Arquivo anual 2020

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Sem doses para todos: definição de critério para vacinação contra Covid-19 gera debate no Brasil

fonte: O Globo

Sem a perspectiva de imunizar toda a população de uma vez só, o Ministério da Saúde já discute critérios para priorizar determinados grupos numa eventual vacina contra a Covid-19. Especialistas apontam que, para essa decisão ser tomada, é preciso considerar que pessoas com mais risco devem estar no começo da fila. Essa estratégia, porém, diverge da divulgada pelo governo nesta semana.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, o governo usará a mesma ordem de vacinação da gripe causada pelo vírus Influenza. No entanto, os grupos de risco das duas doenças não são completamente idênticos.

— É um absurdo as possíveis vacinas contra Sars-Cov-2 seguirem a mesma lógica de vacinação da Influenza. É um erro. Doenças diferentes requerem estratégias diferentes. Na estratégia contra Influenza, as crianças estão entre os grupos prioritários, o que é diferente da Covid-19 — avalia Fernando Hellmann, doutor em saúde coletiva e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina. — Quando a vacina chegar, ela deve ser dada para que se restabeleça a igualdade de oportunidades em sobreviver à Covid-19 entre todos brasileiros. A gente sabe que ela mata mais a população idosa, doentes crônicos, indígenas, negros e pobres. E por isso eles devem ser a prioridade.

A definição dos grupos prioritários para a vacinação da Influenza foi feita em 2010 para o combate da pandemia que surgiu em 2009 e atingiu o mundo numa escala muito menor do que a Covid-19.

— Para definir os grupos prioritários, reunimos um comitê de especialistas. Hoje tem projeto de lei para decidir essa ordem. Isso é um absurdo. É a demonstração da falta de liderança do Ministério da Saúde na pandemia. Essa é uma decisão do Executivo, amparado por cientistas — afirma José Gomes Temporão, ministro da Saúde à época.

O projeto de lei que tramita no Congresso é do deputado Wolney Queiroz (PDT-PE), que pretende estabelecer procedimentos e ordem de prioridade para vacinação contra a Covid-19. A ordem de prioridade seria: profissionais da saúde; idosos com mais de 60 anos; pessoas com comorbidades; profissionais da educação; atendentes de público em órgãos públicos e empresas privadas; jornalistas; e, por fim, pessoas saudáveis de idade inferior a 60 anos.

Ricardo Gazzinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, avalia que a classificação de grupos prioritários também deveria ser combinada com uma hierarquia de áreas em que as epidemias estejam fora de controle.

— Dependendo da disponibilidade da vacina, também será preciso determinar as regiões com mais transmissão e casos graves — afirma o especialista.

Outro grupo que deverá receber logo na primeira leva são os voluntários que se disponibilizaram a testar a vacina e receberam placebo. Segundo Hellmann, isso faz parte dos compromissos éticos de qualquer pesquisa do tipo.

Escassez de recursos

A aposta do governo federal é a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, com a farmacêutica AstraZeneca. Ainda não há a confirmação de que ela protege contra o vírus. Caso seja comprovada sua eficácia no tempo planejado, a previsão é de que as primeiras 15 milhões das 100 milhões de doses sejam disponibilizadas em janeiro de 2021. Já o governo de São Paulo investe, através do Instituto Butantan, na tentativa de vacina da chinesa Sinovac. A distribuição de 120 milhões de doses também ficará a cargo do Ministério da Saúde.

— A escassez de vacinas é uma realidade mundial. Nenhuma estrutura fabril é capaz de construir o que precisa para imunizar todo mundo de uma vez só — analisa Flávio Guimarães da Fonseca, virologista do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas) e pesquisador do Departamento de Microbiologia da UFMG.

Falta de recursos médicos não é novidade na rotina hospitalar. Nesta pandemia, o mundo se chocou com relatos de médicos italianos que precisavam escolher quem viveria e quem morreria, já que não havia respiradores para todos. No Brasil, estados como Amazonas e Ceará viveram situações semelhantes.

