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Pesquisadoras temem que pandemia acentue diferenças de gênero na ciência

fonte: FAPERJ

Um grupo de pesquisadoras de instituições brasileiras publicou, no dia 15 de maio, uma carta na revista Science que faz um alerta sobre os impactos da pandemia na carreira acadêmica das mulheres. De acordo com o documento, a disseminação da Covid-19 afetou, principalmente, as pesquisadoras que são mães e que, em geral, são também as principais responsáveis pelo gerenciamento da casa, dos cuidados com os idosos e crianças. As autoras e um autor fazem parte do movimento “Parent in Science”. Entre as 14 pesquisadoras que assinam a carta, duas delas estão vinculadas a instituições fluminenses, Eugenia Zandonà, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e Letícia de Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Tanto Letícia quanto Eugenia passaram a desenvolver projetos relacionados a gênero e ciência por incentivo de suas orientadoras. A primeira participa de um projeto de extensão para discutir o viés implícito de gênero na academia que tem participação da pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eliane Volchan, que a orientou no doutorado, além de outras professoras da UFF e UFRJ. “A Eliane nos inspirou a estudar esta temática”, diz a pesquisadora. Por conta dessa iniciativa, Letícia participou dos simpósios sobre Maternidade e Ciência organizados pelo movimento “Parent in Science”, e acabou sendo convidada a integrá-lo. Foi ainda convidada pela reitoria da UFF para coordenar o grupo de trabalho “Mulheres na Ciência”, e ingressou em um grupo de trabalho sobre o tema na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “No estudo do ‘Parent in Science’ de 2018, metade das mulheres disseram não contar com ajuda ou apoio no cuidado com os filhos. Agora, nosso levantamento preliminar sobre trabalho da quarentena, aponta que apenas 10% das mães na pós-graduação estão conseguindo trabalhar na quarentena, contra 17% dos pais. Para os docentes nas universidades, os dados também estão preocupantes, mas ainda não finalizamos a coleta”, comenta a neurocientista. Pesquisadora honorária na University College London, ela recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado.

Doutora pela Drexel University, nos Estados Unidos, Eugenia adotou o hábito de sua orientadora Susan Kilham de verificar o percentual de mulheres entre os palestrantes principais em congressos e entrar em contato com o comitê científico quando esse número não alcançasse os 50%. “O que geralmente não ocorria”, relembra a pesquisadora da Uerj. Quando fez seu primeiro contato com um comitê científico, ela acabou convidada a coordenar uma mesa sobre o tema e passou a mapear a questão de gênero em sua área de atuação, a Ecologia. “Um resultado importante, que confirma dados encontrados em outros lugares do mundo, é que observamos uma perda de mulheres ao longo da carreira acadêmica. Na graduação e na pós-graduação, temos porcentagem alta de alunas, acima de 50%. Mas entre as docentes vai a 30%, e, se olharmos para quem progride dentro da carreira ou tem cargo de gestão, a porcentagem cai ainda mais”, diz a pesquisadora, contemplada em outro programa de fomento à pesquisa da FAPERJ, Jovem Cientista do Nosso Estado, e que também já recebeu apoio da Fundação por meio do edital Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro. Ao apresentar estes dados no congresso do “Parent in Science”, Eugenia foi convidada a participar do grupo.

O viés de gênero ao longo da carreira acadêmica também se reflete no número de bolsas e financiamentos recebidos pelas mulheres. Nos dados obtidos pela ecóloga, o número de mulheres que submetem projetos é expressivamente menor que os homens, mas ainda assim, as propostas das mulheres são rejeitadas numa proporção maior do que os projetos assinados por homens.

Esses são os motivos que levaram as pesquisadoras a demandarem algumas mudanças na avaliação por parte das agências de fomento. A primeira delas é aumentar o tempo de análise dos currículos para mulheres que são mães, uma vez que há uma pausa na produtividade durante a licença, além do aumento das responsabilidades. Se o edital prevê que a análise da produtividade se dará nos últimos cinco anos, as mães deveriam ter um prazo maior. Essa regra já é aplicada nos editais Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado, após proposta levada à FAPERJ por Letícia Oliveira, que é coordenadora na área de Biológicas na Fundação. Outras demandas são o adiamento dos prazos previstos para editais no período de pandemia, a criação de auxílio para as mães ou para os congressos criarem espaços de recreação, editais de fomento específicos para cientistas mães e a inclusão da maternidade dentro do Currículo Lattes, algo prometido, mas que ainda não foi efetivado por parte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As pesquisadoras explicam que não se trata de opor a maternidade e carreira acadêmica, mas enfatizar a necessidade de apoio diante da sobrecarga colocada sobre as mulheres. “Às vezes parece que a gente está dizendo que ser mãe é um obstáculo para a carreira das mulheres. Não é isso. O que é um obstáculo é a falta de políticas de apoio”, diz Letícia. Em constante contato com pesquisadoras de universidades nos EUA, com as quais mantêm colaboração, Eugenia conta a dificuldade que suas colegas passam por não terem licença maternidade remunerada e as universidades não oferecerem um substituto para as aulas. “Além de poucas terem condições de ficar sem trabalhar por alguns meses, a ausência da mulher sobrecarrega os demais colegas que passam a assumir estas aulas”, explica. No Brasil, a possibilidade de contratação de docentes substitutos contribui para a segurança no afastamento, mas de acordo com as pesquisadoras, seria importante ter também recursos para a contratação de pesquisadores substitutos.

As duas dizem ter sorte por contarem com maridos que dividem com elas as tarefas domésticas e por terem colegas de trabalho compreensivos. “Para mim, ser mãe é um papel muito importante, mas as instituições não ajudam muito a conciliar essas duas atividades. Ainda que tenha conseguido tirar nove meses de licença maternidade na Uerj, são nove meses longe do laboratório em uma área que a pesquisa é quase toda no campo, e sem poder participar dos congressos, espaço muito importante de troca. O que contribui bastante para a produtividade não despencar completamente é ter um marido que divide as tarefas e compartilhar o laboratório com um pesquisador – Timothy Moulton – que me auxiliou no trabalho de orientação dos alunos enquanto estava de licença”, conta Eugenia.

“Meu caso foi atípico, porque fui mãe já professora, e por ter um marido com quem divido as tarefas e, pelo que a gente conversa, isso é ainda raro. No meu grupo de pesquisa, somos basicamente mulheres mães que se apoiam e trabalham juntas. E isso foi fundamental, pois uma apoia a outra e sabe as dificuldades. Se não fosse esse grupo, eu não teria sobrevivido academicamente”, diz Letícia.

Para o único representante masculino dentro do “Parent in Science”, Felipe Ricachenevsky, pesquisador na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ainda que as tarefas sejam divididas de forma igual, o peso das responsabilidades é diferente. “No mundo perfeito, a divisão seria igual entre nós dois, incluindo o cansaço. Mas a realidade se impôs, e eu percebi porque eu era, de nós dois, o que sempre estaria com a menor carga: porque espera-se pouco de mim. Mesmo que nós dois equilibrássemos a balança, eu sempre estaria em vantagem. Porque o pai não tem como errar”, escreveu em texto publicado no site do Instituto Serrapilheira. Eugenia acrescenta: “Enquanto ser pai é visto como uma qualidade para processos seletivos para os homens, para as mulheres é visto como negativo. Existe essa imagem de que a mulher não só consegue, mas deve fazer tudo. Não devemos necessariamente ser super-heroínas. Somos cientistas e precisamos de apoio”, diz.

