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porCIPERJ

Volta às aulas é tema de webinar da Soperj nesta quarta-feira

A SOPERJ realiza nesta quarta-feira, dia 15, webinar que abordará Volta às aulas. O evento acontece a partir das 18h e pode ser acessado com os dados abaixo:

Link: //soperj.webex.com/soperj-pt/j.php?MTID=m92f921f99342b6d4a2cefc039240c58c

Senha: CFpnSJh2J68

porCIPERJ

CIPE realiza webinar sobre Atendimento ao Trauma Pediátrico nesta sexta-feira

A CIPE promove nesta sexta-feira, dia 17, a partir das 20h, webinar com a participação dos integrantes do Programa de Residência Médica em Cirurgia Pediátrica do Hospital Nossa Senhora da Conceição (RS) e que abordará Atendimento ao Trauma Pediátrico. O palestrante será o Dr. João Vicente Bassols e a moderação ficará com o Dr. Augusto Aurélio de Carvalho.

Não perca!

As transmissões serão feitas pela plataforma Zoom e pela página da CIPE no Facebook.

porCIPERJ

VUP é tema de Live nesta quarta-feira que contará com a participação da presidente da CIPERJ

A Dra. Lisieux Eyer de Jesus, presidente da CIPERJ, é uma das palestrante de Live que será realizada nesta quarta-feira, dia 15, pela Associação Iberoamericana de Cirurgia Pediátrica. O tema abordado será Válvula de Uretra Posterior e junto com ela estará o Dr. João Luiz Pippi Salle.

Não perca!

A partir das 15h.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO

porCIPERJ

Senado aprova indenização a profissionais da saúde incapacitados pela covid-19

fonte: Agência Senado

Voltará à Câmara dos Deputados o projeto que permite indenização da União de pelo menos R$ 50 mil aos profissionais da saúde incapacitados permanentemente para o trabalho por conta da covid-19 ou aos herdeiros desses trabalhadores que vierem a óbito pela doença. Esse projeto de lei (PL 1.826/202) foi aprovado com emendas no Plenário do Senado Federal. Foram 76 votos a favor e nenhum voto contrário na sessão remota deliberativa desta terça-feira (7).

A proposta é de autoria dos deputados federais Reginaldo Lopes (PT-MG) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). O texto já havia sido aprovado na Câmara, mas como o relator, senador Otto Alencar (PSD-BA), acolheu emendas do Senado modificando o projeto, terá de voltar à Câmara para nova análise.

— Sabe-se do esforço sobre-humano que todos os profissionais de saúde estão realizando no atual período da pandemia do novo coronavírus. O desgaste desses heróis nacionais, nossos profissionais, acontece por vários motivos, como o risco de contágio e a insegurança no trabalho, a inadequação, e também a insuficiência dos equipamentos individuais. É importante ressaltar o valor desses profissionais de saúde na recuperação da saúde, salvando vidas nos seus ambientes de trabalho. O Estado deve arcar com o auxílio financeiro extra aos profissionais de saúde que ficarem incapacitados em decorrência do trabalho da pandemia, bem como estender o auxílio aos seus familiares em caso de óbito — afirmou Otto Alencar.

Profissionais elegíveis

Serão elegíveis para o benefício, além dos respectivos dependentes (cônjuges, companheiros, filhos e herdeiros): profissionais de nível superior cujas profissões são reconhecidas pelo Conselho Nacional de Saúde; trabalhadores de nível técnico ou auxiliar vinculados às áreas de saúde; agentes comunitários de saúde e de combate a endemias; e aqueles que, mesmo não exercendo atividades-fim nas áreas de saúde, auxiliam ou prestam serviço de apoio presencialmente nos estabelecimentos de saúde — em serviços administrativos, de copa, de lavanderia, de limpeza, de segurança e de condução de ambulâncias, entre outros.

Otto Alencar acolheu emendas que acrescentam ao rol de trabalhadores beneficiados fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e profissionais de nível superior e técnico que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas, além de trabalhadores dos necrotérios, bem como coveiros.

Também foram incluídos no projeto, durante a tramitação no Senado, os trabalhadores cujas profissões de nível superior, médio e fundamental são reconhecidas pelo Conselho de Assistência Social e que atuam no Sistema Único de Assistência Social (Suas).

Todos os líderes partidários no Senado encaminharam voto pela aprovação do projeto.

Indenização

A indenização consiste em um valor fixo de R$ 50 mil para o profissional de saúde incapacitado (ou seus herdeiros, em caso de óbito do trabalhador) somado a um valor variável para cada um dos dependentes menores do profissional falecido.

