Autor CIPERJ

porCIPERJ

Dia Mundial da Segurança do Paciente, comemorado em 17 de setembro, chama atenção para a importância da qualidade da assistência à saúde prestada.

fonte: Anvisa

Segurança do paciente: uma prioridade de saúde global. Esse é o tema da campanha deste ano do Dia Mundial da Segurança do Paciente, comemorado em 17 de setembro. O objetivo é mobilizar pacientes, profissionais de saúde, formuladores de políticas, pesquisadores, redes profissionais e o setor de saúde para defender a segurança do paciente.

A data foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na 72ª Assembleia Mundial da Saúde. A Anvisa, que desenvolve ações nacionais voltadas para a segurança do paciente em serviços de saúde desde sua criação, em 1999, se une à iniciativa da OMS, contribuindo para assegurar cada vez mais qualidade na assistência prestada.

Não fique de fora dessa! Acesse o cartaz “Vamos lutar pela segurança do paciente!” e celebre o dia 17 de setembro em sua instituição. Dê visibilidade às iniciativas exitosas que você vem desenvolvendo para a implementação de práticas mais seguras em suas redes sociais e marque @anvisaoficial nas fotos e vídeos de até um minuto produzidos. Utilize as hashtags #17desetembro, #diamundialdasegurancadopaciente e #eulutopelasegurancadopaciente.

Seja um agente transformador!

Se você é paciente: 

– Envolva-se, ativamente, no seu próprio cuidado.

– Faça perguntas! Cuidados de saúde seguros começam com uma boa comunicação.

– Certifique-se de fornecer informações precisas aos profissionais sobre seu histórico de saúde.

Se você é profissional de saúde ou líder de serviços de saúde: 

– Faça do paciente um parceiro, de modo a envolvê-lo em seu próprio cuidado.

– Garanta o desenvolvimento profissional contínuo para melhorar suas habilidades e conhecimentos em segurança do paciente.

– Crie uma cultura de segurança aberta e transparente.

– Notifique à Anvisa e investigue os eventos adversos que ocorreram no seu serviço de saúde. É importante aprender com as falhas.

Materiais da Anvisa para consulta

Relatório da Autoavaliação das práticas de segurança do paciente – 2018 

Relatórios e boletins sobre eventos adversos em serviços de saúde 

Manuais da série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde 

Guia: Como posso contribuir para aumentar a segurança do paciente? Orientações aos pacientes, familiares e acompanhantes 

Hotsite Segurança do Paciente 

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Inteligência artificial deixa ressonância magnética mais rápida

fonte: Folha de SP

Usando IA (inteligência artificial), um grupo de pesquisadores criou um mecanismo que promete acelerar exames de ressonância magnética em até quatro vezes. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (18) e constam em artigo ainda não publicado, mas já aceito para publicação, pelo “American Journal of Roentgenology”.

A nova técnica é fruto de uma iniciativa batizada de “FastMRI” (“ressonância magnética rápida”, em tradução livre). Ela une especialistas do Facebook e do NYU Langone Medical Center, hospital universitário ligado à Universidade de Nova York.

Segundo os pesquisadores, a ressonância mais rápida pode aumentar a capacidade de atendimentos nos hospitais e, com isso, baratear o procedimento.

Ela também torna a experiência menos desconfortável para os pacientes, que precisam ficar menos tempo dentro do tubo que faz os exames —a depender da complexidade, pode ser necessário que a pessoa fique imóvel por até uma hora dentro da máquina.

Além disso, a modalidade pode ampliar o leque de aplicações da ressonância magnética, possibilitando o uso em emergências, por exemplo.

“Se alguém está tendo um derrame, normalmente fazemos uma tomografia. Uma ressonância traria imagens mais detalhadas, mas demora demais. Se conseguirmos fazê-la em cinco minutos, no entanto, abrimos uma nova área para a qual podemos usar a ressonância magnética”, diz Michael Recht, chefe do departamento de radiologia do NYU Langone Medical Center.