Na história mundial, um marco da bioética é a invenção da hemodiálise, nos EUA da década de 1960. Um comitê foi formado para decidir quem receberia primeiro esse tratamento.

— Quem cuidava da saúde também teria prioridade sobre pessoas fumantes, por exemplo, ou que não tinham práticas tão saudáveis — lembra Hellmann, da UFSC. —  A decisão de alocação de recursos é um problema que vários gestores no Brasil já precisam enfrentar por causa dos recursos escassos.

O debate de priorização de vacinas começou em 2003, com a epidemia da Sars, e se aprofundou em 2009 porque a demanda era bem maior que a oferta, diz Alexandre Navarro, diretor assistente do Centro de História da Medicina da Universidade de Michigan.

— A partir dali, bioeticistas passaram a repensar estratégias para distribuição equitativa de vacinas para novas cepas de doenças durante grandes surtos — explica o pesquisador.

Especialista em história das epidemias na Bahia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Christiane Maria Cruz de Souza conta que nem sempre as escolhas de grupos a serem vacinados no Brasil foram baseadas em critérios éticos.

— Entre o final do século XIX e o início do XX, a distribuição da vacina contra a varíola era limitada porque obedecia a determinados interesses de grupos. Os jornais da época denunciavam situações em que a pessoa encarregada de vacinar só vacinou as pessoas do seu círculo — conta. — Não havia produção em larga escala, como se vê hoje. Faltava também, em alguns lugares, médicos para fazê-lo, então a vacina era aplicada pelo “coronel”, ou pelo engenheiro, ou pela professora, enfim, pela pessoa mais graduada do lugar.

A discussão de priorização dos grupos a receberem as vacinas já acontece em diversos partes do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o debate é feito no Comitê Consultivo para Práticas de Imunização, do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), e por especialistas em ética e vacinas da Academia Nacional de Medicina.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a OMS também está trabalhando em uma proposta com o Estados Membros.

Imunidade de rebanho

Com as 100 milhões de vacinas produzidas na primeira etapa, o Brasil não atinge a imunidade de rebanho, segundo Márcio Sommer Bittencourt, médico e pesquisador do Hospital Universitário da USP.

— Se precisar de duas doses, como parece ser o caso, essa quantidade imuniza perto de 50 milhões de pessoas (porque nem todos vão tomar as duas doses). Isso é um quarto da população. Não imagino que atingiremos a imunidade de rebanho nesse patamar, já que não sabem se quem pegou precisará tomar também — explica.

Segundo ele, a quantidade de população imunizada para chegar a este patamar — e, assim, evitar grandes surtos — depende da eficácia da vacina.

— Algumas pessoas podem não desenvolver a resposta imunológica. Por exemplo, vacina de gripe é 50% eficaz. Ou seja, só metade dos que tomam criam resposta imunológica — diz. — Mas, mesmo quando chegar a imunidade de rebanho, é preciso seguir vacinando até que todos estejam imunizados.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, o país continuará produzindo vacina após as primeiras cem milhões de doses e, de acordo com ele, “existe a possibilidade concreta de que a população brasileira possa ser efetivamente vacinada.

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Hupe/Uerj retoma atendimento ambulatorial com novo espaço para pacientes

fonte: Faperj

O Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj), começou a retomar as atividades de rotina nos ambulatórios e enfermarias, voltando aos atendimentos eletivos e reagendamento de cirurgias. Entre os cuidados principais para este retorno, estão a testagem de todos os profissionais e a inauguração de um novo e amplo espaço de espera para o Ambulatório Central.

O retorno dessas atividades foi dividido em duas fases: a primeira, concluída em 13 de julho com a inauguração da nova área de espera, e a segunda, agendada para 10 de agosto, quando haverá a abertura de todos os ambulatórios, ainda com capacidade de apenas 30% do atendimento.