Sobre a família das duas pesquisadoras, Letícia é mãe da Sofia, de 15 anos, e como pesquisadora se dedica a entender como o cérebro processa as emoções. Além disto, tem estudado como biomarcadores cerebrais podem indicar vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais especialmente aplicando machine learning (sub-área da inteligência artificial) em exames de neuroimagem funcional. Mais recentemente, está coordenando um projeto que estuda o impacto da Covid-19 na saúde mental dos trabalhadores em ambiente hospitalar. Já Eugenia é mãe de duas meninas, Olga com cinco e Anita com dois anos e meio. Ela se dedica a estudar como os organismos que vivem nos riachos regulam os processos ecológicos desses cursos d’água e como ações humanas, como desmatamento e introdução de espécies invasoras, alteram esses ecossistemas. Por exemplo, a espécie de peixe Poecilia reticulata, conhecido como barrigudinho, utilizada para combater mosquitos como o Aedes aegypti, é uma espécie invasora e altera muito a biodiversidade aquática, e é importante encontrar uma alternativa nativa para substituí-lo. Seu grupo de pesquisa também iniciou um trabalho com árvores isoladas de grande porte e sua importância na manutenção de processos ecossistêmicos e da biodiversidade em áreas de pastagens, especialmente dos sapos, fundamentais no controle de pragas.

Para melhor compreender o impacto na pandemia na produtividade das mães e pais durante a pandemia, o “Parent in Science” está recrutando respondentes para sua pesquisa. Podem participar pesquisadores com ou sem filhos, homens e mulheres. Os formulários estão aqui.

porCIPERJ

Cientistas enfrentam desinformação sobre COVID-19

fonte: AFP

Com suas fotos de gatos e ironia mordaz, Mathieu Rebeaud, um pesquisador de bioquímica da Suíça, praticamente triplicou seus assinantes no Twitter durante a pandemia de coronavírus, graças a seus conselhos para lidar com o excesso de informações e, principalmente, desinformação.

Como Rebeaud, muitos médicos, professores universitários e instituições de todo mundo se voltaram para as redes sociais para explicar, detalhar e desmontar erros, informações falsas e teorias conspiratórias sobre a COVID-19.

E a maioria deles com uma estratégia semelhante: em vez de afirmar seu papel de autoridade, apostam na linha pedagógica.

Especialistas consultados pela AFP estimam que a onipresença das redes sociais e a superabundância de informações os obrigam a agir rapidamente para alcançar o maior número possível de pessoas com dados científicos e mensagens simples de prevenção.

Na pandemia, “as teorias conspiratórias fornecem explicações completas, simples, de aparência racional e sólidas” e, portanto, “completamente opostas ao conhecimento científico disponível, que é complexo, fragmentado, mutável e cheio de controvérsias”, resume a pesquisadora Kinga Polynczuk-Alenius, da Universidade de Helsinque.

“Nesse período de incerteza, é particularmente necessário espalhar informações confiáveis rapidamente”, alertou em fevereiro a revista médica britânica “The Lancet”.

Mas como conciliar o longo tempo das publicações científicas rigorosas e o público, acostumado à instantaneidade das redes sociais e muitas vezes exigindo respostas firmes e definitivas?

– Desmentir –

De qualquer modo, “não temos escolha”, afirma o presidente do comitê de ética do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França, Jean-Gabriel Ganascia.

“Temos que agir com as ferramentas à nossa disposição”, acrescenta Jean-François Chambon, médico e diretor de comunicação do Instituto Pasteur, que em março teve de desmentir vídeo viral que acusava a instituição de ter “criado” o SARS-CoV-2.

A pandemia levou a comunidade científica a ampliar seu uso das redes sociais e se fazer mais visível nelas.

“Antes da COVID-19, estava menos presente no Twitter”, confirma Mathieu Rebeaud, da Universidade de Lausanne, Suíça.

Para seus quase 14.000 assinantes no Twitter, Rebeaud detalha os estudos científicos por meio de “threads”, que permitem que as mensagens sejam encadeadas.

Entre outros médicos e pesquisadores que entraram no ringue, destacam-se o francês “Apothicaire amoureux” e a microbiologista holandesa Elisabeth Bik.

Em 22 de maio, horas após a publicação de um grande estudo sobre os efeitos da cloroquina e da hidroxicloroquina entre os pacientes com COVID-19, Bik resumiu suas conclusões em uma frase: “Menos sobrevida e mais arritmias ventriculares”.

A maioria dos governos e agências de saúde também dedica páginas específicas em seus sites oficiais para combater ideias falsas.

Para esta crise, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a um acordo com o Facebook para difundir diretamente mensagens no WhatsApp e no Messenger.

Na mídia, cientistas e médicos aparecem diariamente para desmontar ideias preconcebidas sobre o vírus.

Em relação à desinformação, “não tínhamos nenhum dispositivo específico, mas rapidamente criamos um site especial, pois (…) percebemos que havia muita” fake news sobre a COVID-19, segundo Chambon, do Instituto Pasteur, que registra 16.000 novos assinantes mensais em todas as redes sociais, em comparação com 4.000 antes da pandemia.

– Educação –

A mudança não é apenas quantitativa, explica Mikaël Chambru, especialista em comunicação científica da Universidade de Grenoble-Alpes (sudeste da França).

Os cientistas envolvidos no debate “procuram compartilhar o conhecimento atual para criar uma cultura científica entre o público, explicando como funciona e dando as chaves para a compreensão”, segundo Chambru.

E é que “uma posição de autoridade seria muito mal recebida pela população”, aponta Jean-Gabriel Ganascia.

Os cientistas também passam um tempo lembrando com tuítes as regras que tornam um estudo mais ou menos sério – entre elas, se ele foi, ou não, revisado por outros colegas (“peer-to-peer”).

A luta é, no entanto, muitas vezes desigual.

“Desmontar uma ‘estupidez’ requer dez vezes mais energia” do que espalhá-la, de acordo com Rebeaud, corroborando um estudo da revista “Science” de 2018, que mostrou que “as mentiras se espalham mais rapidamente do que a verdade”.

Portanto, é importante agir com antecedência.

Uma comunicação científica adaptada “não pode ser o único antídoto” contra as “fake news”, destaca a pesquisadora italiana em comunicação Mafalda Sandrini, para quem a educação científica deve ser revista para que o público seja menos permeável a esse tipo de informação.

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Planos de saúde terão que cobrir seis tipos de exames que podem auxiliar no diagnóstico do coronavírus

fonte: O Globo

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou nesta quinta-feira a inclusão de seis exames que auxiliam na detecção do novo coronavírus na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde.

A maioria dos testes já é de cobertura obrigatória mas alguns dos exames são destinados à atenção de pacientes graves com suspeita de outras doenças. Nestes casos, os exames não contemplavam pacientes com quadro suspeito ou confirmado da Covid-19. A medida passa a valer a partir da publicação da Resolução Normativa no Diário Oficial da União.

