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Cirurgias urgentes caíram 60% durante pandemia

fonte: Folha de SP

As cirurgias de urgência tiveram uma queda de 60% no país durante a pandemia de Covid-19, enquanto da taxa de mortalidade nesses procedimentos subiu de 5,2% para 6,9%, num salto de 30%.

Os dados, coletados entre fevereiro e maio deste ano em comparação ao mesmo período de 2019, foram divulgados nesta quinta-feira (30) em evento online da Academia Nacional de Medicina sobre cirurgias no contexto da pandemia de Covid.

Em Manaus, as cirurgias de urgência caíram 50%, com aumento de mortalidade de 70%. No Rio de Janeiro, a redução foi de 70%, com alta de mortes de 33%. E em São Paulo, houve 50% de queda cirúrgica e 20% de alta na mortalidade.

O quadro é explicado, principalmente, pelo colapso e sobrecarga do sistema de saúde de alguns estados, com pacientes de Covid-19. Há também o fato de que muitos doentes adiaram a ida aos serviços de saúde por medo de serem infectados.

“Muitos ficaram em casa tomando medicações e demoraram a procurar o pronto-socorro. Chegaram numa fase mais avançada da doença e com complicações”, afirmou o cirurgião Edivaldo Utiyama, professor titular da USP, que apresentou os dados.

Segundo ele, também houve casos de pacientes operados em situação de urgência que foram contaminados nas salas de emergência, quando de doentes Covid e não Covid ainda não estavam separados.

“O paciente era submetido ao tratamento e no segundo, terceiro, quinto dia do pós-operatório, acabava evoluindo com a Covid-19, que piora muito o prognóstico, aumentando as complicações e a mortalidade”, diz ele.

O Hospital das Clínicas de São Paulo se tornou referência em cirurgias de pacientes infectados com o novo coronavírus. Na cirurgia geral, por exemplo, em três meses, os profissionais avaliaram 118 doentes e desses, 31 foram operados na instituição. Entre as cirurgias, houve três colecistectomias (retirada da vesícula) guiadas por ultrassom no leito de UTI em pacientes muito graves.

“Com os doentes chocados [com quadro infeccioso grave] e com insuficiência respiratória muito intensa, não se permitia levá-los ao centro cirúrgico”, diz Utiyama.

A área de cirurgia plástica reparadora realizou 65 procedimentos, especialmente em pacientes com queimaduras, e a vascular, 23, durante a pandemia, que começou em março.

Segundo Utiyama, foi necessário todo um treinamento da equipe cirúrgica para reduzir os riscos de contágio na desparamentação dos EPIs (equipamentos de proteção individual).

“Primeiro, tira-se as luvas e o avental impermeável, depois lava-se a mão com álcool gel, tira-se o face shield, a touca, a máscara. E, depois, é preciso fazer a higiene das mãos.”

Para ele, também é fundamental que os hospitais tenham equipes cirúrgicas exclusivas para atender pacientes com Covid-19.

“Não dá para sair de sala de operação e realizar em seguida um procedimento num doente sem Covid-19.”

Na opinião de Luiz Von Bahten, presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, ambientes cirúrgicos vão precisar ser revistos—com salas de pressão atmosférica negativa, por exemplo.

“Essas salas praticamente inexistem nos nossos ambientes do ensino médico. Vamos também ter que rever o ensinamentos dos alunos sobre paramentação e desparamentação”, afirma.

Segundo ele, esses equipamentos de proteção já deveriam estar sendo usados antes da pandemia.

“Quantas vezes nós, cirurgiões, não operamos com resfriados ou nós mesmos somos contaminados no centro cirúrgico?”, questiona.

A pandemia trouxe também uma nova classificação das cirurgias. Além das clássicas urgências/emergência e eletivas, surgiram agora as urgências eletivas (por exemplo, um tumor que causa obstrução ou sangramento) e as eletivas essenciais (caso de uma biopsia para um diagnóstico e tratamento de câncer).

Hospitais repensam fluxos para operar pacientes com Covid

Vários hospitais já redesenharam seus fluxos e processos para operar pacientes com suspeita e confirmação do novo coronavírus em áreas diferentes daquelas destinadas a pacientes sem a doença.

Segundo Fernando Torelly, superintendente corporativo do HCor (Hospital do Coração), com a redução do tempo de resultado dos testes de Covid-19, é possível direcionar pacientes positivos para salas cirúrgicas exclusivas, mantendo-os separados, inclusive, na recuperação pós-anestésica e na internação.