Em cada entrada do hospital, foram instalados totens com dispensário de álcool em gel e sinalização com banners destacando que são obrigatórios o uso de máscaras, a higienização das mãos e o distanciamento. Há também a orientação para que os pacientes que necessitarem ir com acompanhante evitem levar mais de uma pessoa, chegando na hora agendada – nem muito antes, nem muito depois. Além disso, aparelhos de TV com avisos e vídeos explicativos estão sendo instalados nos principais acessos.

Mais informações: www.uerj.br

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Quase metade dos que contraem coronavírus em hospitais morrem

fonte: O Globo

Quase metade dos casos de pessoas que se infectaram com o novo coronavírus dentro de hospitais no Brasil terminaram em morte.

Segundo dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica, do Ministério da Saúde, dos 5.547 registros daqueles que contraíram o vírus dentro de uma unidade médica — entre pacientes e profissionais da saúde —, 2.426 morreram. Os dados se referem aos casos até 29 de julho.

Esse número equivale a uma taxa de mortalidade de 43%, mais alta do que a dos que pegam a Covid-19 fora do ambiente hospitalar e acabam internados, que é de 30%.

Para especialistas, fatores como o estado dos pacientes já internados, a falta de critérios específicos para infecções hospitalares por Covid-19 e a redução de profissionais especializados, como enfermeiros, podem ter contribuído para essa diferença.

Os dados levam em conta apenas os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), uma das complicações causadas pelo novo coronavírus e que, portanto, levaram à internação.

Pior do que no exterior

Os números brasileiros divergem do padrão internacional identificado por alguns estudos. O mais recente deles, de cientistas britânicos e italianos, com 1.500 pacientes de 10 hospitais, não observou grande diferença na taxa de mortalidade entre os que se infectaram com o coronavírus dentro ou fora do hospital.

Nessa pesquisa, a mortalidade entre pacientes que se infectaram dentro ou fora do hospital foi a mesma (27%). Esse número é comparável à mortalidade dos que se infectaram fora do hospital e acabaram em um no Brasil (30%).

Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam a necessidade de estudos mais detalhados sobre o estado dos pacientes, de forma a compreender o avanço da doença dentro dos hospitais.

— A classificação por infecção hospitalar precisa obedecer a critérios e, no caso da Covid, ainda não temos consenso mesmo a nível mundial. E, em relação à mortalidade, esse número não pode ser atribuído apenas à qualidade hospitalar: é preciso saber se os pacientes tinham prognóstico semelhante aos dos outros que adquiriram Covid-19 naquele ambiente, considerar a severidade dos casos e se estavam ou não na UTI — afirma a professora Maria Clara Padoveze, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

A avaliação é confirmada pela pesquisadora Andreza Martins, professora de microbiologia e especialista em controle de infecções da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Ela também destacou a dificuldade que as unidades de saúde no Brasil têm para identificar quais casos de coronavírus foram adquiridos dentro de suas unidades. Outro ponto é que, diferentemente da Inglaterra e da Itália, o controle de infecção hospitalar ainda tem alguns problemas no país.

Programa de prevenção das infecções

Desde 1997, pela Lei 9.431, todo hospital é obrigado a manter um programa de controle de infecções hospitalares. Entretanto, de acordo com pesquisadores que estudam o tema, apenas os locais mais estruturados têm equipe especializada em identificar e prevenir infecções.

— A infecção hospitalar pode prolongar o tempo de internação, o que causa impacto na quantidade de leitos disponíveis. Pode, também, confundir o acompanhamento clínico inicial, com sintomas diferentes. São várias as consequências de uma infecção adquirida dentro do hospital, e a gente tem que tentar evitar ao máximo, seguindo várias linhas de prevenção — afirma Lívio Dias, médico do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e diretor da Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar.

