Autor CIPERJ

porCIPERJ

Pesquisa aponta falta de termômetros e proteção para tratar Covid-19 no SUS

fonte: Zero Hora

Porta de entrada do SUS (Sistema Único de Saúde), os serviços de atenção primária têm sofrido com falta de equipamentos básicos para o atendimento de infectados com a Covid-19, segundo pesquisa realizada com os profissionais da saúde. Eles relatam ausência de termômetros, testes para detectar o novo coronavírus e itens de proteção para quem trabalha em UBSs (unidades básicas de saúde).

A reportagem teve acesso aos resultados preliminares da pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo), UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em iniciativa da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e com apoio da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

A situação é preocupante na atenção primária, segundo Aylene Bousquat, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ela coordena a pesquisa, realizada com questionários aplicados via internet a gestores e profissionais da atenção básica, sobre os desafios no enfrentamento à pandemia.

Entre os cerca de 2.200 entrevistados, espalhados por 750 municípios em todos os estados do Brasil, 83% relatam não ter ou ter em número insuficiente termômetros de infravermelho nas UBSs (unidades básicas de saúde), item primordial para aferir a temperatura do paciente sem precisar manter contato com a pele dele.

Faltam ainda outros itens fundamentais para lidar com casos suspeitos de Covid-19, como oxímetros, para averiguar a oxigenação de doentes, indisponível ou disponível em volume insuficiente na avaliação de 65% dos profissionais, além de medicamentos para síndrome gripal e cilindros de oxigênio, em baixa ou nenhuma quantidade para 60% e 67%, respectivamente.

Os trabalhadores reclamam ainda sobre a escassez de EPIs (equipamentos de proteção individual), como aventais impermeáveis (43% não têm ou têm em número insuficiente), protetores faciais com visor (37%) e máscaras descartáveis de proteção respiratória N95 ou similares (45%).

A situação pode ser mais grave em cidades do interior, que concentram mais da metade dos casos de Covid-19. Muitas contam apenas com UBSs para atendimento.

“Os gestores dos municípios citam a dificuldade de comprar esses insumos. Não foi algo tão fácil por conta do processo de distribuição”, explica Bousquat, que destaca o empenho dos profissionais até em aplicar recursos pessoais.

Segundo ela, 70% dos entrevistados afirmam usar o próprio celular para fazer acompanhamento à distância de pacientes e familiares, seja por WhatsApp, chamada de vídeo ou telefonema.

“As pessoas estão usando seus recursos pessoais, o que, por um lado, é muito bonito: mesmo com todos esses desafios, os profissionais do SUS estão comprometidos com a saúde da população.”

O questionário que baseia a pesquisa (acesse aqui) ainda seguirá disponível até a próxima segunda-feira (29). A coordenadora do estudo afirma, no entanto, que as respostas obtidas até aqui já são significativas para averiguar a situação do atendimento primário.

Outro fator evidenciado pelo levantamento é a falta de recursos para testagem nas UBSs: 70% dos entrevistados dizem não ter ou ter em volume insuficiente acesso a testes RT-PCR, indicados para a detecção do vírus em pacientes sintomáticos. Também faltam testes rápidos, segundo 80% dos profissionais.

O dado corrobora protocolo anterior do Ministério da Saúde, que orientava apenas a aplicação de exames em casos graves, que exigiram internação. Nesta quarta (24), a pasta anunciou que passará a testar também pacientes com sintoma leves em centros de atendimento à Covid-19 —UBSs poderão se credenciar como tal.

“Hoje a testagem é concentrada em 100% de casos internados. Pensando na população, no avanço da doença e na oportunidade de testar pessoas no interior do país, estamos expandindo essa testagem”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros, na ocasião.

Bousquat diz que a estratégia utilizada até então é falha, uma vez que levar a testagem também à atenção básica proporcionaria um retrato mais amplo e menos defasado da pandemia. Além disso, os agentes comunitários teriam embasamento técnico para rastrear doentes e isolar contatos, o que, somado aos cuidados de pacientes, ajudaria a controlar a Covid-19.

A pesquisadora cita a atuação exitosa de Portugal nesse sentido, que intensificou os trabalhos dos centros de saúde; no Brasil, segundo ela, a pesquisa elucidou outros bons exemplos, como Florianópolis (SC), entre as capitais, e a modesta Rurópolis (PA), com 50 mil habitantes.

“Algumas experiências no mundo –de outras epidemias, como foi o caso do ebola– demonstram que ter o serviço de atenção primária funcionando é algo que diminui a propagação do vírus, porque você consegue controlar e isolar os contatos, e alguns casos não precisam chegar ao hospital”, diz.

Segunda ela, a atenção das autoridades dada aos hospitais de referência, que concentram casos graves, é fundamental, mas deve se estender ao atendimento primário, também sob risco de colapso e responsável, ainda, por vacinação, assistência a doentes crônicos e gestantes, entre outros serviços.

