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porCIPERJ

Inscrições de chapas para eleição da CIPERJ podem ser feitas até o dia 15, terça-feira

Expira na terça-feira, dia 15, o prazo para a inscrição de chapas para a eleição da nova diretoria da CIPERJ (gestão 2020/2022). Os interessados devem enviar os dados para contato@ciperj.org.

A Associação de Cirurgia Pediátrica do Estado do Rio de Janeiro realizará no dia 30 de setembro, quarta-feira, Assembleia Geral Ordinária que irá eleger a diretoria da CIPERJ para o biênio 2020/2022.

A AGO terá primeira chamada às 19h e acontecerá no auditório Charles Damian, no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, situado na Praia de Botafogo, 228, loja B, Botafogo.

CONFIRA O EDITAL DE ELEIÇÃO

porCIPERJ

Soperj realiza evento online nesta quarta-feira sobre crianças em condições crônico complexas em UTIs

A Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ) faz nesta quarta-feira, dia 9, às 19h, uma Live! sobre Desafios das crianças em condições crônico complexas nas unidades intensivas pediátricas.

ACESSE O EVENTO

porCIPERJ

208 alterações são realizadas na CBHPM

fonte: AMB

A publicação de duas Resoluções Normativas da Comissão Nacional de Honorários Médicos e Sociedades de Especialidade (CNHM Nº 047/2020 e CNHM Nº 048/2020), publicadas em 03 e 04/09/2020, contemplam 208 alterações, sendo mais de 170 em portes de procedimentos e portes de procedimentos anestésicos.

Com o objetivo de atender à necessária dinâmica da prática médica, a CBHPM é revista continuamente e as alterações são aprovadas pela Câmara Técnica Permanente da CBHPM que conta com a com a participação e de todas as Sociedades de Especialidade, de participantes do Sistema de Saúde Suplementar, da Agência Reguladora e das entidades médicas.

Para acessar essa e outras resoluções da CBHPM: //amb.org.br/cbhpm/

porCIPERJ

Fundação Saúde começa a assumir unidades hospitalares do estado do Rio

fonte: Agência Brasil

A Fundação Saúde, entidade vinculada à Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro, vai começar a assumir a administração das unidades de pronto atendimento (UPAs) e dos hospitais do estado no lugar das organizações sociais (OSs).

Segundo o cronograma de substituição das OSs apresentado pelo secretário estadual de Saúde, Alex Bousquet, a partir do dia 28 deste mês, a Fundação Saúde assumirá a gestão do Hospital Estadual Alberto Torres, do Complexo João Cáffaro e da UPA Colubandê, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. A partir de dezembro, a fundação vai administrar o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio.

Bousquet informou que a entidade também será a gestora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) na cidade do Rio a partir deste mês. “Essa transição já está sendo realizada.”

Para o secretário, o modelo de gestão na saúde por meio de organizações sociais adotado há mais de 10 anos se esgotou. “A secretaria está adotando um novo modelo de gestão que vai dar transparência, eficiência na prestação de serviços e eficiência financeira para o estado do Rio.”

Bousquet disse que a pasta está reorganizando a Fundação Saúde para que a entidade possa assumir a administração de mais unidades hospitalares estaduais e destacou que alguns contratos com OSs ainda precisarão ser mantidos para que não haja interrupção de serviços. Ele citou o exemplo do Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda, cujo contrato de gestão termina neste mês, mas um novo edital vai escolher outra OS para administrar a unidade.

“Não temos braço operacional para fazer a transferência de todas as estruturas simultaneamente para a Fundação Estadual de Saúde. Temos que ter esse cuidado. Não pode haver descontinuidade de serviços”, afirmou o secretário.

Ele explicou que a Fundação Saúde terá autonomia administrativa e orçamentária para gerir os contratos de gestão como a forma de contratação dos profissionais das unidades e que os contratos serão fiscalizados pela pasta.