Para Dias, é provável que o número de casos infectados dentro dos hospitais seja muito maior do que conseguem identificar e notificar ao Ministério da Saúde.

De todos os 260 mil casos de Srag confirmados para o novo coronavírus, 170 mil foram notificados como de infecção comunitária, fora do hospital. Em outros 83 mil, as unidades de saúde não conseguiram identificar a origem da doença.

Mas a mortalidade se repete mesmo quando analisados casos específicos, como o do Hospital das Clínicas, o que mais atendeu pacientes no Brasil. A taxa de mortalidade entre os mais de 3.000 pacientes internados com Covid foi de 33%, número que aumenta para 49% entre os 298 que adquiriram a doença no hospital.

A dificuldade de identificar esse tipo de caso é ilustrada pela quantidade de profissionais de saúde que já se infectaram com o Sars-CoV-2. Segundo dados do e-SUS, 19% de todos os 281 mil casos de São Paulo de fevereiro a junho foram de profissionais da área.

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Confira palestra online do Dr. Pippi Salle sobre Urologia Pediátrica para a Universidade de Miami

No dia 31 de julho, a Universidade de Miami realizou uma conferência online com o Dr. João Luiz Pippi Salle sobre Urologia Pediátrica.

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O que a vacina BCG tem a ensinar para a Covid

fonte: O Globo

Por Margareth Dalcolmo

Há uma bela história de sucesso com tratamentos medicamentosos para viroses crônicas, como hepatite C e Aids, e, em contrapartida, um histórico fracasso em relação a vacinas para elas. Por outro lado, para as viroses agudas, a melhor solução demonstrada, sem dúvida, são as vacinas, e isso é o que fez a diferença na morbimortalidade no último século, aí compondo como exemplos a febre amarela, o sarampo, e sobretudo as viroses comuns da infância.

A vacina BCG (bacilo de Calmette e Guérin) tem o nome de seus criadores, seguidores do grande Louis Pasteur. Foi introduzida no Brasil em 1920, por uma doação do Instituto Pasteur de Lille. Usada para a prevenção de formas graves e disseminadas de tuberculose, estima-se que ela confira uma proteção de 80%. Até o final da década de 60 foi aplicada em formulação oral, e posteriormente por via intradérmica. Por força de normativa do Ministério da Saúde, tornou-se obrigatória para todo recém-nascido, com mais de 2 quilos, a partir de 1976, e faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no SUS. Produzida pela Fundação Ataulpho de Paiva, até 2017, foi reconhecida como vacina de referência pela Organização Mundial da Saúde, inclusive pela baixa taxa de efeitos adversos que produz, comparada com outras. Teve porém sua linha de produção regular interrompida temporariamente, para ajustes de não conformidades nas normas de fabricação, período em que está sendo usada no país uma vacina BCG proveniente da Índia. Até então, o Brasil imunizara mais de 95% com uma cepa única, chamada BCG Moreau Rio de Janeiro, e até hoje mais de 100 milhões de pessoas já foram vacinadas com a BCG no país.

É usada também para o tratamento local do câncer superficial de bexiga. Exatamente por conta de seu papel importante como modulador do sistema imunológico, tem sido estudada em diversas situações ligadas à imunidade celular e, na presente pandemia pela Covid-19, revelou sua nova capacidade, como uma vacina que poderia ensinar o sistema imunológico humano a prevenir ou amenizar a infecção pelo Sars-Cov-2. Estudos ecológicos têm sido publicados comparando casos e mortes em países que não têm políticas de vacinação com BCG (como Estados Unidos, Itália, Líbano), países que tiveram e as interromperam (como China, Irlanda França, Finlândia) e os que têm regularmente, como o Brasil. Fatores culturais, étnicos e outros que possam criar vieses de análise têm que ser considerados nessas observações A hipótese primária levantada é de que a vacinação com BCG seria capaz de predizer o achatamento da curva de disseminação da Covid-19 nos países que a aplicam como norma, e ter um efeito benéfico ou protetor de agravamento em profissionais de saúde. Entre as indagações relativas à progressão da Covid-19 no mundo, pesquisas aceleradas cogitam ainda se há uma relação direta nos países onde a vacinação BCG é mandatória e houve menos casos da doença, como recentemente relatado em estudo da Universidade de Michigan. Aguardemos os resultados dos estudos prospectivos que ora se iniciam, inclusive no Brasil. Não há portanto, até o momento, justificativa alguma para que adolescentes, adultos ou idosos procurem receber vacina BCG, com objetivo de se prevenir contra a presente epidemia.

