Autor CIPERJ

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UFF abre concurso para professores

fonte: UFF

A Universidade Federal Fluminense (UFF) lançou, no início deste ano, o Edital nº 54/2020 de concurso público para 81 vagas de professores em departamentos de ensino da universidade para reposições onde ocorrerem vacâncias por aposentadoria ou falecimento de membros do quadro de servidores.

No certame, há um avanço muito importante na aplicação das políticas de ação afirmativa, previstas na Lei 8.112/90; Lei 12.990/2014 e Decreto 9.508/2018, reservando 16 vagas para negros e 5 para pessoas com deficiência.

As inscrições vão até o dia 11 de fevereiro. Mais informações sobre o calendário e a realização das provas podem ser obtidas no edital.

CONFIRA O EDITAL

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Impulsionados pela pandemia, grupos hospitalares vivem onda de fusões e atraem investidores

fonte: O Globo

Impulsionado pela pandemia, o setor de saúde vive nova onda de consolidação. O objetivo é ganhar escala para fazer frente a uma revolução tecnológica antecipada pela crise do coronavírus, com expansão do atendimento por telemedicina e foco em procedimentos que buscam detectar o risco de o paciente desenvolver doenças graves — e, com isso, tratá-las antecipadamente.

Em um setor ainda fragmentado, multiplicam-se as operações de fusões e aquisições, que buscam enfrentar a pressão de custos no setor. Uma única consultoria relatou estar envolvida em nove operações do tipo.

Na avaliação de empresários e economistas, há espaço para ganhar mercado. Em um país com mais de 200 milhões de habitantes, apenas 47 milhões contam com a cobertura da saúde suplementar. Segundo Marco Novais, superintendente executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), é possível alcançar 70 milhões.

Outro foco é melhorar os serviços hospitalares em cidades médias, mercado nem sempre contemplado por grandes grupos.

Existem sinais do apetite do investidor pelo segmento. A abertura de capital na Bolsa da Rede D’Or no ano passado foi a segunda maior da história. E neste começo de ano, a maior operadora de planos de saúde do Nordeste, a Hapvida, propôs união com o Grupo NotreDame Intermédica.

Se o negócio se concretizar, será criada uma empresa com valor de mercado de R$ 120 bilhões.

— As empresas têm total complementariedade geográfica. Há espaço para expansão dentro dos estados onde já existe presença, indo, por exemplo, ainda mais para o interior e outras cidades — afirmou Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida.

Abertura a estrangeiros

As bases para esta expansão do setor de saúde têm origem em 2015, quando ele foi aberto ao capital estrangeiro, explica Saulo Sturaro, sócio da assessoria de fusões e aquisições JK Capital, que tratou, no ano passado, de cinco operações de aquisições de hospitais:

— Antes, o setor de saúde ficava blindado do avanço de grupos mais profissionalizados e eficientes. A mudança regulatória foi o importante.

Maior empresa de medicina diagnóstica e segunda maior rede de hospitais do país, a Dasa vem acelerando suas aquisições. Em dezembro, pagou R$ 1,8 bilhão pelo Grupo Leforte, que tem três hospitais e cinco clínicas em São Paulo.

Em setembro, assumiu o controle do Nossa Senhora do Carmo, que tem hospitais no Rio, além de uma empresa de tecnologia, parte da transformação digital do grupo iniciada há três anos.

— O setor de saúde, principalmente quando se sai dos grandes centros, ainda é bastante fragmentado. Há espaço para consolidação, o que gera ganhos de eficiência — afirmou Pedro Bueno, presidente do Grupo Dasa.

Ele completa:

— A medicina está no nosso DNA, mas a tecnologia também. Nos próximos anos vamos passar por uma transformação digital. Tecnologia e medicina não poderão ser dissociadas e nosso grupo poderá atuar com pró-atividade, prevendo, por exemplo, as chances de uma pessoa se tornar diabética ou ter uma internação, tendo a possibilidade de mudar esse trajeto e o fim dessa história.

As cidades intermediárias estão no radar da Rede D’Or, o maior grupo hospitalar privado do país. O projeto em cinco anos é crescer 1.400 leitos por ano. Como destaca fonte próxima ao grupo, a maioria dos hospitais no país tem até 50 leitos.