“Imagine se a gente para, por exemplo, de fazer pré-natal, se não conseguimos fazer isso, imagine o problema que vai acontecer lá na frente”, questiona.

Uma vez concluído, o estudo deve propor a criação de um kit-UBS, com insumos pra serem distribuídos para as unidades básicas.

Questionado pela reportagem, o Ministério da Saúde não respondeu se o cenário de escassez de materiais relatado pelos profissionais no estudo corresponde à realidade da atenção básica. Também não apontou se considera ideal a disponibilidade atual de insumos ao atendimento primário.

Em nota, a pasta reforçou que a gestão do SUS compete tanto à União quanto aos estados e municípios. Disse também acompanhar por meio da Saps (Secretaria de Atenção Primária à Saúde) a quantidade de termômetros, oxímetros e cilindros de oxigênio disponíveis nas UBSs.

O Ministério da Saúde afirmou ter distribuído, desde o início da pandemia, 115,7 milhões de EPIs, 11,3 milhões de testes para Covid-19, 8,5 milhões de cápsulas de oseltamivir e 4,4 milhões de comprimidos de cloroquina para todo o país, sem especificar o que foi destinado às UBSs.

A pasta acrescentou que investe em serviços para acompanhamento remoto de pacientes, como o TeleSUS, que realizou 4,9 milhões de atendimentos, e financia o trabalho de 27.029 equipes de saúde informatizadas em meio à pandemia.

Disse, ainda, ter credenciado, nesta semana, 807 centros de atendimento à Covid-19 em 767 municípios. “Estes estabelecimentos temporários possibilitam que os demais serviços oferecidos nas unidades de saúde da Atenção Primária, como cuidados com a saúde da criança, consultas de pré-natal, acompanhamento de pessoas com doenças crônicas como diabetes e hipertensão, sejam mantidos e retornem à rotina habitual”, pontuou.

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Pacientes retardam ida a hospital e chegam em estado crítico

fonte: Folha de SP

O medo de contaminação pelo novo coronavírus tem afastado a busca de pessoas pelo hospital, mesmo aquelas com comorbidades e necessidade de acompanhamento médico.

Foi o que um levantamento feito pelo HCor (Hospital do Coração) mostrou. O hospital registrou uma queda de 71% de exames de diagnóstico e aumento de 30,8% de pacientes críticos –ou seja, aqueles que passaram pela UTI, em algum momento da internação– entre os meses de abril, maio e junho.

A conta engloba apenas pacientes não infectados pelo novo coronavírus e os dados são comparados com o mesmo período de 2019.

Referência em cardiologia, o hospital reforça a importância de pacientes seguirem seus tratamentos mesmo durante a pandemia.
Pedro Mathiasi, infectologista e superintendente de qualidade e segurança do HCor, afirma que o número reflete como, durante a pandemia, as pessoas não têm ido ao hospital para o acompanhamento médico e, por isso, quando chegam por lá, muitas precisam ser internadas na UTI.

Ele explica que, normalmente, cerca de 10% dos pacientes que procuram o hospital são internados –em outros, o número gira em torno de 3%. Mathiasi diz que o número é alto se comparado com outros hospitais e acredita que o dado deixa claro como a maioria dos pacientes que chegam ao HCor já tem alguma comorbidade.

Apesar das doenças preexistentes, o perfil dos pacientes era muito estável, pois a maioria mantinha acompanhamento e realizava regularmente os exames.

“Em 30 dias tivemos que rever tudo porque os doentes sumiram e os diagnósticos desapareceram”, diz.

O médico notou que as pessoas tinham medo de entrar em um ambiente com Covid-19, mas que, com o passar do tempo, perceberam que bastava o contato social para a transmissão, e o receio tem sido desmistificado.

“Ao ficar em casa, a pessoa tem dois problemas, chance de ter uma piora nas doenças e se infectar com o novo vírus”, afirma Mathiasi.

Aqueles que, depois de algum tempo em casa sentindo mal-estar procuravam o hospital, apresentavam problemas graves e avançado.

Cardiologista do HCor, Alexandre Abizaid diz que se esses pacientes tivessem procurado orientação médica antes, o atendimento seria mais simples. Prolongado a busca por ajuda, eles apresentam um estado crítico e muitos acabam internados na UTI.

“Ao invés de passar um dia no hospital fazendo exame e tomando as medidas necessárias, notamos que as pessoas chegam, por exemplo, com o músculo do coração muito sofrido ou com insuficiência renal, e acabam tendo que ficar uma semana internadas”, diz o médico.

Ele cita o dado da cidade de Nova York que registrou aumento de 800% de casos de morte por ataque cardíaco em casa. Para o médico, os números refletem da importância dos pacientes reconhecerem sinais e sintomas, para que não deixem de ir ao hospital.