O cálculo desse benefício variável será de R$ 10 mil multiplicados pelo número de anos inteiros ou incompletos que faltem para cada dependente atingir 21 anos de idade — ou 24 anos de idade caso o dependente esteja cursando nível superior. A extensão do benefício a menores de 24 anos estudantes foi por conta de uma emenda da senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), acolhida por Otto.

Se houver dependentes com deficiência, independentemente da idade deles, o benefício adicional será de pelo menos R$ 50 mil. Ainda em caso de morte, a indenização irá cobrir também as despesas do funeral — essa previsão foi acrescentada por uma emenda também da senadora Rose de Freitas.

As indenizações poderão ser divididas em três parcelas mensais de igual valor e o dinheiro virá da União.

Não será cobrado imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre o benefício. E, mesmo recebendo a indenização, o profissional ou dependentes ainda têm direito aos benefícios previdenciários ou assistenciais previstos em lei.

Compensação

No relatório, Otto Alencar trouxe dados de 12 de junho do Ministério da Saúde: 19% dos 432.668 profissionais de saúde testados para o novo coronavírus no Brasil tiveram resultado positivo. No total, 83.118 trabalhadores foram diagnosticados com a doença. De acordo com a pasta, foram relatados 169 óbitos de profissionais da área até então.

Já o Conselho Federal de Enfermagem, em notícia veiculada em sua página na internet em 16 de junho, afirma que o Brasil responde por 30% das mortes de profissionais de enfermagem por covid-19. São mais de 200 profissionais da área mortos pela doença.

O senador lembra que esses números, que já são altos, devem ser maiores ainda por conta da subnotificação. “O número de profissionais testados, no entanto, representa um pequeno contingente dos cerca de seis milhões de profissionais da saúde cadastrados em conselhos de suas respectivas categorias no Brasil”.

Por isso ele ressaltou a importância do projeto: “Essa compensação é um investimento social de forma a proteger os verdadeiros heróis na luta contra o coronavírus, os profissionais de saúde, que colocam suas vidas e as de seus familiares em risco em prol da nação”.

“Esses profissionais se afastaram de suas famílias, abriram mão de cuidados pessoais, da quarentena, em favor da segurança daqueles que amam e em nome do atendimento rápido e eficaz para quem precisava ser tratado. Médicos sofreram e ainda sofrem com sentimentos de medo e de saudade, que se misturam à força e à coragem de quem precisa lidar, diariamente, com pacientes diagnosticados ou com suspeita de infecção de coronavírus e merecem ter uma garantia de que suas famílias serão recompensadas caso o pior aconteça”, acrescentou.

Dispensa de atestado médico

O projeto dispensava a apresentação de atestado médico para justificar a falta ao trabalho, por conta da covid-19, nos primeiros sete dias de afastamento no serviço. De acordo com o texto, a dispensa de atestado médico serviria também para pagamento do repouso semanal remunerado e dos feriados. Mas essa dispensa foi retirada do projeto por emenda do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que foi aceita por Otto Alencar.

Ao eliminar essa previsão, Otto Alencar lembrou que tal possibilidade já havia sido aprovada no Congresso sob a forma do Projeto de Lei (PL) 702/2020, mas acabou sendo vetada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (VET 7/2020).

porCIPERJ

Subnotificação, fake news, falta de estrutura, insegurança e sintomas de Síndrome de Burnout: a dura vida do médico frente à pandemia

fonte: Associação Paulista de Medicina

Apuração realizada pela Associação Paulista de Medicina aponta que 89% acreditam em segunda onda no Brasil. Na linha de frente, sentimento predominante é de apreensão. Ansiedade (69,2%), estresse (63,5%) e exaustão física/emocional (49%) são relatados, além de sensação de sobrecarga (50,2%)

CONFIRA A ÍNTEGRA DA PESQUISA AQUI

A Associação Paulista de Medicina realizou, entre 25 de junho e 2 de julho, a terceira edição de pesquisa sobre os problemas e carências dos médicos no enfrentamento à Covid-19 e eventuais reflexos na assistência aos pacientes infectados.

A amostragem contou com a participação de 1.984 profissionais de todo o País, respondendo espontaneamente a questionário estruturado on-line, via plataforma Survey Monkey. Destes, 60% trabalham em hospitais e/ou unidades de saúde que assistem a pacientes com Covid-19.