Neste grave e modificador momento em que vivemos, com a empatia como pano de fundo, e o bem comum como um fim, só cabe a melhor racionalidade, sem falsas esperanças ou apostas especulativas. Em que pesem suas razões para cautela nas conclusões, a ciência continuará a fazer a sua parte.

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SUS sob pressão: em abril e maio, mais de 280 mil pessoas deixaram planos de saúde

fonte: O Globo

Em abril, dois meses depois do início da epidemia de Covid-19 no Brasil, 67.460 pessoas deixaram a saúde suplementar no país. Em maio, outros 216.217 brasileiros interromperam seus planos de saúde. São, em sua maioria, pessoas que perderam seus empregos ou sofreram quedas bruscas nos rendimentos. Agora, contam apenas com o Sistema Único de Saúde para seu atendimento médico e hospitalar. Mantida a tendência de fuga dos planos, o SUS pode ficar sobrecarregado, apontam especialistas.

Caso os dados de junho sigam os de maio e mais 200 mil usuários fiquem sem plano, esse terá sido o pior trimestre da História do país, de acordo com José Cechin, superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

— De fato, estamos numa crise. Isso vem acontecendo de forma importante desde abril e acelerou em maio: 216 mil a menos em um mês só é uma variação importante. Ainda não temos os dados de junho, mas também deve haver perda de beneficiários, porque não houve retomada — afirma Cechin.

Em maio, 37,8 milhões de usuários (80,7% do total) tinham plano coletivo, dos quais 83% eram coletivos empresariais e 16,4%, coletivos por adesão, formados por sindicatos e entidades de classe, por exemplo. O restante são planos individuais.

O superintendente do IESS explica que a migração para o SUS pode não ser total, porque uma parcela, tentando agilizar o tratamento, vai procurar clínicas populares ou consultas particulares. No entanto, isso não é solução para atendimentos de emergência, cirurgias ou exames mais complexos: “Com a saída em massa dos planos, a maioria vai mesmo ter que ir para a fila do SUS e buscar atendimento em UPA”.

— O SUS já atende 160 milhões de pessoas e pode aumentar. Vamos ter uma enxurrada de pessoas que estavam na saúde complementar e vão para o SUS. Essa migração já está ocorrendo por conta da crise econômica — afirma o médico e deputado Hiran Golçalves (PP-RR). — Por isso precisamos, no ministério, de pessoas que conheçam o SUS e entendam de gestão de saúde pública.

O professor do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP Gonzalo Vecina Neto considera que, a depender do cenário econômico e da reposta das operadoras, esse número pode continuar crescendo para até 4 ou 5 milhões de pessoas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde se concentram empresas com estrutura de recursos humanos.

— Não tenho dúvidas de que teremos um impacto grande. Mas não tem o que fazer, vai ser assim. As pessoas estão saindo porque não conseguem pagar, a crise pegou todo mundo. Temos que melhorar o SUS, investir. É mais um fator num sistema que está estressado pela epidemia, pelas filas que pararam e não foram atendidas. Vai implicar em mais fila e exigir reestruturação.