Abizaid faz um alerta sobre as doenças cardiovasculares, que é a principal causa de morte no mundo.

“Ninguém deixou de ficar doente”, diz ele que compreende que no primeiro mês da pandemia no Brasil havia resistência pela procura de hospitais, já que a maioria não estava organizada para receber pacientes não relacionadas à Covid-19.

“Internava-se de forma bem mais misturada, hoje o contato de infectados pelo coronavírus com os outros é o mínimo possível”, afirma o médico.

Hoje, o HCor conseguiu evitar esse contato ao organizar entradas por lugares diferentes, assim como elevadores e até a parte administrativa. Também foi pedido que médicos tranquilizem seus pacientes sem Covid-19 que o hospital é um ambiente seguro.

Além disso, o hospital tem um total de 63 leitos de UTI. No início da pandemia, foram disponibilizados 38 para pacientes com Covid-19. Com um aumento de pacientes com problemas principalmente cardíacos, o número de leitos disponíveis foi reduzido para 25.

“Nada é 100% seguro, até porque a pessoa pode se infectar no caminho para cá, mas o benefício é maior ao nos procurar para evitar uma deterioração”, explica o médico, que também cita que para ser realizada uma cirurgia, o paciente precisa ser testado para o novo coronavírus e, caso o resultado seja positivo, a operação é adiada por 14 dias.

No Rio de Janeiro, o laborátorio Med-Rio Check-Up alerta para uma possível explosão de doenças crônicas após a pandemia. Ou seja, pela falta de consultas médicas e exames de rotina, pessoas perdem o controle da própria saúde.

A clínica fez uma comparação entre pacientes que fizeram check-up antes da pandemia e outros que fizeram em maio e registrou que a taxa de diabetes passou de 7% para 10% e a de hipertensão foi de 18% para 31%.

Outros dados que preocupam são os de sobrepeso, que costumam girar em torno de 65% e tiveram um salto para 75%. Além disso, foi registrada uma grande parcela de clientes com alta da taxa de colesterol, que normalmente é de 50% e foi para 70%.

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OMS diz que vacina de Oxford testada no Brasil é a melhor candidata contra Covid-19

fonte: O Globo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que a vacina ChAdOx1 nCoV-19, produzida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, é a “mais avançada” do mundo “em termos de desenvolvimento” e lidera a corrida por um imunizante contra a Covid-19. A fórmula está sendo testada no Brasil e na África do Sul após testes bem sucedidos no Reino Unido.

As declarações foram feitas pela cientista-chefe da entidade, Soumya Swaminathan. Ela ponderou que a pesquisa da americana Moderna também “não fica muito atrás” dos trabalhos da AstraZeneca. Mais de 200 vacinas candidatas contra o coronavírus Sars-CoV-2 são testadas ao redor do mundo, das quais 15 já entraram fases clínicas. A OMS afirmou, ainda, que está em contato com diversas fabricantes chinesas para acompanhar o desenvolvimento de seus trabalhos.

Swaminathan pediu ainda que seja considerada uma colaboração entre os testes com potenciais vacinas contra a Covid-19, similar aos ensaios solidários que a OMS tem feito com possíveis medicamentos para tratar a doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

Segundo a entidade, sediada em Genebra, serão necessários US$ 31,3 bilhões (cerca de R$ 171 bilhões) para desenvolver testes, vacinas e tratamentos para a Covid-19.

Espera-se que os fundos permitam o desenvolvimento e distribuição de 500 milhões de testes e 245 milhões de tratamentos em países de baixa e média renda até meados de 2021 e 2 bilhões de doses de vacina em todo o mundo, metade dos quais em países de baixa e média renda até o final de 2021.

O braço das Nações Unidas para a saúde trabalha junto a uma grande coalizão de organizações para o desenvolvimento, financiamento e distribuição de medicamentos chamada “ACT-Accelerator Hub”. No entanto, a OMS afirma que apenas US$ 3,4 bilhões (R$ 18,6 bilhões) foram assegurados. Para tanto, ainda faltariam US$ 27,9 bilhões (R$ 152,8 bilhões) adicionais, dos quais US$ 13,7 bilhões (R$ 75 bilhões) são urgentes “para cobrir necessidades imediatas”, afirmou a OMS.

— É um investimento que vale a pena fazer. Se não nos mobilizarmos agora, os custos humanos e as repercussões econômicas vão piorar — disse Ngozi Okonjo-Iweala, enviado especial para a iniciativa internacional, durante uma conferência de imprensa virtual. — Embora esses números pareçam importantes, não são quando pensamos na alternativa. Se gastarmos bilhões agora, podemos evitar gastar milhares de bilhões depois. Precisamos agir agora e juntos.

O diretor-executivo da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou a importância de acelerar os procedimentos para frear a pandemia.