Dos que perfilam na linha de frente de combate à pandemia, 76,3% atendem, em média, por dia, até 20 ou mais pacientes com suspeita e/ou confirmação de Covid-19, sendo que a maioria entre eles, 53% têm sob sua responsabilidade até 5 enfermos.

Quatro em cada dez dos médicos pesquisados, mais precisamente 41,6%, já acompanharam pacientes que vieram a falecer com suspeita e/ou confirmação de Covid-19, marca bastante elevada.

Capacitação para assistência
Somente 28% se dizem plenamente capacitados para atender casos de Covid-19, em qualquer que seja a fase do tratamento. 72% admitem não ter conhecimentos aprofundados, a despeito de permanecerem na linha de frente por uma questão humanitária.

Por isso, talvez, 57,2% façam papel de autodidatas e busquem informações científicas diretamente na literatura médica. Aliás, quando o tema é acesso a fontes de capacitação, 46% se atualizam via canais do Ministério da Saúde, 44,3% com as associações médicas e 43,4% citam hospitais privados, em pergunta com múltipla escolha de respostas.

Temor no dia a dia
O crescente número de médicos e outros profissionais da Saúde que engrossam os casos e óbitos confirmados por Covid-19 gera a seguinte reação entre os médicos: 19% registram estar com mais receio de ser infectado agora do que no início da pandemia; 49,7% mantêm o mesmo nível de temor e 31,3% hoje acusam menos medo do que quando começou a pandemia.

Falta de médicos
Já ao serem indagados se eles e os demais profissionais de Saúde estão trabalhando com estrutura física/insumos adequados e segurança, 59% se queixam de que isso não ocorre.

Pensando em futuro, apenas 5,7% consideram improvável o risco de faltar médicos para adequada atenção à saúde ao longo da evolução da pandemia de Covid-19. Os outros 94,3% creem nessa hipótese, em variados níveis.

Carência de diretrizes e insumos
Também há falta de diretrizes e de orientação ou programa para atendimento, conforme 25,1% dos questionados; e de máscaras N95, PFF2 ou equivalente – N99, N100 ou PFF3, para 24%.

Os participantes da pesquisa comunicam ainda falta de aventais, óculos, luvas, álcool gel, entre muitos outros insumos. E o que é crítico: faltam leitos para pacientes que precisam de internação em UTI, segundo 13,4%.

Clima psicológico
No dia a dia do ambiente de trabalho, a percepção dos médicos é a de que diminutos 3,1% estão otimistas, enquanto 63% se mostram apreensivos.

Sintomas comuns à Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional são corriqueiros nos médicos que assistem a pessoas com Covid-19. Ansiedade (69,2%), estresse (63,5%) e exaustão física/emocional (49%), além de sensação de sobrecarga (50,2%), são os mais citados.

Pandemia de fake news
Notícias falsas (fake news), informações sensacionalistas ou sem comprovação técnica são inimigos que os médicos enfrentam simultaneamente à Covid-19. 69,2% dizem que interferem negativamente, pois levam algumas pessoas a minimizar (ou negar) o problema e, assim, a não observar as recomendações de isolamento social e higiene, ou a não procurar os serviços de saúde. Outros 48,9% falam que, em virtude das fake news, pacientes/familiares pressionam por tratamentos sem comprovação científica.

Violência a profissionais
No quesito violência, 37% confirmam ter presenciado, ao longo da pandemia, episódios de agressões a médicos, outros profissionais ou colaboradores administrativos nas áreas de atendimento (consultórios, ambulatórios, áreas de trânsito dos hospitais, enfermarias, unidades de terapia intensiva). Figuram entre as mais comuns a truculência psicológica (21,5%) e verbais (20,7%). O cyberbullying também tem citação alta (11,5%).

Subnotificação percebida
Quanto à possibilidade de subnotificação nos dados do Ministério da Saúde, 45,4% indicam estar sendo divulgado número menor de novos casos que a realidade, enquanto 21,5% têm a percepção de que o número de óbitos veiculados é inferior ao de fato ocorridos. Em relação à Secretaria Estadual, as razões são de 37% e 18,5%, respectivamente.

Segunda onda
Uma nova onda da Covid-19 atingirá o Brasil? 89% dos médicos creem que sim. 9.4% compreendem que será mais grave ainda; 37,3%, igualmente grave; e 42,3%, menos grave.