Para o especialista, o primeiro passo seria reestruturar o sistema de agendamentos e consultas. Isso teria que ser encabeçado por estados e municípios, ao juntar as filas municipais e estaduais e gerenciar o agendamento para reduzir as faltas. As taxas de abstenção a consultas, exames e internações, de acordo com Vecina, chegam a 40%. A confirmação de presença no dia anterior ao atendimento, via SMS ou WhatsApp, poderia ser uma grande ajuda.

Para Lígia Bahia, especialista em saúde pública e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por enquanto o SUS é capaz de absorver os novos usuários. Caso a tendência de migração continue, porém, o sistema todo sentiria o impacto:

— O SUS tem que se preparar. Caso essa tendência se confirme, isso passa a ser um problema porque o sistema não se expandiu durante a pandemia para atender a essas pessoas, não houve esse planejamento — diz ela, que critica a posição das operadoras de planos. — Por que as empresas não diminuíram mensalidades? Nós, pesquisadores em saúde, fizemos um documento propondo que não suspendessem plano de quem ficasse inadimplente na pandemia e que reduzissem as mensalidades, como várias outras atividades fizeram, perdoando pagamento em atraso.

‘Todos têm acesso’

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) afirma, em nota, que “tem discutido e implementado medidas para viabilizar o equilíbrio do setor de forma que todos os atores (beneficiários, prestadores e operadoras) permaneçam no sistema durante a crise causada pela Covid-19. Num momento totalmente atípico como o que estamos vivendo, é essencial o engajamento de todos os segmentos para a mitigação das graves consequências da pandemia, e a reguladora tem envidado todos os esforços nesse sentido”.

Em nota, a diretora executiva da FenaSaúde (entidade que representa as maiores operadoras do setor), Vera Valente, afirma que foi apresentada proposta para ampliar as modalidades de planos, para maior acesso. Com a chegada da pandemia, “voluntariamente, as operadoras suspenderam por três meses todos os reajustes de contratos de planos individuais, coletivos por adesão e empresariais até 29 vidas. Além disso, as operadoras buscam, caso a caso, negociar com os contratantes em situação de adversidade”. Valente diz, no entanto, que “o setor não tem condições de suportar propostas que passem pela anistia à inadimplência”, pois são “responsáveis por cerca de 90% do faturamento dos hospitais privados e 80% das receitas de laboratório de medicina diagnóstica”.

O Ministério da Saúde declarou, em nota, que o “SUS é um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo”, com 160 milhões de brasileiros usando exclusivamente o SUS para ter acesso aos serviços. “Todos têm direito de acesso aos serviços de saúde, independente de possuir planos”, diz a nota, “Aqueles que não têm acesso à rede privada poderão recorrer, assim, à rede pública.”

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App do SUS envia notificação para quem teve contato com infectados por Covid-19

fonte: CNN Brasil

O Ministério da Saúde anunciou a inclusão de uma nova funcionalidade no aplicativo Coronavírus – SUS, que vai notificar usuários que tenham entrado em contato com alguém infectado por Covid-19 nos últimos 14 dias.

Para isso, o aplicativo utilizará o bluetooth dos aparelhos, em tecnologia disponibilizada por meio de parceria do governo com as gigantes de tecnologia Apple e Google, donas das maiores lojas de aplicativos para telefones celulares do mercado.

Segundo a pasta, o aplicativo seguirá sendo gratuito e as informações serão usados sem risco à privacidade dos usuários. “O Sistema de Notificações de Exposição foi construído para não expor a identidade dos usuários, como nome e localização, garantindo o máximo de segurança e privacidade de todos os dados”, diz o ministério.

De acordo com a nota do governo, o aplicativo Coronavírus – SUS já foi baixado em 10 milhões de dispositivos móveis. A pasta afirma que a versão disponível na Play Store, do sistema Android (Google), já conta com a nova funcionalidade, que estará disponível na App Store, do sistema iOS (Apple) nos próximos dias.

O objetivo do alerta é notificar antecipadamente usuários que possam ter contraído o vírus, contendo a disseminação. “O monitoramento é importante para controle da doença e retomada segura das atividades”, argumenta o ministério.