— Está claro que, para controlar a Covid-19 e salvar vidas, precisamos de vacinas, diagnósticos e terapias eficazes, em volumes sem precedentes e em uma velocidade sem precedentes — declarou Adhanom. — E está claro que, como todos podem ser afetados pela Covid-19, todos devem ter acesso a todas as ferramentas de prevenção, detecção e tratamento, e não apenas àqueles que podem pagar por elas.

Brasil

Os testes em voluntários brasileiros da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, contra a Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, tiveram início na semana passada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A informação foi divulgada na noite da última segunda-feira pela Fundação Lemann, que financia o projeto, em nota.

Os testes da vacina ChAdOx1 nCoV-19 no Brasil foram anunciados no início do mês e deverão contar, de acordo com a Unifesp, com 2 mil voluntários em São Paulo, e com outros mil no Rio de Janeiro, onde serão realizados pela Rede D’Or. Os resultados devem ser concluídos até setembro, segundo informou a AstraZeneca, farmacêutica que conduz o desenvolvimento da vacina em parceria com Oxford, no início deste mês.

“No último final de semana (20 e 21 de junho), a Fundação Lemann teve a oportunidade de celebrar com os parceiros envolvidos e especialistas responsáveis, o início dos testes em São Paulo para a vacina ChAdOx1 nCoV-19, liderada globalmente pela Universidade de Oxford”, informou a Fundação Lemann, do bilionário empresário Jorge Paulo Lemann. Ontem, a coluna do jornalista Lauro Jardim, do GLOBO, publicou que a entidade pretende construir uma fábrica para a vacina de Covid-19 no país.

Outra vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac, deverá começar a ser testada no Brasil no mês que vem em parceria com o Instituto Butantan, vinculado ao governo do Estado de São Paulo. Este teste, de acordo com o instituto, será financiado pelo governo paulista e deverá contar com 9 mil voluntários. Caso a vacina seja bem-sucedida, o acordo prevê a possibilidade ser produzida localmente pelo Butantan.

Dose dupla

A AstraZeneca informou na última terça-feira que testes realizados no Reino Unido indicaram que a aplicação de uma dose dupla da vacina gerou uma resposta imunológica melhor em porcos. Os resultados foram divulgados pelo Instituto Pirbright (Reino Unido). A descoberta sugere que a abordagem pode ser mais efetiva na imunização contra o coronavírus Sars-CoV-2, mas a organização britânica ponderou que ainda não se sabe o nível de resposta imunológica que será exigido para proteger seres humanos.

— Os resultados parecem encorajadores ao indicarem que duas injeções potencializam as respostas dos anticorpos capazes de neutralizar o vírus. Mas é a resposta em humanos que importa — afirmou Bryan Charleston, diretor do Instituto Pirbright.

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‘Assumimos um risco para ter a vacina no Brasil’, diz presidente da Fiocruz

fonte: O Globo

Otimista, mas cautelosa. A socióloga Nísia Trindade Lima comemora a futura produção de vacinas contra a Covid-19, que estão sendo desenvolvidas pela Universidade de Oxford, na Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz, instituição presidida por ela. Trata-se de um investimento de R$ 693,4 milhões, e não há garantias de que o produto será eficaz. Nísia, porém, defende a parceria, destacando a importância da transferência de tecnologia, que pode contribuir até para o país superar outras enfermidades, como a gripe H1N1.

Em entrevista ao GLOBO, a presidente da Fiocruz indica a necessidade de investimento no sistema de saúde público e de organização das campanhas de vacinação. Convoca municípios, estados e governo federal a atuarem juntos no combate à Covid-19 e adverte que a população não deve esperar pelos milagres de uma vacina. Como os resultados dos ensaios clínicos não serão conhecidos antes de outubro, as medidas de proteção contra a pandemia, como a higienização e o uso de máscaras, não devem ser abandonadas.

O Ministério da Saúde vai produzir, na Bio-Manguinhos (laboratório da Fiocruz) até 100 milhões de doses de uma vacina contra a Covid-19 que ainda está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford. Trata-se de um investimento de R$ 693,4 milhões do governo, mesmo sem a certeza de sua eficácia. É um procedimento comum?

Assumimos um risco de natureza econômica para ter a vacina no Brasil, um compromisso financeiro, esperando que o produto seja bem sucedido, mas claro que ele pode não se provar eficaz. Há muitas pesquisas sem resposta sobre o coronavírus, e acredito que a escolha desta vacina foi muito bem pensada. Não somos o único país a tomar esta iniciativa. Outros também estão conciliando ensaios clínicos e produção de lotes sem ter certeza sobre o resultado final.

Por que estamos fazendo isso?