Agravamento de outras doenças
59% têm conhecimento do aumento de problemas de saúde (agravos) por outras causas não relacionadas à Covid-19 em pacientes que deixaram de buscar atendimento em hospitais e consultórios por medo de infecção – especialmente AVC, infarto, câncer, problemas cardíacos e descompensação de doenças crônicas e psiquiátricas.

Inadequação de políticas de saúde
O levantamento da Associação Paulista de Medicina colheu, por outro lado, a percepção sobre se estão adequadas as medidas aplicadas pelas autoridades de Saúde. Foram elencados isolamento, rastreamento, testes e campanha de conscientização. 56,2% registram que nenhuma delas é objeto de suficiente atenção desses gestores.

porCIPERJ

A enigmática mutação do coronavírus que agora domina o planeta

fonte: El País

Os vírus são simplesmente “más notícias embrulhadas em proteína”, segundo a célebre definição publicada pelos biólogos britânicos Jean Shinglewood e Peter Medawar em 1983. As más notícias do novo coronavírus estão gravadas em seu genoma: um texto de 30.000 letras ― a metade do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry ― com instruções suficientes para penetrar numa célula humana, assumir o seu comando e fabricar milhares de cópias de si mesmo. Estas 30.000 letras, que mataram mais de meio milhão de pessoas em seis meses, já não são as mesmas 30.000 letras que saíram da cidade chinesa de Wuhan. A variante original do vírus foi substituída em praticamente todo o mundo por outra com uma mutação característica.

Na posição 23.403 do genoma, uma letra A muda para G. A comunidade científica investiga agora se esta mínima modificação implica uma maior facilidade do vírus para se propagar. Em uma pessoa ― com um genoma muitíssimo maior, de três bilhões de letras ― uma mudança em uma só letra pode explicar, por exemplo, o albinismo. Ou mesmo uma enfermidade genética letal. É como se um mero erro de digitação alterasse por completo a história d’O Pequeno Príncipe.

Uma equipe liderada pela bióloga norte-americana Bette Korber observou que a nova variante do coronavírus, chamada G614, tornou-se dominante na pandemia aonde chegou. Inclusive nas cidades onde a cepa anterior já estava estabelecida, o G614 acabou se impondo rapidamente depois de aparecer. Em laboratório, os vírus sintéticos que imitam a nova variante se replicam melhor nos cultivos de células humanas. Nos hospitais, os dados de quase mil pacientes sugerem que a G614 se multiplica mais na garganta que variante anterior, chamada D614, embora a doença não seja mais grave. Korber, do Laboratório Nacional de Los Álamos (EUA), acredita que a nova variante tem “uma vantagem adaptativa”. Se já eram más notícias embrulhadas em proteína, agora podem ser piores.

A mudança de letra se encontra na região do genoma que contém as instruções para fabricar as proteínas da espícula do coronavírus, as protuberâncias que lhe dão sua inconfundível forma de maça medieval e que, além disso, servem de chave para entrar nas células humanas. Os alarmes dispararam porque muitas das vacinas experimentais mais avançadas foram desenhadas justamente a partir da espícula do vírus detectado em Wuhan no começo da pandemia. Se a proteína mudar o suficiente, as futuras vacinas poderiam falhar.

A veterinária espanhola Laura Carrilero participa do grupo da Universidade de Sheffield (Reino Unido) que analisou para o novo estudo os genomas do vírus presentes em 999 pacientes de um hospital local. Seus dados sugerem que as pessoas infectadas com a nova variante têm uma carrega viral maior. E outra pesquisa independente com 800 pacientes de Washington aponta na mesma direção. “Parece que a mutação beneficia o vírus. É muito importante manter uma vigilância de sua evolução, sobretudo agora que se busca uma vacina que seja efetiva”, explica Carrilero.

O biólogo David Gentil Gómez trabalha na Universidade de Oxford (Reino Unido) na vacina experimental mais adiantada. “Esta mutação se encontra fora dos domínios onde os anticorpos neutralizariam o vírus. Nesse sentido não vejo problema”, aponta o pesquisador. “O que é alarmante é que, se os níveis do vírus forem muito mais altos, seria preciso que as vacinas gerassem maiores níveis de anticorpos. E isso pode ser um grande problema”, adverte.

Alguns pesquisadores são muito céticos perante a conclusão de que a nova variante é mais infecciosa. “Os valores de carga viral são apenas ligeiramente diferentes. O sucesso da mutação bem poderia ser explicado por ter aparecido justamente quando o coronavírus estava começando a se espalhar pelo mundo. É uma explicação alternativa que não implica mudanças nem na virulência nem na transmissibilidade”, reflete Iñaki Comas, biólogo do CSIC (agência espanhola de pesquisa científica), que codirige um projeto para comparar o genoma do coronavírus em pacientes de hospitais de toda a Espanha. “Duvido que o vírus necessite de mutações para se tornar mais transmissível, se já vem se espalhando à vontade por todo o mundo”, salienta.