Como vai funcionar?

A pessoa que testar positivo para a Covid-19 vai informar, de forma voluntária e anônima, um código gerado para a validação do exame realizado, sendo válidos os testes tipo RT-PCR (feito com um cotonete) e sorológico (de sangue).

O exame será localizado na base de dados e-SUS Notifica e a notificação será disparada. O critério será usuários que ficaram a uma distância entre 1,5 metro e 2 metros por um intervalo mínimo de cinco minutos. A função de notificação de exposição.

“A notificação vai alertar que se trata de uma medida de prevenção e que não necessariamente a pessoa terá a doença, mas que é preciso ficar atenta aos sintomas, como febre, tosse, dor de garganta e/ou coriza, com ou sem falta de ar, e reforçar as medidas de higiene. Caso ela apresente algum sintoma nos próximos 14 dias, deve procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo, assim como prevê as orientações de conduta precoce do Ministério da Saúde. O usuário também será direcionado para obter mais informações”, explica o governo.

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Universidades federais conduzem 1.260 pesquisas sobre covid-19

fonte: Agência Brasil

Levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) indica que 1.260 pesquisas sobre covid-19 estão sendo conduzidas em universidades federais de todo o país. O número é bastante superior ao contabilizado em maio, de 823, salientando que o protagonismo da ciência tem ganhado força durante a pandemia do novo coronavírus. Para o cálculo, foram consideradas as respostas que 68 instituições encaminharam à entidade.

O empenho dos pesquisadores tem resultado também em outras ações, como a testagem para detecção da doença infecciosa. Já se contam 71 atividades desse tipo, que totalizaram 56.956 testes.

Outra contribuição das universidades federais é referente ao tratamento de pacientes. O total de leitos próprios das instituições, somado ao de leitos viabilizados em parcerias para a construção e a operacionalização de hospitais de campanha, é de 2.502, sendo 656 de unidade de terapia intensiva (UTI).

Para as universidades públicas, uma via escolhida para atender a população quanto às demandas próprias da pandemia consiste em formar redes com a participação de gestores locais. Ao todo, já foram firmadas 255 parcerias com prefeituras e 112 parcerias com governos estaduais.

Além disso, as comunidades acadêmicas estão dedicando tempo à produção de equipamentos de proteção individual (EPI). Segundo o balanço da Andifes, já são 251.034 protetores faciais, 103.848 máscaras de pano, 12,5 mil viseiras de proteção, 29 mil pares de luvas, 20,2 mil unidades diversas, 6,6 mil aventais, 2 mil capuzes e 10 mil toucas, que se somam a 300 sacos de lixo de 100 litros de capacidade, 227 sondas nasotraqueais, 1.028.108 litros de álcool gel e 915 mil litros de álcool líquido.

O poder de mobilização das universidades também fica evidente ao se analisar a quantidade de campanhas educativas promovidas por essas instituições, que chegam a 1.226. Paralelamente, as instituições organizaram 482 ações solidárias.

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Sancionada Lei sobre validade indeterminada de receitas

fonte: Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro sancionou o Projeto de Lei 848/2020, que determina que receitas médicas ou odontológicas sujeitas a prescrição e de uso contínuo tenham prazo de validade indeterminado. O projeto foi originário da Câmara dos Deputados e foi aprovado no Senado no início de julho.

As regras valem para o período da pandemia no país e não incluem medicamentos de uso controlado, como tarja preta e antibióticos. Bolsonaro vetou um trecho do projeto que autorizava a retirada do medicamento por terceiros, sem a presença do titular da receita, com a apresentação de uma declaração.

Na justificativa para o veto, a Secretaria-Geral da Presidência da República explicou que “o dispositivo cria uma exigência que poderá vir a ser estendida a todos os casos e, por consequência, burocratizar o atendimento nas farmácias”.