Porque o país está sofrendo. Veja quantas vidas estamos perdendo no SUS devido à baixa capacidade de atendimento à população. Enfrentamos dois riscos. O primeiro é ter uma vacina que não demonstra grande capacidade de produção. O segundo é ver o Brasil excluído de qualquer busca pela produção de vacinas. Hoje, seguindo a fórmula como trabalhamos, não há qualquer ameaça clínica à população, porque as doses já serão introduzidas no SUS depois de terem sua eficácia comprovada em pesquisas e exames da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A Fiocruz terá capacidade para produzir vacinas para toda a população?

Sim. Na verdade, mesmo agora, os insumos farmacêuticos virão de Oxford, mas a produção da vacina será finalizada aqui. Isso requer instalações adequadas e experiência, e a Fiocruz já fabrica vacinas há 120 anos. Podemos contar com o apoio dos pesquisadores de Oxford até chegar a 100 milhões de doses. Quando o processo de transferência de tecnologia for concluído, teremos autonomia para fabricar, a partir do ano que vem, 40 milhões de doses por mês.

Em testes com macacos, pesquisadores viram que a vacina protegia os animais da pneumonia, mas não eliminava o vírus nas mucosas. É possível corrigir esta e outras falhas?

Isso deverá ser avaliado na fase 3, que é a última, das pesquisas. A Covid-19 tem uma série de perguntas sem respostas. Teremos uma comissão de especialistas acompanhando a produção das vacinas.

Uma eventual vacina eficaz contra o coronavírus pode ajudar o Brasil a se preparar para outras epidemias?

Sim. Teremos tecnologia para combater uma série de doenças, especialmente os vírus respiratórios, entre eles o H1N1. Há muitas pesquisas que estão usando um vetor viral, como a que estamos trazendo agora, para combater doenças. A própria Universidade de Oxford está recorrendo a esse método para desenvolver vacinas contra o ebola e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

Há uma expectativa de ter os primeiros lotes da vacina disponíveis já em janeiro. A senhora teme que o otimismo faça o brasileiro relaxar nas medidas contra o coronavírus?

Sim. Muitas vezes as pessoas não seguem orientações médicas por falta de consciência do problema ou por achar que a doença não afetará o seu grupo. Sabemos que a pandemia é um fenômeno multicausal, que tem efeito biológico, social e até de saúde mental. E, também, que parte da população precisa sair de casa atrás de seu ganha-pão. Mas ninguém pode contar com uma mágica. Há décadas as pessoas acreditam que doenças infecciosas são coisa do passado e que logo a ciência responderá com novos antibióticos. Na verdade, vemos que velhas enfermidades insistem em continuar entre nós, às vezes até emergem.

Na falta de um medicamento eficaz contra a Covid-19, qual a solução?

São cuidados individuais e coletivos. Intensificar a higienização e usar máscaras. Temos na Fiocruz um laboratório dedicado a vírus respiratórios que acompanhará as possíveis mutações do Sars-CoV-2. Também é muito importante ter um sistema de vigilância em saúde e o SUS fortalecidos, integrando a atenção primária à hospitalar, o que ajuda em diagnósticos.

O Brasil tem lacunas em campanhas de vacinação. No ano passado, perdemos o selo de erradicação do sarampo. Como o sistema de saúde terá que se organizar para imunizar contra a Covid-19?

O programa de imunizações, a comunicação na área de saúde e as campanhas de vacinação devem ser olhados em conjunto. O coronavírus nos fez ver como é hora de fortalecer esse sistema. O SUS precisa ser financiado e valorizado e, para isso, estamos trabalhando com secretarias municipais e estaduais, além do próprio Ministério da Saúde. A pandemia é um problema de característica tripartite.

porCIPERJ

CIPERJ e Dasa realizam Live nesta terça-feira, às 20h30

A CIPERJ e a Dasa realizam, nesta terça-feira, dia 30, às 20h30, Live que abordará Diagnóstico contemporâneo das doenças congênitas das vias urinárias, que terá a seguinte programação:

20h30 Abertura

20h35 Ressonância Magnética Nuclear funcional
Dra. Bianca Guedes Ribeiro

20h55 Ultrassonografia transperineal
Dra. Tatiana Fazecas

21h15 Cintilografia renal dinâmica
Dr. Luiz Machado

21h35 Debate

Moderação: Dra. Lisieux Eyer de Jesus e Dr. Pedro Daltro

FAÇA SUA INSCRIÇÃO

porCIPERJ

Transplantes de órgãos caem mais de 40% durante a pandemia da Covid-19

fonte: O Globo

O número de transplantes de órgãos no Brasil caiu em mais de 40% desde o início da pandemia da Covid-19, e o de doadores recuou em 34%, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Segundo Gustavo Ferreira, vice presidente da instituição, a queda se acentuou a partir da segunda quinzena de maio, quando houve um recuo de 49%. Nas duas primeiras semanas de junho, a redução já estava em 45%.

A diminuição de transplantes começou a acontecer desde o primeiro óbito pela Covid-19 identificado no país, em 17 de março. Até o último dia 14, segundo a Coordenação Geral Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), a queda no número de transplantes de rim, fígado, pâncreas, coração e pulmões foi de 43%, em média.

