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porCIPERJ

CREMERJ se reúne com ministro da Saúde para tratar da portaria 639

fonte: CREMERJ

O CREMERJ se reuniu nesta segunda-feira, dia 6, no Ministério da Saúde com o ministro Mandetta e sua equipe em Brasília. Estiveram presentes pelo CREMERJ, o Presidente Sylvio Provenzano e os conselheiros federais Raphael Câmara e Luís Guilherme. O tema foi a portaria 639, que convoca os médicos do Brasil para cadastro e treinamento. Conversamos também sobre diversos aspectos da pandemia e passamos a situação do estado do Rio de Janeiro.

Saímos de lá, com um documento oficial, que garante que este cadastro é somente para treinamento dos médicos e que não terá qualquer ação coercitiva de recrutamento. O treinamento é muito importante para os médicos estarem aptos a lidar com os casos suspeitos e confirmados. Confiamos na palavra do Ministério. O CREMERJ continuará fazendo seu papel de proteger os médicos e a sociedade.

Os médicos brasileiros estão combatendo no front desde o início na maior guerra sanitária da história recente do Brasil, muitas vezes sem equipamentos de proteção e sem estrutura. E iremos até o final. Mas, é preciso que qualquer convocação para o trabalho respeite o estado democrático de direito, garantindo direitos trabalhistas e equipamentos de proteção, além de preservar a vida dos médicos idosos e com morbidades sérias. Se nós tombarmos, todos cairão juntos.

Abaixo, a carta da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

Aos Profissionais da Saúde.

Devido à decretação do estado de emergência de saúde pública de importância nacional decorrente da infecção humana pelo novo coronavírus e cumprindo o seu papel de capacitar profissionais de saúde nos protocolos clínicos para o enfrentamento à doença, o Ministério da Saúde publicou, em 31 de março de 2020, a Portaria 639.

A portaria prevê um cadastro como instrumento de consulta para ajudar no planejamento dos gestores da saúde frente às suas realidades locais de enfrentamento à propagação do coronavírus e a atualização necessária dos profissionais.

Esclarecemos que a referida portaria não tem caráter coercitivo e nem condiciona o recrutamento obrigatório de qualquer profissional da saúde para o exercício de suas funções. Os profissionais que não desejarem acessar o curso oferecido sujeitam-se apenas aos riscos decorrentes do desconhecimento do manejo clínico adequado da doença e de como proteger a si mesmo e aos pacientes.

Atenciosamente,

Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde

Ministério da Saúde

porCIPERJ

CREMERJ entra com medida jurídica contra Ministério da Saúde em razão de Portaria 639

fonte: CREMERJ

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE editou, em 31 de março de 2020, a Portaria n 639 que dispõe sobre a Ação Estratégica “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde”, voltada à capacitação e ao cadastramento de profissionais da área de saúde, para o enfrentamento à pandemia do coronavírus (COVID-19).

Dentre as medidas estabelecidas pela Portaria, consta determinação para que o CREMERJ envie ao Ministério da Saúde os dados dos Médicos; e a obrigatoriedade de se comunicar aos seus profissionais registrados que realizem o preenchimento dos formulários eletrônicos de cadastramento disponibilizados pelo Ministério da Saúde, por meio do endereço eletrônico.

O CREMERJ, na data de hoje, insurgiu-se contra tal medida, enviando ofício ao Ministério da Saúde e ao Ministério Público, uma vez que acredita que o artigo 7, da Lei 13.979/2020 não é um cheque em branco na mão do Ministério.

A Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial da Saúde em 30 de janeiro de 2020, em decorrência da Infecção Humana pelo novo coronavírus (COVID-19) e a declaração de Emergência em Saúde Pública de importância Nacional (ESPIN) em decorrência da Infecção Humana pelo novo coronavírus (COVID-19), declarada por meio da Portaria no 188/GM/MS, de 3 de fevereiro de 2020; não podem se sobrepor ao direito Constitucional do Cidadão e dos Médicos.