De acordo com a ANS, a medida busca ampliar as possibilidades de diagnóstico da Covid-19, especialmente em pacientes graves com quadro suspeito ou confirmado. Os testes, segundo a agência reguladora, auxiliam no diagnóstico diferencial e no acompanhamento de situações clínicas que podem representar gravidade, como por exemplo, a presença de um quadro trombótico ou de uma infecção bacteriana causada pelo vírus.

Esta é a segunda inclusão extraordinária de procedimentos relacionados ao novo Coronavírus no Rol de Procedimentos da ANS. Desde o dia 13 de março, os planos de saúde são obrigados a cobrir o exame Pesquisa por RT-PCR, teste laboratorial considerado padrão ouro para o diagnóstico da infecção pela Covid-19.

Conheça os testes

Passam a ser de cobertura obrigatória para os beneficiários de planos de saúde nas segmentações ambulatorial, hospitalar e referência os seguintes testes:

  • Dímero D (dosagem): O procedimento já é de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, porém, ainda não era utilizado para casos relacionados à Covid-19. É um exame fundamental para diagnóstico e acompanhamento do quadro trombótico e tem papel importante na avaliação prognóstica na evolução dos pacientes com Covid-19.
  • Procalcitonina (dosagem): O procedimento é recomendado entre as investigações clínico-laboratoriais em pacientes graves de Covid-19, auxiliando na distinção entre situações de maior severidade e quadros mais brandos da doença.
  • Pesquisa rápida para Influenza A e B e PCR em tempo real para os vírus Influenza A e B: Esses testes são indicados para diagnóstico da Influenza. A proposta consiste na incorporação dos dois procedimentos para minimizar questões de disponibilidade e para otimizar o arsenal diagnóstico disponível. A pesquisa rápida é recomendada para investigações clínico-laboratoriais em pacientes graves. O diagnóstico diferencial é importante, pois a influenza também pode ser causa de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).
  • Pesquisa rápida para Vírus Sincicial Respiratório e PCR em tempo real para Vírus Sincicial Respiratório: Esses testes são indicados para diagnóstico da infeção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A proposta consiste na incorporação dos dois procedimentos para minimizar questões de disponibilidade e para aprimorar as possibilidades. O teste rápido para o VSR é útil no diagnóstico diferencial de Covid-19 em crianças com infecção viral grave respiratória.
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CIPE promove webinars através de sua página no Facebook

A Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) realiza uma série de webinars desde o início de maio. Confira a programação com os próximos webinars.

As transmissões serão feitas pela plataforma Zoom e pela página da CIPE no Facebook.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

  • 25 de maio, segunda-feira, às 20h

Dissociação Laringo-Traqueal
Palestrante: Sylvio Avilla
Moderador: Paschoal Napolitano Neto

  • 30 de maio, sábado, 16h

Videocirurgia em Tempo de Covid-19
Palestrante: Edward Esteves
Moderadora: Elisângela Mattos e Silva

  • 2 de junho, terça-feira, 20h

Cirurgia Pediátrica Oncológica em Tempos de Covid-19
Palestrante: Simone Abib
Moderador: Antonio Aldo Melo

  • 5 de junho, sexta-feira, 20h

Atualização no diagnóstico e tratamento das anomalias vasculares – hemangiomas e linfangiomas
Palestrante: Heloisa Campos
Moderador: Antonio Paulo Durante

  • 6 de junho, sábado, 16h

Hérnia Diafragmática
Palestrante: Jorge Correia-Pinto
Moderadora: Conceição Salgado

  • 8 de junho, segunda-feira, 20h

Transplante hepático no Brasil
Palestrante: Ana Tannuri
Moderador: Uenis Tannuri

  • 12 de junho, sexta-feira, 20h

Tratamento dos Linfangiomas e malformações vasculares
Palestrante: Heloisa Campos
Moderador: Sperandio Del Caro

  • 15 de junho, segunda-feira, 20h

Tratamento dos hemangiomas e tumores vasculares
Palestrante: Karimy Mehanna
Moderadora: Heloisa Campos

  • 19 de junho, sexta-feira, 20h

Cirurgia Pediátrica Assistida por Robótica : Realidade ou Utopia?

Palestrante: Antonio Aldo Melo
Moderador: Joaquim Bustorff

  • 22 de junho, segunda-feira, 20h

Manejo clínico cirúrgico da incontinência fecal na infância
Palestrante: Fabio Volpi
Moderador: Jose Bahia Filho

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‘Havendo uma vacina validada, a Fiocruz terá condições de produção’, diz presidente da instituição

fonte: O Globo

No primeiro semestre de 1900, o Rio de Janeiro enfrentava um sério surto de peste bubônica, uma infecção grave transmitida por pulgas. Em 25 de maio daquele ano, o bacteriologista Oswaldo Cruz criava, numa bucólica fazenda numa área rural da cidade, o Instituto Soroterápico Federal.

Após 120 anos, o mesmo lugar, agora Fiocruz, tem protagonismo nacional contra a maior pandemia do século 21, provocada pelo novo coronavírus.

À frente da instituição, a socióloga Nísia Trindade, a primeira presidente mulher da história da Fundação Oswaldo Cruz, comanda uma estrutura gigante, referência em toda a América Latina, com milhares de funcionários e a missão de que as respostas venham da ciência.

Trindade diz que há dois grupos de pesquisadores trabalhando na busca de uma vacina e garante que, ainda que ela venha de fora, a Fiocruz poderá produzí-la.

Enquanto a cura não aparece, são feitas pesquisas para tratamentos, um hospital foi criado para atender quase 200 pacientes com Covid-19, milhares de testes têm sido produzidos, assim como informações científicas que podem servir de guia para a tomada de decisões políticas.

Simbolizada pelo célebre castelinho, a Fiocruz tem hoje 50 laboratórios de referência, atua em 20 áreas de pesquisa, com 30 programas de pós gradução, 12 mil trabalhadores, dos quais 5.400 servidores.

Nos últimos meses, recebeu suportes expressivo do Ministério da Saúde: R$ 20 milhões em março, R$ 157 milhões de crédito orçamentário em abril, e R$ 713 milhões em maio. Para além dos números, a presidente defende a fundação, que recebeu palmas e doações da sociedade: “Nossa instituição tem uma alma”.

A Fiocruz surgiu há 120 anos justamente para combater uma epidemia. O ano de 2020 estava recheado de programações comemorativas, mas veio outra pandemia. Como enxerga isso? 

Simbolicamente, é a afirmação de uma vocação. Porque a Fiocruz surgiu para combater surtos de febre amarela e, especialmente, da peste bubônica. Em meio à crise sanitária no início do século 20, atende primeiro a capital e depois leva saúde em nível nacional, para os grandes sertões brasileiros.

Falamos de Oswaldo Cruz, mas também de Carlos Chagas, que esteve à frente da gripe espanhola, a pandemia que marcou o século 20 assim como essa vai marcar o século 21. Nesse histórico, ao longo do século em diversos momentos a instituição deu respostas, como na epidemia de HIV, na de zika, dengue e chicungunha. O Brasil construiu uma base científica, tecnológica e de saúde universal. São as bases que o país pode mobilizar nesse momento.

