas e modelo 3D, no sábado, dia 17, às 15h30.

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As inscrições estão encerradas, mas caso não tenha se inscrito e queira acompanhar as atividades, basta seguir o canal do congresso no YouTube.

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Países ricos gastam quase dez vezes mais que o Brasil em Saúde

fonte: CFM

As informações do Conselho Federal de Medicina (CFM) dialogam com o relatório de Estatísticas Sanitárias 2020, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que revelou que o Estado brasileiro tem uma participação aquém das suas necessidades no financiamento da rede pública. Os percentuais destinados pela União, Governos estaduais e prefeituras às despesas com ações e serviços na área, em especial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), são insuficientes para atender a demanda e, mesmo somados, ficam bem abaixo do que é praticado em outras Nações com modelos assistenciais semelhantes ao SUS.

Apesar de diferenças metodológicas, segundo os cálculos mais recentes da OMS, com base no orçamento de 2017, o gasto público em saúde no País alcançava US$ 389 por pessoa. No Reino Unido, comumente citado pelos gestores brasileiros como exemplo de sistema universal a ser seguido, o investimento público per capita em saúde foi quase dez vezes o valor aplicado por aqui: US$ 3.064.

Em outros países de sistema universal de saúde, a regra é a mesma. França (US$ 3.376), Canadá (US$ 3.505), Espanha (US$ 1.770) e Argentina (US$ 959) aplicaram mais que o Brasil. Dentre as Nações, com modelos públicos de atendimento de acesso universal, o Brasil também aparece com a menor participação do Estado nas contas da saúde: apenas 41,9% do gasto total tem como origem os cofres públicos.

O restante foi gasto pelas das famílias, com serviços de saúde privados (incluindo planos de saúde) e compra direta de medicamentos. Nesses mesmos países, a participação pública no gasto total em saúde variou entre 70,6% (Espanha) e 79,4% (Reino Unido).

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Pandemia leva à redução de consultas no pré-natal e de apoio para cuidar de bebês

fonte: Folha de SP

Redução de consultas e exames no pré-natal, menos participação dos parceiros no acompanhamento da gravidez, queda de rendimentos e falta de apoio para cuidar do bebê.

Esses são alguns dos transtornos que a pandemia de coronavírus tem trazido às gestantes e puérperas brasileiras, segundo pesquisa online inédita. Para 84% delas, a experiência da gravidez ficou mais difícil devido à crise sanitária.

A pesquisa foi feita com 2.753 mulheres (1.713 grávidas e 1.040 puérperas), de todas as classes sociais, feita entre 23 de julho e 8 de agosto em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.

O estudo foi feito pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da ONU Mulheres e da plataforma BabyCenter, em parceria com o Unicef, Organização Pan-Americana da Saúde e Fundo de População das Nações Unidas.

Segundo o levantamento, uma em cada três gestantes diminuiu a ida a consultas de pré-natal e a realização de exames presenciais durante a pandemia.

A maioria (52%) relata muita preocupação em sair de casa para monitorar a gestação.

“O medo aliado à falta de informação sobre o coronavírus podem estar prejudicando a saúde e colocando em risco inúmeras mulheres e bebês em formação, um impacto negativo que ainda não é possível medir, mas que certamente trará consequências futuras”, diz Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão, organização que atua pelos direitos das mulheres.

Embora a oferta geral de consultas virtuais tenha crescido nesse período no setor da saúde, 59% das grávidas ainda preferem o acompanhamento presencial da gravidez. Das que se consultaram a distância, 58% se sentiram satisfeitas, contra 85% das que fizeram consultas presenciais.

Ainda há muita desinformação. Por exemplo, só 32% das entrevistadas se sentem bem informadas sobre medidas que a maternidade está tomando para evitar o contágio.

Mais da metade das entrevistadas diz não saber se pode haver transmissão vertical (da mãe para a criança) em caso de infecção na gravidez. Ainda estão sendo realizados estudos para comprovar essa relação.

