Taxas de sífilis no Brasil dispararam na última década

porCIPERJ

Taxas de sífilis no Brasil dispararam na última década

fonte: Associação Paulista de Medicina

Em uma década, a taxa de brasileiros com sífilis adquirida por 100.00 habitantes foi de 2,1 (em 2010) para 72,8 (2019). Os números também cresceram nos casos de sífilis em gestantes e de sífilis congênita. Em 2010, a cada 1.000 nascidos vivos, 3,4 tinham a doença congênita, bem como 3,5 gestantes mantinham a condição. Em 2019, os números saltaram para, respectivamente, 8,2 e 20,8.

As informações são da edição especial do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, que compilou dados, indicadores e análises sobre a sífilis no Brasil ao longo dos anos.

Mais especificamente sobre os casos de sífilis adquirida, somente em 2019 o Brasil teve 152.915 casos. O estudo também indica que, entre 2010 e junho de 2020, foram notificados 783.544 casos – 52,7% no Sudeste, 22,2% no Sul, 13% no Nordeste, 6,8% no Centro-Oeste e 5,2% no Norte.

No último ano, a maior parte das notificações de sífilis adquirida ocorreu em indivíduos entre 20 e 29 anos (36,2%), seguidos por aqueles na faixa entre 30 e 39 anos (21,8%). Na abrangência da série histórica, observa-se que 41,1% dos casos ocorreram em homens e 58,9% em mulheres. Os pardos e pretos (48,3%) são mais afetados do que os brancos (35,3%).

A série histórica dos casos de sífilis em gestantes é maior, englobando números de 2005 a junho deste ano. Ao todo, no período foram 384.411 notificações – 45,3% no Sudeste, 20,9% no Nordeste, 14,8% no Sul, 10,2% no Norte e 8,8% no Centro-Oeste. No último ano, as notificações ficaram em 61.127.

Quando analisada a idade gestacional de detecção de sífilis em gestantes, observou-se que, em 2019, a maior proporção das mulheres (38,7%) foi diagnosticada no primeiro trimestre, ao passo que 24,2% representaram diagnósticos realizados no segundo trimestre e 30,4% no terceiro trimestre.

Ainda mais ampla, a série histórica dos casos de sífilis congênita mostra que, entre 1998 e junho de 2020, o Brasil teve 236.355 notificações em menores de um ano de idade. Dos casos, 44,5% foram no Sudeste, 29,8% no Nordeste, 11,5% no Sul, 8,5% no Norte e 5,7% no Centro-Oeste. Somente em 2019, foram 24.130 casos de sífilis congênita no País.

O estudo
A edição especial Boletim Epidemiológico sobre a sífilis foi produzida pelo departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, ligado à SVS, com o

propósito de disponibilizar dados e informações sobre as tendências da doença no País, visando aperfeiçoar a capacidade de formulação, gestão e avaliação de políticas e ações públicas.

Em essência, o conteúdo busca refletir algumas das principais características da epidemiologia da sífilis no Brasil. O material trabalha em três eixos principais: casos de sífilis adquirida; de sífilis em gestantes; e de sífilis congênita. Os dados foram retirados, até 30 de junho deste ano, do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério.

Para os responsáveis pelo boletim, é essencial expandir e facilitar o acesso a essas informações. Por isso, os dados também foram disponibilizados no Painel de Indicadores Epidemiológicos dos 5.570 munícipios brasileiros. Esse painel apresenta a distribuição municipal de 18 indicadores de sífilis, visando melhorar a qualidade e tempestividade das tomadas de decisão realizadas por diferentes instâncias de gestão.

No Boletim, o Ministério da Saúde afirma estar executando diversas estratégias de abrangência nacional para o controle da sífilis no País, entre as quais: compra centralizada e distribuição de insumos de diagnóstico e tratamento; desenvolvimento de instrumentos de disseminação de informação estratégica aos gestores; instrumentalização de salas de situação em todos os estados; realização de Campanha Nacional de Prevenção; e desenvolvimento de estudos e pesquisas voltados para o enfrentamento da sífilis no Sistema Único de Saúde (SUS)

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