O geneticista Fernando González Candelas, codiretor do projeto espanhol, explica que sua equipe está rastreando as bases de dados para tentar verificar quantas vezes a mutação apareceu na Espanha e se realmente essas linhagens do coronavírus tiveram mais sucesso. “A mutação apareceu mais de uma vez, mas só em uma delas aumentou sua frequência até se tornar dominante”, detalha o pesquisador, da fundação valenciana Fisabio.

A atual forma predominante do coronavírus inclui outras três mutações associadas à mudança de letra na posição 23.403 do genoma. Essa variante foi detectada pela primeira vez em 20 de fevereiro na Itália. Antes de 1º de março, esse tipo constituía 10% das cerca de mil sequências genéticas analisadas no mundo. Em março já alcançava 67% dos 15.000 genomas estudados. E entre em 1º de abril e 18 de maio já representava quase 80% dos mais de 12.000 vírus sequenciados nesse período, segundo os dados do novo estudo, publicado na revista científica Cell. A transição para a variante G614 começou na Europa e continuou na América do Norte, Oceania e Ásia.

A hipótese da equipe de Bette Korber é que o vírus com mutação se multiplica mais nas células humanas, o que facilita sua transmissão entre as pessoas, mas faltam provas definitivas de seja assim. Em fevereiro, a Europa era a região com mais casos de Covid, e muitas pessoas infectadas viajaram então para os EUA, que em março se tornaria o país mais afetado. “Durante o período em que a G614 se transformou na variante dominante no mundo, o número de introduções em outros países a partir da China ― onde a variante D614 ainda era dominante ― diminuiu, enquanto que as da Europa aumentaram. Isto por si só poderia explicar o aparente sucesso da G614”, argumentam em um comentário independente na revista Cell a virologista Angela Rasmussen, o microbiólogo Nathan Grubaugh e o epidemiologista William Hanage, das universidades norte-americanas Columbia, Yale e Harvard. “Estes dados não demonstram que a variante G614 seja mais infecciosa ou transmissível que a D614. Restam muitas perguntas sem responder sobre o impacto potencial da mutação na pandemia de covid-19, se é que há algum”, concluem os três pesquisadores.

“Eu me inclino mais por pensar que o vírus alterou de fato alterou seu comportamento logo depois da mutação, mas a informação ainda é inconclusiva”, opina o virologista colombiano Javier Jaimes, que pesquisa a espícula do coronavírus na Universidade Cornell (EUA). “Ainda são necessários estudos onde se possa demonstrar que as pessoas infectadas com o vírus com mutação expelem realmente mais partículas virais infecciosas”, aponta o especialista. O método utilizado pela equipe de Bette Korber, o já famoso PCR, não é o mais adequado para medir a carga viral, como alerta Jaimes. Além disso, salienta, também faltam estudos para determinar se uma pessoa infectada com o vírus com mutação realmente o transmite de forma mais eficiente a outras pessoas. “É preciso acompanhar os casos e compará-los com outros em que o vírus não tenha tido mutação”, argumenta o virologista. “A questão é tratar de diferenciar entre causalidade e coincidência.”

porCIPERJ

Rio terá atendimento a crianças e jovens com depressão pós-covid-19

fonte: Agência Brasil

O Ambulatório de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, no centro da cidade, criou um projeto para atender meninos e meninas de 10 a 16 anos que tenham depressão, ansiedade ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC) piorados ou gerados pelo medo da covid-19 e do isolamento social.

Segundo o fundador e coordenador do ambulatório, Fábio Barbirato, o propósito é enfrentar a quarta onda, referente à possível incidência de doenças mentais. A primeira onda seria a própria pandemia, a segunda o começo dos registros de mortes pela covid-19 e a terceira os problemas derivados da doença.

O médico disse que em regiões que já retomaram  as atividades, e que passaram por grande contaminação e número de mortes, como Itália e Espanha, há registros de aumento de casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes.

“Não só piorou, depois do isolamento social, o número de jovens que já estavam deprimidos, mas com sintomas contidos, como os que não tinham e começaram a apresentar. A procura por profissionais de saúde mental aumentou muito no hemisfério norte”, disse Barbirato, em entrevista à Agência Brasil.