Apesar de a quase totalidade das mulheres (98%) ter relatado vontade de amamentar (ou dizer que já estava amamentando), 49% dizem que não o fariam se estivessem com o vírus.

O índice sobe para 67% nas classes D e E. Estudos recente mostram que o vírus não é transmitido pelo leite materno.

“A ciência ainda não tem respostas para várias questões, mas, para as quais já existem, é preciso que sejam passadas de forma clara. Isso diminui muito a angústia, o medo”, diz ​Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva

Mais da metade (53%) das gestantes também não sabia se poderia ter acompanhante no hospital no pós-parto, o que é garantido por lei desde 2005. Mas em muitas maternidades públicas isso não tem ocorrido.

Em estados como Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Tocantins e no Distrito Federal, as Defensorias Públicas têm atuado para assegurar esse direito das mulheres.

Para Jacira Melo, é urgente que sejam desenvolvidos protocolos específicos de informações para essas mulheres pelas áreas de gestão em saúde e maternidades.

“Embora precisem ter os mesmo cuidados e precauções que as outras pessoas para evitar a Covid-19, considerando as mudanças no corpo e no sistema imunológico, as grávidas podem ser afetadas de forma mais severa.”

Estudo publicado em julho na revista médica International Journal of Gynecology and Obstetrics colocou o Brasil como recordista no mundo em mortes maternas relacionadas à Covid-19. À época, o país tinha 124 óbitos —um mês depois, já somava mais de 200, o que representava 77% das mortes maternas no mundo.

Segundo dados do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, as grávidas e puérperas têm mais chances de desenvolver complicações da Covid-19, com 1,5 mais internações em UTIs e 1,7 maior necessidade de ventilação mecânica e óbito, em relação a outras mulheres.

A necessidade de distanciamento social trouxe outras consequências para o período de gestação: 39% das entrevistadas dizem que houve diminuição da participação do cônjuge nas consultas de pré-natal e puerpério e 87% afirmam não ter apoio para cuidar do bebê.

Por exemplo, uma em cada três mulheres não sabe onde vai deixar o bebê após a licença-maternidade.

É o caso da bancária Marta de Souza, 35, que busca uma babá para ficar com o filho Pedro, de seis meses.
Com os pais morando no interior e o marido, também bancário, já em trabalho presencial, ela havia planejado, antes da pandemia, deixar o bebê em um berçário conveniado com o banco, mas o local continua fechado devido à pandemia.

“Vai ser um enorme aperto financeiro [contratar uma babá], mas não tem jeito. Não posso abrir mão do meu emprego nesse momento”, diz ela.

Entre as 16% das mulheres que, assim como Marta, pretendiam deixar seus bebês nas creches após a licença maternidade, 44% ainda não sabem quem tomará conta da criança.

Para Maíra Saruê, a pesquisa revela que, nos momentos mais delicados da maternidade, na gravidez e no pós parto, as mulheres estão sentindo inseguras e abandonadas.

“Elas perdem a rede de apoio quando mais precisam. O companheiro sai para trabalhar, ela tem medo de receber visitas. Mais do que nunca precisam de apoio psicológico, de acolhimento.”

O impacto financeiro já é sentido pelas maioria das entrevistadas: 60% tiveram redução de rendimentos, segundo o estudo.

“Muitas mulheres já abandonavam os empregos antes da pandemia por não ter com quem deixar o bebê.

Não encontravam vagas em creches públicas, não tinham condições de pagar uma babá. Agora a situação está ainda mais delicada”, afirma Sauê.