“Nos casos de emergência em que não se pode esperar o resultado do teste, como nos infartos e AVC, os pacientes são considerados suspeitos. Evitamos o contato deles com aqueles que testaram negativo”, afirma.

Durante a pandemia, 50 pacientes com suspeita e confirmação de Covid-19 foram operados no HCor.
No A.C. Camargo Cancer Center, de um total de 2.099 pacientes testados antes da cirurgia, 114 (5,4%) tiveram resultado positivo e receberam recomendação de adiar em 21 dias o procedimento.

Mas ao menos 20 infectados foram operados em situações em que o risco ao postergar a cirurgia era muito alto, como em pacientes como quados de sangramento e obstrução.

Segundo cirurgião oncologista Samuel Aguiar Junior, chefe do centro de tumores colorretais e sarcoma do hospital, adiar o início de um tratamento oncológico pode reduzir o potencial de cura e aumentar as sequelas.

No caso do câncer de cólon e reto, por exemplo, o número de óbitos de pacientes que iniciaram o tratamento depois dos 60 dias foi 22% maior em cinco anos, segundo estudo feito na instituição.

No entanto, diz ele, operar um paciente oncológico com Covid-19 é uma recomendação extrema e só deve se feita em casos muito urgentes e com medidas como uma sala de pressão negativa e uma equipe médica com grau máximo de EPIs.

De acordo com estudo publicado no Jama (periódico da Associação Médica Americana), o risco de mortalidade pós-operatória em cirurgias eletivas, entre pacientes positivos para Covid-19, ficou em torno de 19%. Em pacientes com câncer, essa taxa se aproximou de 30%.

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Prova para obtenção de Título de Especialista em Cirurgia Pediátrica ocorre em novembro

fonte: CIPE

A Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) realiza em novembro, em São Paulo, exame de suficiência para obtenção do Título de Especialista (TE) em Cirurgia Pediátrica.

Também haverá prova para a Categoria Especial, onde para se inscrever o candidato deverá ter pelo menos 15 anos completos de formado em Medicina, comprovar que exerce a especialidade por, no mínimo, 10 anos completos e ser apresentado por dois sócios titulares quites da CIPE de sua região, que devem descrever as atividades profissionais do candidato.

Somente os candidatos com registro definitivo no Conselho Regional de Medicina do respectivo Estado poderão se inscrever para esse exame de suficiência.

Em breve será divulgado edital.

O valor da taxa de inscrição é de R$ 1.850,00. Os sócios em dia com suas contribuições associativas (5 últimos anos: 2015-2016-2017-2018-2019) terão redução de R$ 800,00 no valor da taxa de inscrição.

FICHA DE INSCRIÇÃO

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Após o envio, preencha o documento abaixo, assine e envie junto com as documentações exigidas para a CIPE.

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O cenário europeu da telessaúde

fonte: Saúde Business

Um estudo feito pela HIMSS e-Health Trendbarometer, com apoio da Siemens Healthineers, publicado agora em julho, revela o nível de maturidade em telessaúde da Europa imediatamente antes do surto de COVID-19. Ele ressalta o impacto que a pandemia teve na adoção da telemedicina e fornece lições em como a crise remodelou o ambiente de saúde digital europeu. A pesquisa foi realizada em janeiro e fevereiro de 2020 com mais de 350 profissionais de saúde digital de 27 países europeus.

De acordo com o estudo, 93% das instituições de saúde implementaram pelo menos 1 tipo de serviço ou solução de telessaúde. A mais prevalente são aplicações não clínicas lideradas por serviços de saúde mobile (em celulares), oferecidas por 54% das instituições.

Antes da crise da COVID-19, os modelos de telessaúde adotados tinham perfis diferentes entre os países: Espanha e Itália usando majoritariamente para manejo de condições crônicas, enquanto Alemanha e Suíça para situações agudas. Os países nórdicos são os campeões em uso de saúde digital para prevenção e saúde mental e comportamental. Sete de 10 stakeholders ajustam suas aplicações em saúde digital para a população idosa com o objetivo de manter independência e melhorar qualidade de vida, reconhecendo as oportunidades da economia prateada.

O “barômetro de tendências” da HIMSS e-Health nota que a telessaúde enfrenta obstáculos similares a saúde digital no geral, que são basicamente de investimento, eficiência, políticas e regulamentação. São problemas especialmente preocupantes para quem vende estas tecnologias. A COVID-19 pode catalisar a mudança de pensamento e reduzir as preocupações em relação a segurança da informação e privacidade de dados, por exemplo.