O artigo 5, da Constituição da República afirma que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

Não faltam médicos no país e nos dando equipamentos de proteção obrigatórios, boas condições de trabalho e segurança trabalhista não nos furtaremos a atuar juntos com o Ministério da Saúde para debelar a pandemia. O que é inaceitável é o gestor se aproveitar deste momento para mais uma vez achincalhar a classe médica. Que se aproveite este momento para fazer a carreira de estado médica dando segurança trabalhista para arriscarmos nossas vidas para que não sejamos chutados após adoecermos ou nossos familiares fiquem sem proteção após nossa morte atuando sem equipamentos de proteção.

Acesse a portaria clicando aqui

porCIPERJ

Fiocruz indica desaceleração em casos de síndrome respiratória aguda

fonte: Agência Brasil

Novos dados do sistema InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que o ritmo de aumento nos casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) pode ter desacelerado na última semana. Essa síndrome pode ser causada por diversos vírus como o novo coronavírus (covid-19) e a influenza.

O InfoGripe apresentou, no período de 22 a 28 de março, desaceleração na taxa de crescimento do número de casos da SRAG no Brasil, ainda que a quantidade continue muito elevada, bem acima do padrão histórico. Na semana epidemiológica de 22 a 28 de março, os casos estimados da síndrome foram de 5.992, aumento de 7% em relação à semana epidemiológica anterior, de 15 a 21 de março, com 5.624 casos.

Segundo o pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz, Marcelo Gomes, que coordena o InfoGripe, as duas semanas epidemiológicas anteriores tinham apresentado crescimento expressivo no número estimados de casos de SRAG, com aumentos de 122% e 162%, respectivamente.

Desaceleração

Gomes diz que os dados sugerem desaceleração no número de casos da síndrome respiratória que tanto podem ser reflexo das medidas de isolamento social, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotadas pelos estados brasileiros em meados de março, quanto do atraso na atualização das notificações nos bancos de dados que abastecem o InfoGripe pelas equipes nas unidades básicas de saúde.

“Neste momento, a gente não pode afirmar que é exclusivamente em função das medidas de isolamento social que houve essa desaceleração. Pode ser isto. Mas pode ser também o atraso maior na inserção de dados. E pode ser a combinação desses dois fatores”, disse Gomes.

O coordenador do InfoGripe ressalta que as medidas de isolamento não podem ser afrouxadas neste momento. “Ainda estamos em uma situação preocupante. Temos que continuar as adesões massivas ao isolamento social”.

Segundo a Fiocruz, houve também uma mudança no perfil etário dos casos registrados, que nos anos anteriores costumava ser de predominância de crianças com menos de 2 anos, passando agora para indivíduos de mais de 60 anos, uma faixa que está associada a casos mais graves do novo coronavírus. Segundo o coordenador do InfoGripe, essa mudança pode estar relacionada à covid-19.

porCIPERJ

Saúde prevê sobrevida de 35 dias de estoque de máscaras e luvas a profissionais de saúde

fonte: Folha de SP

Em meio ao aumento crescente de casos do novo coronavírus, o Ministério da Saúde prevê que o estoque atual no país de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, tenha uma sobrevida de apenas 35 dias.

O valor considera o envio de 40 milhões de itens que foram distribuídos aos estados nesta semana e o montante que já existia nos estoques próprios das secretarias de saúde.

De acordo com o ministério, o valor já distribuído aos estados e municípios “é suficiente para os estoques locais por cerca de 20 dias, além daquilo que os gestores já possuíam”.

O valor, no entanto, pode variar conforme a região e a pressão sobre a rede de saúde.

Na prática, a situação expressa a corrida vivida pelo SUS em busca de equipamentos.

Nesta semana, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, informou que parte das compras previstas de materiais para uso por profissionais de saúde havia “caído” após aquisição em massa dos Estados Unidos à China.

De acordo com a pasta, cancelamentos de entregas por fornecedores também tem sido frequentes, levando o ministério a recorrer até o quinto fornecedor da lista.