Tínhamos pensado numa grande comunicação neste ano para pensar o futuro, mas agora vivemos essa grande reflexão de outra forma. Fomos postos à prova, infelizmente. Gostaria muito que ficasse registrada uma palavra de solidariedade e pesar pela perda de tantas vidas. Ao mesmo tempo, sinto que é um privilégio para a instituição poder ajudar, ser parte da resposta.

Quais iniciativas a Fiocruz tem desempenhado contra essa epidemia? 

Estamos atuando em diversas frentes: vigilância, sentinela de casos, preparação para diagnóstico, controle da evolução da doença, sistema de dados, atenção aos pacientes. A pesquisa é fundamental agora e continuará a ser.

Antes das ações visíveis, quero falar dos sistemas de dados, como o Monitoracovid, mapeamentos, pesquisas, além da comunicação pública. A informação é uma ferramenta importante e, sem ela, não há como saber a evolução da doença, se é momento de relaxar ou de fortalecer medidas de isolamento. Fornecemos informação confiável, dados epidemiológicos, permitindo que o conhecimento seja usado para criação de políticas públicas.

Entre as realizações, a primeira é o papel dos laboratórios. A Fiocruz já tem uma tradição de desenvolver testes diagnósticos, um grande problema do Brasil. É hoje um instrumento importante de saúde pública porque a pandemia pode ter ondas, isso é precioso. Entregaremos até setembro 11 milhões de testes e estamos constituindo centrais de análises. E, numa epopeia, em pouco mais de 50 dias erguemos o centro hospitalar dedicado à Covid-19. Foi uma decisão pela necessidade imediata, mas também para fases futuras porque era uma carência do nosso instituto de infectologia. Abriu há uma semana, é permanente, com 195 leitos, todos para tratamento semi-intensivo e intensivo.

Somos uma referência, o que significa que além de tratar os pacientes contribuímos para protocolos, com estudos clínicos sobre medicamentos, pesquisas internacionais. As duas pontas estão ligadas: a atenção ao paciente e o estudo clínico, muitas conclusões vão se dar, infelizmente não na velocidade de transmissão do virus. É uma corrida.

A Fiocruz recebeu muitas doações da sociedade civil. Qual o montante? Como avalia esse apoio? 

As pessoas ficam contentes de participar. Não começamos uma campanha, foi o contrário: empresários, movimentos da sociedade nos procurando, querendo fazer doações. Então criamos o site da iniciativa Unidos contra Covid (www.unidos.fiocruz.br) para organizar esse movimento espontâneo. Foram mobilizados R$ 89 milhões, recursos que vieram de várias formas, por instituições, movimentos empresariais, doações, não só em dinheiro, mas em máscara, álcool gel, até unidades de apoio ao diagnóstico. Depois, estabelecemos um edital para populações vulneráveis, ações específicas em favelas, instituições asilares, populações indígenas, construindo com as pessoas as melhores soluções. É muito bonito porque falamos muito do aspecto dramático, mas é importante também ver a mobilização da sociedade.

Já ouvimos pessoas gritando “Viva, Fiocruz” nas janelas. Acha que a população reconhece o trabalho da fundação?

Fiquei sabendo. Em todo o mundo os profissionais de saúde são aplaudidos, no Brasil não é diferente e, ao pensar nesses profissionais, muitas pessoas se lembram da Fiocruz. Vejo com emoção, mas com responsabilidade. Você só vai aderir a medidas difíceis se tiver confiança nos caminhos que a ciência vem apontando. Não é que não cometemos erros, mas a ciência dá uma base, tem métodos, é posta à prova.

De março a maio, o Ministério da Saúde aumentou os repasses. Como foi isso? 

Veio num crescendo porque as atividades vieram num crescendo, com a construção do centro hospitalar, infraestrutura para desenvolvimento de teste diagnóstico, ampliação da capacidade de produção para teste PCR e teste rápido. Há  estudo clínico que pesquisa um conjunto de medicamentos, como a cloroquina, hidroxicloroquina, medicamentos virais já conhecidos que já foram testados em laboratório, e o interferon beta. Os medicamentos que não têm eficácia vão sendo eliminados para Covid-19. Estamos a postos para produzir medicamentos necessários. É um conjunto de ações importante. Além da nossa contribuição para América Latina e Caribe, já treinamos laboratórios e temos cooperação histórica. Isso só é possível porque trabalhamos em rede.

Como a senhora avalia o combate à pandemia no Brasil? 

Com tantas desigualdades, não só sociais, mas também regionais, de infraestrutura, de distâncias, o Brasil é muito complexo e temos que olhar isso. Claro que temos que nos mirar no melhor do mundo porque o Brasil tem potência, história e o Sistema Único de Saúde, um aliado de valor inestimável. O SUS articula muitas dimensões com programas de êxito e foi acionado para responder, mas a epidemia também expõe as fragilidades, como a falta de saneamento, de moradia.

E há um aspecto em particular delicado que é a dependência tecnológica. Mesmo com os recursos do ministério, foi difícil a importação de ventiladores mecânicos, dos equipamentos de proteção individual, que não tínhamos, e fármacos, porque 90% dos fármacos consumidos no Brasil são importados. Precisamos ter formas de não ser tão dependentes. Isso tem que estar no radar.

Em relação à população e ao governo. Acha que compreenderam o perigo da doença? 

Essa compreensão é desigual e está ligada à desigualdade social. Temos muitos trabalhadores em situação precária, moradias que não permitem fácil aceitação e utilização prática das recomendações necessárias, que também foram se alterando. É um desafio enorme, não é só saúde. Acho correto um comitê interministerial com especialistas que tenham interlocução com o governo. Não podemos achar que as medidas de isolamento são simples, não são, mas são necessárias para proteger a vida e impedir uma catástrofe.

A Fiocruz recomendou o lockdown, mas até agora ele não aconteceu.  

Não existiria uma medida única no Brasil, as medidas de isolamento social respeitam parâmetros, como o número de casos, óbitos, capacidade da rede de dar resposta, capacidade de testagem. A Fiocruz foi consultada e respondeu a um questionamento em relação à situação do Rio de Janeiro, numa situação de escalada de casos, 80% dos leitos ocupados, falta de profissionais de saude, que adoeceram. Cada medida que propomos tem fundamentação cientifica.

Pesquisadores da Fiocruz foram atacados por conta da cloroquina. Como avalia isso? 

Os pesquisadores participaram de um projeto de pesquisa, que passou pelos procedimentos necessários no Brasil, com comitê de ética interno e externo. Polêmicas e controvérsias não são novidade o importante é saber como essas questões são avaliadas. Há dois valores fundamentais da ciência: a liberdade e a ética.

Quais expectativas a senhora tem para depois da pandemia? O Brasil vai valorizar mais a ciência? As pessoas ficarão mais solidárias? 

