fonte: O Globo

Um paciente que procura hoje a rede municipal de Saúde da cidade do Rio com um problema em sua retina, e, após uma primeira análise, o oftalmologista recomenda o exame “Retinografia Fluorescente” tem o nome inserido no Sistema de Regulação (Sisreg) da prefeitura do Rio. A partir daí, ele poderá ficar até 636 dias, ou quase 21 meses, na fila esperando ser chamado para a consulta. Um levantamento feito pela prefeitura do Rio e obtido pelo GLOBO mostra que a cidade do Rio fechou o ano de 2020 com 340.551 pessoas na fila do Sisreg aguardando uma cirurgia ou exame.

Em relação a 2019, a fila até reduziu em 15 mil pacientes, mas em quatro anos ela mais que dobrou. Em janeiro de 2017, 143 mil pessoas esperavam na fila por uma intervenção cirúrgica ou exame. Com o cenário que piorou por causa da pandemia, a prefeitura do Rio determinou a retomada de cirurgias eletivas e atividades ambulatoriais em hospitais municipais.

O levantamento feito pela secretaria municipal de Saúde ainda revela que em diversos procedimentos a oferta mensal de consultas foi reduzida desde 2017, como a histeroscopia diagnóstica, exame ginecológico indicado em caso de sangramentos uterinos anormais. De uma oferta mensal de 208 consultas, em janeiro deste ano eram marcadas somente 93, o que fez o tempo de espera saltar de 89 para 132 dias.

No caso do paciente que precisa de uma retinografia fluorescente, o médico oftalmologista André Cechinel da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia explica que a demora pode ser causada pela falta dos aparelhos ou de um profissional habilitado para interpretar o exame. Atualmente há a oferta de 190 exames mensais na rede do Rio:

— Não é um exame de alta complexidade. Você injeta um corante e consegue enxergar o fundo do olho na retina. Mas é um exame importante que você pode diagnosticar doenças oftalmológicas da retina ou até metabólicas. Você pode fazer um estagiamento de como está o estágio a diabete mais precisamente com esse exame — explica o médico.

Em alguns procedimentos a oferta mensal aumentou desde 2017, mas nem em todos os casos acompanhou o crescimento da fila. Apesar de pacientes que precisam realizar uma densitometria óssea aguardavam uma vaga por mês e agora possuem uma oferta mensal de 223 consultas, o tempo médio da fila aumentou de 95 dias para 204. Isso porque em 2017 haviam 37 pessoas aguardando esse tipo de procedimento, enquanto atualmente há 3,920 pacientes.

A metade dos exames estão concentrados em um grupo de 10 procedimentos. Entre eles está o teste da orelinha, feito para saber se há problemas auditivos em recém-nascidos.

Os exames com a maior fila

  • Ecocardiografia transtoracica – 13,370
  • Endoscopia digestiva alta – 13,028
  • Ultrassonografia transvaginal – 11,860
  • Doppler venoso de mmii – 10,300
  • Emissões otoacusticas evocadas p/ triagem – auditiva (teste da orelhinha) – 6,597
  • Colonoscopia – 6,413
  • Ultra-sonografia de articulação – 6,105
  • Doppler arterial de mmii – 4,264
  • Oftalmologia – paquimetria ultrassonica – 4,098
  • Densitometria óssea – radiodiagnostico – 4,078

Plataforma de transparência será remodelada

Na atual plataforma de consulta online da prefeitura há pacientes que estão com data de pedidos no sistema de antes do ano 2000. Segundo o secretario municipal de Saúde Daniel Soranz, o atual sistema é pouco transparente e que é preciso realizar uma limpeza nos dados que estão abertos para dar maior previsibilidade ao cidadão.

— Está entre as meta dos 100 dias da nova gestão uma nova plataforma para dar maior previsibilidade para o paciente saber quando será atendido. Mas com a retomada dos exames e das cirurgias eletivas vamos conseguir fazer essa fila andar— explica Soranz.