O ministério diz ter fechado uma compra de cerca de 200 milhões de máscaras. A previsão é que o material seja entregue até início de maio, o que garantiria estoques por 60 dias.

Mandetta, porém, tem dito que problemas anteriores nas compras geram insegurança na entrega.

“Só acredito na hora que estiver dentro do país e na minha mão. Tenho contrato, documento e dinheiro. Às vezes o colapso é quando tem dinheiro e não tem o produto. O mundo inteiro também quer. Tem problema de demanda hiperaquecida”, disse na quarta-feira.

Além das 200 milhões de máscaras, a pasta diz que pretendia finalizar nesta sexta a aquisição de mais 150 milhões de outros equipamentos de proteção, como álcool gel, capote, luva e óculos.

Questionado, o ministério não informou se a compra foi fechada. Recentemente, a pasta passou a estimular secretarias de saúde que também voltem a tentar adquirir produtos por conta própria, ao contrário de orientações anteriores.

A dificuldade na aquisição de equipamentos preocupa, diz Mauro Junqueira, secretário-executivodo Conasems, conselho que reúne secretários municipais de saúde. Ele diz não ter uma estimativa exata da duração, mas confirma os baixos estoques.

“Tem município que me ligou há duas semanas e disse que só tinha estoque para mais 30 dias. Passou 15 e não estavam conseguindo comprar”, afirma. “Vemos também estados segurando equipamentos para poder sobreviver.”

Um dos principais motivos para essa crise é o fato de boa parte da produção ser concentrada na China, país que teve a produção afetada pela crise do coronavírus. Outro foi a corrida atrás desses itens.
“Pagávamos há 40 dias uma máscara a R$ 0,04. Agora, já está sendo vendida a R$ 3 ou R$ 4”, diz Junqueira.

Para ele, com o retorno da produção pela China, a previsão é que a produção se regularize nos próximos meses. O problema é que a maior demanda por ocorrer antes disso.

“Vemos retenção sobre produção global de máscara. Estamos dialogando com os países para ter o mínimo de racionalidade e acharmos um equilíbrio”, disse Mandetta em coletiva de imprensa nesta sexta.

Segundo o ministro, medidas de distanciamento social têm ajudado a dar tempo para organização da rede enquanto ministério, estados e municípios tentam organizar os estoques.

“Não deixem o sistema entrar em espiral até estar preparado para atender”, afirmou.

Em Campinas, o secretário de saúde Cármino de Souza diz que, em meio aos baixos estoques, conseguiu adquirir EPIs no mercado nacional. A previsão é que o material dure três semanas, afirma.

Ele diz aguardar, agora, o recebimento de estoques extras enviados pelo ministério, ainda não recebidos.

Segundo ele, a compra feita pelo município teve dificuldade nos contratos e, no fim, acabou saindo por preços mais altos do que o esperado.

“Estamos comprando, mas dentro de uma dificuldade enorme, e num cenário de canibalismo, de especulação. Uma máscara eu comprei por R$ 3.”

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Ministério da Saúde estenderá uso de cloroquina a pacientes graves

fonte: Folha de SP

Mesmo sem estudos conclusivos, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta sexta-feira (3) que o governo vai recomendar a ampliação do uso de cloroquina em pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.

Segundo Mandetta, a recomendação de uso também será estendida para pacientes com quadro grave —antes, valia apenas para aqueles com quadro considerado crítico, internados em CTIs (centros de tratamento intensivo).

A mudança na recomendação ocorre após a pasta ter acesso a um estudo preliminar sobre os efeitos da cloroquina —remédio indicado para tratamento de malária, lupus e artrite— em pacientes com Covid-19. O material foi encaminhado à publicação na revista New England Journal of Medicine.

Na quinta, o ministro disse que o estudo apontava que a “ciência começava a achar um caminho”.