Denúncias de corrupção

A crise na saúde no estado desencadeada com as suspeitas de corrupção em contratos do governo culminou com o afastamento do governador Wilson Witzel e a prisão da cúpula da Secretaria estadual de Saúde na época da construção dos hospitais de campanha para atender os pacientes com covid-19.

Segundo o Ministério Público Federal, o principal mecanismo dos grupos era o direcionamento de licitações de organizações sociais e a cobrança de um percentual sobre pagamentos das empresas fornecedoras do estado, feito mensalmente a agentes políticos e servidores públicos da Secretaria de Saúde. Entre as operações suspeitas está a contratação da organização social Iabas para gerir os hospitais de campanha montados para atender pacientes da covid-19.

porCIPERJ

ARTIGO: Uma proposta de agenda para o SUS

fonte: Folha de SP

por Ricardo de Oliveira *

A pandemia da Covid-19 jogou uma luz forte sobre a importância do SUS na proteção à saúde da população e da necessidade do seu aperfeiçoamento. O desafio é complexo, mas o setor saúde tem profissionais e organizações qualificadas capazes de ajudar o país a superá-lo, conforme observamos no enfrentamento da atual pandemia.

Para superar esse desafio é necessário estabelecer uma agenda que oriente os debates sobre como melhorar a prestação de serviços do SUS.

Essa agenda deve contemplar as várias dimensões que impactam a prestação dos serviços de saúde, conforme abaixo relacionado:

  1. REORGANIZAÇÃO DO MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE

Essa agenda se impõe, especialmente pela atual transição demográfica que indica um envelhecimento da população e consequente predomínio das doenças crônicas. O novo modelo deve superar a atual fragmentação do sistema de saúde, de modo a promover maior articulação e coordenação entre os vários níveis de atenção (primária, ambulatorial especializada e hospitalar) e, assim, organizar melhor o fluxo dos usuários dentro do sistema. É necessário, também, promover os conceitos de vida saudável (alimentação e exercício físico), do auto cuidado e implantar as Redes de Atenção à Saúde. É fundamental o fortalecimento da atenção primária como porta de entrada nas redes de assistência e coordenadora do processo de atendimento. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) desenvolve dois importantes projetos para reorganizar o modelo de atenção à saúde: a planificação da atenção primária e da ambulatorial especializada.

  1. FINANCIAMENTO

Os aportes financeiros ao SUS são baixos, se comparados aos exemplos internacionais. O Brasil se encontra muito aquém do nível de gasto público necessário para financiar um sistema público e universal de saúde. O país tem um gasto público que corresponde a 47% do gasto total em saúde (público e privado), enquanto nos outros países, com sistema universal, está em torno de 70%. O nosso gasto público em saúde corresponde a 3,8% do PIB enquanto no Reino Unido é de 7,9%. No entanto, quando consideramos o gasto total, em relação ao PIB, constatamos que os nossos gastos são semelhantes aos desses países. O Brasil gasta 8,9% do PIB e o Reino Unido, considerado o melhor sistema público do mundo 9,9%.

  1. REGIONALIZAÇÃO

Um dos problemas que impactam a gestão do SUS é a excessiva municipalização dos serviços de saúde, sem que exista escala que viabilize a prestação desses serviços. A consequência é a pulverização de recursos, contribuindo para a ineficiência do sistema e prejudicando a qualidade do atendimento aos usuários do SUS. É preciso, portanto, desenvolver uma lógica política baseada em uma visão regional de assistência à saúde que promova cooperação entre os vários níveis de governo por região.

  1. REVISÃO DO MODELO DE GESTÃO

A revisão do modelo de gestão do SUS é importante para que possamos transformar os recursos disponíveis em serviços eficientes e de qualidade à população. Para tanto, o setor público de saúde deveria ter regras de gestão específicas por tratar de questões relacionadas com a qualidade e a manutenção da vida.

Relaciono a seguir, as questões que considero relevantes que interferem no ambiente de gestão do SUS:

– O atual marco regulatório administrativo e de controle do setor público que prioriza os processos ao invés dos resultados no atendimento.