Dinamarca, Países Baixos e Reino Unido foram os locais mais otimistas em relação à oportunidade de negócios. Quando perguntados como seria o desenvolvimento nos próximos 12 meses do ambiente de inovação eHealth e dos investimentos, 74% dos stakeholders responderam que melhorará.

A adoção da telessaúde será sustentável?

A pandemia mostrou o enorme valor da telessaúde em construir sistemas de saúde resilientes e adaptáveis a novos desafios. A crescente aceitação social da saúde digital é uma excelente oportunidade para traduzir essa capacidade em uma transformação inteligente da saúde, com benefícios para os pacientes e todas as partes interessadas.

“Agora é o melhor momento para superar desafios culturais, atualizar a regulamentação e melhorar a interoperabilidade que reteve a adoção da telessaúde, especialmente em casos de uso clínico, por muitos anos”, conclui Jörg Studzinski, Diretor de Serviços de Pesquisa e Consultoria da HIMSS.

“A necessidade de métodos de comunicação para fornecer serviços como monitoramento e consultas – sem que o paciente tenha que estar fisicamente presente ou passar horas na sala de espera – ficou clara praticamente da noite para o dia. E essa evolução foi rapidamente aceita por muitos fornecedores e pacientes como o novo normal”, diz Rahma Samow, Vice-Presidente Sênior e Vice-Presidente Global de Marketing, Vendas e Comunicações de Digital Health da Siemens Healthineers.

O estudo fornece ideias únicas sobre a adoção de serviços e soluções de telessaúde por provedores de saúde europeus, fornecedores de tecnologia e outros importantes stakeholders em eHealth, pouco antes da pandemia do COVID-19 chegar ao continente. Os resultados incluem diretrizes para o planejamento e implementação sustentáveis de serviços de telessaúde hoje e no futuro.

Você pode baixar o estudo completo através deste link.

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Covid-19 e Doenças Respiratórias é tema de Live da Soperj nesta quinta-feira

A Soperj realizada nesta quinta-feira, dia 30, a partir das 18h, Live em seu Instagram que abordará Covid-19 e Doenças Respiratórias.

Não perca!

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Medicina fetal é tema de webinar gratuito nesta terça-feira

A Philips em parceria com o Instituto de Estudos em Tecnologia da Saúde (IETECS) promove nesta terça-feira, dia 28, webinar sobre Medicina Fetal: malformação renal. A apresentação será do Dr. Paulo Roberto Nassar de Carvalho e o evento tem início às 18h. A palestra tratará de condutas, técnicas e melhores praticas do uso do ultrassom a partir de casos práticos do cotidiano.

Inscrições gratuitas em:

//event.on24.com/wcc/r/2513483/E87821556EBB46CE564AF01D6F504667

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Aumento de leitos, em 2020, ainda não consegue zerar perda de 40 mil unidades ao longo de dez anos