A pesquisa analisou os joelhos de 108 pacientes de diferentes gêneros e faixas etárias. Cada um deles foi examinado tanto pelo sistema tradicional quanto pelo método acelerado por IA.

Seis radiologistas compararam os exames, sem saber qual era qual, e registraram seus diagnósticos. Para evitar que os especialistas se lembrassem de algo que tinham visto na análise anterior, as imagens tradicionais e as geradas por IA foram exibidas para eles separadas por um intervalo de um mês.

Todos os seis acharam melhores as imagens geradas pela inteligência artificial, e cinco não sabiam diferenciar qual era qual. Comparados, os diagnósticos tiveram discrepâncias em 4% dos casos, valor considerado irrelevante pelos pesquisadores.

Para montar o sistema, os cientistas usaram “deep learning” (“aprendizagem profunda”), uma técnica de IA que se popularizou na última década, com diferentes aplicações pipocando particularmente na medicina.

A diferença é que os usos na área da saúde normalmente atuam em outra parte do processo: o diagnóstico em si. No começo deste ano, por exemplo, houve grande repercussão e polêmica no setor após um sistema feito por pesquisadores do Google e da universidade Imperial College London, da Inglaterra, conseguir resultados melhores do que médicos para detectar câncer de mama em imagens de raios-X.

No caso da FastMRI, a inteligência artificial é empregada para criar imagens em alta resolução a partir dos dados coletados pelas máquinas de ressonância magnética. O diagnóstico fica por conta do médico.

Funciona assim: antes de gerar as imagens, as máquinas de ressonância primeiro usam magnetismo para coletar dados da localização dos átomos da região examinada. Essa informação é depois repassada para um segundo sistema, para só então ser a convertida em pixels, os pontinhos coloridos que formam o conteúdo das telas de computador e celular.

A IA entra no meio desse caminho. Com dados parciais, vindos de toda a área a ser examinada, ela consegue gerar uma imagem completa. Por precisar de menos informação —aproximadamente 25% do que é usado normalmente—, o processo é mais rápido.

Segundo Recht, o estudo agora se volta para ampliar a análise para imagens em parceria com outros hospitais, nos EUA e no exterior, e de outras partes do corpo, começando por cabeça abdômen.

“Já temos tido bons resultados. No cérebro, acreditamos que pode ser até 10 vezes mais rápido que o tradicional”, afirma.

O sistema criado pelo grupo é distribuído gratuitamente e funciona com diferentes tipos de máquinas. Agora, aponta Recht, é uma questão de tempo para que ganhe a confiança da comunidade médica, passe por regulação e seja implementado pelas fabricantes dos equipamentos. Tudo deve levar cerca de dois anos, prevê o especialista.

porCIPERJ

Nota oficial: Hospital Adão Pereira Nunes

A administração do Hospital Adão Pereira Nunes, após problemas da administração estadual com a gestão pela OS previamente responsável pela administração da unidade (conforme amplamente divulgado pelos veículos de imprensa), foi recentemente delegada à prefeitura da cidade de Duque de Caxias.

O HEAPN congrega o maior serviço público de urgência cirúrgica pediátrica do Estado do Rio de Janeiro, atendendo também cirurgias eletivas, seguimento pós operatório em enfermaria e ambulatório e formação de residentes. Toda esta estrutura vêm sendo mantida há quase uma década através do trabalho de uma mesma equipe.

Há apenas três serviços públicos que dispõem de plantonistas diários por 24h com atendimento cirúrgico pediátrico no Grande Rio, incluindo o HEAPN, o que faz deste serviço um centro estratégico de atendimento à saúde da criança, inclusive emergencial. Por todos estes fatores, a diretoria da Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro (CIPERJ) vêm acompanhando com muita atenção e preocupação os acontecimentos referentes à mudança de gestão.