– A atuação dos Tribunais de Contas e Ministérios Públicos que dificultam a formação de equipes técnicas e gerenciais em função de um temor generalizado em assinar documentos ou decidir sobre processos em andamento.

– Os sistemas de informação devem ser aprimorados, inclusive para viabilizar a implantação do cartão SUS e o prontuário eletrônico.

– As dificuldades na coordenação dos vários atores políticos e institucionais que fazem parte do sistema de governança do SUS. Além do sistema tripartite, temos o Judiciário, Tribunais de Contas, Ministérios Públicos, os Conselhos Profissionais, dentre outros.

– A cultura política marcada por práticas clientelistas, patrimonialistas e corporativas na relação do Estado com a sociedade que provoca ineficiências e favorece a corrupção. Essas práticas induzem à descontinuidade administrativa sobretudo pela falta de profissionalização nos órgãos públicos e a frequente troca de gestores.

  1. JUDICIALIZAÇÃO

O crescimento exponencial da judicialização da saúde é um fenômeno recente e tem sérias consequências na execução da política pública de saúde. Ela está criando outra porta de entrada no SUS, comprometendo a equidade no acesso aos serviços e mobilizando vultuosos recursos. Convém ressaltar que o acesso à justiça faz parte do Estado democrático de direito, porém, precisamos debater com urgência as razões do seu crescimento excessivo.

A justiça tem responsabilizado o gestor criando um clima que impacta fortemente o desempenho gerencial. Cada dia torna-se mais difícil selecionar profissionais para assumir cargos de chefia, uma vez que o risco de serem culpabilizados pessoalmente cresce com o aumento da judicialização. É necessário estabelecer, com urgência, um ambiente de segurança jurídica que afaste o risco dos profissionais serem responsabilizados pelas deficiências de atendimento na prestação de serviços de saúde por obrigações do Estado.

  1. COMPLEXO INDUSTRIAL, CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO DA SAÚDE

A pandemia do Covid-19 mostrou que o país possui uma boa infraestrutura de ciência e tecnologia e profissionais capacitados e, a necessidade de aumentar o investimento na área. Contudo, foi possível identificar deficiências que devem ser corrigidas. Precisamos, por exemplo, aumentar e qualificar nossa capacidade laboratorial e reduzir a dependência externa em relação a insumos de proteção individual dos profissionais (EPIs) e na produção de medicamentos. Essas demandas específicas e outras, podem alavancar o nosso parque industrial na internalização de tecnologias estratégicas para atender às necessidades da saúde. Uma das preocupações da política de saúde tem sido a relação com o setor produtivo para suprir as necessidades do país e deve ser fortalecida.

  1. PARCERIA COM O SETOR PRIVADO FILANTRÓPICO, ORGANIZAÇÕES SOCIAIS DE SAÚDE E EMPRESAS PRIVADAS

O SUS compra serviços e produtos de vários parceiros do setor privado, como as organizações filantrópicas, as organizações sociais de saúde e as empresas privadas, uma vez que não tem estrutura suficiente para prestação de todos os serviços, tampouco produz tudo que precisa. O funcionamento adequado dessas parcerias depende fundamentalmente da capacidade do poder público de selecionar bons fornecedores, fiscalizar a aplicação dos recursos e a qualidade do atendimento aos usuários.

Uma questão importante na política de saúde é estabelecer um diálogo com as operadoras de seguro saúde com objetivo de buscar acordo sobre sua área de atuação, financiamento e sua relação complementar com o SUS na prestação de serviços. A falta de uma visão consensuada tem gerado um conflito dentro do setor saúde que provoca ineficiências.

É preciso utilizar com eficiência todos os recursos disponíveis na área de saúde, público e privado, para atendimento à população, obedecendo os mandamentos constitucionais.

Por fim, é preciso construir uma unidade política com todos os atores envolvidos, tendo como objetivo defender os interesses dos usuários do SUS. É preciso reconhecer que o SUS é fruto de uma obra coletiva, que envolve toda a população e várias instituições, perpassa vários governos e, precisa de continuidade nas suas políticas, como forma de garantir o direito à saúde. Há uma frase muito utilizada pelo CONASS que sintetiza esse diagnóstico: “O SUS não é um problema sem solução, é uma solução com problemas”.