fonte: CFM

Apesar do aumento de leitos de internação durante os últimos meses, conforme demonstra levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), a autarquia revela que a oferta desse serviço no País é menor do que os parâmetros registrados em janeiro de 2011. Considerando os números atuais, o País possui ainda menos 18,2 mil leitos do que os registrados naquele período.
Sem o incremento dos 22,8 mil leitos abertos entre fevereiro e junho desse ano, em princípio apenas para atender os pacientes com Covid-19, esse déficit seria de quase 41 mil leitos públicos. Em janeiro de 2011, o País dispunha de 335 mil deles para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em janeiro de 2020, o número baixou para 294 mil. Hoje, esse contingente é de 317 mil unidades.
“Como em diversas outras áreas da realidade brasileira, as desigualdades regionais mostram-se marcantes também na distribuição de estabelecimentos, serviços e equipamentos de saúde”, pondera Donizetti Giamberardino, 1º vice-presidente do CFM. Segundo ele, as razões para a queda no número de leitos são bastante conhecidas, mas refletem, sobretudo, o histórico subfinanciamento da saúde pública, que hoje “impacta direta e negativamente a assistência hospitalar”.
Acumulado – Entre as regiões, a queda acentuada ao longo de 10 anos analisados (janeiro de 2011 e janeiro de 2020) é percebida no Sudeste, onde quase 25 mil leitos foram desativados. O volume representa uma redução percentual de 19% em relação à quantidade existente na região em 2011. O Nordeste também perdeu significativo número de leitos durante o período: cerca de 9.500. Sul (-3.802), Centro-Oeste (-2.463) e Norte (-522) perderam relativamente menos, em números absolutos.
Outra constatação é que enquanto os 163 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do SUS perderam cerca de 12% dos leitos públicos, as redes suplementar e particular aumentaram em 4% o número de unidades no mesmo período.
Ao todo, 20 estados elevaram o montante de leitos na rede “não SUS” – destinada aos que possuem planos de saúde ou conseguem pagar por uma internação com recursos próprios. Apenas Rio de Janeiro e Pará sofreram decréscimos significativos neste setor: menos 5.442 e 582 leitos de categoria, respectivamente.
Dentre as especialidades mais afetadas no período, em nível nacional, constam psiquiatria (-19.690), pediatria clínica (13.642 leitos), obstetrícia (-7.206) e cirurgia geral (-4.008). Já os leitos destinados à clínica geral, ortopedia e traumatologia, oncologia e saúde mental foram os únicos que sofreram acréscimo superior a mil leitos na última década.
Estados e capitais – Os números apurados pelo CFM mostram que 20 estados e 19 capitais brasileiras perderam leitos na rede pública nos últimos dez anos. Só no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, 11.055 leitos foram desativados. Na sequência, aparece São Paulo (-8.031 a menos) e Minas Gerais (-5.168). Na outra ponta, sete estados apresentaram evolução positiva no cálculo final de leitos SUS.
Entre as capitais, foram os cariocas os que mais perderam pública (-4.455), seguidos pelos paulistanos (-1.178) e curitibanos (-1.078). No entanto, pelo menos cinco delas conseguiram elevar o indicador em mais de cem leitos SUS, com destaque para Porto Velho (407 a mais), Cuiabá (330) e Boa Vista (284).
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Pesquisa CFM/Datafolha: Médicos são os profissionais em quem os brasileiros mais confiam e depositam credibilidade

fonte: CFM

Qual o profissional em quem você mais confia e acredita? Com essa pergunta em mãos, o Instituto Datafolha foi às ruas para saber o grau de confiabilidade da população brasileira em diferentes categorias de trabalhadores. O resultado confirmou os médicos, com 35% de aprovação, como aqueles que são depositários de maior grau de confiança e credibilidade por parte da população. Na segunda posição, aparecem os professores, com 21%, e os bombeiros, com 11%.

O mesmo levantamento indica que a situação provocada pela Covid-19, em que informações desencontradas têm deixado a população insegura, contribuiu para o aumento do percentual de confiabilidade dos médicos. Na pesquisa anterior, realizada em 2018, também pelo Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), os médicos tinham um índice 24%, que agora cresceu nove pontos percentuais.

Atrás de médicos, professores e bombeiros, aparecem policiais (5%), militares e juízes (cada categoria com 4%) e advogados, jornalistas e engenheiros (3%, cada). Na sequência, surgem os procuradores de Justiça (com 1%) e os políticos (com 0,5%). A pesquisa ouviu 1.511 pessoas, com 16 anos ou mais, em entrevistas estruturadas por telefone, de todas as regiões do país. A amostra contemplou a distribuição da população segundo sexo, classes sociais e níveis de escolaridade.

Boa imagem – O alto nível de confiança e credibilidade depositado nos médicos de deve, principalmente, à percepção das mulheres (42%), da população com ensino fundamental (42%) e com idade a partir de 45 anos (37%). A boa imagem da categoria também é maior entre os que ganham até dois salários mínimos (41%) ou mais de 10 salários mínimos (33%). Do ponto de vista da distribuição geográfica, os percentuais são muito próximos, com ligeiro destaque para os estados do Nordeste (37%) e Sul (38%).

Os dados coletados pelo Datafolha ainda permitiram captar qual a percepção dos brasileiros com respeito à atuação dos médicos brasileiros no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Na opinião de 77%, o trabalho desses profissionais é considerado ótimo ou bom. Outros 17% consideram essa performance como regular e apenas 6% como ruim ou péssimo.

As mulheres (78%), a população com idades de 45 a 59 anos (82%), os com nível superior (81%) e com rendimento maior do que dez salários mínimos (78%) são os segmentos que se destacam no que se refere à imagem positiva dos médicos. Geograficamente, o bom conceito não apresenta grandes variações por região, ficando, em média, em 76%.