De acordo com Gustavo Ferreira, a alta ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a redução dos voos — dificultando o transporte dos órgãos pelo país — e o medo de que doadores e pacientes, estes já debilitados, sejam contaminados pelo coronavírus nos hospitais são alguns dos motivos que explicam a realidade atual. Ferreira afirma que a situação é preocupante, já que muitos dependem do órgão para sobrevivência, e não há perspectivas em curto prazo de uma normalização deste cenário:

— O Brasil enfrenta momentos da pandemia muito diferentes regionalmente. É muito difícil prever quando teremos um cenário melhor. Só podemos pensar em voltar ao número pré-crise quando soubermos melhor o futuro da pandemia.

Segundo Gabriel Teixeira, diretor-geral do Programa Estadual de Transplante (PET) do estado do RJ, o receio também parte dos médicos:

— Tivemos centros de transplante aqui do Rio que no começo da pandemia, quando tínhamos poucas informações sobre a Covid-19, contraindicaram a cirurgia para todos os seus pacientes.

Ele afirma que o estado teve o seu melhor 1º trimestre de todos os tempos, e que se não fosse a pandemia, o Rio viveria seu melhor ano para transplantes.

— Apesar de o número ter caído, não interrompemos os nossos serviços por nenhum momento. Alguns pacientes que podem esperar pelo transplante optaram por não realizarem as cirurgias. O receio também parte dos médicos — disse Teixeira, que informo que, desde março, o estado do Rio testa possíveis doares de órgãos para a Covid-19.

Ainda de acordo com o especialista, um dos motivos que pode ter contribuído para a redução de número de transplantes é a menor notificação de potenciais doares, assim como a possível redução de mortes encefálicas — o que possibilita a doação de órgãos —, provocadas por acidentes, violência e doença cerebrovascular, como o AVC.

— Nossa taxa de aceitação da família para a doação permanece em 75%, então o que realmente caíram foram as notificações de possíveis doadores.

Sobrecarga do sistema de hemodiálise

O Brasil realiza cerca de 30 mil procedimentos anualmente e é o maior sistema de transplante público do mundo. Até março, 26.816 pessoas aguardavam órgãos no país, de acordo com a ABTO.

Dessas, 24.879 são demandas por rim. Em maio de 2020, foram feitos 294 transplantes renais. Ano passado, foram cerca de 500 no mesmo mês, quase 30% a mais:

— São pessoas que vão ter que continuar fazendo hemodiálise, o que sobrecarrega ainda mais o sistema, já que, recebendo o órgão, elas liberariam vagas de diálise pra outras pessoas. O Brasil também vive, há anos, no limite de ambulatórios para hemodiálise, com pessoas aguardando às vezes meses para conseguir uma vaga.

Receio de receber rim durante a pademia

Para Everaldo Teodoro, de 54 anos, há 20 deles enfrentando sessões semanais de hemodiálise, a possibilidade de ser chamado para realizar um transplante no meio da pandemia da Covid-19 tem assustado. O aposentado, que já recebeu um rim em 2005, mas viu seu corpo rejeitá-lo.

Ele afirma que, se um novo órgão for disponibilizado enquanto a crise no coronavírus não estiver controlada, ele não pensa em fazer a operação.

— O que eu mais sonho é ver o telefone tocar me chamando para transplantar, mas só que, na atual circunstância, depois de tantos anos lutando para conseguir um órgão, eu tenho receio de ir para o hospital e ser contaminado. Quando fazemos um transplante, ficamos imunossuprimidos. Então, estou com um certo medo, sim. Se me chamarem hoje, eu não gostaria de transplantar. Prefiro deixar esse momento passar. E este não é um sentimento só meu, mas de outros amigos que estão na mesma situação — explica.

Everaldo, que tem insuficiência renal crônica e é hipertenso, entrou novamente na fila do transplante novamente há dois anos. Enquanto não recebe um novo rim, ele faz diálise três vezes por semana Cada sessão dura quatro horas. Além do medo de contrair o novo coronavírus na operação, ele também tem receio de se infectar quando sai de casa para se tratar. Morador do Méier, na Zona Norte do Rio, ele pega um ônibus e o metrô para chegar na clínica onde faz diálise em Botafogo, na Zona Sul da cidade.

Possíveis doadores não estão sendo testados

As demais 1.937 pessoas que aguardam transplante de órgãos essenciais às suas sobrevivências também vivem momento dramático. Outras 390 crianças também estão na fila.

A pandemia e a baixa testagem nacional têm afetado o número de doadores não vivos. Como quem teve Covid-19 não pode doar, agora é necessário testar todas as pessoas que morrem no país. O problema, reforça ele, é que o país não tem testes o suficiente, deixando para trás possíveis doadores:

— É uma situação muito preocupante porque estamos perdendo potenciais doadores, o que deixa o cenário de difícil recuperação para o futuro. Teremos que fazer uma ação muito efetiva nacionalmente no segundo semestre e no próximo ano.