* Ricardo de Oliveira é engenheiro de produção, consultor em gestão pública e palestrante. Secretário Estadual de Gestão e Recursos Humanos do Espírito Santo, no período de 2005 a 2010 e Secretário Estadual de Saúde do ES de 2015 a 2018. Autor do livro Gestão Pública: Democracia e Eficiência, FGV/2012. 

porCIPERJ

SUS é única opção para quase 90% dos moradores do Norte e Nordeste, diz IBGE

fonte: Folha de SP

Pesquisa divulgada nesta sexta (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do sistema público de saúde para tratamento. São mais de 150 milhões de pessoas que não têm acesso a planos de saúde privados.

Os dados são de 2019 e não incluem eventuais efeitos da crise econômica gerada pela pandemia na capacidade dos brasileiros a pagar por saúde privada — apenas entre março e julho, 327 mil brasileiros ficaram sem plano de saúde, de acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde).

A Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE reforça ainda a existência de grandes desigualdades no acesso a planos privados, que são mais comuns no Sul e no Sudeste e entre pessoas brancas e com maior renda, e no uso da rede pública, mais concentrado na população de baixa renda.

De acordo com o 28,5% da população, ou 59,7 milhões de pessoas, possuíam algum tipo de plano de saúde médico ou odontológico no país em 2019. Considerando apenas a cobertura médica, são 26% da população, o que indica que 74% dependiam apenas da saúde pública.

No Norte e Nordeste, a proporção de pessoas sem planos de saúde médico chega perto de 90% —isto é, quase nove entre dez pessoas dependem do sistema público quando estão doentes. No Maranhão, apenas 5% da população tem plano de saúde médico. Em Roraima, são 7,4%.

Os responsáveis pelo estudo dizem que os dados mostram que havia “uma grande desigualdade” entre as grandes regiões e as unidades da federação. No Sudeste, por exemplo, 34,9% dos habitantes são cobertos por plano de saúde médico. Estado com maior cobertura, São Paulo tem 38,4%.

Na média nacional, 26% das pessoas tinham algum plano de saúde médico. Entre os brancos, o índice é duas vezes superior aos de pretos e pardos: 36,5% contra 18,4% e 17,6%, respectivamente. Dos três grupos, diz o IBGE, apenas os pardos mostraram evolução nesse indicador entre 2013 e 2019, com acréscimo de 1,4 ponto percentual.

O resultado reflete a desigualdade de renda entre brancos e negros no país. Dados divulgados em maio pelo IBGE mostra que, em 2019, a diferença de rendimento médio entre brancos e pretos atingiu o maior patamar desde 2016: enquanto os primeiros viviam com R$ 2.999 por mês, os últimos tiveram rendimento médio de R$ 1.673.

Para o IBGE, a diferença na cobertura de planos de saúde entre classes de rendimento apresenta “profundas desproporcionalidades”. “A gente viu que [o acesso a plano de saúde] está diretamente relacionado com o rendimento das pessoas”, disse a pesquisadora do IBGE, Maria Lúcia Vieira.

Na população com rendimento superior a cinco salários mínimos, 86,8% tinham plano de saúde médico e 32,8%, cobertura odontológica. Já entre aqueles com rendimento inferior a um quarto do salário mínimo, apenas 5,9% tinham o primeiro e 1,4%, o segundo.

“O plano de saúde é um serviço de luxo, um serviço caro. E, quando a gente tem o SUS [Serviço Único de Saúde], o plano não é prioridade na hora de fazer escolha”, afirmou Vieira.

Os resultados indicam ainda que, em 2019, a cobertura do plano de saúde odontológico era bem menos frequente do que a do tipo médico: 12,9% contra 26%”. “Mesmo nas faixas de rendimento mais elevadas, o plano de saúde odontológico foi adquirido por, aproximadamente, um terço das pessoas”. diz o estudo.