Pandemia – Essa avaliação do trabalho dos médicos durante a pandemia vem amparada em percepções específicas. Por exemplo, 79% dos brasileiros avaliam como ótimo ou bom o empenho dos profissionais para atender os pacientes e 73% classificam da mesma forma a qualidade da assistência oferecida. Para 64%, o nível de confiança depositada no trabalho realizado durante a pandemia é alto.

Por outro lado, 49% dos brasileiros acreditam que o trabalho do médico não tem recebido a valorização merecida, considerando-a como regular, ruim ou péssimo. Já 65% avaliam com esses mesmos conceitos as condições de trabalho oferecidas aos médicos, ou seja, entendem que o trabalho desses profissionais tem sido prejudicado por falta de infraestrutura.

De forma geral, independentemente do período da pandemia, os brasileiros mantêm o entendimento de que os médicos são vítimas de problemas de gestão. Para 99% dos entrevistados, esses profissionais carecem de condições adequadas para o pleno exercício de suas atividades. Já na percepção de 95%, eles merecem ser alvos de medidas de valorização, como maior remuneração e plano de carreira.

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ANS divulga Boletim Covid-19 com dados até junho

fonte: ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulga nesta terça-feira (21/07) a terceira edição do Boletim Covid-19, com dados que mostram o monitoramento dos planos de saúde durante a pandemia. A publicação apresenta informações assistenciais e econômico-financeiras coletadas até junho junto a uma amostra relevante de operadoras, permitindo uma análise do impacto do novo Coronavírus no setor.

As informações assistenciais contemplam dados encaminhados por 51 operadoras que possuem hospitais próprios. Já os dados econômico-financeiros registram as informações enviadas por até 102 operadoras. No total, nos dois grupos de informações, foram considerados os dados de 107 operadoras, que, juntas, comprendem 74% dos consumidores de planos de saúde médico-hospitalares. A maior parte das informações resulta de dados enviados pelas operadoras de planos de saúde em atendimento a Requisições de Informações da Agência e extraídos do Documento de Informações Periódicas (DIOPS) enviados trimestralmente pelas operadoras, bem como dados de envio obrigatório aos sistemas de informação da ANS. O boletim também inclui uma análise das demandas dos consumidores registradas pelos canais de atendimento da ANS, com dados extraídos do Sistema de Informações de Fiscalização (SIF).

De maneira geral, os números de junho reforçam a tendência de retomada das consultas em pronto-socorro não relacionadas à Covid-19 e no número de exames e terapias realizados fora do ambiente hospitalar. Nos dois casos, contudo, a retomada acontece de forma gradativa, e os dados continuam inferiores ao período anterior à pandemia e no comparativo com o mesmo período do ano passado. Observou-se que a taxa de ocupação geral de leitos (comum e de UTI) por procedimentos relacionados ou não à Covid-19 permaneceu abaixo dos patamares de ocupação observados em 2019, mantendo assim o padrão verificado desde março. Em relação aos dados econômico-financeiros, o setor manteve tendência de redução da sinistralidade medida pelo fluxo de caixa (percentual das mensalidades usado para pagamento de custos médicos) no mês de maio. Quanto à inadimplência, os dados de junho mostram leve queda em relação ao mês anterior, retornando para mais próximo do nível histórico, após elevação do indicador em maio.

O Boletim Covid-19 é uma iniciativa das diretorias de Normas e Habilitação das Operadoras, Normas e Habilitação dos Produtos e de Fiscalização. O objetivo da publicação é monitorar a evolução de indicadores das operadoras de planos de saúde durante a pandemia, subsidiando análise qualificada da Agência Reguladora e prestando informações relevantes à sociedade.

Informações assistenciais

Os dados do Boletim Covid-19 mostram que em junho a taxa de ocupação geral de leitos manteve-se estável em relação a maio deste ano (62%, ante 61% em maio) e abaixo da taxa verificada no mesmo período do ano passado (75%). Os dados de junho mostram, pela primeira vez, leve queda na taxa de ocupação dos leitos alocados para Covid-19: 59%, ante 61% no mês anterior. A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 se manteve em 65% entre maio e junho, porém a alocação de leitos de UTI para internações relacionadas à Covid-19 apresentou queda de 59% em maio para 51% em junho.

Observa-se também que a quantidade de consultas em pronto-socorro que não geraram internações, que apresentou queda no início da pandemia, apresenta retomada gradativa a partir de maio, com aumento de 20% em junho. Da mesma forma, a busca por atendimentos de Serviços de Apoio Diagnóstico Terapêutico (SADT) – ou seja, exames e terapias realizados fora do ambiente hospitalar – também indica uma retomada gradual, apresentando quedas menores em maio e junho comparado aos mesmos meses de 2019. Os custos por diária em internações com ou sem UTI mantiveram-se estáveis em relação a maio. A duração de uma internação por Covid-19 permanece mais longa que os outros tipos de internação.

