Arquivo mensal novembro 2020

porCIPERJ

CREMERJ se posiciona contra não médicos acompanharem gestantes

fonte: Cremerj

O CREMERJ se posicionou contrário ao item 143 da Consulta Pública 81, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), acerca do rol de procedimentos na rede privada. A proposição do órgão sugere o acompanhamento pré-natal por enfermeiro obstetra ou obstetriz.

O Conselho redigiu um documento, com seu posicionamento oficial, em que destaca que “tal sugestão vai frontalmente contra a Lei 12842, de 10 de julho de 2013, que regulamenta o exercício da medicina; traz riscos às gestantes e recém-nascidos atendidos pela saúde suplementar; e tem potencial de aumentar as já elevadas taxas de mortalidade materna do nosso país”.

Clique aqui e confira o documento na íntegra!

porCIPERJ

IPO deve levar Rede D’Or ao seleto ‘clube dos R$ 100 bilhões’

fonte: O Globo

A oferta pública de ações (IPO, pela sigla em inglês) da Rede D’Or pode colocar o grupo do ramo de saúde no seleto time das empresas cujo valor de mercado supera os R$ 100 bilhões. Atualmente, este ranking contém apenas nove empresas. Os especialistas ponderam, no entanto, que o caso da Rede D’Or é um ponto isolado e que dificilmente outras empresas chegariam à Bolsa com tamanha capitalização.

Entre os motivos que explicam a robustez do possível valor de mercado do grupo hospitalar estão o envelhecimento da população e, mais recentemente, a pandemia da Covid-19. A empresa deve estrear na Bolsa no dia 10 de dezembro.

— O Brasil está perdendo seu bônus demográfico, e esse movimento não é de hoje. Conforme a população envelhece, passa a prestar mais atenção à saúde. O processo de crescimento das empresas de saúde é mais antigo. A favor da Rede D’Or também está a verticalização de suas operações, é a própria empresa quem controla os seus hospitais e serviços — explica Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, acrescenta que o fato de a empresa oferecer serviços considerados premium também pesa para as projeções de uma valorização maior da rede:

— As operações da Rede D’Or são de ponta, seus hospitais estão no seleto grupo dos melhores do país. Isso também influencia na hora em que são feitas as contas para definir preço-alvo e capitalização. Além do serviço, a marca é um peso que contribui para fazer preço. Olhando para o mercado atual, é difícil encontrar empresas com tal perfil, o que dificulta apontar possíveis novos casos de IPO na faixa de R$ 100 bilhões.

Duas das empresas que fizeram ofertas de ações bem-sucedidos este ano, Grupo Mateus e Petz, estão com capitalização muito inferior àquela que a Rede D’Or pretende obter. No fechamento dos negócios em 16 de novembro, a rede varejista do Norte e Nordeste valia R$ 18,5 bilhões. Já a empresa do ramo de pet shop fechou com valor de mercado de R$ 6,9 bilhões.

— O mercado está bastante seletivo quanto aos IPOs. Neste ano, vimos empresas desistindo de abrir capital porque as condições de preço não estavam vantajosas. E quem conseguiu, no momento do IPO, o valor de mercado ficou na faixa de R$ 5 bilhões. Existe espaço para muitas outras empresas e setores na Bolsa, mas dificilmente veremos uma capitalização inicial tão robusta como estes possíveis R$ 100 bilhões da Rede D’Or — acrescenta Guimarães.

Busca por rentabilidade

Os especialistas projetam que os IPOs devem seguir ocorrendo no Brasil por conta do maior apetite por rentabilidade dos investidores, especialmente pessoas físicas descontentes com os baixos retornos de aplicações mais conservadoras.

Em outubro deste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, contabilizava 3,1 milhões de investidores pessoas físicas, um salto de 71,8% frente a janeiro. A projeção é que a pressão da demanda leve mais empresas a abrirem seu capital.