O IBGE mediu também a avaliação dos brasileiros sobre os planos de saúde. Entre aqueles que possuem cobertura, 77,4% consideraram o serviço bom ou muito bom. A região Nordeste traz o menor indicador de satisfação: 72%. Na outra, ponta, 80,4% os habitantes da região Sul se consideram satisfeitos.

“A diferença de 8,4 pontos percentuais pode sugerir diferenças na qualidade dos serviços prestados nessas duas grandes regiões, logo traduzidas na avaliação de seus clientes”, avaliam os responsáveis pelo estudo.

Das pessoas que tinham plano de saúde médico em 2019, 46,2% pagavam seus custos diretamente ao plano. Outros 30,9% arcavam parcialmente com os custos. Em 14,5% dos casos, o plano era custeado apenas pelo empregador.

Segundo o IBGE, a maior parcela das pessoas (46,8%) indicou a Unidade Básica de Saúde como o estabelecimento que costumava procurar ao precisar de atendimento de saúde. Consultório particular ou clínica privada foram indicados por 22,9% das pessoas, e as Unidades de Pronto Atendimento Público (UPAs), pronto socorro ou emergência de hospital público, por 14,1%.

A pesquisa detectou que 13,7 milhões de pessoas das pessoas, ou 6,6% da população, ficaram internadas em hospitais por 24 horas ou mais nos 12 meses anteriores à data da entrevista. A proporção de internação em hospitais foi maior entre as pessoas idosas, isto é, de 60 anos ou mais de idade (10,6%), e as mulheres (7,6%).

Entre as que ficaram internadas, 8,9 milhões recorreram ao SUS. A proporção de internação em hospitais do SUS foi maior entre os homens (65,4%), as pessoas jovens de 18 a 29 anos de idade (72,0%), bem como entre as pessoas pretas e pardas (75,9% e 73,6%, respectivamente).

“As disparidades são expressivas quando considerado o rendimento domiciliar per capita das pessoas que ficaram internadas em hospitais por 24 horas ou mais”, diz o instituto. “Esse indicador revela uma clara dependência das pessoas economicamente vulneráveis em relação ao SUS.”

Entre os brasileiro com rendimento de até um quarto do salário mínimo, 95% dos que se internaram o fizerma no sistema público de saúde. Já entre os com renda per capita superior a cinco salários mínimos, o número cai para 6,8%.

porCIPERJ

Pandemia elevou preços de medicamentos para os hospitais em até 92,6%

fonte: Folha de SP

A pandemia da Covid-19 levou a um aumento de até 92,6% nos preços dos medicamentos adquiridos pelos hospitais de março a julho deste ano.

Os dados são de uma pesquisa inédita realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) em parceria com a Bionexo. O instituto criou um índice para calcular o preço dos medicamentos hospitalares, o IPM-H (Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais).

Na avaliação geral, o aumento foi de 16,44% de março a julho. Isso porque a pesquisa, que levou em consideração mais de 1.500 tipos de medicamentos, avalia produtos tão distintos como remédios para dor de cabeça até aqueles que atuam em órgãos e sistemas diretamente afetados pelo coronavírus.

Os medicamentos que mais tiveram alta nesse período foram utilizados no tratamento de pacientes com Covid-19 para ajudar no sistema cardiovascular (+92,6%), sistema nervoso (+66%) e aparelho digestivo e metabolismo (+50,4%).

Outros remédios indiretamente usados no tratamento de pacientes, mas que tiveram aumento expressivo, foram aqueles para o sistema hormonal (+21,8%) e para músculos e ossos (+18,2%).

Para calcular o índice, os pesquisadores utilizaram a base de dados da empresa de soluções digitais em saúde Bionexo, cuja rede conta com mais de 20 mil fornecedores de medicamentos e suprimentos hospitalares no Brasil, Argentina, Colômbia e México.