Nos EUA, a média é de 160 leitos. Ganhar escala é forma de sobrevivência em razão da alta de custos.

O grupo tem parceria com SulAmérica, Bradesco e Golden Cross, entre outras operadoras, na oferta de planos que privilegiam o uso da rede. E tem firmado um novo modelo de parceria com as Unimeds em que entra com a experiência de gestão hospitalar do grupo, para reduzir custos e tornar os planos regionais mais competitivos.

Em 2020, o grupo entrou em Fortaleza e Aracaju e está atento a outras oportunidades.

Inovação digital

Para Carlos Marinelli, presidente do Grupo Fleury, de diagnósticos, a revolução digital do setor foi acelerada pela pandemia. O grupo iniciou atendimento por telemedicina durante a crise e, em pouco mais de um mês, realizou 150 mil consultas virtuais:

— A lógica de consumo da saúde mudou. A gente nasceu laboratório, se transformou em empresa de diagnóstico, e quer usar essa potência para atendimentos que vão muito além dos exames. Temos 250 unidades pelo Brasil, que, nos períodos de tarde e noite, eram ociosas. Podemos usar esses locais para outros atendimentos, como pequenas cirurgias ortopédicas, especialidades médicas. Tudo que não é hospital a gente pode entrar.

A Qualicorp, maior administradora de benefícios do país, com 2,5 milhões de usuários, investe em inovação para propor a operadoras produtos customizados e acessíveis.

— Até fevereiro, devemos lançar um produto voltado para uma região específica de São Paulo. Estamos investindo num canal de distribuição para fazer a oferta certa de plano para cada um. O primeiro passo é ampliar a presença com as operadoras regionais. Fizemos quatro aquisições em 2020 e continuamos olhando oportunidades — disse o vice-presidente Comercial da empresa, Elton Carluci, ressaltando que o foco são as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Para Maurício Justo, sócio da gestora Alpha Key, a consolidação permite maior presença em camadas de menor renda, outra forma de expansão:

— NotreDame e Hapvida encontraram uma avenida de crescimento nos planos individuais de tíquetes menores, entre R$ 200 e R$ 300. Isso permite atender o cliente que está saindo do SUS e, na prática, cria nova linha de atuação.

A alta liquidez no mercado financeiro também funciona como um incentivo à consolidação.

— Existem mais de 700 operadoras de plano de saúde no Brasil, muitas delas com menos de 20 mil vidas. Para ser capaz de dar conta dos sinistros, uma operadora deveria ter pelo menos 40 mil, 50 mil vidas. Por isso, os grandes grupos, que estão capitalizados, fazem uma corrida de consolidação — resumiu Luís Fernando Joaquim, sócio-líder da área de saúde da Deloitte.

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Projeto prevê dedução do imposto de renda para médicos que prestarem atendimento gratuito

Fonte: Agência Câmara de Notícias

O Projeto de Lei 4757/20 permite a dedução do imposto de Renda para médicos e clínicas que prestarem serviços de saúde gratuitos. Pela proposta, o montante da dedução é limitado a 70% do valor pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para consulta ou exame semelhante realizado em hospital conveniado. O texto ressalva que não devem ser considerados, para o cálculo da dedução, os atendimentos ou exames pagos pelo SUS.

O projeto estabelece que a pessoa física ou pessoa jurídica de direito privado solicite o reconhecimento do direito à dedução ao Ministério da Saúde, em formulário próprio, com o número e o tipo de serviços gratuitos a serem realizados. Pela proposta, o médico ou a clínica deve apresentar, anualmente, até 30 de abril, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior.

Segundo o autor da proposta, deputado Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), existe uma enorme demanda por serviços de saúde gratuitos no País, sobretudo, pelo fato de apenas um terço da população possuir plano de saúde.

“Desse modo, todas as partes envolvidas são beneficiadas. O Estado ganha com a economia de recursos, o médico recebe um estímulo para realização de trabalho voluntário na comunidade onde atua e o cidadão de baixa renda terá ampliada a oportunidade de usufruir serviços de saúde de qualidade”, explica Diniz

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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Inscrições abertas para programas de apoio científico da FAPERJ

fonte: FAPERJ

A FAPERJ lançou, no final de dezembro, a versão 2020 de dois de seus programas mais aguardados: Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado. Também conhecidos como Bolsas de Bancada para Projetos (BBP), ambos os programas concederão bolsas mensais, por até 36 meses, para que os pesquisadores possam executar seus projetos. No caso do Cientista do Nosso Estado, serão até 350 bolsas no valor de R$ 3 mil mensais; já para Jovem Cientista do Nosso Estado serão até 150 bolsas mensais de R$ 2,4 mil. Os dois editais somam um investimento de pouco mais de R$ 50 milhões para a C,T&I fluminense durante os próximos três anos.