“A gente divide os pacientes em formas leves, graves e críticos. Nós estávamos adotando para os críticos. Vamos adotar também para os graves, que são aqueles que vão para o hospital, mas ainda não necessitando de CTI, mesmo que as evidências sejam frágeis, para que os médicos tenham a opção na farmacopeia pública.”

Segundo Mandetta, a decisão ocorreu após análise da pasta com médicos sobre o tema na noite de quinta-feira (2).

A possibilidade de uso da cloroquina vem sendo defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, que chegou a se reunir com médicos nesta semana em busca de informações sobre o medicamento. O ministro da Saúde não foi convidado para o encontro.

Em entrevistas, Mandetta costuma afirmar que o medicamento não é uma panaceia e que o uso em pacientes com quadro crítico e internados com Covid-19 ocorrerá de forma experimental.

Ele também tem alertado sobre os riscos, como arritmia, em caso de uso do medicamento sem indicação e acompanhamento médico.

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Paciente com doença crônica tem expressão aumentada de gene que facilita infecção pelo coronavírus

fonte: Folha de SP

Estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) pode ajudar a entender por que o índice de mortalidade pela Covid-19 é maior entre pessoas que sofrem com problemas crônicos de saúde, como hipertensão, diabetes ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Segundo as conclusões, divulgadas na plataforma medRxiv, alterações no metabolismo causadas por essas doenças podem desencadear uma série de eventos bioquímicos que levam a um aumento na expressão do gene ACE-2, responsável por codificar uma proteína à qual o vírus se conecta para infectar as células pulmonares.

“Nossa hipótese é que o aumento na expressão de ACE-2 e de outros genes facilitadores da infecção —entre eles TMPRSS2 e FURIN— faz com que esses pacientes tenham uma quantidade maior de células afetadas pelo vírus Sars-CoV-2 e, consequentemente, um quadro mais severo da doença. Mas é algo que ainda precisa ser confirmado por estudos experimentais”, afirma Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF-USP) e coordenador da pesquisa, apoiada pela Fapesp.

Os achados, segundo o pesquisador, podem ajudar na identificação de alvos moleculares para um futuro desenvolvimento de fármacos.

Como explica Nakaya, o gene ACE-2 (ECA-2 em português) expressa o RNA mensageiro que orienta a produção da enzima conversora de angiotensina 2 —molécula que integra o chamado sistema renina-angiotensina-aldosterona, responsável pelo controle da pressão arterial.

“Depois do surto de Sars [síndrome respiratória aguda grave] em 2003, cientistas descobriram que o gene ACE-2 era crucial para a entrada do vírus [Sars-CoV] nas células humanas. Agora, o mesmo foi observado em relação ao novo coronavírus. Por esse motivo, decidimos investigar se sua expressão estava alterada em portadores de doenças crônicas”, conta o pesquisador, que também integra a equipe do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fapesp na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).

FERRAMENTAS DE BIOINFORMÁTICA

O primeiro passo da investigação foi buscar na base de dados da Medline —que abrange quase 5 mil revistas publicadas em mais de 70 países e é mantida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos— todos os artigos científicos relacionados às doenças consideradas de interesse pelo grupo, entre elas hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, DPOC, câncer de pulmão, insuficiência renal crônica, doenças autoimune, fibrose pulmonar, asma e hipertensão pulmonar.

“Identificamos 8,7 mil artigos e, como seria inviável ler todos eles, usamos uma ferramenta de mineração de texto para filtrar apenas os que continham informações sobre os genes envolvidos nessas doenças. Chegamos a um conjunto de genes entre os quais estava ACE-2”, diz Nakaya à Agência Fapesp.

Em seguida, os pesquisadores reanalisaram dados transcritômicos (relativos ao nível de RNA expresso pelos mais de 25 mil genes humanos) em mais de 700 amostras de pulmão disponíveis em repositórios públicos, como o Gene Expression Omnibus (GEO).