Monitorando as transações realizadas entre hospitais e fornecedores nos últimos doze meses, os pesquisadores observaram um aumento no período de março a julho, justamente quando teve início e se agravou a pandemia da Covid-19 no país. Em todo o período, o aumento foi de 19,83%.

Observando mês a mês, os autores chegaram a um índice cujo uso pode ajudar a pautar decisões dos administradores de hospitais na compra de medicamentos, bem como repassar aos fornecedores qual a atual demanda para cada tipo de medicamento.

Para o coordenador de pesquisas da Fipe e um dos autores do estudo, Bruno Oliva, é a primeira vez que uma base de referência para preços de medicamentos hospitalares é calculada no Brasil.

“A Fipe trabalha com esse tipo de informação há bastante tempo e esse é mais um passo em trazer informação a um setor específico, nesse caso o de hospitais.”

Agora, diferentemente de outros índices calculados que avaliam as alterações nos preços ano a ano, o IPM-H é calculado mensalmente.

Segundo Rafael Barbosa, CEO da Bionexo, a cada 1,5 segundo são realizadas transações entre fornecedores e administradores de hospitais, e essas informações ficam todas registradas na plataforma.

A atualização dos preços é constante, e permite avaliar em tempo real a oferta e demanda e poder ter uma informação mais correta do preço.

“Essa nova informação é uma ferramenta importante pois dá ao setor uma referência mensal. Se um gestor precisa comprar um medicamento e vê que o preço no mês anterior estava 50% mais baixo, caso ele não tenha necessidade imediata, pode aguardar um pouco”, afirma.

“Se precisar muito, pode comprar uma quantidade mínima, mas não precisa estocar. É uma forma de tomar a decisão de maneira consciente.”

Os dados começaram a ser levantados em dezembro de 2014, mas o índice só foi concluído agora. Olhando de modo mais geral a mudança de preço, fica evidente a interferência da pandemia no preço dos medicamentos hospitalares.

Na visão de Oliva, são dois fatores que explicam esse aumento.

“Existe um componente que é a variação do câmbio, que afeta drasticamente o preço dos medicamentos principalmente aqueles que são importados ou produzidos com insumos importados”, diz. O dólar se valorizou quase 16% e março ao fim de julho frente ao real.

“Outro componente foi o aumento brusco da demanda de medicamentos devido à Covid-19, em especial aqueles relacionados ao tratamento de pacientes graves internados com a doença.”

Agora no último mês de julho, para o qual os pesquisadores têm dados finalizados —não há ainda informações para agosto—, houve uma leve desaceleração.

A taxa variou apenas +1,74%, frente à +4,58% no mês anterior, que pode em parte estar relacionada a uma queda no número de internações no país e em parte a uma maior organização do setor de fornecimento de medicamentos.

Em agosto, a taxa de óbitos pela doença começou a desacelerar no pais, embora permaneça alta.

Os autores dizem acreditar que com o índice em mãos virá muito mais transparência para o setor, inclusive para hospitais que possuem demandas distintas.

Barbosa vê ainda uma outra vantagem do índice: auxiliar o poder público na criação de políticas públicas em saúde e gestão a longo prazo.

“No início da pandemia, a demanda global por medicamentos e insumos foi alta, e durante os meses mais graves na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, com a Ásia produzindo apenas internamente, houve uma corrida por remédios, o que gerou uma demanda muito agressiva”, ressalta ele, aludindo ao período em que se chegou a travar até disputas geopolíticas e comerciais por insumos.

“Isso nos mostra também que ficar totalmente dependente de uma produção externa não é viável. Seguramente o setor nacional vai se preparar, vai expandir a produção e espero que a gente leve isso para a frente como uma questão de segurança nacional.”