Em virtude das modificações administrativas, o grupo de cirurgiões pediátricos que atua no hospital está obrigatoriamente renegociando o seu contrato de prestação de serviços para a Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias. Segundo relatos de associados envolvidos na negociação, a empresa privada (OS) que será doravante responsável pela gestão do hospital oferece um contrato em que os médicos prestadores de serviço se tornarão associados à empresa, contratados individualmente no papel de pessoa jurídica, passando a ser pagos por hora de trabalho e não pela jornada de trabalho (como plantonistas, em cirurgias eletivas e para atendimento clínico em enfermarias e ambulatórios), contrapondo-se à forma atual de relação trabalhista, mediante contratos CLT.

Este tipo de contratação desvaloriza o médico em geral e o cirurgião pediátrico em especial, retirando dos profissionais qualquer garantia trabalhista, estabilidade funcional e planejamento de carreira. Em troca de agilidade e economia para o gestor o profissional médico não tem qualquer direito trabalhista ou estabilidade. Não pode assumir uma prestação para compra de um objeto (não tem estabilidade que o permita). Pode (e tem sido) demitido sumariamente através de mensagens em mídias sociais sem aviso prévio nenhum, às vezes seguindo caprichos de seus superiores. Não pode adoecer ou engravidar (porque então não é remunerado). Nem considera reclamar com seus superiores, sob pena de se tornar inconveniente e dispensável imediatamente (ainda que a reclamação diga respeito à segurança do paciente). Depende de ser cordato para manter empregabilidade.

Duvidamos muito que a sociedade queira profissionais médicos tornados mascates de suas habilidades duramente conquistadas com treinamento diuturno e compromisso eterno. Duvidamos muito que a sociedade queira médicos para quem o trabalho se encerre numa troca de serviço por dinheiro, contabilizado nos ponteiros de um relógio, pura e simples. Duvidamos que a sociedade queira médicos que não podem defender ativamente a segurança e a excelência do que fazem, para ter chances de emprego.

Estes são problemas extremamente sérios, em se considerando uma profissão em que o amadurecimento e aperfeiçoamento profissional dependem de educação continuada e assimilação organizada de experiência profissional. Para isso é necessária uma carreira. Um médico, em especial um cirurgião pediátrico, é um profissional exaustiva e permanentemente treinado. Seu trabalho não é uma simples prestação de serviço: o trabalho de um médico tem requisitos éticos e de advocacia dos direitos do paciente, que não se esgotam no ato cirúrgico. Seu treinamento não se encerra ao final do período de residência médica. Qualquer pessoa concorda que a relação de um paciente com seu cirurgião não se esgota nas duas horas em que é realizado o procedimento cirúrgico, da mesma forma que a relação do profissional com seus colegas é maior e mais plena do que o cumprimento de um horário de trabalho.

O jornalista Rubem Berta, em matéria de fevereiro deste ano sobre a contratação de médicos por algumas Organizações de Saúde, escreveu um texto com informações muito úteis para nossa reflexão. Estas empresas, para maximizar a agilidade de contratações e demissões e evitar responsabilidade e custo com direitos trabalhistas, têm “quarteirizado” sistematicamente a contratação de profissionais. A contratação de profissionais em regime CLT é substituída pela “associação” de profissionais individuais como pessoas jurídicas. A relação é permanente e trabalhista de fato, com cumprimento de escalas de trabalho semanais, mas não há direitos correspondentes. Documentos enviados ao Ministério Público comprovam que para as OSs não existem mais obrigações trabalhistas, apesar da contratação em grande número de trabalhadores da área da saúde. Considerando que a tendência óbvia no momento é tornar as OSs os maiores responsáveis por contratações na área de saúde, e, portanto, os detentores e reguladores deste enorme mercado de contratações, nossa preocupação é enorme.

Talvez estas operações sejam legais, mas não são éticas, certamente não são morais e terão consequências devastadoras não apenas para a profissão médica, mas também, em última instância, para a população, que precisa de um atendimento com qualidade e responsabilidade.