Informações econômico-financeiras

As informações econômico-financeiras nesta edição do boletim abrangem 101 operadoras para o estudo de fluxo de caixa e 102 para o estudo de inadimplência. Assim como nos boletins anteriores, nesse tópico foram verificados o fluxo de caixa das operadoras, através do movimento de entrada (recebimentos) e saída (pagamentos) de recursos em um dado período; a evolução do índice de sinistralidade de caixa; e a análise da inadimplência – não pagamento de obrigações no prazo estabelecido, observando-se os pagamentos recebidos e os saldos vencidos.

Nos gráficos apresentados no boletim, é possível verificar pequeno aumento nos valores pagos pelos beneficiários em junho. A tendência de queda do índice de sinistralidade vista em maio se acentuou em junho, devido à queda dos valores pagos pelas operadoras a fornecedores. Em junho, o índice de sinistralidade (mediana) foi de 59%, frente 65% registrado em maio.

Nota-se ainda que houve redução em relação a maio nos percentuais de inadimplência tanto para planos individuais ou familiares, quanto para coletivos. Nos primeiros, foi registrada mediada de 10% (em maio, foi de 13%); já nos planos coletivos, em junho o percentual de inadimplência ficou em 5% (em maio, foi de 7%), retornando assim para mais próximo do nível histórico observado.

Demandas dos consumidores

O Boletim Covid-19 informa ainda o número de demandas de consumidores relacionadas ao tema Coronavírus efetuadas pelos beneficiários de planos de saúde. Do início de março até o final de junho, foram registrados 8.934 pedidos de informações e 5.766 reclamações sobre Covid-19. Do total de reclamações, cerca de 40% dizem respeito a dificuldades relativas à realização de exames e tratamento; 40% se referem a outras assistências afetadas pela pandemia; e 20% são reclamações sobre temas não assistenciais (contratos e regulamentos, por exemplo).

Se considerado o número total de reclamações registradas em junho, é verificado um crescimento de 21,4% no número de queixas em relação ao mês anterior: foram registradas 11.097 reclamações naquele mês, frente 9.138 queixas registradas em maio. Contudo, cabe destacar que, mesmo com o aumento verificado nesse mês, o volume não alcançou o registrado na ANS a partir do segundo semestre de 2019 até março de 2020. Do total de reclamações em junho, 17,8% foram relacionadas à Covid-19 (1.973 reclamações). Em maio, o percentual foi pouco maior, 18,3% em relação ao total de demandas (1.669 reclamações).

É importante esclarecer que na metodologia utilizada para a classificação das demandas relacionadas à pandemia do novo Coronavírus, utilizou-se marcadores específicos relativos à Covid-19 tendo como base os relatos dos consumidores ao cadastrar suas reclamações e pedidos de informação na ANS. Não há, portanto, em relação a essas demandas, qualquer análise de mérito sobre eventual infração da operadora ou da administradora de benefícios à Lei 9.656/98 e seus normativos ou aos termos contratuais.

Clique aqui e confira a terceira edição do Boletim Covid-19.

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Covid-19: pesquisadores analisam os impactos do vírus na dinâmica sanguínea

fonte: Fiocruz

Um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo cruz (IOC/Fiocruz) e pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em colaboração com hospitais e centros de pesquisa do Rio de Janeiro, traz novas informações que ajudam a entender uma das complicações mais graves e frequentes observadas em pacientes com Covid-19 hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Publicado na Blood, principal revista científica internacional na área de hematologia e coagulação, o trabalho volta os olhos para os impactos do vírus no sangue e chama atenção, em especial, para as plaquetas, células fundamentais para o processo de coagulação.

Embora o coronavírus afete principalmente os pulmões, evidências anteriores já haviam mostrado que, nos casos graves, a Covid-19 também altera os processos de coagulação sanguínea. Frequentemente, esses pacientes apresentam uma coagulação exagerada, com formação de agregados de células sanguíneas e proteínas, que são chamados de trombos. A formação de trombos pode interromper a circulação, provocando trombose, infartos ou embolia pulmonar, o que está associado a casos mais graves e, inclusive, a casos fatais.