O índice IPM-H não reflete a variação dos preços de medicamentos vendidos em farmácias para o consumidor final. Ele também não é uma medida de variação de custos de tratamentos em hospitais ou planos de saúde, que envolvem outros gastos, como equipamentos, recursos humanos e demais materiais.

porCIPERJ

Pesquisa revela que síndrome de ‘burnout’ atinge 83% dos profissionais de saúde na linha de frente contra a Covid-19

fonte: O Globo

Médica em Manaus, a jovem Anne Menezes estava exausta física e psicologicamente. “Eu estava 12 horas de plantão, e eu não percebi o tempo passar. Quando eu me dei conta, já eram 5 da manhã, eu não tinha tomado água, eu não tinha ido ao banheiro, eu não tinha jantado. E já tinha realizado uma série de procedimentos, incluindo entubações nos pacientes”. Casos assim confirmam o que se constatou numa pesquisa feita pela internet entre 26 de junho e 6 de julho pela PEBMED, organização que produz conteúdos feitos por médicos para auxiliar o profissional na hora da tomada de decisão clínica. Segundo o levantamento feito com 3.613 profissionais, 83% daqueles que estavam na linha de frente do combate à Covid-19 declararam sintomas da Síndrome de Burnout, mais conhecida como síndrome do esgotamento profissional. O dado foi revelado em uma reportagem da edição deste domingo, dia 6, do “Fantástico”, da TV Globo.

Para Juliana Freitas, enfermeira em Sergipe, os sintomas do problema ficaram mais evidentes no momento em que ela fazia o atendimento de uma criança acidentada. “Ela sofreu um traumatismo craniano, foi atropelada, e simplesmente eu parei. Eu não sabia o que fazer. O pessoal falava comigo, entrava num ouvido, saía no outro. Eu tenho sete anos de urgência-emergência. E nunca houve nenhum tipo de… episódio como esse”, lembra Juliana. Ela conta que passou cinco meses sem ver a filha. “A gente passou cinco meses praticamente, quatro meses, sem eu ter nenhum tipo de contato com minha menina. Por medo de realmente de transmitir, porque ela é asmática e eu tinha medo que ela pegasse o Covid. Graças a Deus ela não teve, ela ficou o tempo todo com minha mãe, distante de mim. Aí teve essa questão do afastamento. E… muito difícil, muito difícil”, diz Juliana, que trabalha numa unidade de pronto-atendimento em Boquim, a 80 quilômetros de  Aracaju, e também em hospital público da capital.

Segundo Eduardo Moura, médico co-fundador da PEBMED, organização que produz conteúdos feitos por médicos para médicos para auxiliar o profissional de saúde na hora da tomada de decisão clínica, um questionário foi enviado por e-mail para a base de profissionais de saúde da instituição. Foram por volta de 100 mil envios.  O burnout é comum na área de saúde, mas, mesmo assim, 83% chama muito a atenção. “O  burnout é uma coisa relacionada ao estresse vocacional. Uma coisa ligada ao ambiente de trabalho. É sempre ligada à perda de perspectivas, perdas de paixão, cinismo. Uma perda do otimismo da pessoa, principalmente fadiga de empatia e de compaixão”, explica Márcio Bernik, psiquiatra coordenador do ambulatório de ansiedade do Hospital das Clínica de São Paulo.

Segundo o psiquiatra, o aumento de transtorno mental não é limitado aos profissionais de saúde. Mas esses foram particularmente impactados pela questão da doença. Considerando o total da pesquisa, incluindo os profissionais que estão e os que não estão na linha de frente, a Síndrome de Burnout apareceu em 79% dos médicos; 74% dos enfermeiros; e 64% dos técnicos em enfermagem. Em relação à faixa etária, quanto mais jovem o profissional, maior a chance de esgotamento. Até 40 anos, 82% dos pesquisados reclamaram de burnout, enquanto o número cai para 67% para profissionais com mais de 40 anos.  “São profissionais que ainda acabam não sabendo lidar da mesma maneira do que os mais experientes”, afirma Eduardo Moura.

Em hospitais públicos, os números dessa exaustão são mais altos do que nos particulares: 79% (públicos) e 74% (privados). Piores condições de trabalho, falta de insumos hospitalares, disponibilidade de pessoas e de profissionais também se mostrou como algo relevante e que favorece burnout. Sobre gênero, a síndrome aparece mais em mulheres: 73% (homens) e 80% (mulheres).