Um mundo mais solidário é uma aposta que está aí para nós. Mas podemos voltar ao mesmo modelo de desenvolvimento que gera desigualdade, impactos ambientais negativos e esquecer o que aconteceu. As pessoas podem ter a vacina e, com o tempo, esquecer tudo, mas também podemos ter um outro efeito: depende de como a sociedade, suas associações, instituições, líderes mundiais, os fóruns, líderes religiosos, como todos vão construir esse caminho.

Construir um pacto pela vida é fundamental, mas pode ser que tenhamos aumento de desigualdade. Durante a pandemia, a OMS (Organização Mundial da Saúde) ordenou que vacinas e medicamentos sejam bens públicos. Mas isso pode ser esquecido. A gripe espanhola de 1918 matou 35 milhões, mais do que a Primeira Guerra Mundial, que matou 15 milhões. A pergunta não é como vai ser o mundo, mas que mundo queremos.

Do ponto de vista das ciências da saúde, acho que elas têm dado mostras de capacidade de respostas muito importantes. Os cientistas são chamados a falar, contribuir para recomendações e elas estão sim em evidência e podem gerar uma maneira positiva de olhar para isso. Mas isso não depende só da aceitação da sociedade. A comunidade científica tem feito mais esforço para dialogar. Nada está dado, tudo é uma construção permanente de conhecimento e de políticas públicas. É trabalhoso e só bem-sucedido num ambiente democrático.

A senhora teme se infectar? 

É claro, todos nós, mas lido com o medo seguindo os preceitos da ciência. Com coerência entre discurso e prática. Adoro caminhar na areia, programas ao ar livre, mas estão abolidos da minha vida, e o convívio com a família é virtual. É impossível não vir à instituição, alternando com atividades em home office. Mas eu tenho, sim, medo de me infectar e de infectar os outros. É uma doença que pode causar formas graves e não há como ter certeza de fatores de risco. Mas nada que me paralisa.

A senhora acha que a tão esperada vacina pode vir do Brasil?  

Temos dois grupos de pesquisa na própria Fiocruz pesquisando vacinas e esperamos que esse trabalho seja exitoso. Vacina requer muito conhecimento de laboratório mais uma fase importantíssima de estudo clínico. Seria fantástico produzir de grupos nacionais, mas, junto com o Ministério da Saúde, estamos trabalhando para formar um painel de avaliação de vacinas candidatas estrangeiras e, havendo uma vacina validada por estudo clínico e de acesso para o mundo, a Fiocruz terá condições de produção.

Daí a importância da resolução da OMS de que vacinas e medicamento são bens públicos, sem lucro. Temos o laboratório Biomanguinhos, responsável pela maior parte das vacinas do Programa Nacional, de febre amarela, sarampo e com experiência histórica. Uma vez identificada vacina e definida com o Ministério da Saúde, a Fiocruz tem condições para contribuir.

Oswaldo Cruz foi um pioneiro em valorizar a ciência e investir da maneira como o fez. 120 anos depois, as pessoas que trabalham hoje na Fiocruz são pioneiras?

Oswaldo Cruz e Carlos Chagas são figuras notáveis e pioneiros sim, mas não trabalhavam sozinhos. Havia uma rede mobilizada, ninguém faz trabalho de ciência sozinho em nenhum momento da história. Hoje, a ciência é um empreendimento mais complexo que envolve grupos de pesquisadores, redes, relações com indústrias, empresas. Não que não existissem no passado, mas hoje é numa escala sem proporção. Nossa instituição tem uma alma, pela sua história que vai sendo atualizada e renovada, mobilizando sentimentos para fazer seu trabalho pela saude publica. Temos muitos pioneiros, desbravadores visionários, mas nunca o gênio isolado, sempre trabalho em equipe.

porCIPERJ

Crianças têm menos receptores no nariz para que o coronavírus penetre no organismo

fonte: El País Brasil

Os dados são teimosos. Semana a semana, os relatórios sobre a covid-19 da Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica (Renave) mudavam em termos absolutos —subia o número dos diagnosticados, dos mortos, dos internados em hospitais e na UTI—, mas há um valor constante: os menores de 15 anos, que são 13,5% da população espanhola, representavam somente 0,55% dos diagnósticos, enquanto os de 70 anos para cima (15,5% da população) representavam 27% das infecções (de acordo com os testes PCR). Um ensaio recém-publicado pela Jama, a revista da Associação Americana de Medicina, encontrou uma possível explicação: as células que recobrem o interior do nariz das crianças, as primeiras com as quais o vírus entra em contato, têm menor quantidade de receptores ECA-2, as portas de entrada da covid no organismo, do que os mais velhos. O trabalho, um dos primeiros que tentam encontrar uma explicação à proteção aparente das crianças, demonstra que com a idade a proporção desses receptores aumenta.

O trabalho utilizou 305 amostras de tecido nasal conservadas no instituto de pesquisado ligado ao Hospital Monte Sinai de Nova York tiradas entre 2015 e 2018 de pessoas de 4 a 60 anos. Os próprios autores admitem que a categoria de idades é uma limitação, porque não há pessoas mais velhas, que são o grupo mais afetado pelo coronavírus.

Não se sabe a razão pela qual entre as crianças há menos casos de coronavírus e a infecção costuma ser muito leve, diz Cristina Calvo Rey, porta-voz da Associação Espanhola de Pediatria, que acha que essa explicação “é muito plausível”. “Nós nos perguntamos muitas vezes e esse estudo é um dos que podem perfeitamente ajudar a esclarecer”, opina. Mas “provavelmente o motivo é multifatorial”, afirma.

Entre as possíveis explicações consideradas, está que “as crianças estão muito acostumadas ao contato com vírus, como os outros coronavírus e enterovírus, e podem ter desenvolvido algum tipo de imunidade cruzada” (a gerada como resposta a um patógeno, mas serve contra outros), diz a pediatra. Cristóbal Coronel, secretário da Sociedade Espanhola de Pediatria de Atenção Primária (Sepeap), concorda: “É preciso levar em conta que a maioria dos quadros gripais de crianças, os mais frequentes, são produzidos por um coronavírus”. “Tanto trabalho e tanta pesquisa estão sendo feitos que espero que em pouco tempo tenhamos respostas”, diz Calvo Rey.

“Nós as mandávamos para casa”

Outra razão pela qual é possível que o número de crianças afetadas seja tão baixo é “porque foram pouco testadas”, comenta Coronel. “Até uma semana atrás não eram acessíveis e, como a maioria dos casos era leve ou assintomática, nós as mandávamos para casa sem mais”.

Não apenas o contágio das crianças foi diferente daquele dos adultos. Também manifestaram algumas complicações diferentes. “Em geral, tiveram quadros muito mais leves e muito menos frequentes”, diz Calvo Rey. “Desde o início observamos sintomas muito leves e muitos assintomáticos”, acrescenta. Entre os problemas inerentes estão os cutâneos —que também foram observados em adultos—, destaca.