Prevenção

Para o psiquiatra, no Hemisfério Sul não será diferente. Antes que os números de casos de depressão subam no Brasil, o projeto vai fazer um trabalho preventivo. “Antes que explodam, a gente vai fazer exatamente isso. O nosso trabalho é fazer uma triagem no nosso ambulatório, porque a pandemia começa a ter uma queda, as pessoas já começam a poder sair e, com isso, surgem preocupações e indagações que os pais têm e de certa forma começam também a transmitir isso para as crianças”, observou.

Fábio Barbirato acrescentou que as próprias crianças e adolescentes também acompanharam o assunto nos diversos tipos de mídias e vivenciaram seus medos, alguns até exagerados e sem base científica. De acordo com ele, a divulgação massiva do isolamento social e as crianças que já têm quadro depressivo ou ansioso podem piorar e, quem não tem, mas há uma predisposição, pode apresentar.

“Aí, de alguma forma, quando se abre isso, é aquele medo e aquele pavor. É aquela coisa do menino que viveu o tempo todo em uma floresta e, de repente, é colocado em plena Nova York ou Paris. Ele ouve o barulho e vê aquelas luzes todas e não sabe nem como se locomover. Uma criança de 9, 10 anos trancada dentro de casa ouve que se respirar lá fora vai morrer, quando abre as portas como vai ser isso? Pode criar uma série de angústias”, comparou.

“A vida tem que voltar ao normal em algum momento. A gente não pode criar fantasias de que a vida não vai voltar ao normal nunca mais e a criança terá que ficar o tempo todo dentro de casa.”

O médico demonstrou preocupação com o retorno dos alunos às aulas. Ele recomendou que a volta seja no mais normal possível e sem exageros de informações, além dos cuidados que devem ser tomados quanto a aproximações. “Se fala muito também sem a criança perguntar o porquê. Se a criança perguntar, aí fala. Não pode dividir o copo d’água, não pode dar abraços e beijos. Eu não posso criar uma pandemia do terror com o meu filho e vejo muito pai e mãe assim”, completou.

O psiquiatra disse que o filho dele de 9 anos está tranquilo, apesar de ter visto os pais infectados e a avó internada por causa da covid-19. Ele é hipertenso e sua mulher fez tratamento de câncer, o que os caracterizam em grupos de risco.

“Em momento nenhum criamos medo para ele. A grande questão é como a agente passa para o filho”, disse, destacando que isso não impediu dedizer contar qual era a real situação do quadro clínico da avó.

Serão atendidos 100 crianças e jovens que terão consultas por seis meses. A intenção é que sejam acompanhados por oito anos. “Queremos ver como estarão aos 18 e 24 anos e o quanto esse quadro pandêmico atrapalhou na evolução deles.”

Inscrições

As inscrições podem ser feitas pelo telefone (21) 2533-0188 até o dia 31. Depois haverá uma triagem para verificar quem realmente tem quadro de  transtorno ou se é apenas caso de uma questão de angústia passageira.

“Quem pode pagar não vai para lá. Vai lá quem passa necessidade, pessoas das classes C, D e E. Talvez vá pegar a classe média que ficou sem recursos. Muitas pessoas ficaram sem dinheiro nessa fase”, indicou.

porCIPERJ

Hospitais do Rio retomam cirurgias eletivas

fonte: Agência Brasil

Após mais de três meses suspensas por causa da pandemia de covid-19, os hospitais do Rio de Janeiro começam a retomar as cirurgias eletivas, que são aquelas agendadas e sem urgência.

Na cidade do Rio, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) começou há dez dias a desmobilizar os leitos reservados para o tratamento de pacientes com covid-19 em hospitais gerais. Os hospitais de referência para a doença, Ronaldo Gazzola e Hospital de Campanha do Riocentro, não tiveram alteração, mantendo 180 e 400 leitos, respectivamente.

A secretária de Saúde, Beatriz Busch, disse que foram devolvidos 122 leitos para a retomada das cirurgias de pacientes que aguardam em filas internas nos hospitais da rede.

“O nosso plano de contingência previu quatro ondas de abertura de leitos. Na quarta onda, nós previmos a conversão dos leitos cirúrgicos dos hospitais. Como as cirurgias eletivas pararam, acabamos convertendo 413 leitos de cirurgia para clínica médica. No dia 26 de junho devolvemos aos hospitais 122 leitos desses 413 convertidos”, argumentou.