PRINCIPAIS RESULTADOS DA PESQUISA

  • 31% não tiveram orientação sobre como evitar a contaminação durante as consultas de pré-natal
  • 58% têm medo de sair de casa para fazer os exames de acompanhamento gestacional
  • 32% se sentem bem informadas sobre medidas adotadas pela maternidade para evitar contágio
  • 53% tiveram algum sintoma compatível com a infecção pelo coronavírus
  • 85% delas não fizeram nenhum teste para confirmação da suspeita
  • 87% dizem que não têm ou terão ajuda para cuidar do bebê
  • 60% tiveram queda da renda familiar
  • 31% não sabem com quem ficará o bebê quando acabar a licença maternidade
  • 18% dizem que as brigas domésticas aumentaram
  • 75% querem sair mais rápido da maternidade para evitar contaminação
  • 54% não permitem ou permitirão visitas ao bebê por medo de contágio
porCIPERJ

Faperj lança edital destinado a publicação de estudos e pesquisas

fonte: Faperj

A direção da FAPERJ anunciou, na sexta-feira, dia 25 de setembro, o lançamento do Programa de Apoio à Editoração – 2020. O edital se destina a apoiar a difusão e divulgação de pesquisas e/ou estudos desenvolvidos no Estado do Rio de Janeiro, fomentando a sua edição em formato de livro, e-book, coletânea, publicação periódica temática, obra de referência, CD (de áudio, de dados e híbridos) e DVD (de vídeos documentários, científicos ou educativos, de dados e híbridos) nos suportes impresso, eletrônico ou digital. Entre as exigências do edital está a necessidade de que os proponentes sejam pesquisadores com grau de doutor ou equivalente, com vínculo empregatício ou estatutário em instituições de ensino superior e/ou de pesquisa sediados no Estado do Rio de Janeiro.

O edital Programa de Apoio à Editoração – 2020 retoma uma modalidade de fomento tradicional da FAPERJ, o Auxílio à Editoração – APQ3, interrompido em 2017 em função da crise fiiscal por que passou Estado do Rio de Janeiro. Obras já contempladas em edições anteriores de Programas de Editoração da FAPERJ e que não tenham sido executadas podem se recandidatar desde que incluam justificativa e mantenham atualidade científica e/ou acadêmica.

O presidente da FAPERJ ressalta que essa forma de financiamento também tem resultados expressivos no apoio à atividade econômica do Estado do Rio de Janeiro. “Através do apoio à editoração possibilitamos o incremento dos setores de edição, parques gráficos e todos os profissionais que se integram nos processos de impressão de livros, CDs e DVDs no Estado do Rio de Janeiro”, disse Jerson Lima.

Para a diretora Científica da Fundação, Eliete Bouskela, com o lançamento do edital a FAPERJ sinaliza para a comunidade que o apoio a publicações acadêmicas e de caráter científico, tecnológico e de inovação, reforça seu contínuo compromisso com a sua atividade-fim, que é proporcionar a multiplicação do conhecimento, das técnicas, metodologias e resultados alcançados pela comunidade fluminense. “Apoiar publicações científicas e tecnológicas é um dos mais eficazes meios de garantir que os resultados conquistados pelos projetos financiados pela Fundação ganhem ampla divulgação não apenas entre pesquisadores e inovadores, mas também para toda a população fluminense”, destacou.

Coordenadora da Área de Letras da FAPERJ, a professora Beatriz Resende avalia que o momento é muito oportuno para a retomada do programa, de especial importância para a produção acadêmica fluminense. “Com as editoras vivendo grandes dificuldades econômicas, o sistema de produção e distribuição de livros enfrenta crise sem precedentes. O apoio da FAPERJ vai viabilizar a edição de livros que dificilmente seria publicados de outra forma. Além da contribuição para a circulação de obras de importância acadêmica, será também um alento para várias editoras, especialmente as pequenas”, disse Beatriz, Professora Titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O prazo para submissão de propostas vai de 25 de setembro a 29 de outubro de 2020.Confira a íntegra da chamada e seus anexos no endereço a seguir:

Clique no link abaixo para acessar o conteúdo do edital:

Programa de Apoio à Editoração – 2020