Considerado um dos programas-símbolo da FAPERJ, o Cientista do Nosso Estado (CNE) é uma referência no apoio a projetos coordenados por pesquisadores de reconhecida liderança em sua área, vinculados a instituições de ensino e pesquisa sediadas no Estado do Rio de Janeiro. As bolsas CNE destinam-se a apoiar, por meio de concorrência pública, projetos coordenados por pesquisadores de reconhecida liderança em sua área, com vínculo empregatício em instituições de ensino e pesquisa sediadas no Estado do Rio de Janeiro.

O programa CNE foi lançado em 1999, concedendo 340 bolsas a pesquisadores de todas as áreas de pesquisa, numa iniciativa pioneira que desburocratizou a forma de financiamento à pesquisa e inovação no estado e no País, representando uma reafirmação da importância dos cientistas no Estado do Rio de Janeiro. Em função do êxito do programa, o número de bolsas foi sendo aumentado ao longo dos anos. Atualmente, a FAPERJ apoia cerca de 399 pesquisadores com a bolsas de bancada CNE.

A fim de ampliar o alcance do Cientista do Nosso Estado a pesquisadores em estágio inicial de suas carreiras, a FAPERJ lançou, em 2002, o Programa Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE), concedendo 46 bolsas em sua primeira edição. Atualmente, a FAPERJ conta com 314 pesquisadores apoiados com bolsas de bancada JCNE.

Para o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dr. Serginho, a concretização do lançamento desses dois importantes programas simboliza uma grande conquista para a produção científica fluminense, que recebe aporte para a sua continuidade.  “Com esses programas, estabelecemos um ciclo virtuoso, no qual estimulamos que nossos pesquisadores continuem no estado exercendo seus trabalhos e contribuindo significativamente para o desenvolvimento científico, social e econômico local”, ressaltou o secretário.

Segundo o presidente da Fundação, Jerson Lima Silva, esses programas garantiram a sobrevivência da pesquisa e da inovação no estado nos anos de crise financeira, em especial entre 2015 e 2019. “Sem o pagamento consistente das bolsas de bancada aos pesquisadores que são Cientista e Jovem Cientista do Nosso Estado, muitos centros e grupos de pesquisa teriam deixado de existir, sem falar dos pesquisadores que teriam deixado o estado ou mesmo o País em busca de melhores condições para continuarem com seus projetos. Principalmente, não teríamos tido condições de enfrentar de forma eficaz epidemias como a da Dengue e da Zika, e mais recentemente a pandemia do COVID-19. CNE e JCNE consolidados como programas anuais tornam o estado mais bem preparado para lidar com os desafios não apenas na área da saúde, mas também no que diz respeito ao urbanismo, economia, ecologia, energia limpa, entre outros.”

Elegibilidade

Os proponentes ao programa Cientista do Nosso Estado devem possuir vínculo empregatício ou funcional com centros de pesquisas, universidades ou instituições de ensino e pesquisa sediadas no estado do Rio de Janeiro. Pesquisadores eméritos ou aposentados poderão concorrer ao edital, desde que o vínculo seja comprovado por documento oficial da instituição, atestando efetiva participação na pesquisa a ser desenvolvida; grau de doutor e reconhecida liderança em sua área, com produção científica e/ou tecnológica de alta qualidade no período entre 2015 a 2020, compatível com o nível de pesquisador 1 do CNPq, segundo critérios da área a qual o pesquisador está vinculado. O candidato deve demonstrar capacidade de orientação de alunos de pós-graduação através da comprovação de, no mínimo, uma orientação de doutorado concluída, estar orientando alunos de pós-graduação (mestrado e/ou doutorado) no momento da solicitação e capacidade de captação de recursos financeiros para financiamento à pesquisa por meio de agências de fomento nacionais, estaduais ou internacionais, pró-reitorias, fundações e empresas públicas ou privadas.