A taxa básica de juros (Selic) está hoje em 2% ao ano, seu menor patamar histórico, e a inflação deve encerrar 2020 em torno de 3%. Isso significa que aplicações conservadoras, como renda fixa e caderneta de poupança, estão com retorno negativo. A saída para os investidores é buscar opções de maior risco, como o mercado de ações.

— A partir do momento em que a remuneração da renda fixa não está sendo compatível com as expectativas de retorno, é preciso correr riscos. O mercado todo passou por sustos intensos no auge da pandemia, o que afetou muitas empresas. Elas viram na abertura de capital uma alternativa mais barata de conseguir recursos em um momento difícil como o recente. Se as empresas precisam de financiamento, investidores querem mais retorno. Isso explica, em partes, tantos IPOs em um ano conturbado como 2020 — sublinha Esteter, da Guide.

O analista acrescenta que o fato de haver mais empresas na Bolsa também favorece a economia real:

— Ao obterem financiamento mais barato pelo Bolsa, as empresas conseguem expandir suas operações. Isso tende a se traduzir em maior geração de empregos e, consequentemente, melhora na renda das famílias. A diversificação de empresas e setores é bom tanto para o mercado quanto para a economia real.

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Liga de Cirurgia de Botucatu realiza aula online nesta 3ª abordando Mulheres e Cirurgiãs: Conquistas e Desafios

A Liga de Cirurgia de Botucatu realiza nesta terça-feira, dia 24, a partir das 18h30, sua última aula em 2020, que será online e terá como tema Mulheres e Cirurgiãs: Conquistas e Desafios.

O evento contará com as participações de:

  • Dra. Angelita Gama, referência em cirurgia no Brasil e no mundo;
  • Dra. Érika Ortolan, docente da cirurgia pediátrica da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP;
  • Dra. Maristela Almeida, cirurgiã pela USP.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o horário do evento.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO

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CIPERJ dá os parabéns a associado pela conclusão de Doutorado

A diretoria da Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro dá os parabéns ao nosso associado Irnak Marcelo Barbosa pela conclusão de seu Doutorado, através da defesa de tese sobre Pancreatite aguda experimental em ratos: efeitos da heparina e condroitim sulfato fucosilado, ocorrida no dia 17 de novembro de forma online.

“Iniciei este estudo em julho de 2016 e conclui em 2020. Este estudo pertencia ao Programa de Pós-graduação denominado Produtos Bioativos e Biociências, da UFRJ. Conclui meu mestrado em 2000, e só agora pude terminar o Doutorado. Este é o desafio da especialidade, com número reduzido de pessoas, mas mesmo assim acreditemos nos nossos sonhos, a minha idade não é medida pelo cronos, e sim pelo tempo de realização”, declarou Dr. Irnak.

A tese foi realizada no NUPEM, no laboratório denominado LICM, Laboratório Integrado de Ciências Morfofuncionais.

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Pandemia pode aumentar o risco de resistência microbiana

fonte: Anvisa

Embora seja uma descoberta recente, a Covid-19 pode agravar o desenvolvimento de superbactérias resistentes aos atuais tratamentos de infecções. Entenda por que isso acontece nesta matéria da série de textos abaixo:

Pandemia

O novo coronavírus (Sars-CoV-2) provocou uma situação global conhecida como pandemia, caracterizada pela disseminação e ocorrência de uma doença em todos os continentes do planeta. Neste cenário, que levou ao adoecimento de uma boa parte da população e à internação hospitalar de milhares de pacientes em todo o Brasil, muitos deles com quadros graves de infecções pulmonares e outras complicações, existe uma grande preocupação com a automedicação e o uso indevido ou inadequado de medicamentos, especialmente os antimicrobianos.

De acordo com a OMS, o uso indevido de antibióticos durante a pandemia de Covid-19 pode levar à aceleração do surgimento e da disseminação da resistência microbiana. A doença é causada por um vírus (Sars-CoV-2) e não por uma bactéria. Por esse motivo, os antibióticos não devem ser usados para prevenir ou tratar a Covid-19, ou mesmo outras infecções virais, a menos que doenças bacterianas também sejam diagnosticadas.