E houve muito alvoroço em torno do que “se chamou de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica temporalmente associada ao coronavírus”, explica Calvo Rey, que enfatiza ao usar o termo “temporalmente”. “Não é exatamente uma doença de Kawasaki ou um choque tóxico”, afirma. E insiste no fato de que “houve casos com PCR positivo, podem ter havido assintomáticos e outros que não deram nada”. “O que há é uma coincidência temporal com alguns positivos, que, além disso, já passaram”. A pediatra insiste na necessidade de tranquilizar a população. “Conhecemos a Kawasaki há anos, o que acontece é que agora estamos com mil olhos em tudo o que acontece. Se os casos tivessem ocorrido um ano atrás, teriam passado despercebidos.” E acrescenta: “Aqui foram diagnosticados prontamente, foram tratados muito bem e, que eu saiba, todos saíram bem”.

Coronel se queixa do alarme causado por esta doença. Mas existem outros problemas de saúde que ele considera associados ao confinamento e que o preocupam. “Vemos problemas de sono, de ansiedade, especialmente em adolescentes. Crianças às quais colocamos na cabeça o medo do malvado e que não querem sair na rua. Estamos gerando uma patologia que talvez não existia”.

porCIPERJ

Os indícios que apontam que o Sars-Cov-2 circulava no Brasil antes do primeiro diagnóstico oficial

fonte: BBC Brasil

O primeiro diagnóstico oficial do novo coronavírus no país foi em 26 de fevereiro. O paciente, um empresário de 61 anos, havia retornado recentemente da Itália, que começava a enfrentar uma explosão de casos de covid-19.

Era período pós-Carnaval quando o primeiro caso foi confirmado. A partir de então, o Brasil entrou na rota do novo coronavírus, que já circulava em diversos países. Na época, o país com mais casos no mundo era a China, onde foram feitos os primeiros registros.

Análises feitas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que havia casos do novo coronavírus no Brasil antes de fevereiro. Esses levantamentos apontam que na quarta semana epidemiológica, entre 19 e 25 de janeiro, havia ao menos um caso de Sars-Cov-2 no país.

Já a transmissão comunitária — quando não é possível identificar a origem da infecção —, confirmada oficialmente em 13 de março, teria começado no Brasil na primeira semana de fevereiro, segundo estudos feitos no IOC/Fiocruz.

Esses levantamentos trazem informações importantes sobre a trajetória do novo coronavírus no Brasil. Com base nesses dados, é possível compreender que o vírus já circulava pelo país antes do Carnaval, período em que há muitas aglomerações e pode ter facilitado ainda mais a propagação do Sars-Cov-2. Além disso, mostram que houve mortes por covid-19 antes do primeiro óbito confirmado no país, em 17 de março.

Essas apurações feitas por pesquisadores tiveram como base registros sobre Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país.

Uma apuração do Ministério da Saúde, por meio de secretarias estaduais, reforça a tese de que havia pessoas infectadas pelo Sars-Cov-2 no Brasil antes de 26 de fevereiro. Isso porque a pasta divulgou recentemente que quase 40 casos, antes do primeiro diagnóstico oficial, estão sendo investigados no país.

Descobrir os primeiros casos no Brasil é considerado importante para que seja possível avaliar a trajetória do vírus no país, analisar casos de subnotificações e estudar as características do Sars-Cov-2 por aqui.

Oficialmente, o primeiro caso do Brasil ainda é o do paciente diagnosticado em 26 de fevereiro. Porém, há, ao menos, três pontos que indicam que o Sars-Cov-2 chegou ao Brasil antes do primeiro diagnóstico oficial: os registros de SRAG, as descobertas recentes sobre a origem do coronavírus em outros países e notificações suspeitas encaminhadas ao Ministério da Saúde.

Os registros de SRAG

Em anos anteriores, o Infogripe, sistema da Fiocruz, registrou uma média de 250 casos em fevereiro. Porém neste ano, no mesmo período, os registros de SRAG tiveram aumento histórico em todo o Brasil, principalmente em meados de fevereiro. Apenas na semana de 23 a 29 do mês, 662 pessoas foram internadas no país com sintomas como febre, tosse, dor de garganta e dificuldade respiratória. As notificações são referentes a hospitais públicos e privados.

A SRAG, hoje altamente associada à covid-19, também pode ser causada por outros vírus como influenza, adenovírus ou os coronavírus sazonais que já circulavam anteriormente. No entanto, especialistas apontam que não há nenhum indicativo de que os vírus conhecidos em anos anteriores circularam mais intensamente, entre janeiro e fevereiro, neste ano.

Especialistas da Fiocruz fizeram análises moleculares retrospectivas em amostras de SRAG e encontraram um caso de Sars-Cov-2 na quarta semana epidemiológica, um mês antes do primeiro diagnóstico oficial.

Além disso, análises feitas por meio do MonitoraCovid-19, plataforma do sistema do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), apontou que, desde a sexta semana epidemiológica, entre 2 e 8 de fevereiro, há aumento sustentado nos números de SRAG no país.

Os indícios apontam que desde o início de fevereiro há transmissão comunitária do novo coronavírus no país.

Os dados referentes a registros de SRAG no país reforçam as informações do primeiro estudo que apurou o início da transmissão comunitária do Sars-Cov-2 no Brasil. O estudo usou uma metodologia estatística de inferência, a partir de óbitos por SRAG que foram registrados antes do primeiro caso confirmado. O levantamento mostrou que a disseminação comunitária do novo coronavírus começou de duas a quatro semanas antes dos primeiros diagnósticos.

O estudo para apurar a transmissão do coronavírus no Brasil foi feito pelo IOC/Fiocruz em parceria com a Fiocruz-Bahia, Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade da República (Udelar), no Uruguai. O trabalho, que ainda passará por revisão dos pares, foi publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

Para chegar a um levantamento sobre o início da transmissão comunitária no Brasil, os pesquisadores analisaram o crescimento exponencial de números de mortes por SRAG. O dado é considerado pelos especialistas como a informação mais confiável sobre o progresso da epidemia, em razão dos poucos testes feitos inicialmente e do grande número de pacientes assintomáticos — entre os mais jovens, a ausência de sintomas pode ser comum em 70% deles.

Assim, consideraram que o tempo médio entre a infecção e o óbito por covid-19 é de, aproximadamente, três semanas. Os estudiosos consideraram também que a taxa de mortalidade da doença é de, aproximadamente, 1%. Desta forma, aplicaram um método estatístico para avaliar o início da pandemia, a partir do número acumulado de mortes. Esse levantamento apontou que a transmissão comunitária no Brasil, assim como em outros países, começou semanas antes do primeiro diagnóstico oficial.

A chegada do vírus em outros países

Diversos levantamentos mostram que, assim como a pesquisa que analisou o cenário no Brasil, a transmissão comunitária do Sars-Cov-2 em regiões da Europa e nos Estados Unidos começaram até quatro semanas antes dos primeiros diagnósticos.

Enquanto o Brasil e outros países ainda tomavam as medidas iniciais, como monitorar os viajantes que vinham do exterior, o vírus já estava sendo transmitido em seus territórios.

A circulação do Sars-Cov-2 teve início antes de orientações como a restrição de viagens aéreas e o distanciamento social, segundo o estudo liderado pelo IOC/Fiocruz. No Brasil, por exemplo, essas medidas mais duras, para evitar a propagação do vírus, foram adotadas somente após a confirmação da transmissão comunitária em diferentes Estados.