Conforme já publicado em nosso site e nas redes sociais da CIPERJ, por uma questão de ética, solicitamos, como sempre, aos cirurgiões pediátricos, vinculados ou não à CIPERJ, que se chamados para qualquer tipo de negociação com o HEAPN para prestação do serviço em questão, entrem em contato com a CIPERJ para ter certeza que as negociações com o grupo que presta serviço ao hospital neste momento foram encerradas.

Precisamos, mais do que nunca, estar atentos.

Precisamos, mais do que nunca, defender a nossa profissão e, com ela, nossos pacientes.

Juntos somos mais fortes.

DIRETORIA DA CIPERJ

porCIPERJ

Só 15% dos profissionais da área médica se dizem preparados

fonte: O Globo

Pesquisa conduzida pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGVEaesp) e divulgada ontem pela Agência Bori concluiu que apenas 15% dos profissionais de saúde se sentem preparados para lidar com o novo coronavírus, enquanto ampla maioria não se vê com preparo para encarar os desafios da pandemia. O principal fator indicado é o medo pela vulnerabilidade de quem atua na linha de frente.

O trabalho, coordenado pelo Núcleo de Estudos da Burocracia da FGV-Eaesp, analisou as respostas de 1.456 profissionais de todos os níveis de atenção e regiões do Brasil na última quinzena de abril, por meio de aplicação de um formulário eletrônico.

Dos profissionais que responderam, 79% são mulheres, 19,6% homens e cerca de 1% não informou o gênero.

Nesse conjunto, o medo foi relatado por 91,25% dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate a endemias. Entre eles, apenas 7,61% disseram se sentir preparados. Entre enfermeiros, esse índice ainda é consideravelmente baixo: 20,09%.

Entre médicos, 77,68% relataram sentir medo e vulnerabilidade pelo contato constante com pacientes. Os pesquisadores identificaram ainda uma fragilidade particular nos estados das regiões Norte e Nordeste.

A falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) ajuda a explicar a sensação de vulnerabilidade. Apenas 32% dos profissionais relataram o recebimento de EPIs. Esse número é menor entre agentes comunitários e de combate: 19,65%.

— Os EPIs são, obviamente, uma condição básica para o trabalho na saúde. Sabemos que o Brasil atrasou muito na aquisição desses equipamentos — diz Gabriela Lotta, professora da FGV e coordenadora do Núcleo de Estudos da Burocracia.

Gabriela lembra que os EPIs não chegaram a muitos profissionais mesmo depois da normalização dos estoques.

SUPORTE E MUDANÇAS

O estudo da FGV-SP também concluiu que parte expressiva dos profissionais não recebeu treinamento voltado para o contexto pandêmico. Apenas 21,91% afirmaram ter recebido orientações específicas, a maior parte médicos. Além disso, 67% afirmaram não encontrar suporte por parte do governo federal. Já em relação aos Executivos estaduais, esse sentimento foi manifestado por 51% dos profissionais.

A falta de preparo se destaca entre os entrevistados das regiões Norte e Nordeste. O Sudeste, primeira região a ser atingida pela Covid-19 e onde estão as maiores fatias de investimentos no combate à pandemia, tem melhores resultados no quesito.

— Fica muito evidente que as regiões Norte e Nordeste estão em piores condições que todas as outras. Há uma desigualdade em todos os aspectos avaliados, de acordo com a capacidade dos estados. Há uma distribuição desigual de médicos, leitos de UTI e equipamentos no Brasil. No momento de pandemia, essas desigualdades acumuladas explodem — avalia a professora da FGV.

Outro aspecto destacado pelo estudo é a forma como a Covid-19 mudou a rotina de trabalho: 88% dos profissionais afirmaram ter mudado a forma de contato com os pacientes. Destes, grande parte cita o distanciamento físico. E 75% disseram ter alterado procedimentos de trabalho.