Mas, segundo a OMS, evidências mostram que apenas uma pequena proporção de pacientes infectados com o novo coronavírus precisa de antibióticos para tratar infecções bacterianas que se desenvolveram no momento de baixa imunidade.

Portanto, assim como ocorre em outras infecções virais, notadamente as gripes e resfriados, prescrições incorretas de antibióticos para tratar os vírus ou até mesmo a automedicação podem favorecer o surgimento acelerado e a disseminação da resistência microbiana, criando superbactérias que não respondem aos tratamentos disponíveis atualmente.

Unidade de terapia intensiva (UTI)

Além disso, a pandemia de Covid-19 acarreta um aumento das internações hospitalares de pacientes graves, principalmente nas unidades de terapia intensiva (UTIs), onde o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras) é ainda maior. Isso ocorre devido à necessidade de um maior número de procedimentos e à utilização de dispositivos invasivos como cateteres e ventilação mecânica, favorecendo a transmissão de microrganismos multirresistentes e o aumento do uso de antimicrobianos.

Medicamentos falsificados na pandemia

A falsificação também pode ser uma forte aliada do aumento da resistência microbiana, assim como os produtos de baixa qualidade, pois não cumprem as funções esperadas de um medicamento. Além de não tratar a doença, esses produtos podem agravar quadros de saúde, aumentar o tempo e o custo de internações, além de causar mortes. Dados da OMS indicam que entre 72 mil e 169 mil crianças morrem anualmente de pneumonia devido a antibióticos falsificados.

De acordo com um relatório organizado pelo Laboratório de Inovação do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (InovaHC/USP), a comercialização de medicamentos ilegais se acentuou durante a pandemia de Covid-19. E, neste contexto, os antibióticos ocupam o topo do ranking de apreensões de medicamentos falsificados em alfândegas, correspondendo a 37% do total.

Para mais informações, acesse os links abaixo.

Informações técnicas

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Brasil aplicou até agora apenas 20% dos testes prometidos

fonte: O Globo

Enquanto as atenções se voltam para a possível descoberta de uma vacina contra a Covid-19, o plano de testagem no Brasil patina. Desde setembro, a quantidade de exames moleculares (do tipo PCR, adequados para fazer diagnóstico) realizados por mês na rede pública está em queda. Mantido o ritmo atual, a meta do Ministério da Saúde, de chegar a 24,6 milhões de testes ainda em 2020, só será atingida em um ano e 10 meses, ou seja, por volta de agosto de 2022.

Até o fim de outubro, 5 milhões de exames do tipo PCR para Covid-19 haviam sido feitos no Brasil nos laboratórios públicos, segundo dados do último boletim do Ministério da Saúde. A média diária de testes processados atingiu o pico em agosto, com 34,4 mil unidades, caindo para 31,4 mil em setembro e fechando outubro com 28,6 mil.

A previsão do governo, ao relançar o programa Diagnosticar para Cuidar — já na gestão de Eduardo Pazuello —, era de que os laboratórios públicos chegassem à capacidade de 70 mil testes por dia em meados de julho.

Especialistas em saúde e em pesquisa são unânimes em ressaltar que uma estratégia adequada de testagem é a principal medida até agora para lidar com a pandemia, ainda que haja estudos promissores sobre vacinas. Ter uma cobertura adequada de diagnóstico também é fundamental para antever e, com isso, minimizar uma eventual segunda onda pela qual o país poderá passar em breve.

— O Brasil nunca teve uma estratégia de testagem em nível federal ou estadual, que alcance os sintomáticos leves e moderados e os contatantes, inclusive os assintomáticos, que são os que mais transmitem. É preciso investir nisso, com ou sem vacina, que também não é uma mágica, já que podemos levar meses ou anos para imunizar toda a população — afirma Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Doutora em neurociência pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenadora da Rede Análise Covid-19, Mellanie Fontes-Dutra rechaça a ideia da queda de testagem como consequência natural de uma diminuição de casos experimentada nos últimos meses — tendência que já sofre revés com uma nova alta recente nos números.