“Comecei com distúrbios gastrointestinais,  tremendo mãos, pés. Sentia pânico. Tava me sentindo muito mais segura em minha casa do que no lugar onde eu tava trabalhando. Fui afastada agora dia 26 de agosto, por dois meses. Por um esgotamento. Esgotamento profissional, deficit de concentração, de memória, excesso de trabalho, sobrecarga”, conta a enfermeira Juliana Freitas. “Tô com acompanhamento com psiquiatra. Agora vou começar uma terapia com psicólogo pra poder tentar realmente sair dessa fase, sair disso tudo. E voltar à minha vida normal”, acrescenta a enfermeira.

Em Manaus, a doutora Anne, de 27 anos, que mora com a mãe, faz o segundo ano da residência. Os números e a curva de casos da cidade sugerem que a pandemia já passou, mas a rotina da médica segue pesada. “Continuamos recebendo pacientes muito graves, principalmente vindos do interior do estado, mas também da capital. A gente até comenta, será que tá acontecendo tudo de novo?”, questiona Anne.  Há duas semanas, ela relata a situação de estresse que viveu. ” Não parava de chegar paciente. A gente contabilizou nesse dia sete entubações. Meu plantão começou sete da manhã.
Por volta de 7 da noite, eu precisei me retirar, ir ao banheiro chorar, porque aquilo tudo tinha mexido muito comigo. Eram senhoras jovens, senhores jovens, na faixa dos 50, 60 anos e me veio a lembrança na cabeça da minha mãe, do meu pai, e aquilo tudo foi muito desgastante naquele momento. Fui ao banheiro, chorei tudo o que precisava chorar. Passou uns 10 minutos, me recuperei. E voltei porque ainda tinham mais 12 horas de plantão”, relembra.

Para o pesquisador,  essa pesquisa deveria ser encarada como um grito de socorro dos profissionais de saúde. “Porque o perfil de quem respondeu a nossa pesquisa é principalmente do profissional de linha de frente, do profissional do SUS, do profissional que tá submetido a uma carga de trabalho aumentada, com poucos recursos. E tendo que atender a uma demanda cada vez maior”, afirma Eduardo.

A médica Anne também precisou entrar de licença, assim como a enfermeira Juliana. “Eu precisei me ausentar, para me recuperar e poder ajudar os colegas de novo”, disse. De volta aos plantões, ela está se tratando. O repórter pergunta se, como uma residente, que ainda nem terminou a residência, ter passado por tudo isso deu uma baqueada em relação à carreira médica, ou tá mais convicta ainda? Annde diz: “Não. Cada dia que passa, eu tenho certeza que eu estou no caminho certo. A gente fazendo com amor… a gente consegue respirar e continuar”.

 

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ANM abre inscrições para o programa Jovens Lideranças Médicas

fonte: ANM

A Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu, nesta quinta-feira, 3 de setembro, debate com médicos que estão fazendo a diferença em áreas como Oftalmologia, Medicina regenerativa, Depressão, Oncologia, entre outras. O Simpósio Jovens Lideranças Médicas (JLM) da ANM contou com apresentações de alguns dos atuais 50 participantes do programa, que existe na Academia desde 2014, além de palestras e debates com decanos da ANM.

Inspirado no “Young Physician Leaders”, da Rede Global de Academias de Medicina, o programa Jovens Lideranças Médicas da ANM visa promover o desenvolvimento de qualidades de liderança entre os profissionais de saúde. O programa foi criado com o objetivo de fomentar um ambiente favorável à criação e implantação de ideias transformadoras para a Medicina do País. Em conjunto com acadêmicos titulares, o jovem médico membro do programa tem o papel de participar das discussões e das atividades acadêmicas, assim como na geração, implantação e viabilização de ações inovadoras no âmbito da ANM.

O evento também marcou a abertura de novas inscrições para o JLM brasileiro, cujo processo seletivo vai até o dia 30 de outubro.

Mais informações: //anm.org.br/conteudo_view.asp?id=3324