“São dados de livre acesso coletados em estudos anteriores. O que fizemos foi comparar o perfil de expressão gênica de portadores de doenças crônicas que afetam o pulmão com o de pessoas saudáveis, que serviram como controle. Comparamos, inclusive, o perfil de fumantes e de não fumantes”, explica Nakaya. “A ideia foi olhar o pulmão de pessoas que não estavam infectadas pelo novo coronavírus, mas que tinham doenças que as tornavam mais suscetíveis a manifestações severas de Covid-19 para tentar entender o que havia de diferente.”

De acordo com Nakaya, a meta-análise revelou que a expressão de ACE-2 estava, de fato, significativamente aumentada nas doenças.

O passo seguinte foi descobrir quais outros genes possuíam perfis de expressão similares ou inversos ao de ACE-2.

“Esse tipo de análise de correlação ajuda a orientar as hipóteses, embora não permita estabelecer uma relação de causalidade. Assim, em vez de olhar para 500 genes, podemos nos concentrar em oito cuja expressão está correlacionada com aquele de interesse e, no futuro, fazer experimentos para descobrir o que acontece quando são inibidos ou estimulados”, explica Nakaya.

O grupo então percebeu que nas amostras com expressão aumentada de ACE-2 também estavam mais expressas algumas enzimas capazes de modificar o funcionamento de proteínas conhecidas como histonas, que ficam no núcleo das células —ligadas ao DNA— e ajudam a regular a expressão gênica. No jargão científico, esse fenômeno bioquímico é conhecido como modificação epigenética (quando ocorre mudança no padrão de expressão do gene sem qualquer alteração no DNA).

“Nossos achados sugerem que essas doenças crônicas mudam —ainda não se sabe ao certo como— o programa epigenético do organismo, tornando essas enzimas mais ativas e, consequentemente, aumentando a expressão de ACE-2 e favorecendo a infecção das células pulmonares pelo Sars-CoV-2”, diz Nakaya.

A descoberta, segundo o pesquisador, abre caminho para a busca de compostos capazes de inibir a atividade de algumas dessas enzimas modificadoras de histonas, o que poderia modular a expressão de ACE-2 e, desse modo, proteger o pulmão dos pacientes.

O artigo ACE2 Expression is Increased in the Lungs of Patients with Comorbidities Associated with Severe COVID-19 —ainda em versão pré-print (não revisada por pares)— pode ser lido em:

//www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.03.21.20040261v1.

porCIPERJ

Tempestade celular pode explicar mortes por coronavírus

fonte: Folha de SP

Descrições sobre como sucumbem vítimas do coronavírus são pavorosas: a pessoa morre afogada nas próprias secreções. A grande responsável por essa agonia parece ser uma tempestade celular que rompe as comportas do sistema imune, inunda o pulmão e sufoca o doente.

“Tempestade” é uma metáfora, mas não da coluna, nem surgiu com a Covid-19. A expressão “tempestade de citocinas” aparece na literatura médica –e agora no jornal The New York Times­– como explicação para síndromes respiratórias graves e agudas que tantas mortes causaram nas epidemias de H1N1, Sars e Mers.

Pouca gente se lembrará das aulas de biologia que mencionaram as citocinas, se é que elas aconteceram. Essas proteínas compõem o batalhão de resposta rápida do corpo ao primeiro sinal de infecção, seja o vírus Sars-CoV-2, seja outro agente patogênico.

Assim que o CoV-2 invade células do pulmão para se reproduzir, estas começam a produzir citocinas. O alarme disparado prepara a reação do corpo e recruta até o local células do sistema de defesa capazes de combater a proliferação de partículas virais.

Atendendo ao chamado pró-inflamatório das citocinas, o coração bate mais rápido, a temperatura aumenta, os vasos capilares se dilatam. Tudo para facilitar o acesso dos soldados do sistema imune, como macrófagos, ao local sob ataque –no caso, os alvéolos pulmonares.

Em seguida vem, ou deveria vir, uma segunda onda da complexa cascata imunológica. Outras citocinas entram em ação para evitar uma mobilização exagerada da tropa e um bombardeio que possa causar mais dano que benefício ao pulmão, já sitiado pelos coronavírus, e provocar danos colaterais a outros órgãos.