— Se estivéssemos em um cenário de queda de casos, seria o momento de testar ainda mais, para tentar fazer, pela primeira vez, uma estratégia de rastreio. É isso que traz informação sobre a circulação real do vírus. Nossa testagem é reativa, só alcança quem vai aos hospitais — diz Fontes-Dutra.

Essa testagem “reativa”, feita apenas nos doentes que procuram os serviços de saúde com sintomas, mina a capacidade de se antecipar para dar uma resposta efetiva à pandemia, afirma Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados que integra a Rede Análise Covid-19.

Ao cruzar dados oficiais, ele identificou um fenômeno que evidencia a insuficiência da testagem no Brasil: houve primeiro registro de alta nas internações em leitos clínicos em Porto Alegre (no dia 25 de setembro) e em São Paulo (no dia 15 de outubro), para só depois se ver a escalada na notificação dos casos (em 13 de outubro na capital gaúcha e em 20 de outubro na capital paulista).

— Se houvesse uma testagem eficiente e ampla, seria o contrário: os casos aumentariam sete dias ou mais antes das internações, por causa do tempo de sintomas e de piora — explica Schrarstzhaupt, que pretende estender o estudo a outras capitais.

Sem equipamento

Segundo ele, há bons exemplos de políticas de testagem no mundo, como a Coreia do Sul e Nova York:

— Com uma estratégia de testagem ativa, como na cidade de Nova York faz, teríamos captado o aumento atual de casos antes. Lá, se há uma alta na taxa de testes positivos em um bairro, o local fica com mais restrições. Ou seja, pegam o surto no nascedouro.

Os gargalos para uma política ampla de testagem começam na falta de estrutura e de insumos, que englobam equipamentos, kits de reagentes, recursos humanos. O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, pediu uma agenda com o Ministério da Saúde na semana que vem para solicitar mais testes, a fim de fazer o rastreio da doença (leia mais abaixo).

Segundo Carlos Lula, a escassez de insumos com a chegada da pandemia só foi superada em agosto, o que levou ao atraso do processo de automatização dos Laboratórios Centrais (Lacens) da rede pública. Novos equipamentos são necessários para agilizar os processamentos de amostras:

— Enquanto os Lacens não forem equipados, testes continuarão sendo remetidos para laboratórios de referência, como Fiocruz do Ceará, Fiocruz do Paraná e Dasa, em São Paulo, aumentando o tempo de resposta.

O outro gargalo apontado por especialistas é fazer com que o teste esteja acessível à população. Algumas promessas nesse sentido foram feitas pelo Ministério da Saúde, mas não saíram do papel. Uma delas era a instalação de postos volantes de testagem (no formato de drive-thrus) em cidades com mais de 500 mil habitantes. Outra medida prometida era ampliar a testagem para 100% dos casos, mesmo que leves, nas unidades da rede sentinela do SUS, que faz o controle de rotina de vírus respiratórios no país.

O Ministério da Saúde foi procurado pelo GLOBO desde o último dia 12 sobre o ritmo da testagem no Brasil, mas não respondeu.

porCIPERJ

Entidades chamam proposta de reforma tributária de nefasta

fonte: Folha de SP

Mais de 70 entidades empresariais assinaram manifesto que foi enviado a parlamentares no dia 3 de novembro, com críticas às propostas de reforma tributária em discussão. Segundo eles, os setores de serviços sofreriam muito com o aumento de impostos na PEC 45, da Câmara dos Deputados e que unifica cinco tributos sobre o consumo, e no PL 3887, do Governo Federal e que une o PIS e a Cofins.

Os signatários chamam as propostas em tramitação de nefastas e dizem que, apesar das audiências com os setores, os textos têm sido elaborados de maneira velada e pouco equilibrada.