Pesquisadores que participaram do estudo ressaltam que o “período bastante longo de transmissão comunitária oculta” reforça a dimensão do desafio de rastrear a disseminação do novo coronavírus. Em razão disso, apontam que seria fundamental que medidas de controle fossem tomadas desde os primeiros diagnósticos de casos importados.

Pelo mundo, diversos países investigam casos anteriores aos primeiros diagnósticos conhecidos até então.

Os primeiros registros do novo coronavírus foram relatados pela China à Organização Mundial de Saúde (OMS) em 31 de dezembro. Casos anteriores no país asiático são investigados. O principal objetivo é descobrir o primeiro paciente infectado pelo novo coronavírus em Wuhan, cidade que enfrentou o primeiro surto de Sars-Cov-2 no mundo. Por meio dessa descoberta, cientistas poderão chegar à origem do vírus e como se deu a primeira transmissão para humanos.

Assim como o primeiro epicentro do novo coronavírus, os Estados Unidos, que hoje é a região com mais casos e mortes por covid-19 no mundo, também investigam pacientes que tiveram o vírus em período anterior ao conhecido atualmente.

Em meados de abril, autópsias de dois pacientes que morreram na Califórnia nos dias 6 e 17 de fevereiro revelaram que eles haviam sido infectados pelo Sars-Cov-2. O fato fez com que o país alterasse seus dados sobre a covid-19, pois até então a primeira morte havia sido confirmada em 26 de fevereiro, no Estado de Washington.

Entre os casos antigos descobertos recentemente, uma situação na França, no início de maio, causou surpresa em todo o mundo. O primeiro registro do novo coronavírus havia sido confirmado em meados de janeiro no país. No entanto, uma descoberta recente mudou o que se sabia da trajetória do vírus na região.

Novas análises em exames de um homem de 43 anos, feitos em 27 de dezembro passado, apontaram que ele havia sido infectado pelo Sars-Cov-2. O paciente, na época diagnosticado com pneumonia, tem 43 anos e mora em Bobigny, nos arredores de Paris.

O homem se recuperou após fazer o tratamento para pneumonia, ainda no fim de dezembro. Depois de descobrir que havia contraído o novo coronavírus, ele disse que não sabia como pode ter sido infectado pelo vírus. Ele não havia viajado recentemente a outros países. O fato demonstrou que o vírus chegara à Europa antes do que se imaginava.

Após o caso na França, a OMS relatou que é possível que outros casos iniciais venham à tona em outras regiões. O porta-voz da organização, Christian Lidmeier, pediu que os países verifiquem os registros de casos semelhantes, para esclarecer sobre a trajetória do vírus em todo o mundo.

Os casos investigados no Brasil

Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou que analisa 39 casos suspeitos do novo coronavírus que teriam surgido antes do primeiro diagnóstico no país.

O secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, disse que 25 desses casos foram em São Paulo e os outros estão em oito Estados. Os registros foram identificados no sistema de informação nacional.

Macário disse que foram enviados ofícios aos Estados para que eles apurem as informações. A pasta não descarta que algumas dessas datas tenham sofrido erros no registro. Os casos suspeitos ainda estão sendo apurados pelas secretarias estaduais.

No início de abril, um erro do Ministério da Saúde causou grande repercussão. Na época, foi anunciado que fora descoberto que uma mulher morreu em decorrência do novo coronavírus em 23 de janeiro, em Minas Gerais. No entanto, posteriormente, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, informou que houve falha de digitação e que o óbito ocorrera em março. Ao corrigir a informação, Mandetta citou que somente apurações futuras podem identificar o início do vírus no Brasil. Ele, porém, não descartou que o Sars-Cov-2 tenha começado a circular no Brasil desde janeiro ou dezembro.

porCIPERJ

Covid-19: pesquisa com profissionais de saúde mostra 11% infectados

fonte: Agência Brasil

Levantamento aponta que entre 6.131 profissionais de saúde do Rio de Janeiro testados para covid-19, 11% tiveram resultado positivo. Com a finalidade de identificar profissionais de saúde da região metropolitana que tenham contraído o novo coronavírus, os testes rápidos imunosorológicos começaram a ser feitos em 28 de abril.

A iniciativa de mapeamento epidemiológico, liderada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e Zoox Smart Data, disponibiliza um questionário para os profissionais responderem no aplicativo Dados do Bem. Identificadas chances de infecção pelo novo coronavírus, o profissional de saúde recebe a indicação para fazer o exame gratuito e agendado.

A zona oeste do Rio teve o maior número de profissionais testados. A região proporcionalmente apresentou menos profissionais contaminados (7,4%) quando comparada com Bangu e Campo Grande, que tiveram, respectivamente, 15% e 13% de profissionais com resultado positivo. Já em relação à área metropolitana do Rio, o município de Nilópolis, na Baixada Fluminense teve o maior percentual de infectados. De todos os profissionais que realizaram o teste na região, 23% tiveram resultado positivo. Em segundo lugar da lista está São Gonçalo, com 21% dos profissionais com resultado positivo.

Sintomas da doença

Os profissionais que tiveram exame positivo apresentaram sintomas como dores no corpo (71,6%), tosse (66,8%) e perda de olfato e paladar (63,8%). Além dessas indicações, 51,1% dos positivos apresentaram febre nos 10 dias anteriores à testagem.

De acordo com o coordenador do projeto, Fernando Bozza, pesquisador e infectologista do Idor e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “diante desses primeiros resultados, e, comparado a outras pesquisas, como a que foi realizada pelo Hemorio em abril deste ano, e a dados divulgados pelo estado de Nova York no mesmo mês, conseguimos enxergar que o número dos profissionais de saúde brasileiros que tiveram resultado positivo para o vírus é relativamente alta. Entretanto, o nível de soroprevalência ainda não é alto o suficiente para prever que esses profissionais estejam imunes à covid-19 em curto prazo, grande parte deles ainda pode ficar doente”, afirmou Bozza, responsável pelo algoritmo e análise dos dados.

“Eles estão na linha de frente e, por isso, expostos à contaminação. Faz parte da nossa iniciativa entregar inteligência, através de dados, para governo e população com o objetivo de auxiliar no enfrentamento ao vírus. Dessa maneira é de extrema importância que as pessoas continuem baixando o aplicativo e preenchendo a autoavaliação, para fornecer ainda mais dados populacionais”, avaliou o coordenador do projeto.

Acesso

Com 190 mil downloads feitos, o aplicativo Dados do Bem é gratuito e está aberto à população do Rio de Janeiro. Nele, o usuário preenche um cadastro e responde a um simples questionário de autoavaliação, com perguntas sobre sintomas associados à covid-19 e histórico de saúde. O anonimato de todos os participantes é preservado e as informações coletadas não serão utilizadas para fins lucrativos. Ao baixar o aplicativo, a pessoa concorda com o envolvimento voluntário no estudo.

Operação

O diretor executivo da Zook Smart Data, Rafael de Albuquerque disse que uma equipe multidisciplinar vai analisar os dados com olhar voltado para entender novos formatos de dados e analisar a covid-19 através de outras perspectivas. “O nosso objetivo é gerar inteligência de dados para auxiliar o combate à pandemia”.