Segundo a secretaria, a estimativa é que entre abril e maio deste ano tenham deixado de ser feitas 2.700 cirurgias eletivas. Nos mesmos meses de 2019, o total foi de 2.728.

Informou também que o número de internações por covid-19 está caindo na cidade e não há fila de espera no sistema de regulação. Atualmente, a rede municipal tem 1.130 leitos exclusivos para pacientes com coronavírus, sendo 248 de UTI – Unidade de Terapia Intensiva. A taxa de ocupação desses leitos na rede SUS – Sistema Único de Saúde – está em 70% para UTI e em 36% nos leitos de enfermaria.

Na rede estadual, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que já retomaram os procedimentos eletivos o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer e os hospitais estaduais Getúlio Vargas (HEGV) e Alberto Torres (HEAT).

Destacou, ainda, que a regulação dessas cirurgias é de gestão municipal, portanto, a “entrada de pacientes ambulatoriais na fila do sistema é realizada pela atenção primária, como as clínicas da família, postos de saúde e outros”.

Pandemia

Elaborado pela prefeitura, o plano de reabertura gradual da economia se baseia nos parâmetros de capacidade de resposta da rede de saúde, como a ocupação de leitos de UTI e no nível de transmissão da doença. Os dados das entidades científicas que monitoram a evolução da pandemia indicam que o estado passa por uma leve queda no contágio, mas ainda está alto.

O covidímetro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indica que a taxa de propagação do vírus no estado ficou em 1.33 na semana epidemiológica 27, encerrada no sábado (4).

Risco

O risco é considerado muito baixo se a taxa for menor do que 0,5 e baixo se ficar entre 0,5 e 1. Entre 0,9 e 1,2 o risco é moderado e é considerado alto entre 1,2 e 1,65. Se ficar entre 1,65 e 2, o risco é considerado muito alto e há indicação de lockdown (confinamento e fechamento de todo o comércio) se a taxa de reprodutibilidade da doença passar de 2.

O pico de transmissibilidade no estado ocorreu no início de maio. No dia 9 daquele mês, o covidímetro marcava 2.25 para o estado e 2.15 para o município.

O monitoramento do sistema Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que as internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país continuam em níveis alarmantes.

Os dados mais atuais da semana epidemiológica 26, encerrada em 27 de junho, indicam atividade semanal muito alta, com indicadores tanto do número de casos como no de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG – na zona de risco.

No estado do Rio de Janeiro foram registrados 1.365 casos de SRAG na semana epidemiológica 26 de 2020, contra 80 na semana correspondente no ano passado. Segundo os dados do Infogripe, do total de casos de SRAG registrados este ano e que tiveram teste positivo para algum vírus respiratório, 95,5% deram SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19. Entre os óbitos, os testes positivos para a doença chegam a 98,8%.

porCIPERJ

Governos e conselhos travam disputa judicial para contratar médico com diploma estrangeiro

fonte: Folha de SP

Governos estaduais, prefeituras e Defensorias Públicas têm travado uma disputa judicial com União e conselhos de medicina na tentativa de liberar a contratação de médicos formados no exterior durante a epidemia do novo coronavírus.

As primeiras decisões sobre o tema começaram em maio. Desde então, a disputa continua e ganhou reforço de novas ações.

Para atuar no país, médicos formados no exterior precisam passar por um processo de revalidação do diploma, o que geralmente ocorre por meio de uma prova chamada de Revalida.

Governos têm alegado atraso na realização do exame nos últimos dois anos e dificuldade em contratar profissionais —daí a tentativa de realizar decretos e editais para esses contratos. O impasse foi parar na Justiça.

Já os conselhos tentam barrar a medida sem que haja revalidação do diploma.

Folha localizou ao menos sete ações recentes sobre o tema, a maioria envolvendo estados e municípios do Norte e Nordeste, como Maranhão, Acre, Roraima e cidades do Amapá e Sergipe.

Destas, cinco têm como status mais recente a derrubada de pedidos ou iniciativas que abriam espaço para contratação. A alegação é que a medida fere Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a qual determina revalidação do diploma.

Outras duas tiveram cenário oposto, sob o argumento de garantir a assistência de forma temporária.

Em geral, as ações judiciais vêm de conselhos de medicina, mas também de governos, defensoria e Ministério Público.

O presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Ribeiro, diz que vê um movimento político para burlar as normas atuais que exigem a revalidação do diploma durante a pandemia.

