fonte: O Globo
A Amil aderiu ao programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, e prevê a realização de 600 procedimentos cirúrgicos de oncologia, cardiologia e cirurgia geral de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em três hospitais do grupo no Rio nos próximos 12 meses.
A iniciativa do Ministério da Saúde prevê que pacientes que estão na fila por atendimento na saúde pública sejam atendidos em unidades particulares. Em troca, operadoras de planos de saúde e hospitais privados têm dívidas com o governo federal abatidas ou ganham crédito tributário com a União.
A entrada da Amil no programa foi oficializada hoje pelo ministro Alexandre Padilha e Anderson Nascimento, CEO da Total Care, braço hospitalar do Grupo Amil. Na cerimônia, o empresário José Seripieri Filho, o Junior, dono do Grupo Amil, prometeu elevar o número de cirurgias para 1 mil:
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— É fundamentar haver um entrosamento inexorável entre a rede pública e os planos de saúde.
Como será a seleção?
A seleção dos pacientes deve seguir o Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) do SUS. As cirurgias serão realizadas nos hospitais Pasteur, no Méier, Pan-Americano, na Tijuca, e Hospital das Clínicas de Jacarepaguá. Estão previstos os seguintes procedimentos:
Colecistectomia (cirurgia da vesícula)
Hernioplastia umbilical (cirurgia de hérnia umbilical)
Mastectomia simples (oncologia)
Angioplastia em enxerto coronariano, com implante de stent (cardiologia)
Segundo a operadora, além das cirurgias foi firmada uma parceria envolvendo o Centro Edson Bueno, estrutura de pesquisa e ensino da Amil que será disponibilizada para a formação de médicos e enfermeiros que atuam no SUS.
— Já temos a sinalização de 300 hospitais privados que querem aderir ao programa. O Ministério da Saúde já avaliou tecnicamente cerca de 200 dessas propostas, remeteu para os gestores locais, nos estados e municípios, e está no processo de pactuação. Estamos trabalhando com a meta de incorporar pelo menos R$ 1 bilhão a mais em cirurgias, procedimentos, consultas especializadas nesse ano no SUS para atender quem está esperando há tanto tempo nessas filas de espera — comentou Padrilha.
Pelas regras do setor, cada vez que um usuário de plano de saúde é atendido pelo SUS, a operadora precisa pagar os valores devidos ao sistema público. No programa Agora Tem Especialistas, esses valores podem ser abatidos caso a operadora realize atendimentos de pacientes do SUS.
A participação da Amil na iniciativa terá como contrapartida a criação de benefícios fiscais, já que, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a operadora está em dia com suas obrigações. Com os atendimentos, a expectativa é que a operadora ganhe créditos tributários de até R$ 4 milhões.
— Cada hospital ou operadora tem um teto tanto de troca de dívidas, para quem tem, ou ,como o caso da Amil, que não tem dívidas, do que a gente chama de crédito financeiro, com redução de pagamento dos impostos. O edital tem uma tabela com os limites que ela (a empresa) pode trocar de impostos com cirurgias e exames para não gerar uma distorção tributária — detalhou Padilha.
A Amil é o quarto grande grupo de saúde a aderir ao Agora Tem Especialistas. A primeira operadora foi a Hapvida, seguida do Grupo Athena. No fim de dezembro, a Rede D’Or anunciou a adesão, com os hospitais Glória D’Or e Niterói D’Or. As duas unidades realizarão para o SUS cerca de 100 cirurgias cardiológicas por ano no valor de R$ 3,6 milhões.