Sem essa sintonia fina da reação inflamatória para impedir o fogo amigo, macrófagos e fluidos começam a se acumular nos alvéolos, obstruindo-os até a insuficiência respiratória. Nos casos mais graves de Covid-19, acreditam alguns especialistas, essa seria a causa principal da morte.

Não se sabe ainda a origem dessa incapacidade para lançar a segunda onda moduladora do sistema imune. Pode ser uma questão de variação genética entre indivíduos, ou enfraquecimento por doenças e fraquezas anteriores (as tais comorbidades).

Uma boa notícia: a hipótese da tempestade de citocinas incluiu no rol de possíveis terapias medicamentos que atuam para controlar ou amenizar a resposta imunológica.

Um deles é o anticorpo monoclonal tocilizumabe, que modula citocinas e é normalmente prescrito para tratar artrite. O remédio foi aprovado em março para testes clínicos contra Covid-19, na China e nos EUA, mas eventuais resultados não virão antes de três ou quatro meses.

Outros anti-inflamatórios, como os corticosteroides, também estão nessa lista de candidatos a terapia contra o coronavírus. Nela figura ainda a famigerada hidroxicloroquina, que tem conhecida ação antiviral e também atenua a inflamação, ou seja, poderia em princípio desferir um golpe duplo na Covid-19.

Em princípio, veja bem. A confirmação disso depende de ensaios clínicos controlados com centenas de pacientes, para a ciência ganhar certeza de que trará mais benefícios que danos aos enfermos.

Não é para ninguém sair comprando, estocando ou tomando hidroxicloroquina. Quem faz propaganda da droga normalmente usada contra malária só vai conseguir fazer com que ela suma das prateleiras e falte para quem faz uso contínuo do remédio.

porCIPERJ

Brasil vai testar uso de sangue de pacientes curados

fonte: O Globo

Um consórcio formado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês e a Universidade de São Paulo (USP) começará testes clínicos parau sodo sangue de pacientes que já se recuperaram do coronavírus em doentes graves da doença. São estudos ainda incipientes e em fase inicial em outros países, mas espera-seque o plasma( parte líquida do sangue, carregada de anticorpos e proteínas) de pessoas curadas possa reduzira gravidade em hospitalizados e acelerar o combate à doença.

Os testes foram autorizados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) no sábado. Nesta semana, os especialistas vão começar afazer a triagem de potenciais doadores no Brasil. O protocolo inclui vários critérios, e nem todos os pacientes recuperados são considerados aptos. Mas não podem apresentar mais os sintomas e devem ter comprovação laboratorial de que tiveram a doença eque apresentamos chamados anticorpos neutralizantes, moléculas específicas que podem combater a infecção da Covid-19.

— Acreditamos que, se a terapia funcionar dentro do que esperamos, ela possa ser útil para alguns pacientes e fornecer os anticorpos necessários para aqueles que ainda não os têm em níveis capazes de protegê-los, levando o paciente a uma melhora dos sintomas e à diminuição do vírus no organismo —explica Luiz Vicente Rizzo, diretor-superintendente de Pesquisa do Einstein.

ANVISA PEDE CAUTELA

A expectativa, afirma,é queno futuro a terapia evite que um grande número de pessoas vá para a UT I, eque ajude a diminuir o número de pacientes necessitados de suporte respiratório durante a internação. A fase de triagem de doadores deve durar até três semanas.

A pesquisa é baseada em experiências com outras patologias. Há mais de cem anos, pesquisadores identificaram que a transfusão de plasma de pacientes recuperados poderia ajudar na recuperação de infectados de gripe espanhola.

—Em teoria, tem tudo para funcionar — diz o diretor do Instituto do Cérebro, Paulo Niemeyer. — Embora com menor rigor científico e com uma medicina de menos recursos, os trabalhos da época indicavam uma redução de quase 50% da mortalidade. Há uma porcentagem grande de pacientes morrendo porque não respondem a nenhum remédio. Isso deve ser tentado.