“Na beira do leito, os profissionais de saúde estão acompanhando a evolução dos casos graves e atentos aos eventos trombóticos. Nosso estudo se dedicou a entender como, nestes pacientes, o vírus interfere nas etapas iniciais da cascata de processos que deflagram a coagulação. Processos, estes, em que as plaquetas atuam de forma importante”, sintetiza Eugênio Hottz, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pesquisador colaborador do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e primeiro autor do trabalho.

Para investigar os mecanismos envolvidos nesse processo, os pesquisadores analisaram e compararam amostras de sangue e do trato respiratório de pacientes com diferentes apresentações da Covid-19, incluindo pacientes com quadros graves, que precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva (UTIs), pacientes com manifestações leves e pessoas assintomáticas. Amostras de voluntários saudáveis também foram incluídas no estudo para comparação.

As análises realizadas por técnicas de citometria de fluxo e de microscopia tiveram o objetivo de identificar, nas diferentes amostras, quais alterações poderiam ser observadas nas plaquetas e na cascata de ativação de fatores que levam à coagulação, o que acontece no nível das moléculas. Amostras foram coletadas dos pacientes no início da hospitalização e os mesmos foram acompanhados durante toda a internação, para que a evolução do caso no hospital pudesse ser associada aos achados do laboratório, do ponto de vista dos impactos do vírus para a dinâmica sanguínea.

De acordo com os experimentos, nos pacientes com formas graves de Covid-19 houve aumento na ativação das plaquetas e foi observada uma forte agregação entre plaquetas e monócitos, células que atuam na defesa contra infecções – o que não ocorreu nas amostras dos pacientes com manifestações leves ou nos casos assintomáticos. Os pesquisadores conseguiram mapear duas moléculas que atuam fortemente neste processo de adesão entre plaquetas e monócitos: as moléculas CD62P e αIIb/β3. Além disso, foi constatado que a ativação das plaquetas induz os monócitos a expressarem uma proteína, chamada de fator tecidual, o que inicia todo o processo de coagulação.

Comparando os resultados obtidos em laboratório com o desfecho dos casos dos pacientes que foram acompanhados ao longo do estudo, tanto os níveis de ativação plaquetária quanto os níveis de expressão do fator tecidual nos monócitos estiveram diretamente associados à gravidade do quadro clínico e ao prognóstico da doença, com maior possibilidade de evolução para ventilação mecânica e também para óbito naqueles com maior ativação. “Nossos resultados indicam que a ativação das plaquetas e sua associação com monócitos, com formação de agregados plaquetas-monócitos, são importantes para o disparo da coagulação sanguínea”, afirma a pesquisadora Patricia Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e coordenadora do estudo.

Dois apontamentos fundamentais decorrem das novas evidências encontradas pela equipe de Patricia e Eugênio. O primeiro deles é a possibilidade de que o acompanhamento dos níveis de ativação plaquetária entre pacientes internados possa servir como uma espécie de “sinalizador” de que um determinado indivíduo tem mais chances de evoluir para uma forma desfavorável, o que pode ser um elemento importante para a tomada de decisão pela equipe médica, com determinadas condutas a serem adotadas. O segundo apontamento decorrente dos achados é que, conhecendo as moléculas envolvidas na adesão entre plaquetas e monócitos durante a infecção pelo novo coronavírus, medicamentos já disponíveis para inibição de plaquetas podem vir a ser testados como alternativas terapêuticas.

“Nossos resultados mostram que ocorre ativação de plaquetas nos casos graves de Covid-19. Ainda não sabemos se a ativação das plaquetas causa agravamento do quadro ou se esta ativação é apenas mais um dos muito processos envolvidos na infecção pelo vírus. De qualquer modo, monitorar a ativação das plaquetas como um marcador para indicar um potencial de agravamento já é uma conclusão obtida na bancada do laboratório que pode vir a ser adotada no manejo clínico”, Eugênio resume.

O trabalho sugere que a grande liberação de mediadores inflamatórios no plasma de pacientes em casos graves de Covid-19 pode ser uma das causas da maior ativação das plaquetas nessas pessoas. Também aponta que a inibição de moléculas que atuam no processo de adesão e sinalização entre plaquetas e monócitos pode interromper a expressão do fator tecidual, apontando possíveis caminhos para a busca de terapias. Neste sentido, o anticorpo monoclonal Abciximab, que já é largamente utilizado para evitar a formação de trombos após cirurgias, foi uma das substâncias testadas com sucesso nos ensaios in vitro. “Esses resultados abrem possibilidade de continuarmos a investigação para identificar terapias capazes de atuar nos eventos de ativação plaquetária na Covid-19”, declara Patricia.