Para o programa Jovem Cientista do Nosso Estado será necessário ter obtido grau de doutor — com data de defesa do doutoramento a partir de 1º de agosto de 2009 — e  possuir liderança em sua área, com produção científica e/ou tecnológica de alta qualidade nos últimos cinco anos, segundo critérios de sua respectiva área; vínculo empregatício ou funcional com centros de pesquisas, universidades ou instituições de ensino e pesquisa sediadas no estado do Rio de Janeiro. O candidato deve demonstrar capacidade de orientação de alunos de pós-graduação através da comprovação de, no mínimo, uma orientação de mestrado em andamento e de captação de recursos financeiros para financiamento à pesquisa de agências de fomento nacionais, estaduais ou internacionais, pró-reitorias, fundações e empresas públicas ou privadas

Pesquisadores contemplados nos editais Cientista do Nosso Estado 2017 ou Jovem Cientista do Nosso Estado 2017 que apresentarem propostas nesta edição deverão comprovar, obrigatoriamente, uma das três atividades científicas / tecnológicas (palestra, curso, exposição etc.) realizadas em escolas públicas (níveis fundamental ou médio) sediadas no estado do Rio de Janeiro, dentro dos anos de vigência da bolsa de bancada.

A avaliação dos projetos caberá a um Comitê Especial de Julgamento, designado pela diretoria da FAPERJ, que analisará as propostas considerando o mérito técnico e/ou científico, o potencial de inovação e viabilidade da proposta, a adequação dos métodos e do cronograma de atividades, a qualificação do proponente em relação às atividades previstas, entre outros.

Os recursos obtidos deverão ser aplicados em itens ou rubricas relativas ao projeto, desde que sejam observadas as regras constantes no Manual de Prestação de Contas da FAPERJ, além de orientações complementares expedidas para esse fim pelo setor de Auditoria Interna ou pela diretoria da Fundação.

A submissão de projetos para o programa Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado poderá ser feita até o dia 04 de fevereiro de 2021. A divulgação dos resultados para ambos os editais está prevista para ser realizada a partir de 20 de maio de 2021.

Confira a íntegra do programa Cientista do Nosso Estado (CNE)-2020

Confira a íntegra do programa Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE)-2020

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Projeto retira exigência de capital social mínimo para criação de Eireli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

O Projeto de Lei 5289/20 altera o Código Civil para permitir a criação de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli) sem a atual exigência de capital social mínimo – o equivalente a R$ 104.500 ou cerca de 100 vezes o maior salário-mínimo vigente no País. O texto está sendo analisado pela Câmara dos Deputados.

De acordo com a proposta, para constituir uma a Eireli basta que o interessado seja o único detentor do capital social da empresas, independentemente de valor mínimo.

O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA), autor do projeto, considera que a previsão legal para a criação de empresas individuais de responsabilidade limitada foi um avanço importante para facilitar a formalização de pequenos negócios no País, mas entende que a legislação precisa ser aperfeiçoada.

“Não há motivo para se exigir capital social mínimo para a constituição desse tipo de empresa, ainda mais quando se considera que outros tipos societários, a exemplo da Sociedade Limitada, não preveem tal exigência”, observa Pereira Júnior.

Para o deputado, o patamar do capital social mínimo exigido é inviável para a maioria dos microempreendedores. “O capital social mínimo exigido para a constituição da Eireli ultrapassa R$ 100 mil, deveras impossibilitando microempreendedores de regulamentar a situação de seus negócios por meio de Eirelis”, conclui.

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ARTIGO: A PPP pró-pobres e pretos

fonte: O Globo

por Lígia Bahia

Falso positivo é o registro de um fenômeno que parece ser, mas não é. Quando se trata de testes, refere-se a uma alteração ou doença que não existe. Na política, indica relações causais errôneas, das quais derivam ações supostamente favoráveis. Falsos positivos não são mentiras, expressam limites na coincidência entre essência e aparência. Resultado laboratorial positivo não é necessariamente diagnóstico, depende. Para que um teste seja bom, seu valor preditivo deve ser alto, não basta detectar os positivos; é necessário discernir os negativos.