No Rio, o Hemorio aguarda autorização para iniciar estudos clínicos.

Mais recentemente, testes com plasma de pacientes curados foram realizados em casos de ebola, influenza, Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

—É um conceito denominado transferência passiva de imunidade e, como a pesquisa parte da hipótese de que irá prover anticorpos para o paciente que não apresenta resposta imunológica, acreditamos que a recuperação seja rápida —conta Rizzo.

Testes promissores já foram realizados com pacientes graves de coronavírus na China. Os EUA tiveram aprovação da FDA, a agência reguladora americana, e iniciaram estudos clínicos nessa linha. França e Reino Unido também.

—Relatos na China mostraram que alguns pacientes se beneficiaram dessa terapia. Mas ainda faltam controles bem estabelecidos aqui, e não podemos garantir que vai funcionar. É uma experiência.

Mas baseada em experiências prévias positivas —diz Silvano Wendel Neto, diretor do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês.

Entre os desafios, está o de encontrar indivíduos que tenham anticorpos neutralizantes para o coronavírus em grande quantidade.

— É uma seleção extremamente criteriosa — explica Wendel.—E uma pesquisa endereçada, neste momento, a pacientes graves, já entubados ou próximos a ser entubados. São os que merecem maior atenção. O objetivo é de certa forma encurtar ou mitigara gravidade desses pacientes. Aí teremos um benefício.

Acautelados médicos se devea vários motivos. Um dele sé que ainda não se sabe se a pesquisa trará solução para todos os pacientes. Em nota sexta, a Anvisa chamou a atenção para que “os resultados derivam, em geral, de estudos não controlados”. A agência ponderou que, embora promissor, “o tamanho limitado das amostras e o desenho dos estudos impedem a comprovação definitiva sobre a eficácia potencial desse tratamento, requerendo avaliação mais aprofundada na forma de ensaios clínicos”.

Outra preocupação é evitar um furor como o causado pela expectativa deu soda cloroquina contra o coronavírus.

porCIPERJ

Fiocruz inicia esforço mundial na busca de medicamento eficaz para coronavírus

fonte: FAPERJ

O primeiro paciente infectado pelo coronavírus foi incluído pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no último dia 31 de março no ensaio clínico Solidariedade (Solidarity), lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 23 de março, com o objetivo de investigar a eficácia de quatro tratamentos para a Covid-19. O projeto é um esforço mundial, coordenado no Brasil pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), e incluirá a pesquisa em 18 hospitais de 12 estados brasileiros, com o apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.

A inclusão do paciente infectado foi realizada pelo vice-diretor de Serviços Clínicos do INI e principal pesquisador do estudo no Brasil, Estevão Portela Nunes. O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) fornecerá parte dos medicamentos utilizados no teste. A pesquisa incluirá somente pacientes hospitalizados, para oferecer tratamento para os quadros mais graves. De início serão testados a cloroquina, o remdesivir, a combinação liponavir e ritonavir, isolado ou combinado ao interferon beta 1a. O ensaio clínico tem quatro linhas de tratamento definidas, mas uma das premissas é que seja adaptável, ou seja, caso surjam novas evidências as linhas possam ser adequadas, com descontinuação de drogas que se mostrem ineficazes e incorporação de medicamentos que venham a se mostrar promissores. Uma comissão central terá acesso a todos os dados e fará análises durante todo o processo, evitando que os pacientes sejam expostos a drogas ineficazes ou com toxicidade elevada.

A meta do Solidariedade é alcançar o maior número de pacientes no tempo mais curto possível, num momento em que todos estão dedicados a cuidar de pacientes graves internados. As ações do Solidariedade serão realizadas no Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19, que auxiliará os governos estadual e municipal no combate à doença. A unidade hospitalar de montagem rápida terá 200 leitos exclusivos de tratamento intensivo e semi-intensivo de pacientes graves infectados pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).