“Desde o início da pandemia, têm sido relatadas alterações de coagulação, especialmente com eventos trombóticos em pacientes graves. Esta é uma preocupação de todas as equipes que tratam de pacientes com Covid-19 grave. Identificar os fatores que causam estas alterações é fundamental para se estabelecer novas terapias para estes pacientes. A colaboração entre grupos de pesquisa básica e de pesquisa clínica foi fundamental para responder a estas questões”, sintetiza o pesquisador Fernando Bozza, que atua no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e no Instituto D’Or.

Pesquisa translacional e colaborativa

Com experiência em estudos sobre resposta tromboinflamatória, o Laboratório de Imunofarmacologia do IOC tem se debruçado principalmente sobre as arboviroses e realizou achados importantes relacionados ao papel das plaquetas na dengue grave nos últimos anos. A partir da emergência da Covid-19, a equipe uniu esforços a cientistas de diferentes instituições para realizar um estudo translacional, integrando dados clínicos e de bancada, em busca de respostas.

“O caráter translacional da pesquisa se deve à formação de uma equipe multidisciplinar, envolvendo diferentes instituições de pesquisa e hospitais. Isso nos permitiu realizar uma avaliação precoce de amostras obtidas de pacientes, identificar os perfis celulares e correlacionar os achados laboratoriais com os aspectos clínicos. É essa abordagem translacional, multidisciplinar e multicêntrica que nos permite associar a informação do laboratório ao que está ocorrendo na clínica”, destaca Eugênio Hottz.

Além do IOC e da UFJF, participaram da pesquisa o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. O trabalho foi financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Programa Inova Fiocruz, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Instituto D’Or.

porCIPERJ

Prontos-socorros privados realizam mais atendimentos sem internações

fonte: Agência Brasil

Os atendimentos em prontos-socorros privados que não geraram internações aumentaram 20% em junho, na comparação com maio, mostra o Boletim Covid-19 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já a quantidade de atendimentos, no entanto, encontra-se perto da metade do que era realizado em fevereiro, revela ANS.

Os dados assistenciais levam em conta 51 operadoras de saúde que possuem hospitais próprios. Com a chegada da pandemia de covid-19, o número de atendimentos de emergência que não geraram internações caiu 13% em maio e 51% em abril. Em maio, houve aumento, de 4,2%.

A pesquisa também mostra que o número de exames e terapias autorizados em junho foi 26% inferior ao de 2019. Apesar de intensa, a queda é menor que a dos meses anteriores. Em maio, a redução foi de 47%, e, em abril, de 63%.

O boletim informa ainda que a ocupação de leitos cresceu de 61% para 62% de maio para junho, o que inclui leitos comuns e de unidades de terapia intensiva. No ano passado, a ocupação era de 75% nos dois meses.

A ocupação de leitos para covid-19 caiu de 61% em maio para 59% em junho, enquanto a taxa aumentou de 61% para 63% para os demais procedimentos de internação.

As demandas de reclamação registradas junto à ANS por consumidores tiveram um aumento em junho, superando a quantidade contabilizada em maio em 21,4%. Ainda assim, o total permaneceu abaixo do que era recebido mensalmente pela ANS entre o segundo semestre de 2019 e março de 2020.

Entre março e junho, a ANS recebeu 5.766 reclamações relacionadas à covid-19, sendo 40% sobre o tratamento ou exames para a doença e 40% sobre outras assistências afetadas pela pandemia. O restante das reclamações foi sobre temas não assistenciais, como contratos e regulamentos.

Em uma análise quinzenal, as reclamações sobre exames e tratamentos de covid-19 cresceram desde abril, saltando de 89 registros nos primeiros 15 dias daquele mês para 630 na segunda quinzena de junho. Do total de reclamações recebidas pela agência mês passado, 17,8% foram relacionadas ao novo coronavírus. Em maio, o percentual foi de 18,3% em relação ao total de demandas.

O estudo também traz dados sobre a situação econômico-financeira das operadoras de saúde. A inadimplência de planos com preço preestabelecido caiu tanto para os familiares quanto para os coletivos. No primeiro caso, a queda foi de 13% para 10%. Já no segundo, de 7% para 5%. Segundo a ANS, as quedas trouxeram a inadimplência de volta aos patamares históricos. Os dados de inadimplência levam em conta as informações de 102 operadoras.