Quem lidera a manifestação é a entidade dos serviços Cebrasse, que reuniu assinaturas de associações como Abras (supermercados), Abih (hotéis), Sidhosp (hospitais e clínicas), Abrafesta (eventos) e outras.

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Farmacêuticas nacionais querem produzir princípios ativos no País

fonte: Estadão

Nos anos 1980, o País chegou a ser o quinto fabricante de princípios ativos para indústria farmacêutica. Mas a produção nacional foi inviabilizada, com a abertura comercial. Resultado: China e Índia se tornaram os grandes produtores. Com a pandemia e a paralisação das atividades nos dois países, a indústria nacional de medicamentos, que responde por 50,5% das vendas de R$ 69,8 bilhões no varejo, sentiu o baque da dependência externa e começou a trabalhar num projeto para fabricar insumos aqui, diz Henrique Tada, diretor da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais. “Tudo indicava que esse bonde tínhamos perdido para sempre, mas a pandemia trouxe de volta.”

Qual foi o impacto da pandemia na indústria farmacêutica nacional?

Cerca de 90% das matérias-primas usadas para produzir os medicamentos são importadas. Os preços desses princípios ativos estão atrelados ao câmbio. Com o dólar que chegou a valer R$ 6 e depois recuou, tivemos matérias-primas que aumentaram até 300% em dólar. Também o custo do frete marítimo subiu porque as empresas de transporte pararam por causa da pandemia. Além da questão do custo, houve problemas de disponibilidade de matéria-prima porque a China e a Índia, que concentram a produção de princípios ativos, pararam. Hoje a situação caminha para a normalidade, mas os preços são outros.

Qual foi a reação do setor?

Diante da franca dependência das matérias-primas importadas da China e da Índia, a indústria nacional desenhou um projeto bem interessante com o governo federal para voltar a produzir as matérias-primas aqui. Tudo indicava que esse bonde tínhamos perdido para sempre, mas a pandemia trouxe de volta.

Em que pé está o projeto?

Está em fase de discussão, cerca de dez laboratórios devem participar. Antes, tinham empresas com projetos individuais, mas não havia ambiente favorável para serem implementados. Agora, o setor despertou para o problema e também está no jogo o apoio do governo, com leis específicas e redução de impostos.

Como estão as negociações?

Fizemos várias reuniões com os Ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia e da Saúde. Foi um tema que a pandemia trouxe de volta e estamos tratando para que realmente esse projeto aconteça. Temos capacidade técnica para fabricar os princípios ativos. O que faltava era vontade, projeto e condições econômicas favoráveis para implementação.

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Com desmonte de hospitais de campanha, rede de saúde do Rio fica sob pressão

fonte: O Globo

Nos últimos oito meses, a aposentada Nuvenice dos Santos tomou todos os cuidados e fez quarentena para evitar o coronavírus que, aos 87 anos, seria de alto risco. Quando a prefeitura flexibilizou as medidas de restrição, ela respirou aliviada por acreditar que o pior já tinha passado. Há mais de uma semana, ela está sem olfato e teve distúrbios digestivos. Um exame a fez encarar o que mais temia: um resultado positivo para Covid-19. O caso de Nuvenice não é isolado. Depois de a cidade ultrapassar o pico da pandemia em maio, inclusive com o desmonte dos hospitais de campanha, os cariocas voltam a sentir medo.