Atos governamentais são falsos positivos quando proposições supostamente favoráveis à maioria iludem. Como convicções, interesses, crenças e vontades se misturam nas formulações de programas públicos, a identificação de políticas falsas nem sempre é imediata. Enquanto as descaradamente espúrias, como a ameaça de trocar ministro da Saúde quando o número de casos e óbitos aumenta, são perceptíveis, as retóricas do tipo “não tem outra saída” passam como verídicas.

Esse é o caso das Parcerias Público-Privadas (PPPs), anunciadas como solução para reorganizar o SUS. Seus defensores consideram que a substituição de instituições públicas — morosas e vazadas por más práticas — por organizações privadas produtivas e incorruptíveis pouparia os orçamentos governamentais e modernizaria o SUS. PPP é uma denominação propositalmente vaga. Ficam na terra, os contratos do público com o privado, o repasse regular de recursos financeiros do primeiro para o segundo. Vão para o ar, os nunca atingidos choque de gestão, eficiência e probidade.

Como se trata do que já é (nunca faltou no Brasil transferência do fundo público da saúde para o setor privado), a parceria refere-se a um plus, uma ajeitadinha para incluir novos itens nos acordos vigentes. A verificação da veracidade dos efeitos benéficos das PPPs comprovaria uma proporção elevada de falsos positivos. A transferência de verbas e atribuições públicas para o setor privado, sob premissas equivocadas sobre a origem dos problemas de saúde, não reduz desigualdades, embora pareça promissora à expansão do empresariamento.

A Covid-19 revelou com nitidez que a privação e o racismo abreviam a vida. Portanto, o país precisa de uma outra PPP, a Pró-Pobres e Pretos, que compreenda quais são os riscos à saúde e expresse objetivamente a destinação dos recursos públicos para poupar vidas e assegurar longevidade. Instituições de saúde em que pobres e negros mal põem os pés, só entram como serviçais, não devem ser financiadas com orçamentos públicos diretos ou indiretos.

Atender com dignidade, realizar diagnósticos precoces e tratamentos adequados para os segmentos populacionais que moram em favelas e periferias — sem a segregação do hospital para rico ou do SUS — é parâmetro obrigatório para qualquer PPP civilizada. Em 2019, a presença de estudantes de Medicina pretos e pardos ou de famílias de baixa renda era muito maior nas faculdades públicas (36%) do que nas privadas (23%). As cotas sociais e raciais no ensino superior público, isoladamente, são insuficientes para alterar o padrão desigual no acesso à formação médica.

Muitos prefeitos eleitos incluíram PPPs em suas plataformas. O recrudescimento do número de casos e mortes pelo novo coronavírus tem sido encarado como janela de oportunidades. Empresários passaram a falar em “digitalização do SUS” e telemedicina, misturando cartão, prontuário, pacote de informações eletrônicas e consultas remotas. O combo de produtos promete tirar o SUS da indigência analógica. Mas a PPP verdadeira, duradoura e sustentável seria a vinculação do SUS a centros computacionais universitários, financiados por entes públicos e empresas privadas inovadoras.

Sem abordar a redução das disparidades sociais estruturais, as PPPs não se coadunam com o SUS. Trabalhar junto, com a participação ativa dos segmentos populacionais vulneráveis, é desejável, desde que a meta seja a prevenção de sofrimentos evitáveis. Muito difícil dar certo, mas conta a favor ser uma política autêntica. Prioridades imediatas para a saúde são um Natal sem fome e sem mais perdas de familiares e amigos. Uma PPP verdadeiro positivo tem como tarefas a ampliação do auxílio de renda, o apoio, sem vacilação, ao controle da transmissão da pandemia e a reorganização de serviços de saúde para salvar os vivos.

porCIPERJ

CREMERJ se posiciona contra não médicos acompanharem gestantes

fonte: Cremerj

O CREMERJ se posicionou contrário ao item 143 da Consulta Pública 81, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), acerca do rol de procedimentos na rede privada. A proposição do órgão sugere o acompanhamento pré-natal por enfermeiro obstetra ou obstetriz.

O Conselho redigiu um documento, com seu posicionamento oficial, em que destaca que “tal sugestão vai frontalmente contra a Lei 12842, de 10 de julho de 2013, que regulamenta o exercício da medicina; traz riscos às gestantes e recém-nascidos atendidos pela saúde suplementar; e tem potencial de aumentar as já elevadas taxas de mortalidade materna do nosso país”.