“A medicina sofre um ataque meramente político para trazer, à revelia da lei, profissionais supostamente médicos sem que comprovem conhecimento mínimo”, diz. “É um absurdo, um casuísmo no meio dessa tragédia que estamos vivendo. Não falamos isso como uma medida corporativa, mas para defender o bom atendimento à saúde da população brasileira.”

Em meio ao embate, o conselho divulgou na última semana os resultados de uma pesquisa encomendada ao Datafolha sobre a percepção da população ao Revalida.

O levantamento ouviu 1.511 em todas as regiões. Desses, 91% disseram apoiar a necessidade de revalidação do diploma para que médicos formados no exterior atuem no Brasil.

Estados e prefeituras, no entanto, alegam que a pandemia tem trazido uma situação excepcional, com aumento na demanda por profissionais. Dizem ainda que a contratação levaria em conta médicos que já atuaram no programa Mais Médicos, por exemplo.

A queda de braço, porém, parece estar longe do fim. Em Aracaju, uma decisão inicial, a pedido do Ministério Público, chegou a determinar que o Conselho Regional de Medicina concedesse registro temporário a médicos sem diploma revalidado. O grupo atuaria no hospital de campanha da cidade.

A medida, porém, foi revista no fim da última semana por um desembargador do Tribunal Regional Federal da 5a região. A nova decisão veio após recurso do Conselho Regional de Medicina do Sergipe, que apontava riscos na atuação dos médicos.

Questionada, a secretaria municipal de saúde diz que a medida levará ao fechamento de leitos recém-abertos com a contratação de médicos formados no exterior.

“Com a decisão favorável ao conselho, a prefeitura terá de reduzir o quantitativo de leitos disponíveis atualmente no hospital de campanha de 102 para 60, deixando de atender 42 pacientes que necessitam de leitos de estabilização no tratamento contra a covid-19”, diz.

Em nota, o conselho nega dificuldade na contratação e aponta falta de resposta da prefeitura a médicos que poderiam ser contratados.

Já a prefeitura diz que, de uma lista com mais de cem nomes aptos a trabalhar enviada pelo conselho, apenas sete profissionais demonstraram interesse.

Embate semelhante ocorre em outros estados. No fim de junho, a Justiça Federal reverteu liminar que possibilitava ao governo do Acre realizar contratação de médicos formados no exterior e sem Revalida. O estado diz que analisa como recorrer da decisão.

Já estados como Maranhão e Roraima obtiveram decisões favoráveis à contratação temporária sem Revalida, desde que com prioridade nas vagas a médicos formados no país.

Para o defensor público regional em direitos humanos em São Paulo, João Paulo Dorini, a situação evidencia uma dificuldade antiga em levar médicos a regiões mais carentes.

O caso levou a DPU (Defensoria Pública da União) a ajuizar, no fim de abril, uma ação para que CFM e União não impedissem governos de contratar médicos formados no exterior para atuação temporária durante a pandemia.

O órgão diz ter feito um levantamento à época que apontava 15 mil médicos ainda sem diploma revalidado —a maioria era de brasileiros formados em faculdades de países próximos, como Paraguai, Bolívia e Argentina, mas também refugiados e outros imigrantes.

O pedido, porém, foi negado. Na decisão, o juiz que analisou o caso afirmou que a situação de pandemia não justifica “permitir a contratação de profissionais médicos que não atendam a requisitos legais”.

Agora, o órgão analisa novas formas de recorrer. Segundo Dorini, a decisão não impede novas tentativas de contratação pelos estados e ações sobre o tema.

O argumento é que o atraso na realização do Revalida impede a tentativa de revalidação do diploma pelos médicos, que poderiam ser colocados de forma temporária em funções de apoio —desde que tenham habilitação para atuar no país de formação, afirma.

Para Mauro Ribeiro, do CFM, porém, não há garantia de que os médicos seriam aprovados no Revalid. Nos últimos anos, a média de aprovação foi de 19,87%.

Ele chama de falácia a dificuldade na contratação, mas reconhece problemas na distribuição de médicos.

“Medicina é uma profissão como todas as outras. Onde tem mercado tem médicos, e onde não tem mercado há dificuldade em alocá-los”, diz ele, que defende mecanismos de carreira de Estado para fixar profissionais nestes locais.

Questionado, o Inep, instituto responsável pelo Revalida, afirma que está organizando cronograma do novo exame.

O instituto atribui o atraso a uma necessidade de reaplicar a prova a participantes da edição ocorrida em 2017, o que impediu que o exame fosse realizado nos dois últimos anos.

porCIPERJ

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