A taxa de ocupação de leitos em UTI por pacientes de Covid-19 nas unidades da rede municipal do Rio bateu recorde esta semana, acima inclusive do índice alcançado quando as estatísticas estavam lá no alto. Dos 251 leitos disponíveis, 244 estavam ocupados no domingo, o equivalente a 97% do total. Como há oscilações, o número no fim da tarde desta segunda-feira caiu para 230 internados, o que reduziu a taxa para 91%. As unidades das redes federal e estadual do SUS na capital tinham 79% dos leitos de UTI ocupados, o que também não é pouco.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO consideram o indicador preocupante. Sem os hospitais de campanha e com a flexibilização do isolamento social, em que várias atividades foram retomadas, o cenário pode ser do que chamam de “tempestade perfeita”, em que as condições se combinam para favorecer a proliferação do vírus. Ao mesmo tempo, eles observam que o quadro pode ter sido agravado pelo mau comportamento dos eleitores que, no fim de semana, foram às urnas, sem seguir as regras sanitárias, inclusive sem máscaras de proteção que são obrigatórias. Também criticam o fato de que não havia aferição da temperatura do público nas zonas eleitorais.

— Neste fim de semana, realmente tivemos um aumento nas internações. Já há hospitais particulares com quase todos os leitos para Covid ocupados e a rede pública está chegando ao limite da sua capacidade. Ainda é contornável, mas está mais difícil do que estava — diz o diretor da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj), Graccho Alvim.

Rede privada em alerta

O aumento de internações também foi detectado na rede privada. No sábado,o Hospital Unimed-Rio, que fica na Barra da Tijuca, bairro com mais casos confirmados de coronavírus durante a pandemia (5.043), divulgou nota afirmando que há um viés de alta nas internações por Covid-19. Segundo o hospital, que em todo o mês de outubro contabilizou 60 internações por coronavírus, houve nos primeiros 13 dias deste mês o ingresso de 46 pacientes na unidade. “Atentos a essa situação, seguimos trabalhando no redimensionamento da nossa capacidade de internação, mas fazemos um alerta à população para que mantenha as medidas de prevenção, como usar máscara em todos os ambientes, evitar aglomerações e higienizar constantemente as mãos”, diz a nota da empresa.

Chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital dos Servidores do Estado e membro do comitê científico da prefeitura, Sylvio Provenzano diz que ainda não há motivo para um lockdown, mas faz um apelo para que a população obedeça às regras de ouro.

— Confesso que estou apreensivo, como médico. As regras não estão sendo respeitadas. No domingo, vi imagens na TV que mostravam diversas pessoas indo votar sem máscaras. Na zona eleitoral em que votei, tinha álcool em gel, mas ninguém mediu minha temperatura — ressalta.

Segundo a prefeitura do Rio, a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 das unidades do município do Rio não pode ser analisada isoladamente. Oficialmente, a Secretaria municipal de Saúde divulga a taxa de ocupação de leitos da rede SUS na capital, o que inclui também unidades estaduais e federais. Nesta segunda-feira à tarde, essa taxa estava em 79% de ocupação. O número, no entanto, também é considerado alto por especialistas, já que organismos de saúde indicam que 85% é o limite aceitável.

Com o anúncio feito pelo prefeito Marcelo Crivella, no início do mês, de que o Hospital de Campanha do Riocentro seria desmontado em breve, entre novembro e dezembro, o sinal de alerta acendeu para os especialistas.

— Nos hospitais da rede privada, os leitos estão com alta ocupação, mas existe a capacidade de aumentar a oferta e transformar outros em vagas para Covid. Mas, e na rede pública? — indaga Graccho Alvim.

Família contaminada

A aposentada Nuvenice sentiu na pele a dificuldade da prefeitura em lidar com a escassez de vagas. Após os primeiros sintomas da doença, no início da semana passada, ela primeiramente procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Engenho de Dentro, onde ficou internada. Sem recursos para tratá-la adequadamente, os médicos recomendaram sua transferência que, no entanto, só aconteceu no sábado, por ordem judicial.

Neto de Nuvenice, o técnico de informática Eduardo Simões conta que viveu momentos de aflição até que a Defensoria Pública conseguisse uma vaga para avó na UTI do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari.

— A UPA fez o início do tratamento, mas ela precisava fazer tomografia e outros exames — conta Eduardo que também teve sintomas, assim como dois tios, todos moradores do mesmo terreno, em Cordovil, na Zona Norte.