PCR passará a fazer parte do protocolo para transplantes

Para a entidade, o quadro pode aumentar a mortalidade de pessoas que estão na fila à espera de um órgão. O presidente da ABTO, o cirurgião José Huygens Garcia, também professor da Universidade Federal do Ceará, disse que, diante da nova realidade provocada pelo coronavírus, a instituição está reformulando o seus protocolos.

Além dos exames que já eram realizados nos doadores para detectar doenças, incluindo o teste de HIV, o procedimento incluirá, na rotina, o exame RT-PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction) para diagnóstico da Covid-19.

— Não se pode mais fazer retirada de órgãos sem a testagem.A nossa esperança é na redução cada vez maior do tempo para detectar a presença do coronavírus e um número maior de testes — explicou Huygens.

Ele acredita que a situação deve começar a melhorar a partir de agosto. O principal fator para que esse cenário se torne positivo é a liberação de leitos de UTI, essencial para o pós-operatório de transplantados:

— A situação é diferente em regiões do país. No Sul, há o aumento do número de casos de Covid. Enquanto isso, em locais como o Ceará, por exemplo, há a liberação desses leitos, o que pode possibilitar o retorno das cirurgias.

porCIPERJ

Pesquisa mostra que anticorpos de pacientes assintomáticos da Covid-19 diminuem rapidamente em até três meses

fonte: O Globo

Os níveis de anticorpos encontrados em pacientes –  sintomáticos e assintomáticos – recuperados da Covid-19 diminuíram dois a três meses após a infecção, informa estudo pubicado no periódico científico “Nature Medicine” e comandado por pesquisadores da Universidade Médica de Chongqing, uma filial do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China.

A conclusão da pesquisa aumentou as dúvidas a respeito da duração da imunidade contra o novo coronavírus e do momento seguro do retorno dos recuperados ao trabalho e à escola, por exemplo. Especialistas lembram, no entanto, que o trabalho não exclui a possibiilidade de outras partes do sistema imunológico oferecerem proteção.

A pesquisa, comandada por Ai-Long Hua, da Universidade Médica de Chongqing, foi publicada na Nature Medicine no dia 18 e enfatiza o risco dos chamados “passaportes de imunidade”, a  liberação da quarentena a pacientes já infectados pela Covid-19. Para os pesquisadores, os resultados justificam o uso prolongado de intervenções de saúde pública como o distanciamento social e o isolamento de grupos de alto risco.

Autoridades de saúde de alguns países, como a Alemanha, já estão debatendo a ética e a viabilidade de se permitir que pessoas que tiveram um exame de anticorpos positivo circulem com mais liberdade do que as que não tiveram.

Sintomáticos vs. assintomáticos

A pesquisa também mostrou que pacientes assintomáticos infectados pelo Sars CoV-2 podem ter uma resposta imunológica mais fraca do que os que desenvolveram os sintomas — entre eles febre e tosse.

Os níveis de anticorpos de pacientes que não apresentaram os sintomas caíram mais de 80% após 8 semanas da saída do hospital.

A pesquisa estudou 37 pacientes sintomáticos e 37 assintomáticos. Entre os 37 assintomáticos, 22 eram mulheres e 15 homens, com idades entre 8 e 75 anos (média: 41 anos).

Ai-Long Hua descobriu que os pacientes assintomáticos, isolados no hospital, tiveram uma duração média de excreção viral de 19 dias. Já entre os pacientes com os sintomas, o tempo médio foi de 14 dias. Essa duração da excreção não significa, no entanto, que eles possam contagiar mais outras pessoas.

No total, entre os pacientes que tiveram exames positivos para a presença dos anticorpos IgG, um dos principais tipos de anticorpos induzidos após a infecção, mais de 90% mostraram declínios acentuados dentro de dois a três meses.A porcentagem média de declínio foi sempre de mais de 70% em pacientes sintomáticos e assintomáticos.

Jin Dong-Yan, professor de virologia da Universidade de Hong Kong que não participou do grupo de pesquisa, disse, no entanto, que o estudo não nega a possibilidade da existência de um nível de proteção contra o vírus pelos infectados.

Algumas células, ele explica, memorizam como lidar com um vírus quando são infectadas pela primeira vez e podem apresentar uma proteção eficiente se houver uma segunda rodada de infecção, disse. Cientistas ainda investigam, no entanto, se este mecanismo funciona para o novo coronavírus.