Diagnóstico positivo

Caso tenha testado positivo, a pessoa receberá, por meio do aplicativo, orientações das autoridades públicas de saúde. Também será solicitado que ele informe até cinco pessoas com quem tenha tido maior contato para que sejam convidadas por SMS a realizar a autoavaliação e o teste com prioridade.

porCIPERJ

Vital Brazil e UFRJ testam soro para tratar covid-19

fonte: Agência Brasil

Pesquisadores do Instituto Vital Brazil e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão estudando um soro hiperimune que pode tratar a covid-19. Esse medicamento é do mesmo tipo daqueles usados contra a raiva e contra picada de animais peçonhentos.

O soro é feito a partir do plasma sanguíneo de cavalos. No caso dos soros antiveneno, o sangue equino produz agentes de defesa contra a toxina inoculada no corpo. A partir desse plasma com anticorpos, é criado o soro.

O mesmo processo é usado no soro contra a raiva, aplicado em pessoas que possivelmente tiveram contato com o vírus e que impede que o agente viral se manifeste no corpo do infectado.

No estudo contra o novo coronavírus, a UFRJ isolará e inativará o vírus, para que ele possa começar a ser inoculado em cavalos do Instituto Vital Brazil. O teste começa na próxima quarta-feira (27).

“Já vimos em muitas pesquisas realizadas pelo mundo em que o tratamento a partir do plasma de pessoas curadas da covid-19 teve efeito positivo no tratamento de infectados em estado grave. A ideia é fazer um experimento agora a partir do plasma de cavalos, para que possa ser produzido em grande escala”, afirma o presidente do instituto, Adilson Stolet.

Caso os resultados sejam promissores, daqui a quatro meses o soro poderá ser testado em humanos. Em seis meses, seria possível produzir o solo em grande escala. A capacidade do instituto é de produzir até 100 mil tratamentos por ano.

Outra pesquisa do Vital estuda anticorpos e DNA de lhamas. Com os dois estudos, é possível apostar no processo que der resultados mais rápidos.

porCIPERJ

Primeira vacina contra Covid-19 testada em humanos é segura e eficaz, mostra estudo

fonte: The NY Times

Um estudo publicado nesta sexta (22) na revista científica inglesa Lancet aponta resultados iniciais positivos da primeira vacina testada em humanos contra o novo coronavírus. A imunização experimental, desenvolvida pela empresa farmacêutica chinesa CanSino, tem um perfil de segurança adequado e estimula resposta do organismo contra a Covid-19, segundo a pesquisa.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores de vários laboratórios e incluiu 108 participantes com idades entre 18 e 60 anos. Aqueles que receberam uma dose única da vacina produziram células imunes chamadas células T dentro de duas semanas. Os anticorpos necessários para a imunidade atingiram o pico 28 dias após a inoculação.

“São dados promissores, mas são dados iniciais”, disse Daniel Barouch, diretor de pesquisa de vacinas no Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, que não esteve envolvido no trabalho. “Acima de tudo, eu diria que são boas notícias.”

O objetivo principal desse teste era verificar a segurança da imunização. A prova de sua eficácia exigirá testes em milhares, talvez centenas de milhares, de pessoas.

O desenvolvimento de uma vacina é considerado a melhor solução de longo prazo para terminar a pandemia e ajudar na reabertura dos países. Cerca de cem equipes ao redor do mundo correm para testar as vacinas candidatas a solucionar o problema.

Essa semana foi marcada por anúncios relacionados a vacinas. Versões desenvolvidas por diversas empresas, como Pfizer e BioNTech, também já começaram a ser testadas em humanos. A autoridade de saúde americana afirmou, na quinta (21), que daria cerca de US$ 1,2 bilhão para a empresa AstraZeneca desenvolver uma potencial vacina.

Na segunda-feira, a farmacêutica Moderna, em Cambridge, Massachusetts, nos EUA, anunciou que sua vacina de RNA aparentava ser segura e eficaz. A substância, porém, só foi testada em oito pessoas. Na quarta, pesquisadores de Boston afirmaram que protótipo de vacina protegeu macacos contra a infecção pelo novo coronavírus.

Os testes foram feitos em 108 pacientes não contaminados com a Covid-19, entre 16 e 27 de março, em um único centro em Wuhan, na província de Hubei, o primeiro local a ser atingido pela pandemia.

A CanSino está apostando num patógeno modificado, do grupo dos adenovírus, como vetor. O adenovírus geneticamente modificado carregará o material genético que contém o código para a produção da proteína S, mais ou menos como no caso da vacina americana de RNA. A diferença é que os vírus conseguem “entregar” ativamente a informação genética da imunização, o que, em tese, pode ser mais eficiente do que o material genético “solto”. Por outro lado, pode haver mais riscos de efeitos colaterais.

No entanto, muitas pessoas já foram expostas ao coronavírus, o que levanta a preocupação de que presença de anticorpos atrapalhe o funcionamento amplo da imunização contra a Covid-19. Cerca de metade dos participantes do estudo tinha anticorpos poderosos para o adenovírus Ad5 antes de receberem a vacina.

Os pesquisadores na China descobriram que as pessoas que tinham anticorpos Ad5 eram menos propensas a desenvolver uma forte resposta imune à vacina.

“Isso pode limitar o uso dessa vacina”, disse Peter Hotez, pesquisador da Escola Nacional de Medicina Tropical da Baylor College of Medicine. “Se você está comparando vacinas, as adenovírus até agora parecem estar na extremidade inferior do espectro.”

Outras equipes se voltaram para os adenovírus para desenvolver vacinas contra o coronavírus, mas estão usando cepas menos comuns, ou até de animais, para contornar esse problema.

Apenas um subconjunto de pessoas no novo estudo produziu anticorpos neutralizantes para o coronavírus, os tipos de moléculas necessárias para a imunidade. Outras vacinas candidatas relataram melhores resultados nos níveis de anticorpos neutralizantes.

Pessoas entre 45 e 60 anos de idade também produziram respostas imunológicas mais fracas após a vacinação do que os participantes mais jovens. As respostas podem ser ainda mais fracas entre as pessoas com mais de 60 anos, uma população que tem maior risco de ter Covid-19 grave.

Os resultados são baseados em dados de um curto período e não está claro quanto tempo a proteção da vacina pode durar.

Os pesquisadores testaram três doses e disseram que a dose mais alta parecia ser a mais eficaz. Essa resposta à dose é encorajadora, disseram especialistas. Mas as pessoas que receberam a dose mais alta também experimentaram mais efeitos colaterais.

Cerca de 80% dos participantes relataram pelo menos um efeito colateral, todos esperados com uma vacina viral, disseram especialistas. Além da dor no local da injeção, quase a metade dos participantes relatou febre, fadiga e dores de cabeça, e cerca de um em cada cinco apresentou dores musculares.

Especialistas elogiaram os pesquisadores por publicarem todos os seus dados para que outros especialistas possam revisar os resultados. “O que esperamos é que não haja uma vacina, mas várias vacinas que serão aprovadas”, disse Barouch. “O mundo precisa de várias vacinas.”