Clique aqui e confira o documento na íntegra!

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IPO deve levar Rede D’Or ao seleto ‘clube dos R$ 100 bilhões’

fonte: O Globo

A oferta pública de ações (IPO, pela sigla em inglês) da Rede D’Or pode colocar o grupo do ramo de saúde no seleto time das empresas cujo valor de mercado supera os R$ 100 bilhões. Atualmente, este ranking contém apenas nove empresas. Os especialistas ponderam, no entanto, que o caso da Rede D’Or é um ponto isolado e que dificilmente outras empresas chegariam à Bolsa com tamanha capitalização.

Entre os motivos que explicam a robustez do possível valor de mercado do grupo hospitalar estão o envelhecimento da população e, mais recentemente, a pandemia da Covid-19. A empresa deve estrear na Bolsa no dia 10 de dezembro.

— O Brasil está perdendo seu bônus demográfico, e esse movimento não é de hoje. Conforme a população envelhece, passa a prestar mais atenção à saúde. O processo de crescimento das empresas de saúde é mais antigo. A favor da Rede D’Or também está a verticalização de suas operações, é a própria empresa quem controla os seus hospitais e serviços — explica Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, acrescenta que o fato de a empresa oferecer serviços considerados premium também pesa para as projeções de uma valorização maior da rede:

— As operações da Rede D’Or são de ponta, seus hospitais estão no seleto grupo dos melhores do país. Isso também influencia na hora em que são feitas as contas para definir preço-alvo e capitalização. Além do serviço, a marca é um peso que contribui para fazer preço. Olhando para o mercado atual, é difícil encontrar empresas com tal perfil, o que dificulta apontar possíveis novos casos de IPO na faixa de R$ 100 bilhões.

Duas das empresas que fizeram ofertas de ações bem-sucedidos este ano, Grupo Mateus e Petz, estão com capitalização muito inferior àquela que a Rede D’Or pretende obter. No fechamento dos negócios em 16 de novembro, a rede varejista do Norte e Nordeste valia R$ 18,5 bilhões. Já a empresa do ramo de pet shop fechou com valor de mercado de R$ 6,9 bilhões.

— O mercado está bastante seletivo quanto aos IPOs. Neste ano, vimos empresas desistindo de abrir capital porque as condições de preço não estavam vantajosas. E quem conseguiu, no momento do IPO, o valor de mercado ficou na faixa de R$ 5 bilhões. Existe espaço para muitas outras empresas e setores na Bolsa, mas dificilmente veremos uma capitalização inicial tão robusta como estes possíveis R$ 100 bilhões da Rede D’Or — acrescenta Guimarães.

Busca por rentabilidade

Os especialistas projetam que os IPOs devem seguir ocorrendo no Brasil por conta do maior apetite por rentabilidade dos investidores, especialmente pessoas físicas descontentes com os baixos retornos de aplicações mais conservadoras.

Em outubro deste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, contabilizava 3,1 milhões de investidores pessoas físicas, um salto de 71,8% frente a janeiro. A projeção é que a pressão da demanda leve mais empresas a abrirem seu capital.

A taxa básica de juros (Selic) está hoje em 2% ao ano, seu menor patamar histórico, e a inflação deve encerrar 2020 em torno de 3%. Isso significa que aplicações conservadoras, como renda fixa e caderneta de poupança, estão com retorno negativo. A saída para os investidores é buscar opções de maior risco, como o mercado de ações.

— A partir do momento em que a remuneração da renda fixa não está sendo compatível com as expectativas de retorno, é preciso correr riscos. O mercado todo passou por sustos intensos no auge da pandemia, o que afetou muitas empresas. Elas viram na abertura de capital uma alternativa mais barata de conseguir recursos em um momento difícil como o recente. Se as empresas precisam de financiamento, investidores querem mais retorno. Isso explica, em partes, tantos IPOs em um ano conturbado como 2020 — sublinha Esteter, da Guide.

O analista acrescenta que o fato de haver mais empresas na Bolsa também favorece a economia real:

— Ao obterem financiamento mais barato pelo Bolsa, as empresas conseguem expandir suas operações. Isso tende a se traduzir em maior geração de empregos e, consequentemente, melhora na renda das famílias. A diversificação de empresas e setores é bom tanto para o mercado quanto para a economia real.