— As descobertas deste estudo não significam que o céu está desabando — disse Dong-Yan, observando ainda que o número de pacientes estudados não foi substancial.

porCIPERJ

Planos de saúde registram menor uso em quatro anos, com suspensão de cirurgias e exames eletivos

fonte: O Globo

Os planos de saúde registraram, em maio, o menor uso por seus beneficiários desde o início da série histórica iniciada em 2016. Boletim da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que a  suspensão de cirurgias e exames eletivos por conta da pandemia  por coronavírus,  fez o desembolso das operadoras frente ao valor recebido de mensalidades cair de  76%  abril para 66% no mês passado.

Isto é, do que as empresas do setor receberam de seus usuários, gastaram 66% para coberturas de atendimentos assistenciais. A média dos últimos quatro anos era de 76%, sendo o pico de 85%, em abril e junho de 2016.

O levantamento da ANS, com dados fechados em 31 de maio, também mostra uma ligeira alta do número de inadimplentes: a média subiu de 13% para 16%.

Apesar da rediução de custos, os planos de saúde não têm facilitado a negociação dos consumidores em dificuldade para pagar as mensalidades, diz Ana Carolina Navarrete, coordenadora de pesquisa em saúde, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec):

— A inadimplência já subiu um pouco e a tendência é se agravar, já que as empresas estão dificultando a negociação de mensalidades. Por isso é tão importante que projetos de lei como PL 1542/20, que suspende os reajustes de planos de saúde, já aprovado no Senado e agora indo para a Câmara, tramite com celeridade e seja aprovado — destaca.

Para médica sanitarista, Ligia Bahia  mais do que facilitar as negociações de inadimplentes, as empresas teriam condições hoje de oferecer algumas facilidades a quem perdeu renda:

— A redução da procura por cuidados lhes permite aumentar retornos financeiros porque recebem as mensalidades e estão pagando menos para os prestadores de serviços.  Essa “folga” entrada de recursos preservada a inadimplência é pequena e menor saída para o pagamento das despesas assistenciais deveria estimular a redução temporária do valor das mensalidades —  sugere.

A  Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) diz que o crescimento da inadimplência preocupa e que ainda não é possível dimensionar seu real impacto no setor.

Embora diga que as informações do relatório estão dentro das expectativas do setor, a associação disse que deverá solicitar uma reunião à ANS “para se aprofundar nas informações levantadas.”

A Abramge chama atenção ainda para o fato que o Brasil é um país continental e cada região, assim como cada operadora de plano de saúde estão em diferentes estágios de combate à Covid-19.

Ocupação de leitos é menor do que em 2019

Os números da saúde suplementar de maio mostram ainda um aumento na taxa de ocupação geral de leitos (com e sem UTI), passando de 51%, em abril,  para 61% em maio.Apesar da alta, o percentual ainda é menor do que o registrado em maio do ano passado quando era de 76%.

O boletim aponta ainda um crescimento significativo de leitos  para atendimento à Covid-19 de abril para maio: de 45% para 61%.

Segundo o levantamento da ANS, os dados não indicam, até o momento, desequilíbrio assistencial ou econômico-financeiro no setor.

Em maio, registrou-se ainda o aumento na autorizações pelas operadoras  de  pedidos de exames e terapias. O volume, no entanto, ainda é 46% menor do que o registrado em maio no ano passado.

Em 9 de junho, a ANS acabou com a medida que flexibilizava o prazo para realização de cirurgias, exames e consultas eletivas pelas operadoras.

Hospitais e laboratórios disseram já estarem prontos para atender ao aumento de demanda. No entanto, especialistas analisam que a retormada dos procedimentos vai depender da contenção da evpidemia para que as pessoas se sintam seguras e voltem a sua rotina de cuidados médicos.

Para a elaboração do boletim a agência reguladora, para os dados assistenciais, utiliza informações enviadas por 50 operadoras classificadas que possuem hospitais próprios. Para a análise econômica são analisados os dados de  102 operadoras que juntas somam 74% dos usuários  de planos de saúde médico-hospitalares do país.

Agência recebeu 4,7 mil  relacionadas à Covid-19

A ANS informou ainda ter recebido, entre março e 15 de junho, 4,7 mil queixas relacionadas ao tema coronavírus, entre as 7.149 solicitações enviadas a reguladora. O o número total de reclamações neste ano, destaca a agência, é menor do que no mesmo período de 2019.

Do total de reclamações relacionadas à Covid-19, 36% (1,7 mil) se referem a dificuldades de atendimento relativas ao exame para detecção ou tratamento da Covid-19. Outros 43% tratam de problemas relacionados outras assistências afetadas pela pandemia e 21% são temas não assistenciais (contratos e regulamentos, por exemplo).

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) disse que a redução da sinistralidade, ou seja, da utilização das estruturas de saúde no mês de maio, é consequência direta de orientação expressa das autoridades sanitárias do país no sentido de estimular os pacientes a postergarem procedimentos eletivos.

De acordo com a federação, esse é um resultado que coincide com momento crítico da pandemia no país. “Tende, portanto, a ser pontual e localizado”.